13 de ago. de 2009

Homens e meninos

Atlético 1 x 1 Palmeiras

Conforme havia sido previsto no post anterior, a partida mais importante da rodada do campeonato brasileiro não foi transmitida para a Bahia. Numa tentativa de não compactuar com mais essa exibição de dominação cultural, optei por preparar a minha cama e dormir. Pouco antes da meia-noite acordei e, naturalmente, não consegui resistir e liguei o computador para saber o placar do aguardado jogo. 1 x 1, com um pênalti perdido pelo Renan Oliveira.

Deitei novamente, mas não consegui dormir, remoendo o empate com sabor de derrota. Como um time que se diz candidato ao título deixa de vencer um adversário direto na briga pelo caneco perdendo um pênalti? Liguei a TV ainda a tempo de ver os melhores momentos da peleja: equilíbrio e gols perdidos pelos dois lados. Diego Souza, mais uma vez, deitou e rolou no Mineirão, desta vez em cima do Welton Felipe, na jogada que resultou no gol palmeirense. Marcos falhou no gol de Éder Luís, mas pegou o penal.

O penal, aliás, merece uma análise à parte: tenho muita simpatia e boa vontade com o Renan Oliveira. É cria da casa, é habilidoso. Mas uma coisa fica cada vez mais clara a cada dia que passa: ele não é o jogador decisivo que a torcida tanto espera. É um meia talentoso, mas não tem a capacidade de ser a referência do time do Atlético. Ainda é novo e isso pode mudar, mas vai precisar de ritmo de jogo, de tempo e vontade. Assim, deixar o Renan cobrar a penalidade foi um erro estratégico absurdo do Atlético. Não que o Júnior não pudesse perdê-la também, mas as circunstâncias eram demasiado desfavoráveis ao garoto. E o que foi aquela paradinha? No fim, separou-se o homem do menino.

Voltando ao jogo: a impressão que tive foi que o Atlético, com todas as suas limitações e desfalques, jogou tudo o que podia e estava ao seu alcance. Esse mérito não podemos tirar de Roth e seus comandados. Por outro lado, este sacrifício nos custou uma série de desfalques que transformou a possibilidade de conseguir um bom resultado em São Paulo contra o Corínthians ganhar as proporções de um feito épico, o que nos leva à simples constatação de que o nosso elenco é limitado.

Ainda estamos na disputa pelo título? Acho difícil. Mas, acredito que temos condições de conseguir a nossa melhor colocação da era dos pontos corridos e, quem sabe, terminar entre os quatro primeiros. Depois do desastre no Campeonato Mineiro e na Copa do Brasil, quem poderia imaginar que estaríamos frustrados por termos caído para o segundo lugar?

------------

12 de ago. de 2009

Haja estômago

Após 12 horas de trabalho cheguei em casa e resolvi não realizar nenhuma outra atividade física a fim de poupar o que me resta de energia para o clássico desta noite. Agora, faltando pouco menos de uma hora para o início da partida, ainda não consegui descobrir se a peleja será transmitida para o interior da Bahia. A Band anuncia que sim, mas o menu da sky aponta o jogaço de bola entre o time misto do flamengo e o reserva do fluminense. A Globo e a sportv também transmitirão o "imperdível" clássico carioca. Houvesse sabido disto outrora, teria descarregado as baterias correndo alguns quilômetros, garantindo uma agradável noite de sono após as 22 horas. Pois bem, agora não temos outra solução a não ser aguardarmos o que o destino nos reserva.

Com relação à partida desta noite, considero que não há um favorito. Acredito que as duas equipes se equivalem e ambas têm desfalques importantes. Não gosto muito da ideia de lançar o Renan Oliveira no ataque, mas o menino tem talento e pode ser uma surpresa. Também tenho péssimas recordações acerca do desempenho de Diego Souza no Gigante da Pampulha. Por outro lado, me anima o fato de o Roth levar um certa vantagem nos duelos contra Muricy: ano passado, embora tenha perdido o caneco, ganhou as duas partidas contra o tricolor paulista.

Enfim, creio que será uma partida equilibrada, principalmente se o porco não contar com um jogador extra em campo. Aliás, quero deixar claro que, em geral, sou contra as lamentações atleticanas acerca das arbitragens. Mas, com relação ao Palmeiras, fui testemunha ocular de pelo menos dois assaltos praticados contra o galo dentro de Belo Horizonte e, por isso, sempre vejo com desconfiança os duelos entre as duas equipes quando há algo em disputa.

-------------------

9 de ago. de 2009

Diversas

Faltando apenas a partida do Inter contra o Sport, a ser realizada na noite da segunda-feira, podemos dizer que os resultados das duas últimas rodadas não foram de todo ruins para o Atlético. O empate do Palmeiras com o Grêmio e a derrota do Goiás para o São Paulo deixam a recuperação da liderança nas mãos do galo: se conseguir bater o Palmeiras e o Inter, a liderança é alvinegra. Serão tarefas das mais difíceis, pois são duas das (se não AS duas) equipes mais qualificadas do campeonato e rivais diretos caso almejemos o caneco.

Mas, se as pretensões do glorioso são as maiores possíveis, conforme afirma e reafirma o presidente Alexandre Kalil, é preciso acreditar que esses resultados são possíveis e trabalhar para consegui-los. Mais ainda: os resultados foram bons, mas com dois jogos a menos todo mundo encostou definitivamente no Atlético. Não dá para tropeçar mais, galo. Agora é vencer!

*********

Quando soube que a partida Atlético x Palmeiras havia sido adiada pela CBF, desconfiei que o houvessem feito para favorecer a televisão. A convocação do Tardelli, no entanto, já me deixou com uma pulga atrás da orelha. Era muita coincidência! Como acabo de descobrir que tanto a TV Bahia quanto o SPORTV vão ter como jogo da noite de quarta o FLAFLU da Copa Sulamericana, a única explicação racional que vejo para o adiamento é a transmissão da partida do Mineirão para o estado de São Paulo. Maldita dominação cultural! Sendo assim, se alguma boa alma souber o porque deste adiamento, peço-lhe que o divulgue para este humilde escriba, que já antecipa os agradecimentos.

**********

Aqui no alojamento há uma pista cimentada que contorna o terreno e que o pessoal - eu, inclusive - utiliza ao fim do expediente para correr. Ao longo dos seus quase 800 metros há um trecho mal iluminado onde em uma noite limpa, como a de hoje, é possível enxergar a infinidade de estrelas que domina o firmamento.

Hoje, enquanto corria e olhava para o céu, me lembrei de uma noite em 1991 onde, num barco no rio Paraopeba, eu e meu pai, enquanto pescávamos, escutávamos a partida entre Bragantino x Fluminense que decidia o adversário de São Paulo ou Atlético na final do brasileiro daquele ano. Em determinado momento, olhei para o céu e, urbano e pouco viajado que era, manifestei um enorme espanto em relação ao número de estrelas que havia sobre nós. Não sei muito bem porque o meu pai se impressionou tanto com a minha surpresa, a tal ponto que esta se tornou uma de suas histórias favoritas, uma daquelas para ser divulgada nas celebrações familiares nas quais regularmente comparecíamos:

- Uma vez, levei esse aqui pra pescar e quando estávamos no barco, à noite, ele olhou para o céu e disse: "Nó, pai, olha quanta estrela!". Conta aí pra eles!

E então me lembrei que era dia dos pais. Também me lembrei que há muitos anos esse dia passava sem que eu me desse conta. Fica, então, esta singela homenagem àquele pescador atleticano.

E, ah, naquela viagem eu, então com 10 anos, peguei o maior peixe. E não é história de pescador.

----------------

5 de ago. de 2009

Reencontro com a vitória

Atlético 3 x 2 Coritiba

É praticamente impossível conter a ansiedade quando a partida do seu clube é marcada para o fechamento da rodada às 18:30h do domingo. No caso do Atlético, a ansiedade ficou ainda maior após duas derrotas consecutivas, que resultaram na perda da liderança e, para piorar, após a vitória do Palmeiras na abertura da rodada, que colocou seis pontos de diferença em relação ao Galo. Sendo assim, todo alvinegro sabia que, dados os efeitos psicológicos devastadores de um fracasso neste momento, qualquer outro resultado que não fosse a vitória contra o Coxa no Mineirão praticamente sepultaria as ambições atleticanas com relação ao caneco.

As coisas não poderiam ter começado melhores para o Atlético que, impondo um ritmo fortíssimo, com 15 minutos do primeiro tempo já ganhava por 2 x 0: Jonílson e Diego Tardelli marcaram com assistências do Evandro, que havia iniciado a partida no lugar de Júnior. Ainda escutando os gritos da torcida saudando o Tardelli, comento com a minha mulher:

- É, agora já era... O Galo vai fazer picadinho do Coritiba.

Ela, demonstrando sabedoria para a atleticana novata que é, comentou calmamente:

- Acho que não... O time faz 2 x 0 e fica acomodado.

Logo depois, em um escanteio, o Coxa conseguiu diminuir. Deve ser o tal sexto sentido feminino. Apesar disso, o Galo continuou com um maior volume de jogo perdendo gols de todas as maneiras possíveis e imagináveis (sem contar a grande atuação do arqueiro curitibano). O adversário ameaçava com alguns contra-ataques perigosos, aproveitando os espaços deixados pelo meio e pela defesa atleticanos.

À medida que a partida se aproximava do fim, começava a me lembrar da quantidade de resultados entregues pelo Atlético em circunstâncias idênticas ao longo de todos esses anos. "Já vi esse filme..", pensava, mas logo vinha um pouco de otimismo "esse ano tá diferente, vamos garantir os três pontos!". Aos 36 minutos da etapa final, o Coritiba conseguiu enfiar uma bola em profundidade pelo lado direito da defesa atleticana e o atacante, cara a cara com o Aranha, fuzilou, para meu desespero, a meta alvinegra.

Silêncio no quarto. Minha mulher continuou no computador, alheia ao nosso trágico destino.

Sentei-me no sofá, peguei todas as almofadas, coloquei-as no colo e fiquei ali, incrédulo, meditando. Já via o campeonato descendo pelo ralo em direção ao esgoto sujo, como diria meu primo André.

Já passava dos 40 quando, de repente, uma bola sobra na esquerda para o Saci, que cruza a pelota rasteira pela área alviverde sobrando nos pés do Renan Oliveira. O garoto, domina, gira, dá um toque para o lado e solta um petardo estufando as redes de Édson Bastos. Um grito de gol e uma explosão, com palavrões e almofadas voando pelas paredes do quarto! Dessa vez ninguém ficou alheio!

Apita logo, juiz! Porra! Muito alívio...

Esta rodada estaremos de folga, pois a partida contra o Inter foi adiada. O próximo adversário é, portanto, o Palmeiras. Ainda estamos no páreo.

-------------

1 de ago. de 2009

No maior do mundo

Flamengo 3 x 1 Atlético

Com ingressos comprados desde a segunda-feira, passamos toda a quinta-feira torcendo, inutilmente, para que São Pedro colaborasse e fechasse as torneiras. Com a missão de levar um amigo italiano para conhecer o Maracanã, não seria uma chuva teimosa que nos faria ficar em casa.

Após uma longa caminhada debaixo d'água até a estação do metrô, da mudança de linha na Estácio e da correria até às roletas do Maracanã, conseguimos entrar no estádio com os dois times no gramado se preparando para o início do jogo. Demos a volta em todo o anel inferior a fim de chegarmos à torcida alvinegra e, mal nos acomodamos nas cadeiras, o Atlético, após uma roubada de bola do Serginho, consegue anotar o seu primeiro tento com o Éder Luís. Muita festa e animação de todos. Nada melhor do que largar na frente.



GOL!!

Infelizmente, o que vimos após este gol foi um time exageradamente recuado e extremamente afoito na hora de encaixar os contra-ataques. O resultado foi uma pressão incessante do Flamengo que não empatava devido a um misto de sorte alvinegra com a incompetência do ataque flamenguista. Após mais um ataque perigoso, comento com Daniele, meu amigo italiano:

- Rapaz, estamos com muita sorte! Mas não dá pra ficar assim o jogo inteiro... Uma hora a bola entra, porra! Tomara que o primeiro tempo acabe logo!

Daniele faz que sim com a cabeça.

Apesar das adversidades, a torcida ainda apoiava o time sem parar e, quando resolvi sentar um pouco para descansar, levamos um gol numa falha horrorosa da defesa. Léo Moura penetrou pela direita e fuzilou a meta do Aranha. Daniele comenta:

- Falha do goleiro. Foi muito mal na bola.

Ainda tentávamos assimilar o golpe quando o Flamengo marcou o gol da virada. Desânimo total. Me retiro para ir ao banheiro e ao bar. Volto a tempo de ver o árbitro encerrar a primeira etapa. Passamos o intervalo resenhando o primeiro tempo sentados nas cadeiras. Além de Daniele, contávamos com a companhia do Fábio, um amigo gaúcho, gremista, que veio para transmitir o jogo para algum site internacional.


Isola, Weltão!!

Os times voltam, o Galo com duas alterações: saíram Júnior e Serginho, entraram Evandro e Marcos Rocha, respectivamente. O segundo tempo se inicia e não há muita diferença em relação à etapa anterior. Pouco tempo depois Roth substitui Márcio Araújo por Pedro Paulo. Daniele pergunta se a alteração é boa. Respondo que a ideia não é ruim, mas que, considerando-se a peça de reposição, não deve dar em nada. Aproveito para expor a teoria do Mateus que diz que o Pedro Paulo teria um desempenho melhor se a bola utilizada tivesse guizos dentro dela como nas partidas com os deficientes visuais: o homem não tem nenhuma precisão nos arremates! Ainda explicava a tal teoria quando o Flamengo marcou o terceiro, liquidando o jogo.

No fim, descemos para o muro que separa a arquibancada inferior do gramado para tirarmos algumas fotos e o que vimos foi o Pedro Paulo confirmar a teoria do Mateus: recebeu uma bola na grande área e errou o domínio. Com o seu inesperado erro, enganou o goleiro Bruno e, com o gol vazio, conseguiu, espetacularmente, acertar a trave e colocar a bola pra fora. Não precisei dizer nada para o Daniele.

É difícil entender o que está acontecendo com o Atlético: salto alto? Falta de preparo? Racha interno? O elenco sucumbiu à pressão? O time, realmente, pareceu cansado no fim da partida. Mas não posso deixar de reconhecer que correram muito. O problema é correr de uma maneira desorganizada, sempre atrás da bola e não com ela nos pés. Cansa-se à toa e se produz muito pouco. O chato é que a partida não poderia ter começado melhor para o Galo, o que nos deixou muito otimistas, pena que não soubemos aproveitar a oportunidade.

No fim, Daniele fez a sua leitura do jogo:

- O Flamengo jogou pelo Andrade, correu mais, teve mais vontade. O Atlético esteve apático, mas a culpa foi do goleiro. Debaixo do gol ele não pode deixar as bolas passarem daquele jeito.

Domingo o Atlético buscará a recuperação diante de um desfalcado Coxa. Qualquer outro resultado que não seja a vitória selará o nosso destino nesta competição.

----------------

30 de jul. de 2009

Mais um clássico

Mesmo com a chuva incessante que cai no Rio, estaremos logo mais no maior do mundo para apoiar o Galo na sua busca pela liderança contra o Flamengo. Depois do chocolate aplicado nos rubro-negros na temporada anterior (3 x 0 dentro do Maracanã), acredito que seja praticamente impossível repetir a bela atuação e a vitória tranquila. Apesar disso, o time tem sido um adversário difícil de ser batido fora dos seus domínios e, se apresentar o seu melhor futebol, complicará a partida para os urubus. Tomara que a sorte esteja do nosso lado nesta rodada, pois diante do péssimo resultado do domingo passado, precisamos, acima de tudo, pontuarmos esta noite.

Parte 2: A convocação do Tardelli ou "pimenta no rabo dos outros"

Muitos celebram a convocação do nosso artilheiro nesta temporada para a Seleção Brasileira. Sem dúvida, para o jogador e para o clube a convocação é um fato deveras interessante: abrem-se portas, valoriza-se o passe e divulga-se o time. Para o torcedor, no entanto, é o que há de pior: é o princípio do adeus, não bastasse as rodadas cujo desfalque é inevitável, a convocação praticamente carimba o passaporte do futebolista para o exterior. E, pra falar a verdade, para mim (e para a maioria dos atleticanos, creio eu), o Galo vem muito antes da seleção.

Mais irritante do que ter o principal jogador convocado para a seleção é descobrir que o jogo contra o Palmeiras, partida que pode decidir o primeiro turno do campeonato foi, "coincidentemente", adiada para o dia do jogo do Brasil contra o poderoso escrete da Estônia. Haja estômago.

----------

27 de jul. de 2009

Gosto amargo

Atlético 0 x 1 Goías

Três dias após a desgastante (tanto fisica quanto emocionalmente) partida contra o Fluminense, estávamos todos de volta ao Mineirão: time e torcida, tendo o Goiás como adversário. Domingo ensolarado, estádio cheio, cenário perfeito para mais uma grande atuação do alvinegro mineiro.

O cenário era perfeito, só faltou a vitória do protagonista do espetáculo.


Infelizmente, o cenário sozinho não garante um grande espetáculo. O jogo deste domingo começou nervoso, com o verdão decidido a cozinhar o Atlético o máximo que pudesse, uma catimba tremenda. O Galo mantinha a posse de bola, mas não conseguia chegar ao gol de Harlei com a qualidade necessária para finalizar com precisão. Nas poucas oportunidades que teve ao longo de toda a partida, acabou pecando por preciosismo, falta de técnica ou falta de sorte. Sim, se a sorte esteve do nosso lado na quinta-feira, quando a bola quicou e entrou, na tarde do domingo nada deu certo.

Quanto ao nosso adversário, é um time que manteve o treinador da temporada passada e vem realizando grandes partidas fora dos seus domínios. Já era sabido que o jogo seria problemático. Ademais, contam com Iarley na frente. Jogador discreto, mas que sabe segurar a pelota como poucos, distribuir os contra-ataques e chegar finalizando, como comprovou in loco nosso zagueirão Welton Sagat Felipe. E assim, quando levamos o gol faltando menos de 10 minutos para o apito final, o estádio inteiro pareceu saber qual seria o fim da história. Ficou o sabor amargo da derrota em casa, pela primeira vez neste brasileiro.

Não há dúvidas de que o Atlético tem um bom time de futebol, mas com o desenvolvimento do campeonato e a realização de duas partidas por semana, fica claro que o elenco ainda precisa de mais uma ou duas peças para suportar o ritmo do torneio. Conforme havíamos discutido no pós-jogo de quinta-feira, ainda no Mineirão, o mais preocupante era o físico do Atlético para a partida do domingo. Aparentemente, este foi um grande problema na tarde de ontem. O time correu, lutou, mas sem "chegar junto", sem a pegada característica dos jogos anteriores, marcando mais em seu campo de defesa e chegando sem muita qualidade quanto tinha a posse de bola.

Quinta-feira, contra o Flamengo, estaremos no Maracanã, tomara que com bastante fôlego.

----------

25 de jul. de 2009

Contra todos os prognósticos

Atlético 2 x 1 Fluminense

Não se pode negar que lotar o Mineirão é um hábito corriqueiro da massa alvinegra e, portanto, não há razão para a surpresa em relação à média de público dos jogos em Belo Horizonte nesta temporada. A diferença desta vez é o clima de otimismo que começa a se firmar no Gigante da Pampulha e no seu entorno, enquanto aguardamos o início da partida. Não é o otimismo que leva ao menosprezo ao adversário e, naturalmente, ao clima de "já ganhou", mas aquele que vem da confiança da torcida em relação ao seu time e que é, sem dúvida, produto dessa boa campanha e do início do resgate da nossa dignidade e prestígio. Uma experiência bastante diferente daquelas vividas nas temporadas anteriores quando as pessoas se preparavam espiritualmente do lado de fora para serem atiradas aos leões dentro da sua própria casa.

Pois bem, nesta quinta-feira chegamos bastante cedo ao ponto de encontro onde se desenvolvem os rituais de pré-jogo: bate-papo, cantorias e 2 latões por 5 reais. Uma vez que não se permite a venda de bebida alcoólica dentro dos estádios e os ingressos são vendidos antecipadamente, as pessoas prolongam estas atividades até 10 ou 15 minutos antes do momento previsto para o apito inicial. O resultado é a tremenda confusão que se gera nos portões de acesso ao estádio, impossibilitando sequer a formação de uma fila. Já tendo passado por isso antes, nos dirigimos para o portão 40 minutos antes do início da partida onde já enfrentamos uma certa confusão, mas não tivemos maiores problemas para o acesso. Dizem que quem deixou para depois viveu um verdadeiro inferno.

A partida em si, conforme previsto no post anterior, foi dificílima. O Fluminense optou pela defesa, mas sempre levando perigo à retaguarda alvinegra em seus contra golpes, exigindo boas intervenções do arqueiro aracnídeo. Durante toda a primeira etapa esta foi a tônica da partida, o que resultou no 0 x 0 para estes primeiros 45 minutos. Os times voltaram iguais para o segundo tempo e o Atlético ainda mais decidido em pressionar os cariocas. Assim, após um bate-rebate na área tricolor, Serginho conseguiu cabecear uma bola que quicou no gramado e entrou na meta de Fernando Henrique. Festa nas arquibancadas! Logo depois, erro de saída de bola da defesa do Fluminense, que foi roubada pelo ataque alvinegro, cruzada para a área e empurrada para o gol por Tardelli. 2 x 0 e carnaval no Mineirão.

A partir dos 2 x 0 o Atlético, aparentemente, decidiu controlar o jogo e o resultado foi uma tremenda pressão do adversário que impôs uma verdadeira blitz à meta alvinegra. De tanto tentar, acabou anotando o seu tento após uma bola rebatida por Aranha e recuperada pelo Tartá, em flagrante impedimento, que a cruzou rasteira para a pequena área onde o jovem Kiesa empurrou-a para as redes. 2 x 1 e extrema tensão nas arquibancadas. Admito que há muitos anos não vivia momentos tão tensos dentro do Mineirão, momentos dignos de uma partida decisiva. O companheiro Mateus, à beira de uma crise nervosa, se retirou das cadeiras e passou a, nervosamente, andar de um lado para o outro no caminho que leva ao acesso às arquibancadas, se manifestando aos palavrões à cada ataque desperdiçado pelos cariocas. Para finalizar, no último minuto, Aranha operou um milagre e garantiu a vitória e mais três pontos para o Atlético. Ainda permanecemos por alguns minutos nas cadeiras após o apito final, do jeito que foi não dava para sair de bate pronto, até para evitar um provável colapso do Mateus, que esteve a ponto de dar cabeçadas nas paredes.

E contra todos os prognósticos o Atlético continua vencendo e, após 13 rodadas, permanece na primeira posição com uma diferença de 3 pontos em relação ao segundo colocado. Felizmente, fiquei com a sensação de que a torcida resolveu, definitivamente, jogar junto e teve a necessária paciência para o Galo pudesse trabalhar as jogadas e buscar os gols. Como já disse, esse é o nosso time e essa é a nossa chance: vencer em casa. 1 x 0, 2 x 1, 3 x 2, não importa, precisamos dos três pontos.

Amanhã, outra partida complicada na Pampulha: o Goiás. Time bem treinado, astuto e com jogadores experientes. Roth deve se lembrar bem da derrota que lhe foi imposta ano passado pelo verdão em Porto Alegre, derrota que acabou lhe custando o título. Esperamos que as lições tenham sido aprendidas e que possamos atuar com a firmeza e serenidade necessárias para conquistar os pontos.

--------

23 de jul. de 2009

Apoio incondicional

"Parece que ele tá falando do Real Madrid"
William Waack

Muitos torcedores têm reclamado do tratamento dispensado pela imprensa nacional acerca da campanha do Atlético: incredulidade, desconfiança, ironia e até um certo desprezo, devo reconhecer (vide o senhor William Waack, por exemplo). No entanto, qualquer torcedor que acompanhe o glorioso há mais de 25 anos sabe que, mesmo nos áureos tempos de Reinaldo, Luisinho e companhia, o time nunca teve muita simpatia da imprensa (isso porque, talvez, seus rivais à época gozassem de mais prestígio). Ou seja, nada que já não conheçamos de longa data e, com relação a isso, acredito que a direção não pode deixar se abater pela falta de respeito. Pelo contrário, deve utilizar o menosprezo como fator de motivação para que a resposta seja dada dentro do campo.

Um outro aspecto interessante a ser destacado é que nos últimos seis anos o Atlético veio de uma sequência incrível da más gestões, sofrendo uma série de humilhações (em campo e fora dele) que acabaram por comprometer a tradição e o prestígio do clube mais tradicional de Minas Gerais. E, amigos, reconstruir uma reputação é uma tarefa árdua, demanda muito trabalho e os resultados não são imediatos. Me parece que neste ano o Atlético tem dado os primeiros passos neste sentido tanto futebolistica (tendo montado um time de futebol) quanto politicamente (contratações importantes, trabalhos nos bastidores, marketing, etc). Fica cada vez mais evidente que estamos, sim, correndo atrás.

A minha única preocupação, conforme já explicitado em posts anteriores, é a relação da torcida com o time. Está claro que pela primeira vez, depois de 8 anos (tirando pequenos intervalos sob o comando do Levir e do Leão) temos um time, e não um amontoado de jogadores, disputando o campeonato. O elenco tem suas limitações, mas também tem os seus destaques, mesclando experiência e juventude. É um time que corre e luta e tem ido mais longe do que imaginávamos que poderia ir. Dito isso, confesso que não consigo entender os protestos de certos segmentos da torcida em relação a determinados jogadores. Há sim carências e há atletas que estão rendendo abaixo do esperado, mas o time tá indo e se a torcida for junto, é muito melhor. Resumindo: é papel da torcida cobrar e protestar, mas se for para o estádio, é obrigação apoiar. Ponto final.

Sobre o Brasileirão: por incrível que pareça, a rodada começou de maneira extremamente favorável ao Atlético, que manterá a liderança mesmo diante de uma derrota frente ao Fluminense. É, certamente, uma ótima notícia, mas que deverá ser tratada com o devido cuidado para que a equipe não se acomode e mantenha a concentração necessária a fim de conseguir os importantes pontos desta noite, pois este é um longo campeonato.

Acima de tudo, não podemos nos enganar: apesar da má fase do tricolor carioca, não será um jogo fácil. Com novo ânimo após a troca do treinador o Fluminense deve vir com um esquema bem fechado, apostando nos contra-ataques e no poder de decisão do goleador Fred. É preciso ainda lembrar a desastrosa apresentação alvinegra diante do Botafogo, que atuou no Mineirão com a mesma proposta do seu conterrâneo. Caberá à torcida ter paciência e apoiar o time, independente da qualidade do futebol apresentado. Uma vitória pelo placar mínimo terá o valor de uma goleada.


-------------

20 de jul. de 2009

Com sabor de vitória (com o perdão do trocadilho)

Vitória 0 x 0 Atlético

Domingo de inverno é aquela coisa: tempo meio fechado, um certo frio (para os padrões cariocas), o clima certo para uma bela lazanha e algumas taças de vinho. O sujeito então, com o estômago cheio, chega em casa e resolve deitar no sofá para acompanhar a rodada do Brasileiro que, naquele momento, já está em andamento. Expectativa de partida difícil para o Atlético contra o Vitória em Salvador. O rubro-negro baiano detém a impressionante marca de 100% de aproveitamento jogando em casa e o Galo a de ser o melhor visitante.

TV ligada, pressão baiana. Processo digestivo mesclado com nervosismo não dá certo e é melhor dar uma zapeada e uma conferida na rodada. Má notícia: a vitória parcial do colorado no grenal devolve a liderança aos gaúchos, melhor sintonizar novamente no Barradão. Já é fim do primeiro tempo, escaramuça na área atleticana, Roger cabeceia, Aranha olha, a bola bate na trave e entra. A sorte é que, no espaço de tempo entre a informação ser captada pelos meus olhos, seguir pelos nervos ópticos e chegar à área do cérebro responsável pelo processamento da imagem, o narrador confirma que o árbitro havia anulado o tento soteropolitano, de modo que não tenho a minha digestão prejudicada. Milagre. Meu raciocínio de engenheiro diria que o sistema auditivo agiu mais depressa do que o óptico nestas circunstâncias, mas considerando os pobres resultados das minhas audiometrias, acredito que aquele vinho tenha sido o fator preponderante neste evento.

A fim de garantir a paz ao meu estômago, resolvo tirar uma soneca e perco a maior parte do segundo tempo. Os poucos flashes que acompanho terminavam, invariavelmente, com algum chutão da zaga alvinegra. Mais uma conferida na rodada: virada no Olímpico, o empate nos devolve a liderança. Torcida pelo apito final que, para meu alívio, não tarda a aparecer.

Se alguns alegam que o empate em Salvador foi um mau resultado, para mim pode ser considerado bastante satisfatório diante do pouco que vi da partida. Tivemos dois desfalques importantes, enfrentamos um adversário direto pelas primeiras colocações, que havia ganhado todas as partidas em casa até o momento e que nos havia imposto um 3 x 0 naquele mesmo estádio há bem pouco tempo. Qualquer torcedor alvinegro com mais de 15 anos sabe o que se passaria na tarde de ontem em Salvador se chegássemos para jogar com o espírito das últimas temporadas. No entanto, soubemos controlar o jogo e chegar a um resultado favorável e importante para a continuação do campeonato. No fim, recuperamos a liderança perdida no sábado e jogaremos as duas próximas partidas em casa. Agora é fazer a nossa parte, o Galo só depende dele.

-----------

19 de jul. de 2009

Missão difícil

Esta tarde o Galo entrará em campo na Bahia para tentar recuperar a liderança, surrupiada pelo Palmeiras no início da rodada, na noite de ontem. Missão deveras complicada, uma vez que enfrentaremos o Vitória, equipe com 100% de aproveitamento jogando em casa e de amargas lembranças para o torcedor alvinegro nesta temporada. Muitos argumentam que o rubro negro jogará sem a sua defesa, mas nós jogaremos sem o nosso principal jogador na temporada, o goleador Tardelli, e sem o veterano Júnior, que tem se destacado no meio campo alvinegro.



Não tenho dúvidas de que será um jogo complicadíssimo e a chance do Atlético em conseguir um bom placar aumenta muito se mantiver o futebol consistente da partida do meio de semana, com muita pegada e muita atenção. Não entrar a 20 por hora, como nosso adversário fez no Mineirão, o que resultou no gol relâmpago do Tardelli. Jogar com autoridade e suportar a pressão dos minutos iniciais lembrando, quem sabe, aquela apresentação antológica no mesmo estádio em 1999 pelas semifinais do Brasileiro.

No mais, se serve de alento, esta noite sonhei com uma vitória atleticana: 1 x 0, gol do Éder Luís de pênalti (eu nem sabia que ele cobrava penais).

-----------------

17 de jul. de 2009

Gás total

Atlético 2 x 0 São Paulo

Para o torcedor atleticano, a semana de 12 a 18 de julho pode ser definida como futebolisticamente perfeita: além da recuperação e, depois, manutenção da liderança no campeonato brasileiro com duas vitórias no Mineirão, ainda pode testemunhar o feito épico de "la brujita Verón" e seu Estudiantes de La Plata no mesmo estádio na noite de quarta-feira.

Entusiasmado pela boa campanha e animado com o fracasso do rival, o atleticano compareceu em massa em Mineirão fazendo uma grande festa. Aparentemente, a energia das arquibancadas contagiou o time, pois eu ainda estava finalizando as minhas tarefas no computador quando ouvi o grito de gol vindo da sala, chegando ao recinto apenas a tempo de ver o Tardelli correndo em direção ao banco de reservas, comemorando o seu sétimo tento no campeonato. O que se viu depois foi um time brigador, ganhando as divididas e perdendo inúmeras chances ao longo de todo o primeiro tempo. A segunda metade chegou a dar pinta de que seria mais equilibrada, mas um grande gol do Serginho, após tabela com o Éder Luís, colocou uma pá de cal no ímpeto de reação do tricolor. Depois disso, o Galo controlou a partida e garantiu os três pontos.

Ainda desprezado pela maior parte da imprensa nacional e visto com desconfiança por uma parcela da torcida, a grande pergunta do momento é: até onde o Atlético pode chegar? É verdade que nem o mais otimista dos atleticanos imaginava que pudéssemos estar nesta situação após 11 rodadas mas, nessa altura, já me parece evidente que o Galo não ocupa a posição por acaso: existe consistência e objetividade no futebol praticado pelo time e, aparentemente, muita confiança, pois as coisas estão dando certo. Acho muito cedo para falarmos em título ou, até mesmo, em Libertadores, mas tem dado gosto ver essa equipe guerreira e veloz. Não dá exibição, mas luta, divide e corre, e é isso que o torcedor do Atlético gosta. A academia fica do outro lado da lagoa.

----------------------

13 de jul. de 2009

No radinho

Cruzeiro 0 x 3 Atlético

Uma verdade acerca do ser humano é que nada é mais fácil do que se acostumar com o que é bom e, verdade seja dita, a pós-modernidade tem sido pródiga em disponibilizar “soluções facilitadoras” para a vida de todos. No caso do torcedor de futebol, o advento do serviço de “pay-per-view” disponibilizou praticamente toda a temporada dos grandes clubes para transmissões ao vivo em qualquer lugar do país. Depois que o sujeito torna-se usuário do produto, não quer saber de nada menos do que ver o jogo do seu clube no momento em que ele acontece. Estamos muito mal acostumados.

O interessante é que não faz muito tempo, as únicas transmissões ao vivo das partidas do Atlético se resumiam aos jogos decisivos ou, eventualmente, algum clássico jogado contra adversários importantes de outros estados. Atlético x Cruzeiro? Nem pensar. Esse era o jogo do radinho: Willy Gonser um tempo e Alberto Rodrigues na outra metade, fosse com o alto falante colado no ouvido sentado na arquibancada de cimento do Mineirão, fosse em casa sentado no chão do quarto ouvindo a narração com os amigos.


Faço esta introdução porque, estando no interior da Bahia a trabalho, fica difícil acompanhar os jogos do Atlético a não ser que seja pela bolinha da Globo ou em algum site na internet. Hoje, para variar, resolvi acessar o rádio online e deixar a narração fluir enquanto terminava as minhas tarefas. Ouvir o jogo pelo rádio é uma parada engraçada: qualquer um que tenha alguma experiência em estádio de futebol sabe que a transmissão dos radialistas está mais para a ficção do que para a descrição do fato real. Ademais, creio que pelo menos metade do trabalho de construção da cena é destinada ao cérebro do ouvinte. Um exemplo: senti um certo incômodo enquanto via os dois primeiros gols do Atlético, mas logo me dei conta de que estava desconfortável porque, enquanto ouvia a partida, imaginava o jogo acontecendo com as equipes ocupando os lados opostos do gramado e os gols haviam sido previamente concebidos desta maneira por mim.

Mas, deixemos este papo para lá e falemos da vitória do Atlético. Era o time reserva do Cruzeiro? Sim. A expulsão do Zé Carlos com 7 segundos do primeiro tempo ajudou? Muito. Mas, analisar a partida a partir destes dois fatos nos levaria a conclusões incompletas: verdadeiras, talvez, mas incompletas. O Atlético não vencia o seu maior rival há 12 partidas, o técnico adversário nunca havia perdido um clássico e o Roth nunca havia ganhado um. Vínhamos de dois resultados complicados com duas atuações medíocres, uma pressão enorme que era produto das circunstâncias previamente apontadas e da desconfiança e impaciência de uma torcida que vem sendo muito mal tratada neste século XXI.

Vencemos e foi muito importante. As coisas deram certo para o lado alvinegro desta vez e creio que isto trará uma certa tranqüilidade para o desenvolvimento do trabalho nestes dois ou três dias que antecederão outra dificílima partida: o São Paulo no Mineirão. A liderança está de volta, um tabu está quebrado e podemos recomeçar a escrever a nossa história.


-------------------

12 de jul. de 2009

Sem clima

O mais estranho de estar longe de tudo é ser absolutamente privado da possibilidade de “sentir o clima” do clássico. Tudo bem que após o decepcionante desempenho do domingo passado acabei, voluntariamente, me abstendo do noticiário esportivo da semana. A única coisa que me chamou a atenção foi o palpite do Lédio Carmona em seu blog, onde apostou no empate entre o Galo e o seu maior rival. Como o índice de acertos dele nas partidas envolvendo o glorioso é baixíssimo, considero que a partida terá um vencedor.

O clássico é o tipo de jogo onde, andando pela cidade, ouvindo o rádio, vendo as pessoas, um sujeito consegue detectar qual dos dois tem a maior probabilidade de vencer. Isso é “sentir o clima”. Para a tarde deste domingo, no entanto, não tenho palpites. Se fosse pela lógica, apontaria uma vitória do Atlético mas, sendo realista, sei que não será tão fácil assim.

Desde a chegada do Adílson ao nosso maior rival não conseguimos derrotá-los, o homem é um estrategista de primeira e tem sabido nos superar como nenhum outro. Amanhã (ou hoje, quando tiver publicado o post), Batista entrará com um time reserva jogando a pressão, que já não é pequena, para o nosso lado: não bastasse as 12 partidas sem vencer o clássico, o Galo vem de duas partidas ruins tendo entregado a liderança para o Internacional (para regozijo da imprensa nacional, que aponta o alvinegro como o cavalo paraguaio da temporada 2009). A minha esperança é que o time entre em campo bastante concentrado e aguerrido e consiga vencer a partida, derrubando o tabu, recuperando a auto-confiança e, quem sabe, a ponta da tabela.

------------------------

8 de jul. de 2009

Altos e Baixos

Atlético 1 x 1 Botafogo

Neste momento, soam um tanto proféticas as palavras de Celso Roth durante a semana de preparação para a partida contra o Barueri na rodada passada, quando tentava alertar o torcedor alvinegro sobre a “curva de desempenho” de uma equipe ao longo de um campeonato grande como o Brasileiro e as suas implicações. O curioso é que naquela hora achei que meu dileto amigo Dentadura estava agindo corretamente, visto que a empolgação dos torcedores beirava a histeria. No entanto, após a merecida derrota para o Barueri e a frustrante exibição contra o Botafogo diante de 48 mil torcedores atleticanos, começo a desconfiar que a desculpa já estava sendo preparada. Desculpa porque ainda não disputamos um terço do campeonato e não era para essa maldita curva estar nos presenteando com os seus malditos efeitos (ou benditos, se a mesma apontasse para uma melhoria de desempenho).

O jogo deste domingo, acompanhado aos pedaços, já que era exibido pela TV Bahia, deve ter sido uma das piores partidas de futebol desta temporada, incluindo os campeonatos estaduais e as quatro divisões do campeonato brasileiro. Um Atlético, inexplicavelmente apático, enfrentando um Botafogo que povoou o meio de campo com seis jogadores, ganhando todas as rebatidas sem, no entanto, criar oportunidades de gol. Só não digo que parecia um jogo de totó porque periga o volume de faltas apontadas pelo árbitro ter quebrado o recorde nacional da categoria. Ou seja, até onde pude acompanhar, as pobres almas que estiveram no Mineirão puderam assistir a uma legítima pelada que nos custou a liderança do campeonato.

Possíveis razões para este fracasso?

· Burrice, talvez. Não é possível que um time profissional, sabendo que o adversário possui um exímio cobrador de faltas, procure cometer as infrações, sistematicamente, dentro do raio de alcance do referido jogador. Uma hora a bola entraria, era óbvio.

· Podemos apontar também as mexidas do senhor Roth: naturalmente, os desfalques obrigam a modificações, mas os de hoje não justificam a manutenção do Júnior na lateral esquerda. Em todos os jogos sérios que disputamos com o veterano pentacampeão na sua posição de origem, fomos devidamente batidos. Entretanto, obtivemos nossos melhores resultados com o jogador atuando no meio. Entendo que Evandro e Renan Oliveira devessem ser testados, são dois jovens e têm talento mas, infelizmente, nenhum dos dois têm correspondido.

· Finalmente, o fato de termos o clássico agendado para o próximo domingo e estarmos com cinco jogadores pendurados pode ter feito com que os mesmos tenham evitado o confronto direto contra os adversários para evitar o amarelo e a conseqüente suspensão na partida contra o nosso maior rival. Se for esse o caso, acho que foi um erro crasso.

Digo que a terceira hipótese seria um erro porque o Atlético precisava muito dos três pontos contra o Botafogo. Além disso, devemos nos lembrar que temos um tabu importante a ser batido contra a raposa, mas não podemos tornar essa cruzada o evento prioritário no campeonato brasileiro, caso nossas pretensões sejam maiores do que garantir uma vaguinha na sulamericana.

O nosso rival, dadas as circunstâncias, deve entrar em campo com um time misto, jogando toda a responsabilidade do resultado para o Atlético. Se triunfarmos, tudo bem. O problema é que um resultado adverso pode corroer seriamente o trabalho do Celso e é por isso que considero uma aposta arriscada a priorização do clássico (caso este fator tenha influenciado o desempenho na partida contra o Botafogo): saímos do jogo praticamente ilesos (apenas o Carlos Alberto foi suspenso), mas com uma necessidade enorme de vencer uma partida que, por si só, já gera uma enorme pressão. Vamos ver se conseguimos, ao menos, acertar passes e ganhar rebotes. Temos uma semana para isso.

-------------

4 de jul. de 2009

Não será fácil

Embora não tenha uma conexão disponível no alojamento, desta vez vim equipado com um computador, de modo que posso preparar os meus textos durante os momentos de folga e publicá-los oportunamente.

Domingo defenderemos a liderança do campeonato contra o Botafogo. A principal diferença neste encontro vem das circunstâncias envolvendo as equipes neste momento: se nas últimas temporadas o alvinegro carioca vinha apresentando um bom desempenho, chegando a ocupar as primeiras posições diversas vezes e o Atlético lutasse para se manter afastado da linha da degola, os dias atuais colocam as duas equipes nos extremos opostos na tabela – o Galo é o primeiro, o Fogão é o último.

Apesar de o Botafogo ser um adversário historicamente perigoso, este é o tipo de jogo onde, em geral, nunca houve muitas surpresas: quem estava melhor quase sempre se impôs sem maiores dificuldades.

Curiosamente, este é um dos jogos que menos presenciei nos estádios. O primeiro Atlético x Botafogo que fui aconteceu nas quartas-de-final do Brasileiro de 94. Depois de amargar as últimas posições ao longo de quase todo o certame, o Galo, sob o comando do então novato Levir Culpi, realizou uma campanha devastadora na repescagem e se classificou para enfrentar o Fogão, que já o havia derrotado duas vezes na fase classificatória. No Mineirão, o Galo aplicou um 2 x 0 e, no jogo de volta, foi derrotado por 2 x 1, classificando-se para a semifinal.

No ano seguinte, sofremos uma goleada humilhante por 5 x 0 no Maracanã para o time que viria a se consagrar campeão brasileiro naquela temporada. Por duas vezes, nas temporadas seguintes, o Atlético deu mostras de que poderia devolver o vexame nos gramados cariocas: em 96, no Mineirão, após abrir 4 x 0 no primeiro tempo, tirou o pé e sofreu três gols e um sufoco incrível no fim, sustentando a vitória por 4 x 3 e, em 98, novamente em casa, depois de virar o primeiro tempo perdendo por 2 x 0, virou espetacularmente para 5 x 2 no segundo tempo e, da mesma maneira, viu o rival carioca chegar ao empate por 5 x 5, naquele que foi classificado como o melhor jogo da temporada pelos cronistas (para mim, no entanto, foi um dos jogos mais irritantes jamais vistos e que, no fim, acabou nos tirando da fase final do campeonato após um empate melancólico com a Ponte Preta). Finalmente, em 1999, o Atlético se vingou impondo um 5 x 1 ao Botafogo em Caio Martins.

Em 2001, na minha volta aos estádios (desta vez no Independência) outra grande exibição e mais uma goleada atleticana: 4 x 0, com direito a gol do lateral direito Baiano. Ele mesmo, o Baiano, ex-vendedor de calcinhas , que barrou o Cicinho e que, algumas temporadas depois, poderia ser visto defendendo as cores do Boca Juniors. Coincidentemente, esta partida antecedeu o clássico para o Brasileiro daquele ano, história que se repetirá nesta temporada.

Após 2001, ambos os times fizeram uma visita à segunda divisão e ambos voltaram à primeira sob o comando de Levir Culpi. Desde então, os cariocas obtiveram ampla vantagem sobre os mineiros tanto no Brasileiro quanto na Copa do Brasil e na Copa Sulamericana. A última partida disputada pelos dois acabou em vitória do Atlético por 2 x 1 resultando na quebra de um tabu amargo, que durava desde esta famigerada partida há oito anos.

Se conseguir superar psicologicamente a derrota da rodada passada (e isso se aplica tanto ao time quanto aos 40 mil abnegados que devem aparecer no Mineirão), mantiver o futebol que vinha praticando anteriormente e se cuidar diante do ataque carioca (Vítor Simões e Reinaldo, caso joguem) acredito que o Atlético possa sair vitorioso no domingo pois, dada a sequência que nos aguarda nas próximas rodadas, esses três pontos seriam fundamentais para as pretensões de Roth e seus comandados.

---------

29 de jun. de 2009

Queimando gordura

Barueri 4 x 2 Atlético

Já dava para desconfiar do que estava por vir ao ler as reportagens ao longo da semana, onde o comandante alvinegro avisava à torcida que a boa campanha não significava que terminaríamos o campeonato invictos e que a derrota, mais cedo ou mais tarde, aconteceria. Entendo que a preocupação dele era conter a euforia e, de alguma maneira, preservar o apoio da torcida caso o revés viesse a acontecer já naquela rodada mas, para a mente sofisticada de um torcedor, aquele papo não era nada bom.

Estando em BH, juntei-me ao meu irmão, ao meu primo e aos nossos amigos e fomos assistir à partida em um buteco. O que se viu naquela tarde de sábado fria e chuvosa em Barueri foi um Atlético acuado, errando passes em demasia e sem velocidade, a sua principal característica. Talvez tenha sido culpa do frio e da chuva, talvez da soberba e da crença de que o adversário seria facilmente batido, mas creio que a resposta para este fracasso passa pela escalação do Júnior na lateral e do Evandro no meio. O primeiro não tem fôlego para exercer a função que outrora dominou com maestria e, mais do que isso, vinha trabalhando bem no meio. O segundo, embora seja, aparentemente, um bom rapaz e tenha anotado um golaço contra o Santos na rodada anterior, ainda não conseguiu entrar no mesmo ritmo que a equipe, está sempre um pouco à frente ou um pouco atrás, nunca na mesma toada. Assim fica complicado. A entrada do Kleber após a contusão do Éder Luís talvez tenha sido um outro erro, embora eu não ache que o garoto tenha comprometido o desempenho da equipe.

Quando tudo parecia perdido e já nos preparávamos para o pior, eis que o Celso resolve ir para o "ou tudo ou nada" e entra com Alessandro e Feltri nos lugares de Renan e Júnior, respectivamente. Ato contínuo o Atlético consegue petecar dois gols de pênalti (falhas bisonhas da zaga do Barueri) contra a meta adversária e empatar a partida. "Isso é sorte de campeão!", bradava o primo, enquanto nos abraçávamos. Infelizmente, a alegria durou pouco pois, um tempinho depois, o juizão apontou uma falta do Werley na linha da grande área alvinegra, amarelando pela segunda vez o nosso zagueirão, mandando-o para o chuveiro. Na cobrança, um petardo indefensável que resultou no terceiro gol do Barueri e, pouco depois, num contra-ataque, o quarto e definitivo gol do adversário, que enfrentava um time armado no 3-3-3. Para finalizar, Evandro foi expulso após uma falta desnecessária. Como a maionese já estava desandada, senti um certo alívio quando o árbitro meteu a mão no seu bolso traseiro e sacou o cartão vermelho, esfregando-o na fuça do nosso armador. Dessa forma, nem por teimosia do treinador o referido jogador estará comandando o meio de campo alvinegro no próximo domingo contra o Botafogo.

No mais, não discuto o desempenho da arbitragem. O Atlético jogou pior do que o Barueri e mereceu a derrota. Veremos a capacidade de reação da equipe na partida contra o Fogão no próximo domingo no Mineirão.

É isso, amigos. Queimamos a gordura que tínhamos. É certo que aconteceria, só não precisava tê-la queimado contra o Barueri.

--------

21 de jun. de 2009

Liderança surreal

Santos 2 x 3 Atlético



Será a liderança isolada obra do acaso?


Desde ontem, após o início da rodada, sentia um bom presságio acerca da partida desta tarde. O Santos é um adversário perigoso, com qualidade e com fama de ser praticamente imbatível em casa. Ano passado obtivemos um ótimo resultado na Vila, com uma virada espetacular por 3 x 2 (primeiro tempo 2 x 0 para o Santos) sob comando do Marcelo Oliveira. Para completar, uma reportagem apontava que o lateral esquerdo Léo nunca havia sido derrotado pelo glorioso. Como o Galo vem derrubando tabus há algum tempo, me senti mais confiante para o encontro deste domingo. Após o aperitivo das 15:30h, fui me preparando psicologicamente para o prato principal.

Pois bem, eu falava sobre a partida do ano passado e, neste domingo, a história não começou muito diferente: um Santos envolvente, mantendo o Atlético sob pressão e perdendo diversas oportunidades. Quando este escriba já rezava pelo término da primeira etapa, uma falha numa rebatida da zaga acabou com a bola nos pés de Neymar, que dominou-a com categoria e desferiu um petardo no canto esquerdo de Aranha, que nada pode fazer. 1 x 0 para o Santos e fim do primeiro tempo.

O Galo voltou a campo com uma alteração: Marcos Rocha no lugar de Chiquinho e uma postura mais agressiva do meio-campo, que passou a dominar o setor e a construir uma série de jogadas perigosas. Numa delas, fruto de uma bola parada, a bola sobrou para o Tardelli que, com a habitual categoria, colocou a pelota no ângulo esquerdo do goleiro e correu para o abraço.



O goleador do Brasil anota mais um: 1 x 1

A partir daí o Atlético pode usar a sua maior arma: o contra-ataque. Com uma equipe "fininha" e veloz, o glorioso começou a criar uma chance atrás da outra e, após Carlos Alberto carimbar a trave santista e me fazer arremessar objetos contra as paredes, Evandro conseguiu limpar de maneira espetacular o zagueiro adversário e tocar no canto direito de Douglas. 1 x 2.



Evandro: corte seco, uma olhada para o goleiro e caixa.

O Santos voltou a tentar se impor na partida, mas a zaga não funcionava e após o Éder Luís perder um gol cara-a-cara com Douglas, Carlos Alberto chegou à área santista nas mesmas condições e, mesmo pressionado, fuzilou a meta praiana. 1 x 3. Confesso que, sozinho na sala de televisão, quase cheguei às lágrimas. Emoção demais para um fim de tarde.


Casalberto se levanta para comemorar o terceiro tento do Galo

Perto do final da partida o jovem Maykon Leite, recém recuperado de uma grave contusão e que havia voltado aos gramados da Vila durante o segundo tempo, sentiu o mesmo joelho e, infelizmente, deixou o campo na maca, aos prantos. O Galo agora tinha um jogador a mais e parecia que tudo caminhava para um final tranquilo. Mas, como o Atlético nunca deixará de ser o Atlético, sofremos uma pressão incrível nos minutos finais que resultou em um gol do adversário, em mais uma falha da zaga em bola rebatida.

Aos 47 minutos, uma cena surreal: o árbitro, que havia apontado 4 minutos de acréscimos, recolhe a pelota na área do Santos e encerra a peleja. Cercado por atletas, treinador e dirigentes da equipe santista, volta atrás e recomeça a partida, acrescentando mais um minuto para os descontos. O resultado é que, aos 50 minutos, numa bola cruzada, o Santos empata a partida mas o árbitro, alegando falta do Kléber Pereira, anula o tento e expulsa o Léo por reclamação. Final: 3 x 2 para o Galo.

Com relação à partida: grande vitória do Atlético. Convincente. Se falhou no primeiro tempo, muito provavelmente devido a uma aposta errada do Roth (Chiquinho na lateral esquerda), na segunda metade o treinador fez a alteração necessária, corrigiu o posicionamento e acabamos não goleando por acidente. No fim, o Celso acabou errando ao sacar Evandro e Éder e colocar Renan Oliveira e Serginho, recém curados de lesões complicadas e sem ritmo de jogo, o que favoreceu a pressão santista, embora ainda tenhamos criado algumas oportunidades de gol. Falta corrigir o miolo da zaga, cujas rebatidas, na maioria das vezes, acabam nos pés adversários. Por muitas vezes, ao longo da partida, corremos riscos evitáveis (e tomamos 2 gols).

Quanto ao terceiro gol do Santos, provavelmente o árbitro não tivesse apontado a falta do Kléber se o lance tivesse acontecido no decorrer da partida. Mas, após um erro crasso da parte dele, a consciência deve ter pesado em favor do Atlético, como disse o Mancini. Foi surreal, assim como tem sido este início de campeonato.

--------------------

19 de jun. de 2009

Retrocesso

Pretendia falar sobre o histórico envolvendo Atlético x Santos, porém, esta manhã, fui surpreendido pela seguinte manchete no UOL:

"Por paz, Cruzeiro e Atlético-MG acertam clássicos com torcida única", resumindo: no Campeonato Brasileiro o jogo com mando do Cruzeiro só terá a presença da torcida celeste e o jogo com mando do Galo só terá a torcida atleticana.

Isso me lembra uma conversa sobre as rivalidades em Porto Alegre e Belo Horizonte que tive com um amigo tricolor há algum tempo. Ele dizia: "O gaúcho deixou de pelear e criou o GRENAL". É fato que as rivalidades clubísticas, especialmente locais, foram, se não a principal, uma das principais razões para a popularização do esporte bretão, assim como das paixões que ele desperta - e isso independente do nobre sentimento do "fair play" que tem permeado as relações futebolísticas nas últimas décadas. O que seria do Atlético sem o América e, posteriormente, sem o Cruzeiro? Do Inter sem o Grêmio? Do Bahia sem o Vitória? A rivalidade fortalece e potencializa os clubes. É parte do prazer de se torcer.

Pois bem, dito isso, considero a decisão - se efetivada - uma das atitudes mais antidemocráticas jamais tomada pelas direções dos dois clubes. É um retrocesso absurdo, um desrespeito a história deste evento que faz parte da rotina da capital das Alterosas desde 1921.

O Clássico há muito deixou de ser uma simples partida entre dois grandes clubes para se tornar parte do calendário (e do patrimônio) cultural de Belo Horizonte. Em dia de Atlético x Cruzeiro a cidade respira futebol, se mobiliza para isso e as pessoas, independente de irem ou não ao estádio (decisão que cabe, unicamente, a cada indivíduo e não à diretoria dos clubes ou à polícia militar) contam os minutos para o início da peleja.

Os pacifistas dirão que a irresponsabilidade e a animosidade dos torcedores levaram a esta decisão drástica. Uma espécie de "despacho saneador", como diriam os petroleiros. Infelizmente, adianto que isso não resolve e tampouco ameniza o problema. É sabido por todos (especialmente os que frequentam os clássicos) que os tristes eventos envolvendo violência acontecem nos arredores dos pontos de encontro das torcidas, sejam nos bairros, seja no centro da cidade. No estádio, a presença massiva da polícia militar evita maiores transtornos.

Qual será o próximo passo? Proibir os torcedores de vestirem as camisas dos seus clubes em dias de clássico? No próximo dia 12 de julho, o cidadão usando uma camisa do Atlético não poderá circular nos arredores do Mineirão? É patético.

Curiosamente, não me lembro do ano do primeiro Atlético x Cruzeiro que fui, mas deve ter sido em meados dos anos 80. Lembro-me bem do placar: terminou 2 x 2 e houve 2 gols de pênalti. Desde então, frequentei regularmente o Mineirão nestes dias especiais, fosse com o meu pai, com meus primos ou meus amigos. Há o stress normal envolvendo qualquer evento com um grande público, mas que pode ser diminuído procurando-se chegar mais cedo e com ingresso comprado, nada que qualquer pessoa acostumada a frequentar os estádios não conheça. E, independente dos frustrantes desempenhos alvinegros nos últimos clássicos, é sempre um espetáculo impressionante ver as duas torcidas em ação.

O que estes senhores estão propondo é o mesmo que tomar o clássico do povo. É o início do fim.

---------

16 de jun. de 2009

Perigos

A semana começa a andar, a empolgação vai-se arrefecendo e podemos tentar enxergar o cenário com mais clareza. Uma simples navegada pelos principais portais esportivos do Brasil revela uma surpresa da crônica especializada com relação à campanha do Clube Atlético Mineiro, juntamente com uma opinião quase unânime acerca da impossibilidade do time em manter essa posição ao longo do torneio.

Como apontado no post anterior, o Galo foi favorecido pela tabela e aproveitou as suas oportunidades (embora os adversários possam ter pensado o mesmo a respeito do oponente mineiro ao saber que enfrentariam, segundo os entendidos, um possível candidato ao rebaixamento). Isso é fato. Mas, o que nos deixa mais satisfeitos até o momento é que os resultados foram obtidos com autoridade.

Dificuldades a serem enfrentadas:

1) O fator surpresa já era. Se a fase atual da imprensa nacional é de desdém em relação ao escrete alvinegro, creio que o mesmo não acontece com os nossos adversários. Se antes havia a possibilidade deles entrarem em campo mais "relaxados", agora estarão sempre atentos, com o esquema do Galo estudado e uma estratégia montada para tentar liquidá-lo.

2) A eventualidade de uma derrota. É inevitável que isso venha a acontecer, mais cedo ou mais tarde, e a minha maior preocupação é com relação à estabilidade deste suposto pacto "torcida - time" que favorece ao clube. Neste tipo de campeonato é preciso ter sangue frio, estudar a tabela e buscar resultados, pontos. Não adianta histeria e o torcedor precisa entender isso.

3) Elenco. Ainda são necessários alguns reforços, a não ser que tenhamos uma boa surpresa vinda da base. Aliás, acredito que o segredo mais bem guardado do Galo ainda não atuou neste campeonato. Se o Roth mantiver o controle do time e conseguir fazer o garoto focar e desenvolver sua melhor técnica, cresceremos ainda mais.


-----------------

15 de jun. de 2009

Liderança

Atlético 3 x 0 Náutico

Ontem, mais uma vez, não pude assistir à partida do glorioso alvinegro das Gerais. No momento do jogo, me encontrava no Maracanã, na torcida do Grêmio, junto com o meu hóspede gaúcho que passou o feriadão aqui no Rio. Restou-me o radinho, o qual me manteve atualizado acerca do placar em Belo Horizonte durante a maior parte do tempo. Digo "a maior parte do tempo" porque, após o terceiro gol do Coxa, a equipe da CBN abdicou de todas as outras partidas da rodada para bradar contra a gestão, o time e o comandante do Flamengo. Restou o placar da SUDERJ e o bom e velho SMS.

Sinceramente, estava bastante tranquilo acerca do jogo contra o Náutico. Embora não tenha visto a apresentação mineira contra o xará paranaense, vi a partida do Náutico contra o Grêmio e julguei, aparentemente com razão, que não teríamos maiores problemas em vencer os pernambucanos caso apresentássemos um futebol consistente.

É difícil deixar a empolgação de lado, principalmente após todos esses anos de campanhas pífias e lutas contra as últimas posições. No entanto, desde o início desta campanha a minha maior preocupação é a de não me iludir com os acontecimentos e tentar fazer uma análise das circunstâncias envolvendo este sucesso inicial da equipe. Sendo assim, vamos às considerações:

* Até agora o Atlético nada mais fez do que o dever de casa. A tabela, como já discutido aqui, nos favoreceu e o Galo, não tendo culpa disso, pontuou o quanto pôde. Domingo teremos o primeiro grande desafio: o Santos na Vila. Creio que poderemos, então, avaliar o real potencial da equipe para este campeonato.

* Ainda que a tabela tenha nos favorecido, a esse fator soma-se a competência do escrete alvinegro que derrotou adversários que tiraram pontos de reais candidatos ao título. Pode-se ainda destacar que os maiores favoritos estão envolvidos em competições paralelas (Copa do Brasil, Libertadores), mas isso não é problema nosso.

* Roth tem conseguido manter a escalação - a menos dos desfalques naturais ao longo do torneio - desde o início do campeonato e o time tem correspondido, corrido, marcado e concluído. Creio que, desde a arrancada final de 2007, temos o que se pode chamar de time, e não um amontoado de jogadores em campo.

* A chegada do Aranha e saída do Marcos deixaram a defesa deveras mais segura. Nossa meta ainda não foi vazada desde a chegada do aracnídeo.

* Muitos se lembram da campanha do Grêmio no ano passado sob o comando do mesmo Roth. Me arrisco a dizer que o atual time do Atlético, com dois atacantes velozes, se adapta melhor do que o do tricolor gaúcho de 2008 ao esquema do Celso. Veremos o comportamento do setor de marcação sob a pressão de um verdadeiro ataque.

* Título? Muito cedo ainda para dizer. Creio que ainda estamos aquém dos ditos favoritos, mas acho que a equipe passará ao largo da luta contra o rebaixamento a qual, segundo os grandes entendidos do futebol, seria a meta alvinegra.


---------------

8 de jun. de 2009

A memória

Atlético Paranaense 0 x 4 Atlético Mineiro

(17:46:04) Chupa geninho. Rs. Que presente hein irmão. Abraco.

Originalmente, este post deveria discutir a grande vitória atleticana na Arena da Baixada na tarde de 7 de junho, mas o extraordinário presente que me proporcionou o Clube Atlético Mineiro (vide post anterior), me trouxe à memória uma singela recordação que tomo a liberdade de compartilhar com os senhores leitores.

Era também um 7 de junho no já longínquo ano de 1985. Havíamos acabado de almoçar e íamos, eu e minha mãe, caminhando para a escola. Estávamos na metade do quarteirão de casa quando a Caravan marrom do meu pai apontou na esquina e veio andando, bem devagar, em nossa direção. O automóvel parou junto ao passeio e, de dentro dele, desceu aquele nobre cavalheiro engravatado com dois embrulhos na mão, os quais me foram entregues após um abraço e os votos de feliz aniversário. Do primeiro deles, mais duro, retirei um time de futebol de botão do Atlético e, do segundo, mais mole, uma camisa alvinegra, com duas estrelas bordadas acima do escudo. A alegria só não foi maior porque ainda havia uma tarde inteira de aulas pela frente e não pude ostentar o manto sagrado já naquele momento.

Na tarde de ontem, o inesperado presente alvinegro, devidamente acompanhado e atualizado através de mensagens SMS, me transportaram diretamente àquela tarde de sexta há 24 anos atrás. As consequências e análise ficam para o próximo post.



Taí um garoto feliz

------------

5 de jun. de 2009

Um pedido

Domingo é meu aniversário e o comemorarei aqui mesmo, trabalhando no principado de São Roque. Ano passado o Atlético me fez o favor de jogar no dia 7 de junho em São Paulo contra um tricolor que vinha mal no campeonato e acabou sendo impiedosamente goleado por 5 x 1. A única consideração "positiva" a respeito daquela tragédia foi que, pouco depois dos 10 minutos do primeiro tempo, a equipe já levava 3 x 0 dos paulistas, me poupando 1 hora e 20 minutos diante da tv.

Coincidentemente, este ano jogaremos, mais uma vez, no dia 7 de junho. Nesta oportunidade, nosso adversário será o Atlético Paranaense e a partida será disputada em Curitiba. O xará vem mal na tabela, ocupando a vice-lanterna e o Galo, se não tem praticado um futebol vistoso, pelo menos tem apresentado consistência e vigor em campo. Agora, o fator digno de nota e que me faz aguardar a partida com uma certa ansiedade é que o comandante dos paranaenses é o Geninho, de péssimas lembranças para todos os torcedores do galo. Confesso que nesse momento eu nem lamento o fato de o jogo não ser transmitido, pois só de ver a imagem do maldito já tenho vontade de dar cabeçadas na parede.

Nos meus sonhos, o Atlético Mineiro golearia de maneira implacável o rubro negro paranaense, lavando a alma do torcedor atleticano e exorcisando esse fantasma que nos assombrou em duas temporadas e marcou as suas passagens com humilhantes goleadas e atuações covardes. O Galo cortaria a cabeça do Geninho! Porém, sendo mais realista, peço humildemente ao Atlético que me presenteie com um placar favorável neste domingo. Já adianto que sou modesto e que ficarei satisfeitíssimo com um magro 1 x 0.

---------------

31 de mai. de 2009

Na hora do almoço

Por uma obra do destino, o Atlético jogou após o horário de trabalho e a Sportv transmitiu a peleja, de modo que pude assistir à maior parte dela neste sábado. Gostaria de escrever mais sobre o evento, mas a indisponibilidade de tempo e recursos me proíbe de fazê-lo. Feita a ressalva, e aproveitando o horário do almoço, vamos lá:

De uma maneira geral, o time teve uma boa atuação contra o Santo André, conseguiu dominar a partida mas falhou, miseravelmente, na hora de concluir. Com jogadores experientes como Fernando, Gustavo Nery e Marcelinho Carioca e com um bom treinador (o ex-goleiro Sérgio), o Ramalhão revelou-se um adversário difícil de ser batido - se não tecnicamente, pelo menos taticamente. Após a expulsão do Atleta de Cristo, acreditei que a tarefa alvinegra seria mais fácil, mas creio que Roth se equivocou nas substituições. Em primeiro lugar, ao retirar Carlos Alberto da lateral direita, onde vinha fazendo uma boa partida, e colocá-lo no meio e, em seu lugar, ter entrado o Élder Granja, cuja atuação foi nula. Em segundo lugar, ao substituir o mesmo Carlos Alberto e promover a estréia de Evandro, completamente fora de entrosamento, errando muitos passes e se posicionamento mal. O único acerto talvez tenha sido a substituição de Éder Luis por Alessandro.

Embora tenhamos mantido a posse de bola ao longo da maior parte do jogo, as duas ou três maiores chances de gol foram criadas pelo Santo André em contra-ataques onde contamos com a boa estreia de Aranha no gol e com a falta de pontaria dos adversários. Quem fez uma grande partida foi o Thiago Feltri, que continua ganhando confiança e demonstrando ter um potencial ofensivo muito bom, resta colocar o pé na forma, assim como seus companheiros Carlos Alberto e Júnior, que vivem desperdiçando oportunidades.

Para finalizar, a torcida pode ser o maior aliado ou o maior inimigo do Atlético, conforme já discutido em outros posts. Por volta dos 30 minutos do segundo tempo começaram os gritos de "queremos raça" vindos da arquibancada que, no meu entender, eram um equívoco completo: o time tem corrido como nunca, mantinha o controle da partida mas, talvez devido ao excesso de ansiedade, juntamente com o comportamento kamikaze da torcida, que vive à beira da histeria, pecava no momento de finalizar. O fato triste é que a arquibancada alvinegra tem demonstrado ter menos equilíbrio emocional do que o time, o que é compreensível, dado o desempenho vergonhoso do time nos últimos 8 ou 10 anos. Os atleticanos se acostumaram a ver um time ser montado no meio do campeonato e chegar à fase final, disputando jogos importantes, em estádios lotados, mas com a equipe exaurida por haver gastado praticamente toda a sua energia na reta final da fase classificatória. Alguém precisa alertar à moçada que na fórmula atual do campeonato esse tipo de coisa beira o impossível. Resumindo - e é preciso ressaltar que eu torço para estar errado -, é muito provável que não dê para disputar a vaga pra libertadores e, muito menos, o título este ano. Se conseguirmos montar um time e manter a base, o alvo é 2010. Então, precisamos de um pouco de paciência, o time é esse aí e, pelo menos nesse momento, merece um pouco de estabilidade vindo das arquibancadas.


----------------

28 de mai. de 2009

São Roque



28 de maio de 2009 é uma data histórica. Acaba de ser fundada a embaixada do Atlético em São Roque do Paraguaçu.

---------

25 de mai. de 2009

Menos um

Sport 2 x 3 Atlético

Estava terminando de ver um filme na sala de casa quando ouvi o juiz apitando o início da partida em Recife na tv no outro cômodo. Aos primeiros gritos de gol me levanto do sofá e corro em direção ao quarto onde, da porta, já vejo o Éder Luís correndo com os punhos cerrados em direção aos companheiros. Golaço do Atlético! Mal me sentei para recomeçar a ver o filme e tenho que voltar correndo em direção a outra tv para ver semelhante comemoração. 2 x 0 em 10 minutos.

Consegui terminar de ver "GOMORRA" em mais alguns minutos e me acomodar, definitivamente, em frente à telinha para ver o restante do primeiro tempo. Atuação segura do Galo, controlando a partida sem ser ameaçado pelo Leão. No fim, mais um lindo tento anotado de fora da área pelo Márcio Araújo, outro dos desafetos da torcida. 3 x 0, bom demais para ser verdade.

Peguei os dvds, corri até a locadora para devolvê-los a tempo de não pagar uma multa e ver a segunda metade. Na volta, passo correndo pelo buteco da esquina e vejo o pessoal admirando a obra de arte do Éder pela tv. Entro em casa suando em bicas e já ouço o grito de gol vindo do quarto. Pelos gritos da torcida não há dúvidas de que o gol é do Sport: Jonílson, peteca, de cabeça, o seu primeiro gol com a camisa do Atlético, pena que foi contra. Ainda ofegante, sento-me apenas para ver o início de uma pressão estupenda do rubro negro de Recife, uma tremenda blitz que não piora a nossa situação por incompetência do ataque pernambucano.



Éder Luís no comando: 5 minutos de jogo, 60 metros e não vai ter perdão

Racionalmente, concluo que a minha presença no recinto havia trazido energias negativas para o Atlético e resolvo tomar um banho a fim de aliviar a pressão sobre o nosso escrete. Volto 20 minutos depois e parece que a estratégia funcionou: o placar ainda aponta 3 x 1. Ainda dá tempo de ver o Alessandro cabecear para uma defesa espetacular de Magrão e, logo depois, mandar uma bola no travessão do arqueiro do Sport. Aos 45 minutos, em um bate-rebate na área, Weldon escora para Dutra mandar rasteiro entre as pernas do Juninho. Outro frango que proporciona mais cinco minutos de pressão e angústia. Enfim, o árbitro aponta o meio do campo e podemos comemorar a quebra de mais um tabu.

Aspectos a serem considerados:

- 3 pontos fora de casa contra um adversário qualificado. Creio que os desfalques foram sentidos pelo Sport, mas a descrença de que o Galo pudesse ser um adversário difícil facilitou a nossa tarefa. Quando acordaram já estava 3 x 0. O relaxamento no segundo tempo foi normal, mas desnecessário. Felizmente, conseguimos segurar o placar e garantir os pontos.

- A tarefa mais difícil neste momento é conter a euforia da torcida que sai das vaias ao Éder numa partida para endeusá-lo na próxima. Sem dúvida, é um bom início de campeonato, mas o Atlético ainda está aquém dos adversários que brigarão pelo caneco e pelas vagas na Libertadores. Trabalhar em silêncio é a opção. A tabela nos favorece no início deste campeonato e é fundamental pontuar, não desperdiçando esta oportunidade. O fato de não sermos favoritos e, muito menos destaque na imprensa nacional, pode ser uma vantagem. Aproveite-mo-la.

- Tardelli anda meio apagado, mas era impossível manter o ritmo que ele vinha impondo nas partidas. O sujeito passa a ser destaque, começa a receber atenção especial dos adversários e sua vida fica mais complicada. A alternativa é termos peças no elenco capazes de suprir essa "ausência" dos gols do Tardelli. Aparentemente, isso está funcionando, tanto o Éder quanto o Alessandro têm conseguido algum destaque quando o nosso camisa 9 falha.

- O comentarista do PPV observou que parte da vitória deveria ser creditada na conta do Leão, que "armou esse time". Na minha modesta opinião, tal observação apenas evidencia o total desconhecimento do cronista em relação ao futebol mineiro. Gostemos ou não, o time é do Roth: mudou os laterais, colocou o Júnior no meio, trouxe o Jonílson e mudou a zaga. Ponto pra ele.

Por fim, antes que me acusem de falta de consideração com o glorioso alvinegro das Gerais, me defendo argumentando que um erro crasso na caixa do DVD ("apenas" 30 minutos de diferença entre o tempo de duração apontado e o real) fez com que a parte final do filme invadisse os 10 minutos iniciais da partida do Galo e, cá entre nós, nem mesmo o mais otimista dos atleticanos acreditava em um início tão avassalador.

--------------

A partir da próxima quarta-feira estarei trabalhando na Bahia, longe do PPV e da internet livre. Acompanharei as duas próximas rodadas pela bolinha do Globo.com ou qualquer outro site de esporte e é muito provável que não tenha condições de andar postando por aqui. Sorte dos senhores leitores.

-------------

23 de mai. de 2009

Domingo, 18:40h

Pior do que jogar às quarta-feiras às 22 horas é jogar aos domingos às 18:40hs. Se o time ganhar, tudo bem, a semana começa bem. No entanto, se leva uma sova, a perspectiva da segunda-feira e o início do Fantástico derrubam o ânimo de qualquer ser humano. Amanhã jogaremos neste horário contra o Sport, em Recife.

Se o rubro negro pernambucano joga desfalcado de alguns dos principais jogadores do seu elenco e não conta com a mesma força da equipe campeã da Copa do Brasil de 2008, terá a seu favor a torcida e um tabu de nunca haver sido derrotado pelo Galo na Ilha jogando pelo Campeonato Brasileiro. O Atlético repetirá a formação do sábado passado, que pode não ser a ideal mas deu trabalho ao Grêmio e conseguiu os três pontos. Esperamos uma atuação digna e pelo menos um ponto - difícil, na minha opinião - na bagagem.

--------------

18 de mai. de 2009

De volta à normalidade

Atlético 2 x 1 Grêmio

Um pouco antes de sair de casa, na tarde do sábado, me dei conta que a camisa alvinegra que eu estava trajando era a mesma daquela fatídica derrota contra o Vasco em São Januário na temporada passada. Tentei racionalizar a situação, mas fraquejei e resolvi expor este incômodo ao meu irmão aproveitando para solicitar-lhe uma camisa reserva. Para o meu espanto, o sujeito respondeu com um sorriso no canto da boca:

- "Pode escolher lá dentro, mas já te aviso que o difícil vai ser encontrar alguma camisa que não tenha assistido a uma goleada ultimamente".

- "Ok, foda-se, vamos com essa mesmo." - Resolvido o problema.

Conforme dito no post anterior, durante muito tempo se dirigir ao Mineirão (ou Independência) para assistir a um Atlético x Grêmio era garantia de três pontos (ou dois, dependendo da época) e, consequentemente, de alegria. Entretanto, os resultados contra os times portoalegrenses nas últimas temporadas - em especial contra o Tricolor gaúcho - haviam sido lastimáveis e um certo clima de tensão rondava o ar.

Aproveitando a folga da Taça Libertadores neste meio de semana, Rospide escalou o que o Grêmio tinha de melhor, enquanto Roth promovia a estréia de Jonílson pelo Galo. O primeiro tempo foi de bastante pegada, ambos os lados correndo bastante, jogo bom de se ver (o que é diferente de bonito de se ver), mesmo tendo terminado em 0 x 0. O segundo tempo teve mais objetividade, gols perdidos para ambos os lados e, aos 30 minutos, Thiago Feltri marcou para o Atlético. Alegria no Mineirão! Ainda cantávamos quando Herrera empatou, sozinho na pequena área, aos 34. Quando tudo indicava que o empate seria o resultado final, a bola bate na mão de Jonílson dentro da área e o árbitro aponta a marca da cal. Reclamações do Grêmio, tensão da minha parte: são 47 minutos do segundo tempo. Flashes do passado começam a invadir a minha mente: são bolas na trave, no travessão, para fora ou nas mãos do goleiro. Sinto um calafrio e comento com a minha noiva:

- Não vou nem levantar pra ver essa porra... Já vi esse filme mais de cem vezes!!

Mas, eis que o Tardelli pega a bola, coloca na posição, corre, pára e rola para o canto. 2 x 1! É hora de sair correndo por cima das cadeiras vibrando e rezando pro juiz apitar o final da partida, coisa que não tarda a acontecer.




O placar aponta 2 x 1 para o Galo, mas no cômputo geral já estamos em 14 x 3 (vide post anterior)


Na saída, após atravessarmos o mini carnaval que se arma nos portões junto à Charanga do Galo, encontramos o tricolor que havia nos acompanhado para mais esta jornada esportiva. Sem voz e indignado, vociferava contra o homem de preto e o complô da arbitragem que persegue o Grêmio desde a sua fundação. Hoje vi que ele tinha razão ao assistir ao VT dos lances polêmicos e, sendo vítima recorrente da incompetência dos homens do apito, me solidarizo com este nobre torcedor, mas me reservo o direito de comemorar estes três pontos e a quebra de alguns tabus:

- derrotamos um time portoalegrense;
- conseguimos bater corretamente um pênalti nos minutos finais de um jogo;
- ganhamos de um time de primeira linha;

Pontos negativos:

- Éder Luís e sua apatia. Gosto do futebol do rapaz, mas com essa moleza fica difícil. Não entendi o porque de o Roth não tê-lo substituído nos vestiários durante o intervalo. Era evidente que ele não passaria a jogar bem na segunda etapa e a vaia durante a substituição teria sido evitada.

- Cobranças de escanteio: por que não cruzar a bola para a área? Contamos com um gigante na zaga que sobe em todas as cobranças de córner e ninguém cruza. O curioso é que, estatisticamente, esta deve ser a jogada que resulta no maior número de gols contra o alvinegro.

------------------

12 de mai. de 2009

Outrora fregueses

Coincidência ou não, desde que me mudei para o Rio e comecei a me relacionar com uma série de gaúchos (tendo me casado com uma, inclusive), o Atlético nunca mais derrotou um clube de Porto Alegre. Digo coincidência porque durante o período em que morei em Belo Horizonte, ir a uma partida contra o Grêmio era a certeza da vitória. A minha estréia foi na Copa União de 1988:

Atlético 1 x 0 Grêmio
18/09/1988
Gol: Aílton
Público: 11.290

Não me lembro muito bem da partida, apenas que fiquei contando quantos torcedores do tricolor havia no espaço reservado para eles e que saímos comemorando pela janela do carro na avenida Catalão.

Passaram-se 13 anos até que voltássemos a ver um Atlético x Grêmio no Gigante da Pampulha, e testemunhamos o melhor time do Galo no século XXI derrotar o adversário duas vezes em pouco mais de um mês:

Atlético 2 x 0 Grêmio
25/11/2001
Gols: Ramon e Marques
Público: 53.197

Atlético 3 x 0 Grêmio
04/12/2001
Gols: Marques e Guilherme (2)
Público: 51.864



Foto: Guilherme e seu famoso gol de peito, o terceiro e decisivo tento naquelas quartas-de-final em 2001


A partir de 2001, Atlético e Grêmio deixaram de figurar entre os melhores do Brasil para disputar um posto nas últimas posições da tabela do Brasileirão. Ainda assim, a história não foi diferente:

Atlético 3 x 2 Grêmio
21/06/2003
Gols: Paulinho, Alex Alves (2), Caio e Cláudio Pitbull
Público: 11.835

Atlético 3 x 0 Grêmio
07/08/2004
Gols: Márcio Mexerica (2) e Alex Mineiro
Público: 6.425

Em 2004, o tricolor gaúcho foi rebaixado e, no ano seguinte, o alvinegro das gerais repetiu este feito. Atlético e Grêmio reencontraram-se no Brasileiro de 2007 e, desde então, o desempenho do Galo tem sido decepcionante: 1 empate e 3 derrotas, sendo duas delas em pleno Mineirão.

No próximo sábado estaremos todos lá, de volta ao Mineirão, para assistir a estréia do Galo no Brasileirão de 2009 em casa e torcer por 3 pontos contra o tricolor gaúcho, provando que tudo não passa de superstição.


----------

11 de mai. de 2009

Esquizofrenia alvinegra
ou: como ir da depressão a euforia em 6 mensagens.

Então o sujeito está longe de casa, sem internet, tv a cabo ou rádio. Dá uma olhada para o relógio para ter uma idéia de quanto tempo já foi consumido na partida que acontece em Florianópolis e, após um momento de hesitação, contacta o irmão através de um SMS para diminuir a agonia:

<19:52:12> Tamo ganhando de quanto? To no sul

<19:52:23> tamo tomando 2 e sem a mínima chance de pelo menos empatar... time horroroso em campo

<19:56:14> O problema e que estamos enfrentando o poderoso avai, provavel campeao de 2009

<19:56:40> Mais um ano de sofrimento. Nada que nao estejamos acostumados. ee galo, nao toma jeito.. Ja diria o caixa. hehe

<19:58:03> O time e juninho, granja, leandro, welton, werley, araujo, renan, fabiano, éder e tardelli?

<19:59:01> Caixaaaaaaa!!! Alessandro... 2 a 1.. jun, elder, wf, lean al, renan, marcio, junior, feltri, aless, eder e tardel

<20:01:04> O time do avai e muito bom, né?

<20:00:18> Carlos Alberto no lugar do pessimo granja.. time do avai e certinho mas e bem limitado..

<20:02:15> E o fabiano? O junior ta no meio?

<20:03:12> Junior no meio, mas limitado.. fabiano nao pegou na bola.. mas ele e volante, ne.. ng cria.. nao existe meio campo

<20:05:28> Tamo na pressao pelo menos? Faltam o que? Dez minutos? Vai narrando ai

<20:05:44> Caixa.. carlos alberto empatou... hahaha.. celso roth e o cara.. kkkkkk


<20:06:33> 34 do segundo tempo.. time do avai sentiu os gols.. vamos pro abafa.. time melhorou mto com as mexidas..


<20:08:21> Vamos virar! Cinquenta mil sabado no mineirao.

<20:08:54> Deus te ouca.. hehe.. o feltri ta ate sabendo cruzar.. quem diria.. haha..vamos ser campeao.. hahahaha

<20:12:07> Alessandro meteu uma no poste.. o jogo ta aberto.. 40 minutos..


<20:13:06> Porra, tem que consagrar! Temos que trazer a sorte pro nosso lado!

<20:17:20> O Guga ja foi embora.. hahaha.. mas ja vamos pra 45 minutos.. acho que vai ficar nisso msm..

<20:21:01> fim da pendaia.. bom placar pelo que demonstrou.. celso roth melhor em campo.. haha.. abracao


<20:23:33> Obrigado pela transmissao. Abraco.


-------------

7 de mai. de 2009

Dignidade

Atlético 3 x 0 Vitória (Pênaltis: 4 x 5)

Ainda ontem, quando conversava com alguns amigos, expliquei a eles que os placares prováveis para a partida de hoje seriam 2 x 0 ou 3 x 1 para o Galo. No entanto, para a minha surpresa, o Atlético se superou e, pela primeira vez, conseguiu obter um resultado que o favorecesse na Copa do Brasil. O problema é que, para não perder o hábito, resolveu perder o último pênalti e nos deixar com aquela sensação de coito interrompido. Subimos um degrau, é verdade, mas ainda é pouco.

Durante o tempo normal, o alvinegro disputou uma boa partida, com pegada, correria e busca pela vitória - de uma forma mais desorganizada no primeiro tempo e bastante agressiva no segundo, resultado de alterações bem sucedidas do Roth e equivocadas do Carpegianni. O resultado foram os 3 gols que levaram a decisão para os pênaltis (e o Juninho ainda pegou um pênalti do Neto Baiano).

Quanto aos penais, se espiritualmente o Galo estava melhor, fisicamente estava mais desgastado devido ao fato de haver imposto um ritmo fortíssimo contra o rubro-negro baiano ao longo de praticamente toda a partida. O físico, aliás, deve ser a principal razão pela qual o Tardelli não conseguiu concluir de maneira decente o último contra-ataque do time e liquidar a partida. Poderíamos culpá-lo pela eliminação, mas é preciso lembrar que os baianos viram o seu centro-avante bater de maneira ridícula uma penalidade quando o placar ainda apontava 1 x 0.

A principal razão para mais este fracasso poderá ser descoberta aos respondermos a seguinte pergunta: por que diabos o time não correu e combateu assim quando atuou no Barradão?

Será que a simples mudança de treinador foi uma injeção de adrenalina e vitamina B12 nas veias do Atlético? É claro que há uma influência motivacional, digamos, com esta mudança, mas o que me preocupa é que essa deve ser a terceira ou quarta vez que algo semelhante acontece no clube e as modificações no elenco, desde então, não foram muitas (ao menos na nossa espinha dorsal e na suposta panela que existe desde a campanha de 2006). Será que todas as vezes que houver problemas com o treinador a torcida é que pagará vendo o seu time eliminado ou humilhado com goleadas inexplicáveis?

Vou dormir um pouco aliviado por uma certa recuperação da nossa dignidade, mas ainda muito preocupado com a gestão do elenco e com as parcas possibilidades de melhorias caso essa história continue se repetindo.

----------

4 de mai. de 2009

A volta da dentadura

Há quase seis anos atrás o ex-companheiro de blog Mateus disse o seguinte num post intitulado "Instituto São Rafael - Torcida do Galo":

"O futebol do Galo está errado desde o início da temporada, quando nossa diretoria contratou o mais incompetente e sem carisma dos treinadores que existem no Brasil: Celso Roth."

Eis que a diretoria, de maneira um tanto inesperada, apresenta o contestado treinador em substituição ao Leão na tarde desta segunda-feira. Digo "um tanto inesperada" porque ainda na semana passada, numa troca de e-mails na lista de discussão, expressei a minha crença de que se o Galo perdesse a primeira para o Vitória e não ganhasse a segunda da raposa, mandariam o felino embora e trariam o Roth. Não era preciso ser adivinho para saber que a tragédia que se abateu sobre o alvinegro resultaria nesta troca de comando. A preferência da diretoria pelo ex-gremista já havia sido explicitada no início do ano quando tentaram a sua contratação antes de anunciarem o Leão.

Passado o choque inicial e até uma certa incredulidade após este anúncio, destaco os seguintes pontos:

1. Não posso dizer que estou de acordo com a atitude do Kalil e nem tampouco satisfeito. No entanto, é preciso dar o crédito ao nosso presidente de ter tomado alguma atitude após o desastre que foi a semana passada. Acho que a entrevista dele foi interessante e até aceito as ponderações mas, ainda assim, não estou seguro de que foi a solução mais correta.

2. A vinda do Celso Roth é uma aposta arriscada e que pode por tudo a perder para o Kalil. Entendo a postura do presidente ("Eu dei o que vocês queriam e não funcionou. Agora sou eu quem escolhe.") e reconheço o seu direito em fazê-lo. O problema é que em sua passagem pelo Atlético em 2003 Roth foi extremamente contestado e, em nenhum momento, conseguiu mobilizar a torcida para dar o apoio necessário naquela temporada. Assim como o Geninho, é um treinador que funciona em outras equipes mas que falha no Atlético. Espero, do fundo do coração, estar errado. Se conseguisse dar um jeito no time eu seria um daqueles disposto a carregar o Celso nos ombros do Mineirão até a sede mas a minha crença é a de que essas coisas, como diria o fabuloso Nélson Piquet: "Ou você é ou você não é. Você não muda não.". Traduzindo: o fim dessa história, infelizmente, a gente já conhece.

3. Aparentemente, houve sabotagem ao trabalho do felino e, praticamente toda a torcida atleticana tem uma opinião acerca dos malfeitores que planejaram e executaram o crime. São os mesmos que levaram adiante o nefasto plano de liquidar o Alexandre Galo e o Zetti em São Januário nas temporadas anteriores e que fazem parte do elenco do Clube Atlético Mineiro há mais de três temporadas. Treinador vai, treinador vem e a turma continua lá. Já há boatos de que uma barca está para sair e de que a turma vai ficar.


---------

3 de mai. de 2009

Apenas mais um clássico

Atlético 1 x 1 Cruzeiro

Hoje a história foi um pouco diferente, com o time demonstrando mais pegada, ganhando divididas, correndo e buscando jogo. No entanto, acho que não podemos subestimar o fato de que o nosso rival detinha uma vantagem muito confortável e que, muito provavelmente devido a este fato, tenha optado por um jogo mais cadenciado e, algumas vezes, até displicente.

Quanto ao Atlético, a entrada do Fabiano deu um pouco mais de consistência ao time (principalmente porque jogamos com 11 jogadores, ao invés de 10) e o retorno do Éder Luís um poderio ofensivo maior. O maior pecado da equipe foi não ter se aproveitado da "preguiça" azul em jogar o jogo para derrubar um tabu que já está começando a incomodar.

Se a defesa trabalhou com mais segurança, o meio e ataque pecaram pela ansiedade, perdendo jogadas fáceis e oportunidades de gol. Até que o Fabiano conseguiu assinalar o primeiro tento após um cruzamento do Éder e tive a impressão de que as coisas começariam a se encaixar. Mas, poucos minutos depois, a defesa cometeu um pênalti desnecessário em Soares que acabou sendo mal batido mas ainda assim convertido por Kléber (Juninho conseguiu ser pior do que o cobrador). E ficou por isso mesmo. No segundo tempo Carlos Alberto foi expulso, mas o Atlético continuou com a posse de bola, embora não criasse grandes chances. O resumo é que se para mim a vitória parecia o fato mais importante para esta tarde, creio que para equipe o objetivo residia em não perder.

Para finalizar, destaque para o tradicional destempero do Leão com a arbitragem que resultou na sua exclusão e na conquista de uma nova inimiga: ao correr rumo ao árbitro no intervalo discutiu, ao vivo, com uma jornalista da Globo que insistia em interpelá-lo. O resultado foi que a repórter passou todo o segundo tempo atrás do quarto árbitro numa cruzada pessoal para denunciar a presença ilegal do felino que, sorrateiramente, se escondia no banco alvinegro.

-------

Observação: público pagante de 38.186. Quem vai ao campo é a torcida do Atlético.

------