4 de set. de 2009

1979: a desistência

Em matéria de registro dos campeonatos brasileiros (e demais campeonatos realizados no Brasil e em outros países), não há site melhor do que o da RSSSF Brasil, cujo link está aí ao lado. O Globo Esporte.com lançou o seu FUTPEDIA há alguns meses, cujos registros das partidas são mais completos, mas abrangem apenas a Copa do Brasil e o Brasileirão e, portanto, cobrem um período de tempo mais curto do que o da RSSSF.

Pois foi numa dessas visitas ao RSSSF, buscando alguma informação específica sobre o Brasileirão que, ao observar a tabela do Campeonato Brasileiro de 1979, descobri que o Atlético havia abandonado o torneio numa de suas fases finais, tendo perdido para o Goiás e para o Inter por WO. Como o site não trazia maiores informações acerca das razões para a desistência alvinegra, recorri, num dos meus momentos de folga, à hemeroteca da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais a fim de solucionar a misteriosa desistência atleticana.

De posse da coleção de jornais "O Estado de Minas" de dezembro de 1979, pude entender, em meio aos anúncios do TeleJogo Phillips, da Loteria do Galo ("Colosso Milionário") e de empreendimentos imobiliários na Cidade Nova, o que se passou naquela temporada, que acabou com o Internacional como campeão invicto. As regras únicas e confusas do torneio, tradição brasileira até 2003, incluíam uma primeira fase disputada por clubes de todo o país, exceto os do Rio de Janeiro e de São Paulo, que entrariam na segunda fase. Guarani e Palmeiras, campeão e vice da temporada anterior, entrariam na terceira fase. São Paulo, Santos, Corínthians e Portuguesa solicitaram à confederação que também entrassem no torneio apenas à partir da terceira fase. Com o pleito negado, desistiram de disputar o brasileiro.



Ao fim da segunda fase, um impasse: como a colocação final das equipes na chave do Atlético só seria decidida numa partida na sexta-feira à noite (Campinense x Coritiba, dia 30/11), a CBD havia comunicado aos clubes mineiros que caso o Coritiba terminasse em primeiro, o Atlético formaria o grupo R junto com Inter e Cruzeiro - campeões em suas respectivas chaves - e Goiás, que havia sido vice na sua. Neste caso, o clássico seria realizado no domingo, 02/12, caso contrário, nem um dos dois clubes jogaria naquele dia. Como o Coritiba bateu o Campinense na noite da sexta, o clássico foi realizado na tarde do domingo, tendo terminado empatado em 0 x 0.

Naquela altura, os clubes ainda não sabiam como seria a segunda rodada, prevista para o meio da semana. Na segunda-feira, pela manhã, a imprensa é informada pela direção de futebol da CBD que as partidas entre Cruzeiro e Inter e Atlético e Goiás seriam ambas realizadas no Mineirão, sendo que o Goiás chega a entrar em contato com a FMF para agilizar a logística da viagem para BH. No fim da tarde daquele mesmo dia, para espanto de todos, a CBD confirma a partida do Cruzeiro para Belo Horizonte, na quarta-feira, e a do Galo para quinta, no Serra Dourada.

Imediatamente, após o anúncio, as direções do Atlético e da FMF se reúnem e divulgam comunicado dizendo que se a partida fosse confirmada para Goiânia, o Atlético estava fora do campeonato. Além disso, a FMF comunicava que a Seleção Mineira juvenil também se retiraria do campeonato nacional. O raciocínio para o protesto do Atlético era o seguinte: Inter e Cruzeiro, por terem sido campeões das suas chaves, jogariam duas partidas em casa e uma fora e o oposto ocorreria com o Atlético e Goiás. O clássico havia sido mando do Cruzeiro, que ainda jogaria com o Inter em casa e o Goiás fora. O Inter jogaria com Atlético e Goiás em casa. Restava ao Goiás o jogo contra o Cruzeiro no Serra Dourada e ao Galo, o jogo contra os goianos no Mineirão. Sendo assim, a CBD cometera enorme injustiça ao mandar o Atlético jogar em Goiânia.



A crônica esportiva mineira apontava como principal razão para a súbita mudança da tabela por parte da CBD, o apoio da federação goiana de futebol ao então presidente da confederação, o almirante Heleno Nunes, que seria candidato ao posto de presidente da futura CBF contra Giulitte Coutinho.


A confusão durou pouco mais de uma semana, com uma luta de liminares e pleitos na justiça. No fim das contas, o Inter entrou com um mandado de segurança no Rio de Janeiro através do qual o juiz cassava a liminar obtida pelo Atlético e estabelecia um prazo para que fosse fixada uma caução em dinheiro para resguardar os direitos do Galo, caso este fosse vencedor em seu pleito. A direção do Atlético se deu por satisfeita e considerou que obteve uma vitória, pois entendeu que receberia a parcela da renda das duas partidas não realizadas que caberia ao clube. A torcida, que não queria dinheiro, se frustrou. Aliás, se o dinheiro veio ou não veio, é assunto para outra pesquisa.

3 de set. de 2009

Um mês

Internacional 3 x 0 Atlético

Ciente das dificuldades que seriam enfrentadas em Porto Alegre, decidi não abrir mão da pelada semanal sacrificando, assim, os 30 minutos iniciais da partida. Cheguei em casa a tempo de ver o final do primeiro tempo e os melhores momentos. Os comentaristas foram unânimes ao dizer que o Atlético havia tido as melhores chances e que as oportunidades desperdiçadas poderiam custar caro ao alvinegro.

O Inter voltou para o segundo tempo com D'Alessandro no lugar de Danilo Silva e o carequinha argentino, junto com o Kléber e o Edu, acabou com o jogo em 15 minutos. Foi tão rápido que, quando eu voltei para a sala, já estava 2 x 0 para o colorado. Roth ainda tentou algumas alterações (saíram Felipe, Renan Oliveira e Rentería e entraram, respectivamente, Paulinho, Pedro Oldoni e Thiago Cardoso), embora eu não tenha conseguido entendê-las.

A verdade é que fomos superados por um time melhor, com mais opções e que, acima de tudo, mostra muito mais vontade de disputar seriamente o título do que o Atlético. O custo das lesões foi, sem dúvida, muito alto para o galo, mas tá faltando pegada e isso, cá entre nós, não tem a ver com técnica. Perder os dois gols que perdeu, por pura displicência, é dureza. O time do galo, como já disse outras vezes, só consegue se impor se for um time solidário, brigador, porque falta qualidade. Começou assim o campeonato, mas após a partida contra o Goiás a situação mudou. Agora, além de não conseguir criar, o time inteiro entra em pânico quando leva um gol e, quando se recupera, já está 2 ou 3 gols atrás no placar.

E pra ser sincero, houvesse anotado os dois tentos no primeiro tempo, tenho minhas dúvidas de que suportaria a pressão na segunda etapa. Não suportou contra o Avaí, em casa. Aliás, me lembro de dois empates nessas circunstâncias entre Atlético e Inter:

- 1988, Beira-Rio, estreia do Gérson pelo Atlético, se não me engano e que, por algum milagre, passou na tv. Abrimos 2 x 0, jogávamos melhor, mas eis que o colorado consegue chegar ao empate no fim do segundo tempo. Naquela temporada, se a partida terminasse empatada, havia uma disputa de pênaltis cujo vencedor ganhava um ponto extra. O pontinho extra ficou com eles.

- 2007, Mineirão, em sua luta desesperada para não entrar no G-4 do mal, o Atlético sofreu 2 gols no início do segundo tempo e a tragédia estava anunciada. Felizmente, Abel, treinador colorado, resolveu mexer no time, sacando atacantes e colocando defensores em campo. Pressão incrível do Galo que conseguiu meter dois gols após os 40 minutos do segundo tempo e empatar a peleja.

Enfim, com a derrota de ontem o Atlético completou um mês sem vitórias no campeonato brasileiro. A verdade, porém, é que pior do que a derrota da noite passada foram os empates em casa contra Palmeiras, Avaí e Sport, que nos custaram 6 pontos e a briga pelo caneco.

1 de set. de 2009

A má fase

16:41:33 To. Ta bisonho. Nos vamos perder.


Atlético 1 x 1 Sport

Ciente de que a partida entre Galo e Sport não seria transmitida para Porto Alegre, aproveitei minha estadia na capital gaúcha para ir ao Beira Rio ver a partida do nosso próximo adversário, Inter, contra o Goiás.

Chegamos ao estádio pouco depois das 16:30 e os locutores da rádio Gaúcha já celebravam a má atuação do Atlético, dentro de casa, contra o Sport. Um tanto cético acerca dos comentários dos rivais, mandei um SMS para o Mateus perguntando se ele se encontrava no Mineirão e como estava o jogo. A resposta está logo abaixo do título deste post.

A maioria das resenhas que li a respeito do jogo em Belo Horizonte afirmam que esta foi a pior partida do Atlético no ano. Considerando que o título de "pior partida do Atlético no ano" troca de mãos a cada rodada, tenho até medo de imaginar o que aconteceu no Gigante da Pampulha na melancólica tarde do último domingo. É certo que os desfalques fazem grande diferença ao futebol alvinegro, especialmente os volantes (Jonílson, Márcio Araújo e Serginho), que acabam sendo responsáveis pela saída de bola nos contra-ataques. Por outro lado, os desfalques não foram exclusividade do Galo, pois o Sport tampouco pode contar com uma série de titulares e, no entanto, esteve muito mais perto da vitória. O que estaria acontecendo então?

Ainda obtive relatos da evidente apatia do time em campo. Ciúmes com as novas contratações? Problemas nutricionais? Salários atrasados? Falta de toalhas brancas no vestiário? Esse é um problema para a direção do clube avaliar. Por fim, foi com um certo alívio que recebi a notícia do fim do jogo no Mineirão com um placar de 1 x 1. Para um time que alegava almejar o título ou vaga no G-4, é muito pouco.

Quanto ao jogo no Beira-Rio, o Inter começou avassalador e liquidou o Goiás ainda no início do primeiro tempo, passeando no restante do jogo e finalizando com um justo 4 x 0. Assim como outros torcedores, havia ficado satisfeito com a suspensão do Taison que o deixava fora da partida contra o Galo na quarta-feira. Mas, eis que surge no colorado um tal de Marquinhos, incansável, que corre, dribla e finaliza bem. Péssima surpresa. Ainda nas arquibancadas do gigante começo a imaginar o duelo do garoto contra a zaga alvinegra e sinto um frio na espinha. Aliás, que diferença faz ver um garoto entrar com tanta gana em campo! Penso no Renan Oliveira, no Tchô, no Kléber, no Pedro Paulo e em tantos outros meia-atacantes ou atacantes oriundos da base alvinegra que só faltam chorar de medo em campo e sinto uma tristeza profunda.

Quarta-feira o Galo estará lá, no Beira-Rio, enfrentando o Inter em partida adiada do turno. Os gaúchos estão confiantes em mais uma vitória, pelo que pude constatar. Diante do bom futebol apresentado contra o Goiás, não posso deixar de dar uma certa razão ao nosso adversário. Pra dizer a verdade, as poucas chances do Atlético residem na possibilidade do excesso de confiança colorado e no homem que ocupa o banco de reservas do adversário: Tite. Nós sabemos do que ele é capaz, e isso nos dá esperanças. Fora isso, estaremos, mais uma vez, cheios de desfalques e se entrarmos com a alardeada apatia do último domingo, seremos atropelados.

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A visita ao Beira-Rio em dia de jogo me fez notar a diferença que faz para um clube ter o seu próprio estádio. O Mineirão é ótimo, mas seria muito melhor para o Atlético ter a sua casa própria, caracterizada, administrada e preparada para atender ao Galo e à sua torcida apenas.

Pra finalizar, é impossível conter a inveja que sinto de todos aqueles que acompanham o seu clube nas suas cidades de origem, se dirigindo para o estádio com seus uniformes, radinhos, bandeiras e acompanhados dos amigos e parentes. A "possibilidade de ir" faz uma falta danada.

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27 de ago. de 2009

Sem importância

Atlético 1 x 1 Goiás - Copa Sulamericana

Depois de uma exibição um tanto medíocre pelos gramados artificiais do Padreco da rua Humaitá, cheguei em casa por volta das 22 horas pronto para mais uma pelada na tv: o FlaFlu dos reservas (ou quase reservas). Entretanto, para minha surpresa, o canal FX estava exibindo, direto do Mineirão, Atlético mistão x Goiás completo.

Enquanto acompanhava a partida, alternava uns turnos do Civilization e um bate papo no GoogleTalk. Na verdade, a parte do papo só começou depois que o Pedro Oldoni manteve a tradição alvinegra de desperdiçar penais. Era sorte demais para um time que não tinha maiores pretensões: Iarley expulso e um penal, não podia dar certo mesmo. Na verdade, lamentei mais pela oportunidade desperdiçada pelo camisa 9 de marcar o seu primeiro gol pelo Galo do que pelo resultado em si. Mas eis que, o segundo tempo começa e o Atlético continua a jogar melhor, sem responsabilidade o futebol até que fluía. Finalmente, Tchô chuta de fora da área, a bola resvala no zagueiro e vai morrer nas redes de Harlei. 1 x 0.

O jogo parecia sob controle, até que o Pedro Oldoni conseguiu arrumar a expulsão mais ridícula que eu já vi: veio correndo atrás da pelota, mas pisou na bola, caiu e derrubou o adversário. Não consultei a súmula, mas desconfio que ele levou o segundo amarelo por maltratos à redonda... No fim do jogo o Goiás chegou ao empate com um gol marcado em pênalti inexistente. Quer dizer: não foi pênalti, mas o juiz apontou e os goianos, que não tinham culpa disso, anotaram o tento. Simples assim. E o Atlético não consegue fazer o simples. Depois é fácil culpar o juiz.


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23 de ago. de 2009

A fonte secou

Grêmio 4 x 1 Atlético

30 e poucos anos de Atlético e uma fria análise do conjunto da obra nas últimas rodadas não me permitiram ter qualquer esperança de um placar favorável na tarde deste domingo em Porto Alegre. Sendo assim, não me apressei para a volta do almoço e, quando cheguei em casa, o tricolor já vencia por 2 x 0.

É difícil tentar entender o que tem acontecido com o Galo. É lógico que os desfalques contribuem para má fase, mas o fator preponderante neste momento me parece ser a perda de foco no campeonato e as razões para isso só alguém que esteja lá dentro para poder dizer. O que posso conjecturar é que enquanto o time era a surpresa do campeonato, as coisas corriam bem: a torcida se divertia, o time corria e pegava, a bola procurava o gol adversário. A partir do momento em que a crítica começou a prestar uma certa atenção e a possibilidade da conquista do título passou a ganhar uma aura de seriedade, a fonte secou e voltamos a repetir as atuações sofríveis das temporadas anteriores.

Dessa maneira, o que resta ao torcedor neste momento é gastar tutano tentando descobrir se as más atuações do time constituem apenas a ruindade do elenco sendo esfregada em sua cara ou se o Atlético conta com um grupo que não tem condições de conviver com a pressão de estar em evidência.

Dou crédito ao Kalil pela rápida reestruturação do time após os desastres na Copa do Brasil e, especialmente, no Campeonato Mineiro, mas acho que ele tem o mesmo defeito do seu antecessor bigodudo: fala demais. E, sinceramente, o Atlético não está em condições de tripudiar ou viver de bravatas. Com essa equipe, que se revela tremendamente imatura, só temos a perder com isso.

Enfim, o que nos consola, neste momento, é que 5 vitórias serão suficientes para nos manter na primeira divisão sem maiores sobressaltos, pois é evidente que a casa está desarrumada e não será nada fácil restabelecer o equilíbrio.

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21 de ago. de 2009

Justa causa

Atlético 2 x 2 Avaí

Daqui a alguns anos, quando estivermos olhando a tabela do campeonato de 2009, ainda sentiremos o gosto amargo deste empate na noite de quinta-feira e das muito prováveis consequências catastróficas que o mesmo teve para a nossa trajetória nesta temporada. A catástrofe não reside no empate contra o Avaí em si, mas às circunstâncias que envolveram o mesmo.

Jogamos com um time desfalcado, mas que esteve bem em campo a maior parte do jogo, com um bom ataque, veloz, mas que desperdiçava chances com tanta facilidade como as criava. O primeiro tempo terminou 0 x 0, mas aos 7 minutos do segundo tempo já vencíamos por 2 x 0 e as oportunidades continuavam a ser criadas. Tudo vinha bem até que o Welton Felipe tentou dar um passe de calcanhar no meio, quase perdendo a bola. Felizmente, Marcos Rocha a alcançou e, pra desespero dos torcedores, também quis inventar, comprovando o seu completo déficit de intelecto. O resultado: roubada de bola do Avaí, Marcos Rocha corre atrás do ladrão fazendo um "cerca Lourenço" que desmanchou a cobertura, a bola é passada para Eltinho que limpa dois e fuzila a meta do Édson que, pra variar, estava mal posicionado.

Depois disso, o jogo do Atlético desandou e, embora ainda criasse algumas oportunidades, não conseguia levar perigo à meta adversária. A sorte é que o Avaí tampouco chegava ao nosso gol, a bola rondava a área, era cruzada, mas nada acontecia. Me lembrei das partidas contra Sport, Santos, Grêmio e Coritiba, quando vencemos mas pedíamos para levar o empate.

Não deu outra, aos 46 minutos do segundo tempo o meia do Avaí faz uma tentativa desesperada de lançamento para a área do Atlético, o centroavante vem correndo e eu, apático, observava tranquilamente a trajetória da pelota em direção à nossa defesa: "tá tranquilo, essa é do goleiro". Foi então que, para meu desespero, vi aquele animal de branco vindo em uma corrida desesperada em direção à marca do pênalti para, em seguida, realizar um mergulho suicida ERRANDO o soco na bola, que bateu no seu corpo, no corpo do atacante de azul e seguiu lentamente em direção à nossa meta. A agonia foi tremenda, aquela viagem em câmera lenta da redonda até o seu fim, nas redes alvinegras, foi de morrer. Então olhei para o tio Féster que, de amarelo, apitava a partida. Ele também observava o lance, e já sofria uma certa pressão da defesa atleticana em prol de uma falta no nosso arqueiro, mas meio que deu de ombros e apontou pro meio do campo. Por fim, vi todas aquelas pessoas na geral com as mãos na cabeça e me compadeci.

Dessa vez, a culpa foi do Atlético. Uma parte, é claro, cabe aos jogadores que estiveram em campo e perderam uma série de gols. Sem contar as falhas individuais que resultaram nos gols do adversário. Mas a maior parcela cabe à direção que manteve o pior goleiro da primeira divisão no nosso elenco. O cara é cria da casa, mas é ruim, as falhas que ele comete são sistemáticas e primárias, ou seja, ele não tem conserto. Já era! Não sei se por caridade ou por influências externas, resolveram mantê-lo no elenco como terceiro goleiro mas, azarado como o Atlético é, DOIS goleiros se machucam ao MESMO tempo e a meta passa a ser defendida por um cara de 2 metros de altura que não sabe sair do gol. Obviamente, falhas acontecem, o Diego falhou bisonhamente em sua estreia contra o Fortaleza em 2005 e, praticamente, nos rebaixou. Mas o cara se redimiu e provou ser um grande goleiro. O Édson já teve todas as chances e está, praticamente, há duas temporadas nos apavorando com suas saídas desastradas e frangos engolidos. Essa jogada de ontem era pra demitir por justa causa, burra da diretoria se não o fizer.


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20 de ago. de 2009

Sangue nas veias

Depois da rodada de ontem, o Atlético só depende de si para retomar a liderança. O primeiro passo seria uma vitória contra o Avaí esta noite no Mineirão. Jogo difícil, contra um time que está em ótima fase e que tem surpreendido diversos adversários dentro e fora de Florianópolis. Todos nos lembramos do sufoco que foi a primeira rodada na casa deles e acredito que desta vez não será diferente. É o típico jogo para se vencer por 1 x 0.

Com as contusões de Serginho e Márcio Araújo e a suspensão do Renan, estava me perguntando como que o Roth faria para ajeitar o meio-campo para o jogo desta noite. As escalações de Tchô e Renan Oliveira ao lado de Jonílson e Carlos Alberto me deixam um tanto curioso para a peleja. Ambos os armadores são jovens talentosos mas que nunca conseguem render aquilo que a torcida espera. Em campo, o Tchô parece um maldito preguiçoso enquanto o Renan Oliveira parece ter água com açúcar correndo nas veias, ao invés de sangue. Torço para que ambos consigam engrenar o setor de criação do Atlético, que anda pecando sucessivamente, embora meu maior temor é de que sejamos envolvidos pelo meio do Avaí que, neste momento, por incrível que pareça, é um time mais maduro do que o Galo.

A outra atração da noite é a estreia do colombiano Rentería. Depois de uma passagem um tanto irregular pelo Inter, alternando contusões e boas e más atuações, o atacante está de volta ao Brasil e, tomara, ansioso por voltar a jogar. Se marcar um gol esta noite, vira ídolo.

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16 de ago. de 2009

Calma

Corínthians 2 x 0 Atlético

Sem a possibilidade de ver o jogo pela TV, decidi não me torturar vendo bolinhas pipocarem na tela da globo ou do computador. E ter trabalho é bom nessas horas. Sendo assim, só soube do resultado final: derrota por 2 x 0 e queda para o quinto lugar no campeonato. Temos um jogo a menos, mas é contra o Colorado em Porto Alegre e o prognóstico não é dos mais animadores.

Na verdade, o resultado de hoje não foi nenhuma surpresa. Ao ler a lista de desfalques após o jogo contra o Palmeiras já era possível vislumbrar a tarefa hercúlea que seria conseguir um resultado positivo contra um Timão, que não vencia há cinco jogos. Alguns amigos apontam a apatia do Atlético, talvez resignação dos jogadores, outros o cansaço e a má escalação do Roth como fatores preponderantes neste revés. Enfim, não dá para remoer muito este mau resultado pois o segundo turno já começa na próxima quinta.

Um aspecto curioso acerca da campanha alvinegra neste primeiro turno é que aproveitamos a tabela favorável no início do certame e pontuamos muito nas primeiras 10 rodadas. Os últimos seis adversários poderiam consolidar a caminhada alvinegra, mas nas cinco partidas realizadas, nos complicamos: Goiás, Flamengo, Coritiba, Inter (adiado), Palmeiras e Corínthians. Foram 4 pontos em 15 disputados, justamente contra adversários que se candidatam ao G4, exceção feita ao Coxa que, coincidentemente, foi a nossa única vitória.

Quinta-feira iniciamos a nossa caminhada no segundo turno. A tabela é a mesma do turno anterior, embora os adversários estejam com motivações, campanhas e elencos diferentes. A chance do Atlético reside em conseguir repetir a ótima arrancada do início e, no fim, ver o que acontece contra os candidatos ao título. Não podemos desanimar.

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15 de ago. de 2009

Qualquer ponto

Para a maioria dos clubes do campeonato, começou a última rodada do turno. O líder Palmeiras, poderia ter garantido a melhor campanha desta fase, mas acabou empatando com o Botafogo dentro de casa e pode ser superado pelo Internacional e pelo Atlético, ambos com dois jogos a menos.

Esta seria uma ótima notícia, se amanhã não fôssemos a São Paulo enfrentar o Timão com um caminhão de desfalques. Teremos a volta do Tardelli, é verdade, mas a defesa jogará na base do improviso. A única esperança que eu tenho com relação à partida deste domingo é pensar que, devido aos improvisos, o time jogue mais concentrado, errando menos e correndo mais. Caso tenhamos uma tarde inspirada da dupla de ataque, pode ser que saia alguma coisa. Mas, sinceramente, não estou muito otimista. Diria que qualquer pontinho na bagagem seria de grande valia.

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13 de ago. de 2009

Homens e meninos

Atlético 1 x 1 Palmeiras

Conforme havia sido previsto no post anterior, a partida mais importante da rodada do campeonato brasileiro não foi transmitida para a Bahia. Numa tentativa de não compactuar com mais essa exibição de dominação cultural, optei por preparar a minha cama e dormir. Pouco antes da meia-noite acordei e, naturalmente, não consegui resistir e liguei o computador para saber o placar do aguardado jogo. 1 x 1, com um pênalti perdido pelo Renan Oliveira.

Deitei novamente, mas não consegui dormir, remoendo o empate com sabor de derrota. Como um time que se diz candidato ao título deixa de vencer um adversário direto na briga pelo caneco perdendo um pênalti? Liguei a TV ainda a tempo de ver os melhores momentos da peleja: equilíbrio e gols perdidos pelos dois lados. Diego Souza, mais uma vez, deitou e rolou no Mineirão, desta vez em cima do Welton Felipe, na jogada que resultou no gol palmeirense. Marcos falhou no gol de Éder Luís, mas pegou o penal.

O penal, aliás, merece uma análise à parte: tenho muita simpatia e boa vontade com o Renan Oliveira. É cria da casa, é habilidoso. Mas uma coisa fica cada vez mais clara a cada dia que passa: ele não é o jogador decisivo que a torcida tanto espera. É um meia talentoso, mas não tem a capacidade de ser a referência do time do Atlético. Ainda é novo e isso pode mudar, mas vai precisar de ritmo de jogo, de tempo e vontade. Assim, deixar o Renan cobrar a penalidade foi um erro estratégico absurdo do Atlético. Não que o Júnior não pudesse perdê-la também, mas as circunstâncias eram demasiado desfavoráveis ao garoto. E o que foi aquela paradinha? No fim, separou-se o homem do menino.

Voltando ao jogo: a impressão que tive foi que o Atlético, com todas as suas limitações e desfalques, jogou tudo o que podia e estava ao seu alcance. Esse mérito não podemos tirar de Roth e seus comandados. Por outro lado, este sacrifício nos custou uma série de desfalques que transformou a possibilidade de conseguir um bom resultado em São Paulo contra o Corínthians ganhar as proporções de um feito épico, o que nos leva à simples constatação de que o nosso elenco é limitado.

Ainda estamos na disputa pelo título? Acho difícil. Mas, acredito que temos condições de conseguir a nossa melhor colocação da era dos pontos corridos e, quem sabe, terminar entre os quatro primeiros. Depois do desastre no Campeonato Mineiro e na Copa do Brasil, quem poderia imaginar que estaríamos frustrados por termos caído para o segundo lugar?

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12 de ago. de 2009

Haja estômago

Após 12 horas de trabalho cheguei em casa e resolvi não realizar nenhuma outra atividade física a fim de poupar o que me resta de energia para o clássico desta noite. Agora, faltando pouco menos de uma hora para o início da partida, ainda não consegui descobrir se a peleja será transmitida para o interior da Bahia. A Band anuncia que sim, mas o menu da sky aponta o jogaço de bola entre o time misto do flamengo e o reserva do fluminense. A Globo e a sportv também transmitirão o "imperdível" clássico carioca. Houvesse sabido disto outrora, teria descarregado as baterias correndo alguns quilômetros, garantindo uma agradável noite de sono após as 22 horas. Pois bem, agora não temos outra solução a não ser aguardarmos o que o destino nos reserva.

Com relação à partida desta noite, considero que não há um favorito. Acredito que as duas equipes se equivalem e ambas têm desfalques importantes. Não gosto muito da ideia de lançar o Renan Oliveira no ataque, mas o menino tem talento e pode ser uma surpresa. Também tenho péssimas recordações acerca do desempenho de Diego Souza no Gigante da Pampulha. Por outro lado, me anima o fato de o Roth levar um certa vantagem nos duelos contra Muricy: ano passado, embora tenha perdido o caneco, ganhou as duas partidas contra o tricolor paulista.

Enfim, creio que será uma partida equilibrada, principalmente se o porco não contar com um jogador extra em campo. Aliás, quero deixar claro que, em geral, sou contra as lamentações atleticanas acerca das arbitragens. Mas, com relação ao Palmeiras, fui testemunha ocular de pelo menos dois assaltos praticados contra o galo dentro de Belo Horizonte e, por isso, sempre vejo com desconfiança os duelos entre as duas equipes quando há algo em disputa.

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9 de ago. de 2009

Diversas

Faltando apenas a partida do Inter contra o Sport, a ser realizada na noite da segunda-feira, podemos dizer que os resultados das duas últimas rodadas não foram de todo ruins para o Atlético. O empate do Palmeiras com o Grêmio e a derrota do Goiás para o São Paulo deixam a recuperação da liderança nas mãos do galo: se conseguir bater o Palmeiras e o Inter, a liderança é alvinegra. Serão tarefas das mais difíceis, pois são duas das (se não AS duas) equipes mais qualificadas do campeonato e rivais diretos caso almejemos o caneco.

Mas, se as pretensões do glorioso são as maiores possíveis, conforme afirma e reafirma o presidente Alexandre Kalil, é preciso acreditar que esses resultados são possíveis e trabalhar para consegui-los. Mais ainda: os resultados foram bons, mas com dois jogos a menos todo mundo encostou definitivamente no Atlético. Não dá para tropeçar mais, galo. Agora é vencer!

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Quando soube que a partida Atlético x Palmeiras havia sido adiada pela CBF, desconfiei que o houvessem feito para favorecer a televisão. A convocação do Tardelli, no entanto, já me deixou com uma pulga atrás da orelha. Era muita coincidência! Como acabo de descobrir que tanto a TV Bahia quanto o SPORTV vão ter como jogo da noite de quarta o FLAFLU da Copa Sulamericana, a única explicação racional que vejo para o adiamento é a transmissão da partida do Mineirão para o estado de São Paulo. Maldita dominação cultural! Sendo assim, se alguma boa alma souber o porque deste adiamento, peço-lhe que o divulgue para este humilde escriba, que já antecipa os agradecimentos.

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Aqui no alojamento há uma pista cimentada que contorna o terreno e que o pessoal - eu, inclusive - utiliza ao fim do expediente para correr. Ao longo dos seus quase 800 metros há um trecho mal iluminado onde em uma noite limpa, como a de hoje, é possível enxergar a infinidade de estrelas que domina o firmamento.

Hoje, enquanto corria e olhava para o céu, me lembrei de uma noite em 1991 onde, num barco no rio Paraopeba, eu e meu pai, enquanto pescávamos, escutávamos a partida entre Bragantino x Fluminense que decidia o adversário de São Paulo ou Atlético na final do brasileiro daquele ano. Em determinado momento, olhei para o céu e, urbano e pouco viajado que era, manifestei um enorme espanto em relação ao número de estrelas que havia sobre nós. Não sei muito bem porque o meu pai se impressionou tanto com a minha surpresa, a tal ponto que esta se tornou uma de suas histórias favoritas, uma daquelas para ser divulgada nas celebrações familiares nas quais regularmente comparecíamos:

- Uma vez, levei esse aqui pra pescar e quando estávamos no barco, à noite, ele olhou para o céu e disse: "Nó, pai, olha quanta estrela!". Conta aí pra eles!

E então me lembrei que era dia dos pais. Também me lembrei que há muitos anos esse dia passava sem que eu me desse conta. Fica, então, esta singela homenagem àquele pescador atleticano.

E, ah, naquela viagem eu, então com 10 anos, peguei o maior peixe. E não é história de pescador.

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5 de ago. de 2009

Reencontro com a vitória

Atlético 3 x 2 Coritiba

É praticamente impossível conter a ansiedade quando a partida do seu clube é marcada para o fechamento da rodada às 18:30h do domingo. No caso do Atlético, a ansiedade ficou ainda maior após duas derrotas consecutivas, que resultaram na perda da liderança e, para piorar, após a vitória do Palmeiras na abertura da rodada, que colocou seis pontos de diferença em relação ao Galo. Sendo assim, todo alvinegro sabia que, dados os efeitos psicológicos devastadores de um fracasso neste momento, qualquer outro resultado que não fosse a vitória contra o Coxa no Mineirão praticamente sepultaria as ambições atleticanas com relação ao caneco.

As coisas não poderiam ter começado melhores para o Atlético que, impondo um ritmo fortíssimo, com 15 minutos do primeiro tempo já ganhava por 2 x 0: Jonílson e Diego Tardelli marcaram com assistências do Evandro, que havia iniciado a partida no lugar de Júnior. Ainda escutando os gritos da torcida saudando o Tardelli, comento com a minha mulher:

- É, agora já era... O Galo vai fazer picadinho do Coritiba.

Ela, demonstrando sabedoria para a atleticana novata que é, comentou calmamente:

- Acho que não... O time faz 2 x 0 e fica acomodado.

Logo depois, em um escanteio, o Coxa conseguiu diminuir. Deve ser o tal sexto sentido feminino. Apesar disso, o Galo continuou com um maior volume de jogo perdendo gols de todas as maneiras possíveis e imagináveis (sem contar a grande atuação do arqueiro curitibano). O adversário ameaçava com alguns contra-ataques perigosos, aproveitando os espaços deixados pelo meio e pela defesa atleticanos.

À medida que a partida se aproximava do fim, começava a me lembrar da quantidade de resultados entregues pelo Atlético em circunstâncias idênticas ao longo de todos esses anos. "Já vi esse filme..", pensava, mas logo vinha um pouco de otimismo "esse ano tá diferente, vamos garantir os três pontos!". Aos 36 minutos da etapa final, o Coritiba conseguiu enfiar uma bola em profundidade pelo lado direito da defesa atleticana e o atacante, cara a cara com o Aranha, fuzilou, para meu desespero, a meta alvinegra.

Silêncio no quarto. Minha mulher continuou no computador, alheia ao nosso trágico destino.

Sentei-me no sofá, peguei todas as almofadas, coloquei-as no colo e fiquei ali, incrédulo, meditando. Já via o campeonato descendo pelo ralo em direção ao esgoto sujo, como diria meu primo André.

Já passava dos 40 quando, de repente, uma bola sobra na esquerda para o Saci, que cruza a pelota rasteira pela área alviverde sobrando nos pés do Renan Oliveira. O garoto, domina, gira, dá um toque para o lado e solta um petardo estufando as redes de Édson Bastos. Um grito de gol e uma explosão, com palavrões e almofadas voando pelas paredes do quarto! Dessa vez ninguém ficou alheio!

Apita logo, juiz! Porra! Muito alívio...

Esta rodada estaremos de folga, pois a partida contra o Inter foi adiada. O próximo adversário é, portanto, o Palmeiras. Ainda estamos no páreo.

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1 de ago. de 2009

No maior do mundo

Flamengo 3 x 1 Atlético

Com ingressos comprados desde a segunda-feira, passamos toda a quinta-feira torcendo, inutilmente, para que São Pedro colaborasse e fechasse as torneiras. Com a missão de levar um amigo italiano para conhecer o Maracanã, não seria uma chuva teimosa que nos faria ficar em casa.

Após uma longa caminhada debaixo d'água até a estação do metrô, da mudança de linha na Estácio e da correria até às roletas do Maracanã, conseguimos entrar no estádio com os dois times no gramado se preparando para o início do jogo. Demos a volta em todo o anel inferior a fim de chegarmos à torcida alvinegra e, mal nos acomodamos nas cadeiras, o Atlético, após uma roubada de bola do Serginho, consegue anotar o seu primeiro tento com o Éder Luís. Muita festa e animação de todos. Nada melhor do que largar na frente.



GOL!!

Infelizmente, o que vimos após este gol foi um time exageradamente recuado e extremamente afoito na hora de encaixar os contra-ataques. O resultado foi uma pressão incessante do Flamengo que não empatava devido a um misto de sorte alvinegra com a incompetência do ataque flamenguista. Após mais um ataque perigoso, comento com Daniele, meu amigo italiano:

- Rapaz, estamos com muita sorte! Mas não dá pra ficar assim o jogo inteiro... Uma hora a bola entra, porra! Tomara que o primeiro tempo acabe logo!

Daniele faz que sim com a cabeça.

Apesar das adversidades, a torcida ainda apoiava o time sem parar e, quando resolvi sentar um pouco para descansar, levamos um gol numa falha horrorosa da defesa. Léo Moura penetrou pela direita e fuzilou a meta do Aranha. Daniele comenta:

- Falha do goleiro. Foi muito mal na bola.

Ainda tentávamos assimilar o golpe quando o Flamengo marcou o gol da virada. Desânimo total. Me retiro para ir ao banheiro e ao bar. Volto a tempo de ver o árbitro encerrar a primeira etapa. Passamos o intervalo resenhando o primeiro tempo sentados nas cadeiras. Além de Daniele, contávamos com a companhia do Fábio, um amigo gaúcho, gremista, que veio para transmitir o jogo para algum site internacional.


Isola, Weltão!!

Os times voltam, o Galo com duas alterações: saíram Júnior e Serginho, entraram Evandro e Marcos Rocha, respectivamente. O segundo tempo se inicia e não há muita diferença em relação à etapa anterior. Pouco tempo depois Roth substitui Márcio Araújo por Pedro Paulo. Daniele pergunta se a alteração é boa. Respondo que a ideia não é ruim, mas que, considerando-se a peça de reposição, não deve dar em nada. Aproveito para expor a teoria do Mateus que diz que o Pedro Paulo teria um desempenho melhor se a bola utilizada tivesse guizos dentro dela como nas partidas com os deficientes visuais: o homem não tem nenhuma precisão nos arremates! Ainda explicava a tal teoria quando o Flamengo marcou o terceiro, liquidando o jogo.

No fim, descemos para o muro que separa a arquibancada inferior do gramado para tirarmos algumas fotos e o que vimos foi o Pedro Paulo confirmar a teoria do Mateus: recebeu uma bola na grande área e errou o domínio. Com o seu inesperado erro, enganou o goleiro Bruno e, com o gol vazio, conseguiu, espetacularmente, acertar a trave e colocar a bola pra fora. Não precisei dizer nada para o Daniele.

É difícil entender o que está acontecendo com o Atlético: salto alto? Falta de preparo? Racha interno? O elenco sucumbiu à pressão? O time, realmente, pareceu cansado no fim da partida. Mas não posso deixar de reconhecer que correram muito. O problema é correr de uma maneira desorganizada, sempre atrás da bola e não com ela nos pés. Cansa-se à toa e se produz muito pouco. O chato é que a partida não poderia ter começado melhor para o Galo, o que nos deixou muito otimistas, pena que não soubemos aproveitar a oportunidade.

No fim, Daniele fez a sua leitura do jogo:

- O Flamengo jogou pelo Andrade, correu mais, teve mais vontade. O Atlético esteve apático, mas a culpa foi do goleiro. Debaixo do gol ele não pode deixar as bolas passarem daquele jeito.

Domingo o Atlético buscará a recuperação diante de um desfalcado Coxa. Qualquer outro resultado que não seja a vitória selará o nosso destino nesta competição.

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30 de jul. de 2009

Mais um clássico

Mesmo com a chuva incessante que cai no Rio, estaremos logo mais no maior do mundo para apoiar o Galo na sua busca pela liderança contra o Flamengo. Depois do chocolate aplicado nos rubro-negros na temporada anterior (3 x 0 dentro do Maracanã), acredito que seja praticamente impossível repetir a bela atuação e a vitória tranquila. Apesar disso, o time tem sido um adversário difícil de ser batido fora dos seus domínios e, se apresentar o seu melhor futebol, complicará a partida para os urubus. Tomara que a sorte esteja do nosso lado nesta rodada, pois diante do péssimo resultado do domingo passado, precisamos, acima de tudo, pontuarmos esta noite.

Parte 2: A convocação do Tardelli ou "pimenta no rabo dos outros"

Muitos celebram a convocação do nosso artilheiro nesta temporada para a Seleção Brasileira. Sem dúvida, para o jogador e para o clube a convocação é um fato deveras interessante: abrem-se portas, valoriza-se o passe e divulga-se o time. Para o torcedor, no entanto, é o que há de pior: é o princípio do adeus, não bastasse as rodadas cujo desfalque é inevitável, a convocação praticamente carimba o passaporte do futebolista para o exterior. E, pra falar a verdade, para mim (e para a maioria dos atleticanos, creio eu), o Galo vem muito antes da seleção.

Mais irritante do que ter o principal jogador convocado para a seleção é descobrir que o jogo contra o Palmeiras, partida que pode decidir o primeiro turno do campeonato foi, "coincidentemente", adiada para o dia do jogo do Brasil contra o poderoso escrete da Estônia. Haja estômago.

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27 de jul. de 2009

Gosto amargo

Atlético 0 x 1 Goías

Três dias após a desgastante (tanto fisica quanto emocionalmente) partida contra o Fluminense, estávamos todos de volta ao Mineirão: time e torcida, tendo o Goiás como adversário. Domingo ensolarado, estádio cheio, cenário perfeito para mais uma grande atuação do alvinegro mineiro.

O cenário era perfeito, só faltou a vitória do protagonista do espetáculo.


Infelizmente, o cenário sozinho não garante um grande espetáculo. O jogo deste domingo começou nervoso, com o verdão decidido a cozinhar o Atlético o máximo que pudesse, uma catimba tremenda. O Galo mantinha a posse de bola, mas não conseguia chegar ao gol de Harlei com a qualidade necessária para finalizar com precisão. Nas poucas oportunidades que teve ao longo de toda a partida, acabou pecando por preciosismo, falta de técnica ou falta de sorte. Sim, se a sorte esteve do nosso lado na quinta-feira, quando a bola quicou e entrou, na tarde do domingo nada deu certo.

Quanto ao nosso adversário, é um time que manteve o treinador da temporada passada e vem realizando grandes partidas fora dos seus domínios. Já era sabido que o jogo seria problemático. Ademais, contam com Iarley na frente. Jogador discreto, mas que sabe segurar a pelota como poucos, distribuir os contra-ataques e chegar finalizando, como comprovou in loco nosso zagueirão Welton Sagat Felipe. E assim, quando levamos o gol faltando menos de 10 minutos para o apito final, o estádio inteiro pareceu saber qual seria o fim da história. Ficou o sabor amargo da derrota em casa, pela primeira vez neste brasileiro.

Não há dúvidas de que o Atlético tem um bom time de futebol, mas com o desenvolvimento do campeonato e a realização de duas partidas por semana, fica claro que o elenco ainda precisa de mais uma ou duas peças para suportar o ritmo do torneio. Conforme havíamos discutido no pós-jogo de quinta-feira, ainda no Mineirão, o mais preocupante era o físico do Atlético para a partida do domingo. Aparentemente, este foi um grande problema na tarde de ontem. O time correu, lutou, mas sem "chegar junto", sem a pegada característica dos jogos anteriores, marcando mais em seu campo de defesa e chegando sem muita qualidade quanto tinha a posse de bola.

Quinta-feira, contra o Flamengo, estaremos no Maracanã, tomara que com bastante fôlego.

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25 de jul. de 2009

Contra todos os prognósticos

Atlético 2 x 1 Fluminense

Não se pode negar que lotar o Mineirão é um hábito corriqueiro da massa alvinegra e, portanto, não há razão para a surpresa em relação à média de público dos jogos em Belo Horizonte nesta temporada. A diferença desta vez é o clima de otimismo que começa a se firmar no Gigante da Pampulha e no seu entorno, enquanto aguardamos o início da partida. Não é o otimismo que leva ao menosprezo ao adversário e, naturalmente, ao clima de "já ganhou", mas aquele que vem da confiança da torcida em relação ao seu time e que é, sem dúvida, produto dessa boa campanha e do início do resgate da nossa dignidade e prestígio. Uma experiência bastante diferente daquelas vividas nas temporadas anteriores quando as pessoas se preparavam espiritualmente do lado de fora para serem atiradas aos leões dentro da sua própria casa.

Pois bem, nesta quinta-feira chegamos bastante cedo ao ponto de encontro onde se desenvolvem os rituais de pré-jogo: bate-papo, cantorias e 2 latões por 5 reais. Uma vez que não se permite a venda de bebida alcoólica dentro dos estádios e os ingressos são vendidos antecipadamente, as pessoas prolongam estas atividades até 10 ou 15 minutos antes do momento previsto para o apito inicial. O resultado é a tremenda confusão que se gera nos portões de acesso ao estádio, impossibilitando sequer a formação de uma fila. Já tendo passado por isso antes, nos dirigimos para o portão 40 minutos antes do início da partida onde já enfrentamos uma certa confusão, mas não tivemos maiores problemas para o acesso. Dizem que quem deixou para depois viveu um verdadeiro inferno.

A partida em si, conforme previsto no post anterior, foi dificílima. O Fluminense optou pela defesa, mas sempre levando perigo à retaguarda alvinegra em seus contra golpes, exigindo boas intervenções do arqueiro aracnídeo. Durante toda a primeira etapa esta foi a tônica da partida, o que resultou no 0 x 0 para estes primeiros 45 minutos. Os times voltaram iguais para o segundo tempo e o Atlético ainda mais decidido em pressionar os cariocas. Assim, após um bate-rebate na área tricolor, Serginho conseguiu cabecear uma bola que quicou no gramado e entrou na meta de Fernando Henrique. Festa nas arquibancadas! Logo depois, erro de saída de bola da defesa do Fluminense, que foi roubada pelo ataque alvinegro, cruzada para a área e empurrada para o gol por Tardelli. 2 x 0 e carnaval no Mineirão.

A partir dos 2 x 0 o Atlético, aparentemente, decidiu controlar o jogo e o resultado foi uma tremenda pressão do adversário que impôs uma verdadeira blitz à meta alvinegra. De tanto tentar, acabou anotando o seu tento após uma bola rebatida por Aranha e recuperada pelo Tartá, em flagrante impedimento, que a cruzou rasteira para a pequena área onde o jovem Kiesa empurrou-a para as redes. 2 x 1 e extrema tensão nas arquibancadas. Admito que há muitos anos não vivia momentos tão tensos dentro do Mineirão, momentos dignos de uma partida decisiva. O companheiro Mateus, à beira de uma crise nervosa, se retirou das cadeiras e passou a, nervosamente, andar de um lado para o outro no caminho que leva ao acesso às arquibancadas, se manifestando aos palavrões à cada ataque desperdiçado pelos cariocas. Para finalizar, no último minuto, Aranha operou um milagre e garantiu a vitória e mais três pontos para o Atlético. Ainda permanecemos por alguns minutos nas cadeiras após o apito final, do jeito que foi não dava para sair de bate pronto, até para evitar um provável colapso do Mateus, que esteve a ponto de dar cabeçadas nas paredes.

E contra todos os prognósticos o Atlético continua vencendo e, após 13 rodadas, permanece na primeira posição com uma diferença de 3 pontos em relação ao segundo colocado. Felizmente, fiquei com a sensação de que a torcida resolveu, definitivamente, jogar junto e teve a necessária paciência para o Galo pudesse trabalhar as jogadas e buscar os gols. Como já disse, esse é o nosso time e essa é a nossa chance: vencer em casa. 1 x 0, 2 x 1, 3 x 2, não importa, precisamos dos três pontos.

Amanhã, outra partida complicada na Pampulha: o Goiás. Time bem treinado, astuto e com jogadores experientes. Roth deve se lembrar bem da derrota que lhe foi imposta ano passado pelo verdão em Porto Alegre, derrota que acabou lhe custando o título. Esperamos que as lições tenham sido aprendidas e que possamos atuar com a firmeza e serenidade necessárias para conquistar os pontos.

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23 de jul. de 2009

Apoio incondicional

"Parece que ele tá falando do Real Madrid"
William Waack

Muitos torcedores têm reclamado do tratamento dispensado pela imprensa nacional acerca da campanha do Atlético: incredulidade, desconfiança, ironia e até um certo desprezo, devo reconhecer (vide o senhor William Waack, por exemplo). No entanto, qualquer torcedor que acompanhe o glorioso há mais de 25 anos sabe que, mesmo nos áureos tempos de Reinaldo, Luisinho e companhia, o time nunca teve muita simpatia da imprensa (isso porque, talvez, seus rivais à época gozassem de mais prestígio). Ou seja, nada que já não conheçamos de longa data e, com relação a isso, acredito que a direção não pode deixar se abater pela falta de respeito. Pelo contrário, deve utilizar o menosprezo como fator de motivação para que a resposta seja dada dentro do campo.

Um outro aspecto interessante a ser destacado é que nos últimos seis anos o Atlético veio de uma sequência incrível da más gestões, sofrendo uma série de humilhações (em campo e fora dele) que acabaram por comprometer a tradição e o prestígio do clube mais tradicional de Minas Gerais. E, amigos, reconstruir uma reputação é uma tarefa árdua, demanda muito trabalho e os resultados não são imediatos. Me parece que neste ano o Atlético tem dado os primeiros passos neste sentido tanto futebolistica (tendo montado um time de futebol) quanto politicamente (contratações importantes, trabalhos nos bastidores, marketing, etc). Fica cada vez mais evidente que estamos, sim, correndo atrás.

A minha única preocupação, conforme já explicitado em posts anteriores, é a relação da torcida com o time. Está claro que pela primeira vez, depois de 8 anos (tirando pequenos intervalos sob o comando do Levir e do Leão) temos um time, e não um amontoado de jogadores, disputando o campeonato. O elenco tem suas limitações, mas também tem os seus destaques, mesclando experiência e juventude. É um time que corre e luta e tem ido mais longe do que imaginávamos que poderia ir. Dito isso, confesso que não consigo entender os protestos de certos segmentos da torcida em relação a determinados jogadores. Há sim carências e há atletas que estão rendendo abaixo do esperado, mas o time tá indo e se a torcida for junto, é muito melhor. Resumindo: é papel da torcida cobrar e protestar, mas se for para o estádio, é obrigação apoiar. Ponto final.

Sobre o Brasileirão: por incrível que pareça, a rodada começou de maneira extremamente favorável ao Atlético, que manterá a liderança mesmo diante de uma derrota frente ao Fluminense. É, certamente, uma ótima notícia, mas que deverá ser tratada com o devido cuidado para que a equipe não se acomode e mantenha a concentração necessária a fim de conseguir os importantes pontos desta noite, pois este é um longo campeonato.

Acima de tudo, não podemos nos enganar: apesar da má fase do tricolor carioca, não será um jogo fácil. Com novo ânimo após a troca do treinador o Fluminense deve vir com um esquema bem fechado, apostando nos contra-ataques e no poder de decisão do goleador Fred. É preciso ainda lembrar a desastrosa apresentação alvinegra diante do Botafogo, que atuou no Mineirão com a mesma proposta do seu conterrâneo. Caberá à torcida ter paciência e apoiar o time, independente da qualidade do futebol apresentado. Uma vitória pelo placar mínimo terá o valor de uma goleada.


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20 de jul. de 2009

Com sabor de vitória (com o perdão do trocadilho)

Vitória 0 x 0 Atlético

Domingo de inverno é aquela coisa: tempo meio fechado, um certo frio (para os padrões cariocas), o clima certo para uma bela lazanha e algumas taças de vinho. O sujeito então, com o estômago cheio, chega em casa e resolve deitar no sofá para acompanhar a rodada do Brasileiro que, naquele momento, já está em andamento. Expectativa de partida difícil para o Atlético contra o Vitória em Salvador. O rubro-negro baiano detém a impressionante marca de 100% de aproveitamento jogando em casa e o Galo a de ser o melhor visitante.

TV ligada, pressão baiana. Processo digestivo mesclado com nervosismo não dá certo e é melhor dar uma zapeada e uma conferida na rodada. Má notícia: a vitória parcial do colorado no grenal devolve a liderança aos gaúchos, melhor sintonizar novamente no Barradão. Já é fim do primeiro tempo, escaramuça na área atleticana, Roger cabeceia, Aranha olha, a bola bate na trave e entra. A sorte é que, no espaço de tempo entre a informação ser captada pelos meus olhos, seguir pelos nervos ópticos e chegar à área do cérebro responsável pelo processamento da imagem, o narrador confirma que o árbitro havia anulado o tento soteropolitano, de modo que não tenho a minha digestão prejudicada. Milagre. Meu raciocínio de engenheiro diria que o sistema auditivo agiu mais depressa do que o óptico nestas circunstâncias, mas considerando os pobres resultados das minhas audiometrias, acredito que aquele vinho tenha sido o fator preponderante neste evento.

A fim de garantir a paz ao meu estômago, resolvo tirar uma soneca e perco a maior parte do segundo tempo. Os poucos flashes que acompanho terminavam, invariavelmente, com algum chutão da zaga alvinegra. Mais uma conferida na rodada: virada no Olímpico, o empate nos devolve a liderança. Torcida pelo apito final que, para meu alívio, não tarda a aparecer.

Se alguns alegam que o empate em Salvador foi um mau resultado, para mim pode ser considerado bastante satisfatório diante do pouco que vi da partida. Tivemos dois desfalques importantes, enfrentamos um adversário direto pelas primeiras colocações, que havia ganhado todas as partidas em casa até o momento e que nos havia imposto um 3 x 0 naquele mesmo estádio há bem pouco tempo. Qualquer torcedor alvinegro com mais de 15 anos sabe o que se passaria na tarde de ontem em Salvador se chegássemos para jogar com o espírito das últimas temporadas. No entanto, soubemos controlar o jogo e chegar a um resultado favorável e importante para a continuação do campeonato. No fim, recuperamos a liderança perdida no sábado e jogaremos as duas próximas partidas em casa. Agora é fazer a nossa parte, o Galo só depende dele.

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19 de jul. de 2009

Missão difícil

Esta tarde o Galo entrará em campo na Bahia para tentar recuperar a liderança, surrupiada pelo Palmeiras no início da rodada, na noite de ontem. Missão deveras complicada, uma vez que enfrentaremos o Vitória, equipe com 100% de aproveitamento jogando em casa e de amargas lembranças para o torcedor alvinegro nesta temporada. Muitos argumentam que o rubro negro jogará sem a sua defesa, mas nós jogaremos sem o nosso principal jogador na temporada, o goleador Tardelli, e sem o veterano Júnior, que tem se destacado no meio campo alvinegro.



Não tenho dúvidas de que será um jogo complicadíssimo e a chance do Atlético em conseguir um bom placar aumenta muito se mantiver o futebol consistente da partida do meio de semana, com muita pegada e muita atenção. Não entrar a 20 por hora, como nosso adversário fez no Mineirão, o que resultou no gol relâmpago do Tardelli. Jogar com autoridade e suportar a pressão dos minutos iniciais lembrando, quem sabe, aquela apresentação antológica no mesmo estádio em 1999 pelas semifinais do Brasileiro.

No mais, se serve de alento, esta noite sonhei com uma vitória atleticana: 1 x 0, gol do Éder Luís de pênalti (eu nem sabia que ele cobrava penais).

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17 de jul. de 2009

Gás total

Atlético 2 x 0 São Paulo

Para o torcedor atleticano, a semana de 12 a 18 de julho pode ser definida como futebolisticamente perfeita: além da recuperação e, depois, manutenção da liderança no campeonato brasileiro com duas vitórias no Mineirão, ainda pode testemunhar o feito épico de "la brujita Verón" e seu Estudiantes de La Plata no mesmo estádio na noite de quarta-feira.

Entusiasmado pela boa campanha e animado com o fracasso do rival, o atleticano compareceu em massa em Mineirão fazendo uma grande festa. Aparentemente, a energia das arquibancadas contagiou o time, pois eu ainda estava finalizando as minhas tarefas no computador quando ouvi o grito de gol vindo da sala, chegando ao recinto apenas a tempo de ver o Tardelli correndo em direção ao banco de reservas, comemorando o seu sétimo tento no campeonato. O que se viu depois foi um time brigador, ganhando as divididas e perdendo inúmeras chances ao longo de todo o primeiro tempo. A segunda metade chegou a dar pinta de que seria mais equilibrada, mas um grande gol do Serginho, após tabela com o Éder Luís, colocou uma pá de cal no ímpeto de reação do tricolor. Depois disso, o Galo controlou a partida e garantiu os três pontos.

Ainda desprezado pela maior parte da imprensa nacional e visto com desconfiança por uma parcela da torcida, a grande pergunta do momento é: até onde o Atlético pode chegar? É verdade que nem o mais otimista dos atleticanos imaginava que pudéssemos estar nesta situação após 11 rodadas mas, nessa altura, já me parece evidente que o Galo não ocupa a posição por acaso: existe consistência e objetividade no futebol praticado pelo time e, aparentemente, muita confiança, pois as coisas estão dando certo. Acho muito cedo para falarmos em título ou, até mesmo, em Libertadores, mas tem dado gosto ver essa equipe guerreira e veloz. Não dá exibição, mas luta, divide e corre, e é isso que o torcedor do Atlético gosta. A academia fica do outro lado da lagoa.

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13 de jul. de 2009

No radinho

Cruzeiro 0 x 3 Atlético

Uma verdade acerca do ser humano é que nada é mais fácil do que se acostumar com o que é bom e, verdade seja dita, a pós-modernidade tem sido pródiga em disponibilizar “soluções facilitadoras” para a vida de todos. No caso do torcedor de futebol, o advento do serviço de “pay-per-view” disponibilizou praticamente toda a temporada dos grandes clubes para transmissões ao vivo em qualquer lugar do país. Depois que o sujeito torna-se usuário do produto, não quer saber de nada menos do que ver o jogo do seu clube no momento em que ele acontece. Estamos muito mal acostumados.

O interessante é que não faz muito tempo, as únicas transmissões ao vivo das partidas do Atlético se resumiam aos jogos decisivos ou, eventualmente, algum clássico jogado contra adversários importantes de outros estados. Atlético x Cruzeiro? Nem pensar. Esse era o jogo do radinho: Willy Gonser um tempo e Alberto Rodrigues na outra metade, fosse com o alto falante colado no ouvido sentado na arquibancada de cimento do Mineirão, fosse em casa sentado no chão do quarto ouvindo a narração com os amigos.


Faço esta introdução porque, estando no interior da Bahia a trabalho, fica difícil acompanhar os jogos do Atlético a não ser que seja pela bolinha da Globo ou em algum site na internet. Hoje, para variar, resolvi acessar o rádio online e deixar a narração fluir enquanto terminava as minhas tarefas. Ouvir o jogo pelo rádio é uma parada engraçada: qualquer um que tenha alguma experiência em estádio de futebol sabe que a transmissão dos radialistas está mais para a ficção do que para a descrição do fato real. Ademais, creio que pelo menos metade do trabalho de construção da cena é destinada ao cérebro do ouvinte. Um exemplo: senti um certo incômodo enquanto via os dois primeiros gols do Atlético, mas logo me dei conta de que estava desconfortável porque, enquanto ouvia a partida, imaginava o jogo acontecendo com as equipes ocupando os lados opostos do gramado e os gols haviam sido previamente concebidos desta maneira por mim.

Mas, deixemos este papo para lá e falemos da vitória do Atlético. Era o time reserva do Cruzeiro? Sim. A expulsão do Zé Carlos com 7 segundos do primeiro tempo ajudou? Muito. Mas, analisar a partida a partir destes dois fatos nos levaria a conclusões incompletas: verdadeiras, talvez, mas incompletas. O Atlético não vencia o seu maior rival há 12 partidas, o técnico adversário nunca havia perdido um clássico e o Roth nunca havia ganhado um. Vínhamos de dois resultados complicados com duas atuações medíocres, uma pressão enorme que era produto das circunstâncias previamente apontadas e da desconfiança e impaciência de uma torcida que vem sendo muito mal tratada neste século XXI.

Vencemos e foi muito importante. As coisas deram certo para o lado alvinegro desta vez e creio que isto trará uma certa tranqüilidade para o desenvolvimento do trabalho nestes dois ou três dias que antecederão outra dificílima partida: o São Paulo no Mineirão. A liderança está de volta, um tabu está quebrado e podemos recomeçar a escrever a nossa história.


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12 de jul. de 2009

Sem clima

O mais estranho de estar longe de tudo é ser absolutamente privado da possibilidade de “sentir o clima” do clássico. Tudo bem que após o decepcionante desempenho do domingo passado acabei, voluntariamente, me abstendo do noticiário esportivo da semana. A única coisa que me chamou a atenção foi o palpite do Lédio Carmona em seu blog, onde apostou no empate entre o Galo e o seu maior rival. Como o índice de acertos dele nas partidas envolvendo o glorioso é baixíssimo, considero que a partida terá um vencedor.

O clássico é o tipo de jogo onde, andando pela cidade, ouvindo o rádio, vendo as pessoas, um sujeito consegue detectar qual dos dois tem a maior probabilidade de vencer. Isso é “sentir o clima”. Para a tarde deste domingo, no entanto, não tenho palpites. Se fosse pela lógica, apontaria uma vitória do Atlético mas, sendo realista, sei que não será tão fácil assim.

Desde a chegada do Adílson ao nosso maior rival não conseguimos derrotá-los, o homem é um estrategista de primeira e tem sabido nos superar como nenhum outro. Amanhã (ou hoje, quando tiver publicado o post), Batista entrará com um time reserva jogando a pressão, que já não é pequena, para o nosso lado: não bastasse as 12 partidas sem vencer o clássico, o Galo vem de duas partidas ruins tendo entregado a liderança para o Internacional (para regozijo da imprensa nacional, que aponta o alvinegro como o cavalo paraguaio da temporada 2009). A minha esperança é que o time entre em campo bastante concentrado e aguerrido e consiga vencer a partida, derrubando o tabu, recuperando a auto-confiança e, quem sabe, a ponta da tabela.

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8 de jul. de 2009

Altos e Baixos

Atlético 1 x 1 Botafogo

Neste momento, soam um tanto proféticas as palavras de Celso Roth durante a semana de preparação para a partida contra o Barueri na rodada passada, quando tentava alertar o torcedor alvinegro sobre a “curva de desempenho” de uma equipe ao longo de um campeonato grande como o Brasileiro e as suas implicações. O curioso é que naquela hora achei que meu dileto amigo Dentadura estava agindo corretamente, visto que a empolgação dos torcedores beirava a histeria. No entanto, após a merecida derrota para o Barueri e a frustrante exibição contra o Botafogo diante de 48 mil torcedores atleticanos, começo a desconfiar que a desculpa já estava sendo preparada. Desculpa porque ainda não disputamos um terço do campeonato e não era para essa maldita curva estar nos presenteando com os seus malditos efeitos (ou benditos, se a mesma apontasse para uma melhoria de desempenho).

O jogo deste domingo, acompanhado aos pedaços, já que era exibido pela TV Bahia, deve ter sido uma das piores partidas de futebol desta temporada, incluindo os campeonatos estaduais e as quatro divisões do campeonato brasileiro. Um Atlético, inexplicavelmente apático, enfrentando um Botafogo que povoou o meio de campo com seis jogadores, ganhando todas as rebatidas sem, no entanto, criar oportunidades de gol. Só não digo que parecia um jogo de totó porque periga o volume de faltas apontadas pelo árbitro ter quebrado o recorde nacional da categoria. Ou seja, até onde pude acompanhar, as pobres almas que estiveram no Mineirão puderam assistir a uma legítima pelada que nos custou a liderança do campeonato.

Possíveis razões para este fracasso?

· Burrice, talvez. Não é possível que um time profissional, sabendo que o adversário possui um exímio cobrador de faltas, procure cometer as infrações, sistematicamente, dentro do raio de alcance do referido jogador. Uma hora a bola entraria, era óbvio.

· Podemos apontar também as mexidas do senhor Roth: naturalmente, os desfalques obrigam a modificações, mas os de hoje não justificam a manutenção do Júnior na lateral esquerda. Em todos os jogos sérios que disputamos com o veterano pentacampeão na sua posição de origem, fomos devidamente batidos. Entretanto, obtivemos nossos melhores resultados com o jogador atuando no meio. Entendo que Evandro e Renan Oliveira devessem ser testados, são dois jovens e têm talento mas, infelizmente, nenhum dos dois têm correspondido.

· Finalmente, o fato de termos o clássico agendado para o próximo domingo e estarmos com cinco jogadores pendurados pode ter feito com que os mesmos tenham evitado o confronto direto contra os adversários para evitar o amarelo e a conseqüente suspensão na partida contra o nosso maior rival. Se for esse o caso, acho que foi um erro crasso.

Digo que a terceira hipótese seria um erro porque o Atlético precisava muito dos três pontos contra o Botafogo. Além disso, devemos nos lembrar que temos um tabu importante a ser batido contra a raposa, mas não podemos tornar essa cruzada o evento prioritário no campeonato brasileiro, caso nossas pretensões sejam maiores do que garantir uma vaguinha na sulamericana.

O nosso rival, dadas as circunstâncias, deve entrar em campo com um time misto, jogando toda a responsabilidade do resultado para o Atlético. Se triunfarmos, tudo bem. O problema é que um resultado adverso pode corroer seriamente o trabalho do Celso e é por isso que considero uma aposta arriscada a priorização do clássico (caso este fator tenha influenciado o desempenho na partida contra o Botafogo): saímos do jogo praticamente ilesos (apenas o Carlos Alberto foi suspenso), mas com uma necessidade enorme de vencer uma partida que, por si só, já gera uma enorme pressão. Vamos ver se conseguimos, ao menos, acertar passes e ganhar rebotes. Temos uma semana para isso.

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4 de jul. de 2009

Não será fácil

Embora não tenha uma conexão disponível no alojamento, desta vez vim equipado com um computador, de modo que posso preparar os meus textos durante os momentos de folga e publicá-los oportunamente.

Domingo defenderemos a liderança do campeonato contra o Botafogo. A principal diferença neste encontro vem das circunstâncias envolvendo as equipes neste momento: se nas últimas temporadas o alvinegro carioca vinha apresentando um bom desempenho, chegando a ocupar as primeiras posições diversas vezes e o Atlético lutasse para se manter afastado da linha da degola, os dias atuais colocam as duas equipes nos extremos opostos na tabela – o Galo é o primeiro, o Fogão é o último.

Apesar de o Botafogo ser um adversário historicamente perigoso, este é o tipo de jogo onde, em geral, nunca houve muitas surpresas: quem estava melhor quase sempre se impôs sem maiores dificuldades.

Curiosamente, este é um dos jogos que menos presenciei nos estádios. O primeiro Atlético x Botafogo que fui aconteceu nas quartas-de-final do Brasileiro de 94. Depois de amargar as últimas posições ao longo de quase todo o certame, o Galo, sob o comando do então novato Levir Culpi, realizou uma campanha devastadora na repescagem e se classificou para enfrentar o Fogão, que já o havia derrotado duas vezes na fase classificatória. No Mineirão, o Galo aplicou um 2 x 0 e, no jogo de volta, foi derrotado por 2 x 1, classificando-se para a semifinal.

No ano seguinte, sofremos uma goleada humilhante por 5 x 0 no Maracanã para o time que viria a se consagrar campeão brasileiro naquela temporada. Por duas vezes, nas temporadas seguintes, o Atlético deu mostras de que poderia devolver o vexame nos gramados cariocas: em 96, no Mineirão, após abrir 4 x 0 no primeiro tempo, tirou o pé e sofreu três gols e um sufoco incrível no fim, sustentando a vitória por 4 x 3 e, em 98, novamente em casa, depois de virar o primeiro tempo perdendo por 2 x 0, virou espetacularmente para 5 x 2 no segundo tempo e, da mesma maneira, viu o rival carioca chegar ao empate por 5 x 5, naquele que foi classificado como o melhor jogo da temporada pelos cronistas (para mim, no entanto, foi um dos jogos mais irritantes jamais vistos e que, no fim, acabou nos tirando da fase final do campeonato após um empate melancólico com a Ponte Preta). Finalmente, em 1999, o Atlético se vingou impondo um 5 x 1 ao Botafogo em Caio Martins.

Em 2001, na minha volta aos estádios (desta vez no Independência) outra grande exibição e mais uma goleada atleticana: 4 x 0, com direito a gol do lateral direito Baiano. Ele mesmo, o Baiano, ex-vendedor de calcinhas , que barrou o Cicinho e que, algumas temporadas depois, poderia ser visto defendendo as cores do Boca Juniors. Coincidentemente, esta partida antecedeu o clássico para o Brasileiro daquele ano, história que se repetirá nesta temporada.

Após 2001, ambos os times fizeram uma visita à segunda divisão e ambos voltaram à primeira sob o comando de Levir Culpi. Desde então, os cariocas obtiveram ampla vantagem sobre os mineiros tanto no Brasileiro quanto na Copa do Brasil e na Copa Sulamericana. A última partida disputada pelos dois acabou em vitória do Atlético por 2 x 1 resultando na quebra de um tabu amargo, que durava desde esta famigerada partida há oito anos.

Se conseguir superar psicologicamente a derrota da rodada passada (e isso se aplica tanto ao time quanto aos 40 mil abnegados que devem aparecer no Mineirão), mantiver o futebol que vinha praticando anteriormente e se cuidar diante do ataque carioca (Vítor Simões e Reinaldo, caso joguem) acredito que o Atlético possa sair vitorioso no domingo pois, dada a sequência que nos aguarda nas próximas rodadas, esses três pontos seriam fundamentais para as pretensões de Roth e seus comandados.

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29 de jun. de 2009

Queimando gordura

Barueri 4 x 2 Atlético

Já dava para desconfiar do que estava por vir ao ler as reportagens ao longo da semana, onde o comandante alvinegro avisava à torcida que a boa campanha não significava que terminaríamos o campeonato invictos e que a derrota, mais cedo ou mais tarde, aconteceria. Entendo que a preocupação dele era conter a euforia e, de alguma maneira, preservar o apoio da torcida caso o revés viesse a acontecer já naquela rodada mas, para a mente sofisticada de um torcedor, aquele papo não era nada bom.

Estando em BH, juntei-me ao meu irmão, ao meu primo e aos nossos amigos e fomos assistir à partida em um buteco. O que se viu naquela tarde de sábado fria e chuvosa em Barueri foi um Atlético acuado, errando passes em demasia e sem velocidade, a sua principal característica. Talvez tenha sido culpa do frio e da chuva, talvez da soberba e da crença de que o adversário seria facilmente batido, mas creio que a resposta para este fracasso passa pela escalação do Júnior na lateral e do Evandro no meio. O primeiro não tem fôlego para exercer a função que outrora dominou com maestria e, mais do que isso, vinha trabalhando bem no meio. O segundo, embora seja, aparentemente, um bom rapaz e tenha anotado um golaço contra o Santos na rodada anterior, ainda não conseguiu entrar no mesmo ritmo que a equipe, está sempre um pouco à frente ou um pouco atrás, nunca na mesma toada. Assim fica complicado. A entrada do Kleber após a contusão do Éder Luís talvez tenha sido um outro erro, embora eu não ache que o garoto tenha comprometido o desempenho da equipe.

Quando tudo parecia perdido e já nos preparávamos para o pior, eis que o Celso resolve ir para o "ou tudo ou nada" e entra com Alessandro e Feltri nos lugares de Renan e Júnior, respectivamente. Ato contínuo o Atlético consegue petecar dois gols de pênalti (falhas bisonhas da zaga do Barueri) contra a meta adversária e empatar a partida. "Isso é sorte de campeão!", bradava o primo, enquanto nos abraçávamos. Infelizmente, a alegria durou pouco pois, um tempinho depois, o juizão apontou uma falta do Werley na linha da grande área alvinegra, amarelando pela segunda vez o nosso zagueirão, mandando-o para o chuveiro. Na cobrança, um petardo indefensável que resultou no terceiro gol do Barueri e, pouco depois, num contra-ataque, o quarto e definitivo gol do adversário, que enfrentava um time armado no 3-3-3. Para finalizar, Evandro foi expulso após uma falta desnecessária. Como a maionese já estava desandada, senti um certo alívio quando o árbitro meteu a mão no seu bolso traseiro e sacou o cartão vermelho, esfregando-o na fuça do nosso armador. Dessa forma, nem por teimosia do treinador o referido jogador estará comandando o meio de campo alvinegro no próximo domingo contra o Botafogo.

No mais, não discuto o desempenho da arbitragem. O Atlético jogou pior do que o Barueri e mereceu a derrota. Veremos a capacidade de reação da equipe na partida contra o Fogão no próximo domingo no Mineirão.

É isso, amigos. Queimamos a gordura que tínhamos. É certo que aconteceria, só não precisava tê-la queimado contra o Barueri.

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21 de jun. de 2009

Liderança surreal

Santos 2 x 3 Atlético



Será a liderança isolada obra do acaso?


Desde ontem, após o início da rodada, sentia um bom presságio acerca da partida desta tarde. O Santos é um adversário perigoso, com qualidade e com fama de ser praticamente imbatível em casa. Ano passado obtivemos um ótimo resultado na Vila, com uma virada espetacular por 3 x 2 (primeiro tempo 2 x 0 para o Santos) sob comando do Marcelo Oliveira. Para completar, uma reportagem apontava que o lateral esquerdo Léo nunca havia sido derrotado pelo glorioso. Como o Galo vem derrubando tabus há algum tempo, me senti mais confiante para o encontro deste domingo. Após o aperitivo das 15:30h, fui me preparando psicologicamente para o prato principal.

Pois bem, eu falava sobre a partida do ano passado e, neste domingo, a história não começou muito diferente: um Santos envolvente, mantendo o Atlético sob pressão e perdendo diversas oportunidades. Quando este escriba já rezava pelo término da primeira etapa, uma falha numa rebatida da zaga acabou com a bola nos pés de Neymar, que dominou-a com categoria e desferiu um petardo no canto esquerdo de Aranha, que nada pode fazer. 1 x 0 para o Santos e fim do primeiro tempo.

O Galo voltou a campo com uma alteração: Marcos Rocha no lugar de Chiquinho e uma postura mais agressiva do meio-campo, que passou a dominar o setor e a construir uma série de jogadas perigosas. Numa delas, fruto de uma bola parada, a bola sobrou para o Tardelli que, com a habitual categoria, colocou a pelota no ângulo esquerdo do goleiro e correu para o abraço.



O goleador do Brasil anota mais um: 1 x 1

A partir daí o Atlético pode usar a sua maior arma: o contra-ataque. Com uma equipe "fininha" e veloz, o glorioso começou a criar uma chance atrás da outra e, após Carlos Alberto carimbar a trave santista e me fazer arremessar objetos contra as paredes, Evandro conseguiu limpar de maneira espetacular o zagueiro adversário e tocar no canto direito de Douglas. 1 x 2.



Evandro: corte seco, uma olhada para o goleiro e caixa.

O Santos voltou a tentar se impor na partida, mas a zaga não funcionava e após o Éder Luís perder um gol cara-a-cara com Douglas, Carlos Alberto chegou à área santista nas mesmas condições e, mesmo pressionado, fuzilou a meta praiana. 1 x 3. Confesso que, sozinho na sala de televisão, quase cheguei às lágrimas. Emoção demais para um fim de tarde.


Casalberto se levanta para comemorar o terceiro tento do Galo

Perto do final da partida o jovem Maykon Leite, recém recuperado de uma grave contusão e que havia voltado aos gramados da Vila durante o segundo tempo, sentiu o mesmo joelho e, infelizmente, deixou o campo na maca, aos prantos. O Galo agora tinha um jogador a mais e parecia que tudo caminhava para um final tranquilo. Mas, como o Atlético nunca deixará de ser o Atlético, sofremos uma pressão incrível nos minutos finais que resultou em um gol do adversário, em mais uma falha da zaga em bola rebatida.

Aos 47 minutos, uma cena surreal: o árbitro, que havia apontado 4 minutos de acréscimos, recolhe a pelota na área do Santos e encerra a peleja. Cercado por atletas, treinador e dirigentes da equipe santista, volta atrás e recomeça a partida, acrescentando mais um minuto para os descontos. O resultado é que, aos 50 minutos, numa bola cruzada, o Santos empata a partida mas o árbitro, alegando falta do Kléber Pereira, anula o tento e expulsa o Léo por reclamação. Final: 3 x 2 para o Galo.

Com relação à partida: grande vitória do Atlético. Convincente. Se falhou no primeiro tempo, muito provavelmente devido a uma aposta errada do Roth (Chiquinho na lateral esquerda), na segunda metade o treinador fez a alteração necessária, corrigiu o posicionamento e acabamos não goleando por acidente. No fim, o Celso acabou errando ao sacar Evandro e Éder e colocar Renan Oliveira e Serginho, recém curados de lesões complicadas e sem ritmo de jogo, o que favoreceu a pressão santista, embora ainda tenhamos criado algumas oportunidades de gol. Falta corrigir o miolo da zaga, cujas rebatidas, na maioria das vezes, acabam nos pés adversários. Por muitas vezes, ao longo da partida, corremos riscos evitáveis (e tomamos 2 gols).

Quanto ao terceiro gol do Santos, provavelmente o árbitro não tivesse apontado a falta do Kléber se o lance tivesse acontecido no decorrer da partida. Mas, após um erro crasso da parte dele, a consciência deve ter pesado em favor do Atlético, como disse o Mancini. Foi surreal, assim como tem sido este início de campeonato.

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19 de jun. de 2009

Retrocesso

Pretendia falar sobre o histórico envolvendo Atlético x Santos, porém, esta manhã, fui surpreendido pela seguinte manchete no UOL:

"Por paz, Cruzeiro e Atlético-MG acertam clássicos com torcida única", resumindo: no Campeonato Brasileiro o jogo com mando do Cruzeiro só terá a presença da torcida celeste e o jogo com mando do Galo só terá a torcida atleticana.

Isso me lembra uma conversa sobre as rivalidades em Porto Alegre e Belo Horizonte que tive com um amigo tricolor há algum tempo. Ele dizia: "O gaúcho deixou de pelear e criou o GRENAL". É fato que as rivalidades clubísticas, especialmente locais, foram, se não a principal, uma das principais razões para a popularização do esporte bretão, assim como das paixões que ele desperta - e isso independente do nobre sentimento do "fair play" que tem permeado as relações futebolísticas nas últimas décadas. O que seria do Atlético sem o América e, posteriormente, sem o Cruzeiro? Do Inter sem o Grêmio? Do Bahia sem o Vitória? A rivalidade fortalece e potencializa os clubes. É parte do prazer de se torcer.

Pois bem, dito isso, considero a decisão - se efetivada - uma das atitudes mais antidemocráticas jamais tomada pelas direções dos dois clubes. É um retrocesso absurdo, um desrespeito a história deste evento que faz parte da rotina da capital das Alterosas desde 1921.

O Clássico há muito deixou de ser uma simples partida entre dois grandes clubes para se tornar parte do calendário (e do patrimônio) cultural de Belo Horizonte. Em dia de Atlético x Cruzeiro a cidade respira futebol, se mobiliza para isso e as pessoas, independente de irem ou não ao estádio (decisão que cabe, unicamente, a cada indivíduo e não à diretoria dos clubes ou à polícia militar) contam os minutos para o início da peleja.

Os pacifistas dirão que a irresponsabilidade e a animosidade dos torcedores levaram a esta decisão drástica. Uma espécie de "despacho saneador", como diriam os petroleiros. Infelizmente, adianto que isso não resolve e tampouco ameniza o problema. É sabido por todos (especialmente os que frequentam os clássicos) que os tristes eventos envolvendo violência acontecem nos arredores dos pontos de encontro das torcidas, sejam nos bairros, seja no centro da cidade. No estádio, a presença massiva da polícia militar evita maiores transtornos.

Qual será o próximo passo? Proibir os torcedores de vestirem as camisas dos seus clubes em dias de clássico? No próximo dia 12 de julho, o cidadão usando uma camisa do Atlético não poderá circular nos arredores do Mineirão? É patético.

Curiosamente, não me lembro do ano do primeiro Atlético x Cruzeiro que fui, mas deve ter sido em meados dos anos 80. Lembro-me bem do placar: terminou 2 x 2 e houve 2 gols de pênalti. Desde então, frequentei regularmente o Mineirão nestes dias especiais, fosse com o meu pai, com meus primos ou meus amigos. Há o stress normal envolvendo qualquer evento com um grande público, mas que pode ser diminuído procurando-se chegar mais cedo e com ingresso comprado, nada que qualquer pessoa acostumada a frequentar os estádios não conheça. E, independente dos frustrantes desempenhos alvinegros nos últimos clássicos, é sempre um espetáculo impressionante ver as duas torcidas em ação.

O que estes senhores estão propondo é o mesmo que tomar o clássico do povo. É o início do fim.

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16 de jun. de 2009

Perigos

A semana começa a andar, a empolgação vai-se arrefecendo e podemos tentar enxergar o cenário com mais clareza. Uma simples navegada pelos principais portais esportivos do Brasil revela uma surpresa da crônica especializada com relação à campanha do Clube Atlético Mineiro, juntamente com uma opinião quase unânime acerca da impossibilidade do time em manter essa posição ao longo do torneio.

Como apontado no post anterior, o Galo foi favorecido pela tabela e aproveitou as suas oportunidades (embora os adversários possam ter pensado o mesmo a respeito do oponente mineiro ao saber que enfrentariam, segundo os entendidos, um possível candidato ao rebaixamento). Isso é fato. Mas, o que nos deixa mais satisfeitos até o momento é que os resultados foram obtidos com autoridade.

Dificuldades a serem enfrentadas:

1) O fator surpresa já era. Se a fase atual da imprensa nacional é de desdém em relação ao escrete alvinegro, creio que o mesmo não acontece com os nossos adversários. Se antes havia a possibilidade deles entrarem em campo mais "relaxados", agora estarão sempre atentos, com o esquema do Galo estudado e uma estratégia montada para tentar liquidá-lo.

2) A eventualidade de uma derrota. É inevitável que isso venha a acontecer, mais cedo ou mais tarde, e a minha maior preocupação é com relação à estabilidade deste suposto pacto "torcida - time" que favorece ao clube. Neste tipo de campeonato é preciso ter sangue frio, estudar a tabela e buscar resultados, pontos. Não adianta histeria e o torcedor precisa entender isso.

3) Elenco. Ainda são necessários alguns reforços, a não ser que tenhamos uma boa surpresa vinda da base. Aliás, acredito que o segredo mais bem guardado do Galo ainda não atuou neste campeonato. Se o Roth mantiver o controle do time e conseguir fazer o garoto focar e desenvolver sua melhor técnica, cresceremos ainda mais.


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15 de jun. de 2009

Liderança

Atlético 3 x 0 Náutico

Ontem, mais uma vez, não pude assistir à partida do glorioso alvinegro das Gerais. No momento do jogo, me encontrava no Maracanã, na torcida do Grêmio, junto com o meu hóspede gaúcho que passou o feriadão aqui no Rio. Restou-me o radinho, o qual me manteve atualizado acerca do placar em Belo Horizonte durante a maior parte do tempo. Digo "a maior parte do tempo" porque, após o terceiro gol do Coxa, a equipe da CBN abdicou de todas as outras partidas da rodada para bradar contra a gestão, o time e o comandante do Flamengo. Restou o placar da SUDERJ e o bom e velho SMS.

Sinceramente, estava bastante tranquilo acerca do jogo contra o Náutico. Embora não tenha visto a apresentação mineira contra o xará paranaense, vi a partida do Náutico contra o Grêmio e julguei, aparentemente com razão, que não teríamos maiores problemas em vencer os pernambucanos caso apresentássemos um futebol consistente.

É difícil deixar a empolgação de lado, principalmente após todos esses anos de campanhas pífias e lutas contra as últimas posições. No entanto, desde o início desta campanha a minha maior preocupação é a de não me iludir com os acontecimentos e tentar fazer uma análise das circunstâncias envolvendo este sucesso inicial da equipe. Sendo assim, vamos às considerações:

* Até agora o Atlético nada mais fez do que o dever de casa. A tabela, como já discutido aqui, nos favoreceu e o Galo, não tendo culpa disso, pontuou o quanto pôde. Domingo teremos o primeiro grande desafio: o Santos na Vila. Creio que poderemos, então, avaliar o real potencial da equipe para este campeonato.

* Ainda que a tabela tenha nos favorecido, a esse fator soma-se a competência do escrete alvinegro que derrotou adversários que tiraram pontos de reais candidatos ao título. Pode-se ainda destacar que os maiores favoritos estão envolvidos em competições paralelas (Copa do Brasil, Libertadores), mas isso não é problema nosso.

* Roth tem conseguido manter a escalação - a menos dos desfalques naturais ao longo do torneio - desde o início do campeonato e o time tem correspondido, corrido, marcado e concluído. Creio que, desde a arrancada final de 2007, temos o que se pode chamar de time, e não um amontoado de jogadores em campo.

* A chegada do Aranha e saída do Marcos deixaram a defesa deveras mais segura. Nossa meta ainda não foi vazada desde a chegada do aracnídeo.

* Muitos se lembram da campanha do Grêmio no ano passado sob o comando do mesmo Roth. Me arrisco a dizer que o atual time do Atlético, com dois atacantes velozes, se adapta melhor do que o do tricolor gaúcho de 2008 ao esquema do Celso. Veremos o comportamento do setor de marcação sob a pressão de um verdadeiro ataque.

* Título? Muito cedo ainda para dizer. Creio que ainda estamos aquém dos ditos favoritos, mas acho que a equipe passará ao largo da luta contra o rebaixamento a qual, segundo os grandes entendidos do futebol, seria a meta alvinegra.


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8 de jun. de 2009

A memória

Atlético Paranaense 0 x 4 Atlético Mineiro

(17:46:04) Chupa geninho. Rs. Que presente hein irmão. Abraco.

Originalmente, este post deveria discutir a grande vitória atleticana na Arena da Baixada na tarde de 7 de junho, mas o extraordinário presente que me proporcionou o Clube Atlético Mineiro (vide post anterior), me trouxe à memória uma singela recordação que tomo a liberdade de compartilhar com os senhores leitores.

Era também um 7 de junho no já longínquo ano de 1985. Havíamos acabado de almoçar e íamos, eu e minha mãe, caminhando para a escola. Estávamos na metade do quarteirão de casa quando a Caravan marrom do meu pai apontou na esquina e veio andando, bem devagar, em nossa direção. O automóvel parou junto ao passeio e, de dentro dele, desceu aquele nobre cavalheiro engravatado com dois embrulhos na mão, os quais me foram entregues após um abraço e os votos de feliz aniversário. Do primeiro deles, mais duro, retirei um time de futebol de botão do Atlético e, do segundo, mais mole, uma camisa alvinegra, com duas estrelas bordadas acima do escudo. A alegria só não foi maior porque ainda havia uma tarde inteira de aulas pela frente e não pude ostentar o manto sagrado já naquele momento.

Na tarde de ontem, o inesperado presente alvinegro, devidamente acompanhado e atualizado através de mensagens SMS, me transportaram diretamente àquela tarde de sexta há 24 anos atrás. As consequências e análise ficam para o próximo post.



Taí um garoto feliz

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5 de jun. de 2009

Um pedido

Domingo é meu aniversário e o comemorarei aqui mesmo, trabalhando no principado de São Roque. Ano passado o Atlético me fez o favor de jogar no dia 7 de junho em São Paulo contra um tricolor que vinha mal no campeonato e acabou sendo impiedosamente goleado por 5 x 1. A única consideração "positiva" a respeito daquela tragédia foi que, pouco depois dos 10 minutos do primeiro tempo, a equipe já levava 3 x 0 dos paulistas, me poupando 1 hora e 20 minutos diante da tv.

Coincidentemente, este ano jogaremos, mais uma vez, no dia 7 de junho. Nesta oportunidade, nosso adversário será o Atlético Paranaense e a partida será disputada em Curitiba. O xará vem mal na tabela, ocupando a vice-lanterna e o Galo, se não tem praticado um futebol vistoso, pelo menos tem apresentado consistência e vigor em campo. Agora, o fator digno de nota e que me faz aguardar a partida com uma certa ansiedade é que o comandante dos paranaenses é o Geninho, de péssimas lembranças para todos os torcedores do galo. Confesso que nesse momento eu nem lamento o fato de o jogo não ser transmitido, pois só de ver a imagem do maldito já tenho vontade de dar cabeçadas na parede.

Nos meus sonhos, o Atlético Mineiro golearia de maneira implacável o rubro negro paranaense, lavando a alma do torcedor atleticano e exorcisando esse fantasma que nos assombrou em duas temporadas e marcou as suas passagens com humilhantes goleadas e atuações covardes. O Galo cortaria a cabeça do Geninho! Porém, sendo mais realista, peço humildemente ao Atlético que me presenteie com um placar favorável neste domingo. Já adianto que sou modesto e que ficarei satisfeitíssimo com um magro 1 x 0.

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