8 de set. de 2013

Uma nova história

Vitória 1 x 1 Atlético

Chegamos a última rodada do primeiro turno do Brasileirão 2013 e o Atlético, para minha frustração, ainda não entrou para valer no campeonato. É lógico que o tempo e o gramado não ajudaram (o dilúvio que caiu em Salvador me lembrou aquele que determinou a nossa desclassificação em São Caetano em 2001), mas o futebol apresentado pelo escrete alvinegro ainda está muito aquém do potencial do time. Não acho que tem faltado raça, determinação e preparo físico, o problema é que a combinação destes com a falta de foco e objetividade tem levado a equipe a queimar uma energia desgraçada para obter resultados pífios.

Como disse no post anterior, enquanto Cuca não arranjar a defesa, vai ficar difícil satisfazer a torcida. Além disso, as sucessivas mexidas e a mania de improvisar jogadores tem minado uma das nossas principais vantagens em relação aos demais adversários: o entrosamento de um elenco que vinha trabalhando sob a mesma filosofia há cerca de dois anos. Vejamos se a mentalidade muda neste segundo turno e se conseguimos nos manter em uma posição mais digna na tabela.

Me incomoda um pouco o fato de a imprensa esportiva, de uma maneira geral, ter aceitado bem esta queda de produtividade do time justificando-a como "ressaca pela conquista da Libertadores". Como eu dizia para alguns amigos em um boteco em BH na noite de ontem, não precisamos gastar muito tempo analisando o nosso histórico para entendermos que esta ressaca é mais do que compreensível e que qualquer torcedor normal do Atlético ainda se pega devaneando ao longo do dia com as cenas inesquecíveis da Libertadores 2013. Mas, acho que é chegado o momento de o time voltar para a Terra, deixar o troféu na galeria e passar a correr atrás de outros objetivos.

Acho até que a eliminação para o Botafogo na Copa do Brasil após a torcida tentar ressuscitar o mote "Eu acredito" no Independência serviu para botar um ponto final nessa história, nos liberando para novos desafios. O que aconteceu na Libertadores foi uma conjunção mágica de fatores que uniu torcida, direção, elenco e deuses do futebol e que culminou com o Réver erguendo a Copa na madrugada do dia 25 de julho. Um final feliz para um épico. Desta maneira, nada de vulgarizar o mote milagroso numa partida de quartas-de-final de Copa do Brasil! O resto do Brasil que nos copie, como os próprios botafoguenses fizeram na partida de ida.

É preciso acordar do sonho e correr atrás da bola no mundo real. Marrocos nos espera em dezembro e chegar à África com a segurança de termos recuperado o nosso melhor futebol seria uma ótima injeção de ânimo, aumentando as nossas possibilidades de sucesso.

5 de set. de 2013

A volta da corneta

Atlético 2 x 2 Fluminense
Goiás 0 x 0 Atlético
Atlético 2 x 2 Botafogo
Atlético 2 x 1 Portuguesa

Qualquer torcedor que esteja assistindo às partidas do Atlético regularmente já entendeu que a equipe, após conquistar a América, resolveu se dar férias e só voltar a jogar bola no longínquo mês de dezembro. Durante o jogo de volta contra o Botafogo pela Copa do Brasil, o time ainda teve lampejos daquele futebol empolgante exibido ao longo do último ano e meio mas, fora isso, as exibições foram dignas de dó.

Reconhecemos que os jogos finais do torneio continental foram totalmente insanos e que era natural que após a épica conquista a performance caísse. Até aí tudo bem, o problema é que percebo que há uma acomodação generalizada com a situação, resultando numa falta de compromisso que nos fez jogar pelo empate contra o Goiás e o Náutico, por exemplo.

Além disso, me parece que o Cuca Belludo ainda não entendeu que a vida voltou à normalidade e que não precisamos ir à campo com cinco atacantes, dois volantes, um lateral e dois zagueiros como fizemos na noite de ontem. Um determinado desfalque passa a ser razão para alterações em quatro ou cinco posições dependendo do humor do nosso treinador. O resultado tem sido um time desequilibrado, que parte desesperadamente para o ataque e deixa o sistema defensivo vulnerável, sofrendo gols dignos de pelada. É curioso notar que tanto o Botafogo quanto o Fluminense tiveram duas oportunidades claras de gol ao longo de toda a partida e anotaram os dois tentos.

Os jogos contra o alvinegro carioca, aliás, nos mostraram o quanto o fator sorte esteve do nosso lado na Libertadores: se no Mineirão o atacante paraguaio caiu após driblar Victor e na Argentina Rafael Marques salvou uma bola em cima da linha, no Maracanã e no Independência a bola batia em alguém no meio do caminho e entrava na nossa meta. Mas deixemos o azar para lá, porque no fim das contas o negócio foi bom demais para a gente.

Enfim, espero que Cuca faça uma reflexão e procure trazer o equilíbrio de volta para o time. Que se lembre de que quando lutava contra o rebaixamento, as coisas só passaram a melhorar quando ele conseguiu calibrar a defesa, que foi a melhor do returno até o fatídico clássico na última rodada. A nossa filosofia ofensiva só vinha funcionando porque tínhamos uma retaguarda sólida.

No mais, nesta era de tantos feitos incríveis no futebol mundial, não me assustarei se o Botafogo levantar os dois canecos no final do ano (o que, diante das atuais circunstâncias, talvez não fosse de todo mal).

24 de ago. de 2013

Sem registro na ata

Botafogo 4 x 2 Atlético

Qualquer sujeito trabalhador sabe que a logística necessária para se deslocar para um estádio e assistir a uma partida de futebol às 22 horas de uma quinta-feira é um fator para lá de desmotivante. Tudo bem que o Maracanã é bem servido pelo metrô e coisa e tal e que a peleja prometia ser boa mas, no balanço geral, sou mais uma noite bem dormida.

De qualquer maneira, a estreia do Atlético na Copa do Brasil não foi nada boa. Depois de completar 3 jogos sem levar gols, dando demonstrações de que a velha solidez defensiva havia voltado, a zaga e os volantes alvinegros exageraram nas falhas e diminuíram as chances de classificação para as quartas-de-final da competição. Além das falhas, é preciso reconhecer que desta vez a sorte não esteve do nosso lado: um gol contra, duas bolas desviadas no meio do caminho e uma sobra mal rebatida pela defesa determinaram o placar final.

O Botafogo é um time entrosado, bem treinado e - o que mais me preocupa - regular. Embora a torcida e parte da crônica esportiva tentem ressuscitar a mística da campanha da Libertadores (até pela coincidência do placar necessário para a classificação - 2 x 0), entendo que a tarefa será das mais complicadas. Por outro lado, o sistema defensivo botafoguense deixou brechas suficientes para que o Atlético criasse boas oportunidades e anotasse dois tentos de extrema importância, ambos após passes magistrais de Ronaldinho. É aquela coisa: depois da vibração pelo quarto gol, veio o silêncio pelo nosso segundo. Todo mundo sabia que o 4 x 2 era melhor para o Galo do que o 3 x 1. Além disso, precisamos considerar que o azar extremo que demos no Maracanã, não se repetirá no Horto. Ou seja, é difícil mas não impossível.

A torcida, pelo visto, acredita na reviravolta. Depois da campanha épica na Libertadores, o atleticano exibe uma autoconfiança nunca dantes revelada! Ontem pela manhã, participei de uma reunião que contava com mineiros e cariocas. Os mineiros eram atleticanos e alguns cariocas eram botafoguenses. E foi um deles que ao adentrar o recinto deu início ao seguinte diálogo com um dos atleticanos:

- E aí! Não te avisei para não ir ao Maracanã ontem?
- Tá tranquilo! Vamos marcar a próxima reunião para a manhã da quinta-feira que vem para a gente ver como ficou?
- Olha lá, hein, rapaz! Vai se arrepender!
- De jeito nenhum, pode anotar aí na ata: a partida das quartas-de-final da Copa do Brasil na nossa chave será Atlético x Flamengo.

Naturalmente, o tópico não foi registrado na ata, mas está aqui no blog. Quinta que vem, conferiremos.

18 de ago. de 2013

Jogando novamente

Atlético 2 x 0 Bahia
Internacional 0 x 0 Atlético

Aos poucos o atleticano vai deixando a conquista da Libertadores de lado voltando a dedicar as suas atenções ao Campeonato Brasileiro. Digo "aos poucos" porque no meio da semana que passou sonhei que havíamos perdido a final e permaneci com esta crença durante os primeiros minutos da manhã. Depois de escovar os dentes, me lembrei que um jogador do Olímpia havia chutado um pênalti na trave e o caneco estava na Olegário Maciel.

Não sei se com os outros torcedores tem sido assim, mas esta memória impressa dos fracassos das temporadas anteriores, esta espécie de "histerese cerebral", por vezes causa um lapso que me leva a duvidar que levantamos o troféu. O remédio é rever os VTs do jogos decisivos que mantenho devidamente arquivados aqui na minha casa. Ainda assim, os assisto com um aperto no coração quando vão se aproximando os minutos finais e "aquele" gol não sai.

De qualquer maneira, parece que o Galo resolveu colaborar com a torcida e as duas últimas rodadas demonstraram que o Campeonato Brasileiro finalmente começou para a equipe. Uma boa vitória contra o Bahia no meio da semana e o empate heroico em Novo Hamburgo nos deixaram mais tranquilos com relação ao nosso futuro nesta competição. Dátolo e Fernandinho, ambos ainda fora de ritmo, pareceram ser boas contratações sob o ponto de vista técnico. Sob o ponto de vista psicológico ficaram algumas dúvidas com relação ao segundo, em especial depois da expulsão infantil aos 36 minutos do primeiro tempo do jogo de hoje.

Jogo, aliás, que teve a cara de uma peleja disputada pela Libertadores no interior da Argentina: campo acanhado, torcida em cima, árbitro fraco e muita pressão. O colorado gaúcho, que possui um meio e um ataque muito qualificados, exigiu o melhor de nossa defesa que, felizmente, esteve em uma tarde muito inspirada. Quando a zaga falhou, Victor e o travessão nos salvaram. Pontinho precioso! No fim, Victor deixou a fleuma de lado e se bateu contra a torcida adversária, chutando a bola do jogo na arquibancada e sendo justamente expulso. Um cena para lá de inusitada...

Segundo apurado na internet, o arqueiro alvinegro, que minutos antes havia executado um verdadeiro milagre diante de Leandro Damião, batia no peito e gritava "Aqui é Galo!" encarando a parede colorada. Pois é, aquele monstro frio e calmo nos momentos mais nervosos da Libertadores acabou explodindo contra a torcida do seu ex-maior rival. Sei lá, talvez haja algum sentido nisso... Mas o Vitão tem crédito! O negócio agora é contar com o Giovanni contra a Lusa no próximo domingo.

11 de ago. de 2013

Na base do VT

Náutico 0 x 0 Atlético
Atlético 2 x 2 Botafogo
Flamengo 3 x 0 Atlético
Atlético 1 x 2 Atlético/PR
Cruzeiro 4 x 1 Atlético

Passadas duas semanas, desconfio que a maioria dos atleticanos e, talvez, o próprio time, ainda não tenham absorvido totalmente a magnitude do feito do último dia 25 de julho. O agravante no meu caso, foi que a epopeia belorizontina acabou sendo seguida por uma viagem a trabalho para a China dois dias depois da final.

O futebol, como se sabe, não é um esporte que desperte grandes emoções nos habitantes do gigante asiático. Em Xangai, pelo menos, o espaço público é dominado pelo badminton e na única vez em que vi uma pelota deslizando pela relva, os responsáveis eram alguns estrangeiros. Assim, além de não ver as três partidas seguintes do Atlético pelo Campeonato Brasileiro, ainda fiquei relativamente por fora das notícias do universo futebolístico.

O placar do clássico eu soube porque recebi algumas mensagens de amigos cruzeirenses tirando um sarro. Mensagens, aliás, que me fizeram perceber o quão insanos éramos ao festejarmos todos aqueles clássicos que vencíamos após alguma conquista do nosso maior rival. Eu me encontrava em tão excelente estado de espírito que aquela zoações foram simplesmente descartadas tal qual um sujeito afasta uma incômoda pulga com um reles peteleco.

Na rodada seguinte o meu irmão, que estava no Independência acompanhando a partida contra o xará do Paraná, se entusiasmou com tento anotado por Bernard e me avisou via SMS:

- "Gol do Galo! Bernard!"

Poucos minutos depois recebi mais uma sequência de mensagens:

- "Empataram"
- "Viraram 2 x 1"
- "Acabou"

Era melhor ter deixado quieto.

Mas, enfim, de volta ao Rio de Janeiro, resolvi que a melhor maneira de combater o jetlag era assistindo ao vt de Atlético x Olímpia. Desde então, tenho visto o jogo em doses homeopáticas porque, curiosamente, o nervosismo é maior do que o do dia em que estava presente ao estádio. Acho que passamos tanto tempo vendo a bola bater na trave e sair que o inconsciente diz que o juiz vai mandar voltar a primeira cobrança do Olímpia defendida pelo Victor ou que aquele pênalti do Leonardo Silva não vai entrar.

Para contrabalançar estas emoções, a tv resolveu contribuir e transmitiu as duas últimas partidas do Galo pelo Campeonato Brasileiro para o Rio de Janeiro. Tanto contra o Botafogo quanto contra o Náutico, o Atlético deu sinais de que pretende voltar a jogar bola, mas a verdade é que o time ainda parece disperso, forçando jogadas e cometendo muitos erros de armação de jogo e saída de bola. Nossa jogada favorita é o chutão do Réver e o deus nos acuda na frente, coisa de pouca efetividade no mundo real. Com relação à arbitragem, reconheço que os trios tiveram uma atuação muito ruim nos dois jogos mas, de qualquer maneira, o futebol apresentado pelo time fez com que o empate saísse de bom tamanho.

No mais, ainda estou para entender a preferência do Cuca Belludo pelo Richarlyson. O cara se posiciona mal, não aparece na cobertura, erra todos os passes, não acerta cruzamentos e dificulta todas as jogadas. Típica performance de quem acha que é craque, mas não é. A única explicação para a permanência dele no time titular é alguma função tática sem a bola, coisa que só quem está no estádio pode ver. Fernandinho, Dátolo e Wesley me parecem bons reforços, mas não seria nada mal se pintasse um bom lateral esquerdo.


26 de jul. de 2013

Bica eles, Galo!!

Atlético 2 x 0 Olímpia

A quarta-feira começou um tanto estranha, a frente fria que congelou o sul do país chegou ao Rio de Janeiro trazendo frio e chuva e cobrindo a baia da Guanabara de nuvens. Depois de ter decidido comprar as passagens e o ingresso milionário para ver a final da Copa Libertadores, só me faltava ficar preso na Cidade Maravilhosa devido ao mau tempo. Atleticano tem que sofrer!

Mas eis que chego ao aeroporto e o avião já está lá, paradinho, esperando o embarque de dezenas de torcedores alvinegros que tomam a sala de embarque do Santos Dumont. A mensagem preocupante vem do meu irmão: a visita do papa fechou o aeroporto de São José dos Campos e ele, que já deveria estar em Belo Horizonte naquele momento, estava em um ônibus a caminho de Guarulhos para pegar o voo das 17 horas. De lá, iria direto para o Mineirão, deixando sob a minha responsabilidade a coleta dos ingressos e o resgate da sua camisa da sorte.

A reorganização logística deu certo, e por volta das 19 horas eu já estava descendo de um táxi e subindo a Abrahão Caram em direção ao Mineirão. O reencontro com todos aqueles amigos com quem dividi as arquibancadas nos últimos 15 anos já seria suficiente para tornar o momento inesquecível. Mas, dadas as circunstâncias que envolviam o Atlético quando deixei Belo Horizonte em 2004, a jornada já era épica àquela altura. Passando o que a gente passou, quem imaginaria que alguns anos depois estaríamos juntos para assistirmos àquela final de Libertadores? Para aumentar o clima de confiança e o carnaval, meu irmão conseguiu chegar a tempo e participar dos preparativos finais antes de entrarmos no estádio.


Galo, alegria do povo!!

Sobre o jogo não preciso falar muito. O Brasil inteiro viu o que aconteceu no Mineirão. O nervosismo era geral nas arquibancadas, mas o clima de confiança nunca deixou de existir. Quando o atacante do Olímpia driblou Victor e ficou de cara para o gol, tínhamos a certeza de que aquela bola não entraria. Dizem que o sujeito escorregou, mas penso comigo que foi a materialização do pensamento positivo da massa que deu um tronco no cara e saiu de mãos erguidas dizendo "não foi nada", no melhor estilo volante trombador. Em algum lugar parecia que tava escrito que aquele título era nosso, mas era preciso pegá-lo.

Vontade não faltava, todo mundo acreditava e o Léo Silva acertou aquela cabeçada aos 41 minutos do segundo tempo. Logicamente, eu não tinha noção de que estávamos tão próximos do fim, caso contrário é provável que eu não estivesse aqui para relatar o que vi. Foi assim: nosso camisa 3 cabeceou a bola que fez uma trajetória parabólica perfeita, daquelas bem didáticas que poderiam ser utilizadas numa aula de física do primeiro ano do segundo grau. Da posição onde estávamos, tive a impressão de que iria para fora. Mas ela subiu, subiu, parou, desceu, desceu, desceu e morreu na rede. Olhei para o árbitro e o desgraçado apontou o meio do campo!

"Estamos no jogo, porra!" - Abraços, gritos e choro! A gente queria mesmo aquele título! A torcida paraguaia, que ensaiava aquele cântico baseado em "I-la-riê", sentiu que não ia dar e resolveu ficar em silêncio. Melhor assim.

A prorrogação foi toda nossa, mas o gol não veio. Alguns acham que faltou pernas, outros que faltou tranquilidade ou até mesmo sorte. Eu não. A gente tinha que vencer nos penais e tinha que ser naquela trave onde, numa noite chuvosa de março de 1978, havíamos perdido o título do campeonato brasileiro de maneira invicta para o São Paulo. E assim foi. Alecsandro, Guilherme, Jô e Leonardo Silva, todos converteram. Quando Gímenez correu para a bola, dei um grito:

- "SAI, INHACA!!"

A bola explodiu na trave e só me lembro do mar de gente pulando, gritando, chorando e se abraçando! ACABOU! ACABOU! GALO CAMPEÃO! GALO CAMPEÃO! Eu, comovido, pensava nos velhos atleticanos da família que já se foram: meus tios, meu bisavô e meu pai. Pensava naquelas centenas de idas ao Mineirão para torcer, torcer e torcer. Incrédulo, precisava olhar de tempos em tempos para o placar que estampava "Atlético - Campeão da Libertadores 2013" para perceber que era verdade o que havia acabado de acontecer.


É nossa, porra!

Só conseguimos sair das arquibancadas depois de 1:20 da madrugada de quinta-feira. No caminho, descobrimos que o bar estava aberto e saboreei o melhor tropeiro destes 31 anos frequentando o Mineirão. Lá fora, a chuva dava pintas de que tinha chegado do Rio também, mas o povo não estava nem aí: era um tremendo carnaval! De lá, conseguimos heroicamente um táxi e fomos para a sede do clube: mais festa e mais amigos de tantos anos que já comemoravam ali. Chegamos em casa a tempo de vermos o vt da prorrogação na tv, por volta das 5 horas. Dormir não era uma alternativa viável e assim pudemos comemorar novamente!

No post anterior escrevi que para conquistarmos o título, precisaríamos utilizar todas as armas das quais dispúnhamos. Dizia que a Libertadores era uma várzea e deveríamos saber jogá-la dentro de suas regras peculiares. Quando cheguei ao entorno do Mineirão e percebi que este era o clima, tive certeza de que era chegado o momento e de que sairíamos dali com a taça. E, sinceramente, a conquistamos com toda a justiça. Fizemos a melhor campanha do torneio e, na final, mostramos o quanto queríamos aquele troféu. Fomos a campo e às arquibancadas e lutamos e pegamos o que era nosso!

Viva o Galo, campeão da Libertadores 2013! Viva o Galo, bicampeão mineiro! Viva o Galo, primeiro Campeão Brasileiro! Viva o Galo, Campeão do Gelo! Viva o Galo, Campeão dos Campeões! Viva o Clube Atlético Mineiro, instituição mais tradicional de Minas Gerais!!

21 de jul. de 2013

Alea jacta est

Olimpia 2 x 0 Atlético

E a primeira partida da final não terminou como gostaríamos: 2 x 0 para o rival paraguaio com um gol dramático no apagar das luzes. Como não poderia deixar de ser, a noite de quarta-feira foi um tanto amarga, mas as reflexões da madrugada resultaram em uma manhã de quinta-feira mais tranquila. Explico: se olhássemos em retrospecto, ficaria claro como a água que este Atlético do Cuca não nos proporcionaria uma final tranquila na "Arena Mineirão", um bailão ao som de Beth Carvalho para sacramentar a conquista da taça.

O fato é que todos os momentos decisivos deste time tem sido marcados pela superação e pela emoção extremas. Até mesmo a final do Mineiro 2013, que parecia tranquila após os 3 x 0 no Independência, exigiu bastante dos nossos corações. O que me parece é que para superar todos os traumas que esmagam o espírito alvinegro nestas últimas décadas, as coisas não poderiam acontecer de maneira diferente. Não tem meio termo para este Atlético que anda no fio da navalha: será sempre ou tudo ou nada! Se vier, terá vindo na marra mesmo.

Não quero com isso dizer que fiquei satisfeito com o placar. Mas as circunstâncias em que as coisas aconteceram, nos deixaram numa situação onde não temos alternativa a não ser usarmos todas as armas das quais dispomos. E, sinceramente, acho que o Atlético pode tirar uma energia favorável desta circunstância. É inegável que será muito difícil, que o Olímpia irá a Belo Horizonte praticar o "não-futebol" e tentar, de todas as maneiras, não deixar o jogo acontecer. A Libertadores é uma várzea, e é preciso saber jogá-la dentro das suas regras peculiares. Mas, por outro lado, também será muito difícil que o Ronaldo faça uma outra partida tão ruim, ou que o time repita os mesmos erros infantis de Assunção.

Não tenho vocação para adivinho mas, no fundo, tenho a sensação de que dá. Se jogarmos com a coragem e a determinação que o momento exige, daremos o troco e levantaremos a taça. Que os deuses do futebol estejam do nosso lado!

11 de jul. de 2013

Salto quântico

Atlético 2 x 0 Newell's Old Boys

A fome de bola às vezes tem consequências nefastas para um jovem de 36 anos. A repetição de uma contusão no pé esquerdo na pelada da última segunda-feira fez com que eu, prudentemente, optasse por uma noite de quarta-feira mais amena jogando videogame e esperando pela partida do Galo, ao invés de desfilar meu futebol esforçado no campinho do Humaitá.

Desta maneira, às 22 horas, pontualmente, desliguei o console e enquanto sintonizava a tv, minha esposa gritou lá do quarto que o jogo já estava 1 x 0 para o Galo. Minha irmã havia mandado um SMS. Foi desta maneira que acabei descobrindo que a bola havia começado a rolar às 21:50.

Curiosamente, o gol relâmpago do Atlético ao invés de trazer a calma, resultou numa descarga cavalar de adrenalina que me deixou em um estado lastimável até o apito final. Nada mais imprevisível do que as emoções de um sujeito que se vê, de repente, invadido pela esperança da sobrevivência nos instantes finais.

Em campo o Galo corria, buscava corajosamente o segundo gol, mas esbarrava na defesa adversária ou pecava nas finalizações. A bola parada não estava funcionando e o adversário, conforme o esperado, mostrava que estava jogando por um gol e que, para nosso desespero, tinha qualidade para tal. Um pênalti não marcado em Jô no final da primeira etapa trouxe mais nervosismo e, de alguma maneira, mais pessimismo para o torcedor alvinegro.

O segundo tempo veio e começou mal para o Atlético. A equipe mantinha a posse de bola mas não conseguia criar chances de gol. O tempo passava e nada acontecia. Era, realmente, desesperador. O jogo prosseguia e quando íamos passando da metade da etapa as câmeras começaram a focalizar os torcedores: eram rostos desanimados, tensos, alguns rezavam e outros já choravam. "Parece que entregamos os pontos", penso.

E quando parecia que a apatia iria, realmente, dominar o estádio comecei a escutar um grito da torcida que eu não era capaz de reconhecer. Passo a prestar mais atenção e o decifro: "Eu acredito! Eu acredito! Eu acredito!", grita o Independência. "Eu acredito!" era o mantra que, naquele momento, o atleticano passava a gritar não apenas para o time em campo, mas para si mesmo. Uma tentativa de exorcizar os fantasmas de tantos anos de sofrimento, um grito para deixar o medo do fracasso de lado e mergulhar de cabeça na guerra que era aquela disputa pela vaga na final.


Cuca, o arquiteto do impossível roga por mais um milagre.

E foi no meio deste salto quântico que parte da iluminação do estádio se apagou. Obra do acaso? Uma forcinha da providência divina? Ou o último recurso de um clube que está reaprendendo a ser protagonista? Difícil saber. O fato é que enquanto eu divagava e a energia era restabelecida, Cuca reuniu a equipe e passou instruções. O jogo recomeçou e realizamos as duas últimas alterações: saíram Bernard e Tardelli e entraram Alecsandro e Guilherme. Ainda contaminado pelo espírito derrotista, devo confessar que cornetei horrivelmente e, pior: o registrei por escrito em uma série de mensagens trocadas com os amigos atleticanos.

Milagrosamente, o futebol do Atlético voltou junto com a luz e os reflexos da mudança de postura podiam ser vistos nas expressões do tipo "agora a cuíca vai roncar" estampada na face dos jogadores do Newell's. A poucos minutos do fim, vem um bate rebate na área e, na sobra, Guilherme acerta um petardo de direita. A bola viaja em meio a uma floresta de pernas e morre no canto esquerdo do goleiro argentino, causando uma explosão na sala de um apartamento localizado a mais de 400 km de distância do Horto.

Ainda vibrando penso nos pênaltis e a sanidade e o controle das emoções não custam a voltar. Sou capaz de afirmar que, quando o juiz apitou o final da partida, qualquer atleticano frequentador de estádios nos últimos 40 anos pensou na decisão do brasileiro de 1977. Não tenho dúvidas de que o calvário atleticano começou naquela noite maldita em março de 78 e, desta maneira, quando o Richarlyson isolou o segundo pênalti por cima do travessão, eu vi o Toninho Cerezo e a comemoração do Waldyr Peres na minha televisão. Para completar, algum espírito de porco gritou um "chora galo" e piorou o meu estado de nervos.

O quarto jogador do Newell's a cobrar era Cruzado. O camisa 10 - o quarto canhoto a bater em sequência - correu, bateu e fez como os outros três: isolou a bola. Depois disso, só restavam os dois craques: Ronaldo e Maxi Rodriguez. O capitão atleticano bateu com categoria e nos colocou na frente novamente. O atacante argentino não teve a mesma competência e Victor, mais uma vez, defendeu espetacularmente um pênalti e nos colocou na final da Copa Libertadores pela primeira vez.

Lamentavelmente, tive que sacudir a madrugada do Flamengo com os meus gritos, mas o "chora galo" havia ficado entalado na garganta. Ainda consegui falar com o meu irmão que estava aos prantos no estádio. Eu, que tinha que conter as minhas emoções dentro de casa, consegui ir para a cama apenas às duas da madrugada.

Realmente, não sei onde podemos chegar. Devo confessar que o pênalti defendido por Victor contra o Tijuana havia me deixado em um estado semi-letárgico, um tanto convencido de que aquele lance havia sido, possivelmente, um paliativo para um doente terminal. Nosso futebol não me convencia e o nosso passado de, alguma maneira, nos condenava. O jogo de ida em Rosário, reforçou esta sensação, mas a vitória de ontem, com todo o seu drama, me deixou com a esperança de que aquele pé esquerdo isolando a bola chutada por Riascos aos 47 do segundo tempo, pode ter sido sim sorte de campeão.

9 de jul. de 2013

Vibração e bom futebol

Atlético 3 x 2 Criciúma
Newell's Old Boys 2 x 0 Atlético
Santos 1 x 0 Atlético
Atlético 2 x 0 Grêmio
Vasco 2 x 0 Atlético
Atlético 0 x 0 São Paulo

A semifinal da Libertadores não começou muito bem para o Atlético. A derrota por 2 x 0 em Rosário deixou o time com uma missão extremamente complicada para a noite desta quarta-feira em Belo Horizonte. É lógico que torço para que o time consiga o resultado e chegue à grande decisão, mas qualquer pessoa que acompanhe futebol há algum tempo sabe que a probabilidade de que os argentinos, com a vantagem que tem em mãos, permitam que tenhamos um jogo de futebol no Horto é praticamente zero. Neste contexto, a classificação teria que vir à fórceps.

O que me preocupa neste momento não é nem o placar milagroso que precisamos, mas o espírito do grupo e, mais ainda, o futebol apresentado pela equipe. As duas partidas contra o Tijuana e a partida de ida em Rosário nos mostraram que o Atlético não tem um plano "B" caso o seu jogo não encaixe. Diante de uma marcação bem efetuada e da baixa produtividade dos homens de frente, o Galo não consegue ameaçar efetivamente o adversário - e isto tem acontecido com uma frequência maior do que gostaríamos. Em tempos não muito distantes, quando não detínhamos jogadores de alto nível no plantel, as vitórias eram conseguidas na base do suor e da vibração e é precisamente isso que tenho sentido falta nos momentos em que nosso futebol desaparece.

Não acho que a partida na Argentina tenha sido tão ruim. O adversário manteve a posse de bola e rondou incessantemente a grande área mas, para minha surpresa, a defesa comandada por Rafael Marques e Gilberto Silva não comprometeu. O primeiro gol argentino surgiu de um lance confuso, de bate rebate na área, onde Rafael Marques sofreu uma falta não marcada e, na sequência, um cruzamento encontrou Maxi Rodriguez livre para anotar 1 x 0. O segundo gol surgiu em uma cobrança de falta de Ignacio Scocco e contou com a colaboração de Victor, nosso heroi nas quartas-de-final.

Resumindo, o que aconteceu foi que os dois jogadores diferenciados do adversário resolveram o jogo: Scocco e Rodriguez, anotando um tento cada garantindo o placar final da partida. Por outro lado, nossos atletas selecionáveis não corresponderam: Ronaldo esteve mal, assim como Jô, Bernard e Tardelli que também fizeram uma partida ruim. Consequentemente, o ataque não foi capaz de reter a bola na frente e a defesa foi sobrecarregada.

A única chance na quarta-feira é conseguirmos aquela união mística entre torcida e equipe, a soma da vibração com o bom futebol apresentado nas partidas contra o nosso maior rival e o São Paulo nesta temporada. O ponto fraco da equipe de Rosário é, sem dúvida, a defesa e, se conseguirmos impor o volume de jogo que demonstramos nas grandes exibições da equipe no Independência, poderemos conseguir o resultado.

No mais, com relação ao campeonato brasileiro, a vitória do último domingo serviu como estímulo à minha tese de que é melhor jogar com um time reserva do que com um mistão: embora a equipe não tenha "aquele" compromisso, ao menos resta o entrosamento.

31 de mai. de 2013

Com o pé esquerdo

Atlético 1 x 1 Tijuana

Ainda na tarde de ontem eu conversava com um amigo sobre as dificuldades que eu previa para a partida contra o Tijuana. "Nada mais difícil do que um jogo ganho", afirmei e ele, já tendo vivido poucas e boas com o seu Internacional, concordou. Não bastasse o otimismo exacerbado da imprensa, que não considerava a equipe de Turco Mohamed um adversário a altura do Galo, a torcida, não satisfeita com a mística do Independência, resolveu aumentar a pressão do caldeirão com máscaras e mosaicos - o tipo de presepada que abomino.

Para piorar, no início da transmissão vejo aparecer um torcedor usando um sombreiro e fazendo "4 x 0" incessantemente com as mãos. Imediatamente me veio aquela imagem da torcida do Vitória com fantasias e frangos de borracha se exibindo para a tv antes de levar estrondosos 3 x 0 em pleno Barradão pela semifinal do brasileiro de 99. "Isso não vai acabar bem", pensei.

E o jogo começou muito mal para o Atlético: os Xolos marcaram a nossa jogada de saída de bola e quase anotaram o primeiro tento aos 16 segundos. Logo depois o Tijuana teve um gol bem anulado e, não demorou, abriu o placar em um lindo chute de Riascos. O Galo pareceu reagir e ensaiou uma pressão. O jogo, entretanto, teimava em não fluir - e desta vez não teríamos a grama sintética e a longa viagem como desculpas para a má atuação.

No fim do primeiro tempo, Ronaldo cobrou uma falta e Réver, sozinho, completou para o fundo do barbante deixando tudo empatado e nos devolvendo a vaga para a semifinal. "O time tá muito mal e não dá para confiar em apenas se defender quando um gol pode te custar a classificação. Se o Riascos tivesse marcado aos 40 do segundo tempo, estaríamos liquidados!", falei para a minha esposa. Ela, cansada de luta, resolveu ir se deitar.

O segundo tempo começou e as nossas esperanças de que o Cuca resolveria tudo nos vestiários começaram a se desfazer. Um Tijuana tranquilo em campo criava oportunidades contra um Atlético nervoso e desarticulado que não conseguia encaixar um contra-ataque sequer. Na sala, apenas com a companhia das memórias de 35 anos torcendo pelo Galo, a certeza de que o caldo iria entornar no fim só aumentava. Aos 44 minutos Ronaldo conseguiu articular uma excelente jogada pelo meio e lançou Luan em profundidade, o garoto invadiu a área e chutou em cima do goleiro. A angústia aumentou.

Aos 46 o Atlético ainda detinha a posse de bola, tocando de pé em pé na intermediária adversária. Inesperadamente, Tardelli resolveu virar o jogo e lançou Luan que buscou uma tabela com Alecssandro. O lance deu errado, o volante mexicano recuperou a bola e recuou para um companheiro que deu um chute para a frente buscando o centroavante grandalhão que acabara de entrar. O gigante, tal como Jô na jogada mais manjada do Atlético, ganhou de Réver pelo alto e a bola foi em direção à grande área. Leonardo Silva perdeu na corrida para Marquez e o chutou junto com a bola, cometendo a penalidade máxima e determinando aquele que seria o último lance da partida.


Victor efetuando o maior milagre da história recente atleticana

Naquele momento, sentado sozinho no sofá da sala, vivendo o auge da minha irritação com a apatia e o despreparo psicológico do time, comecei a pensar em como o futebol era previsível e em como eu estava certo em acreditar naquele gol contra a gente no fim. Riascos, o nosso carrasco, pegou a bola e botou na marca da cal. Victor, com toda a sua seriedade, aguardava sobre a linha do gol. O colombiano correu, bateu e Victor, milagrosamente, mandou a bola para a linha lateral com a sua perna esquerda. Não corri, não pulei e nem gritei - só ouvia o desgraçado que narrava o jogo pela Sportv dizendo que o juiz havia mandado a cobrança voltar. "Não pode ser verdade, não pode ser verdade". E era verdade: havíamos conseguido a classificação para as semifinais na marra! No último lance!

Ainda fiquei cerca de uma hora ali na sala, sentado, refletindo sobre o que havia se passado. Tudo aquilo que temíamos havia acontecido: o bom jogo que vínhamos apresentando abalado pelo excesso de confiança, pela soberba, pela apatia e, em especial, por um adversário que mostrou muito empenho e muita dedicação e que rendeu mais do que a gente nas duas partidas. Um amigo escreveu que dado o clima de "já ganhou" que havia na cidade, o que vivemos ontem foi uma lição e tanto, foi pedagógico e mostrou que a Libertadores não era tão fácil como dava pinta de ser até então. Sou obrigado a concordar com ele. Teremos 33 dias para refletirmos sobre o que houve e recuperarmos o bom futebol para chegarmos com força total à Argentina.

Esta manhã o meu irmão, que esteve presente no estádio, mandou um email contando que o sujeito que estava ao lado dele desmaiou quando o Victor defendeu aquele penal e só voltou a si depois de 5 minutos. Acho, sinceramente, que eu ainda não acordei.

30 de mai. de 2013

Foco e seriedade

Coritiba 2 x 1 Atlético
Tijuana 2 x 2 Atlético

Minha maior preocupação com relação à partida contra o Tijuana no México não era o cansaço da equipe devido à longa viagem ou a grama sintética do estádio onde jogaríamos, mas sim a ressaca pela festa pelo bicampeonato mineiro. Excesso de confiança e falta de foco podem liquidar uma boa campanha de um bom time, como já vimos inúmeras vezes.

O primeiro tempo do Atlético foi muito ruim, sendo envolvido facilmente pelo ataque adversário que desperdiçou diversas oportunidades de gol e nos deixou com o gostinho de que irmos para o vestiário perdendo por 1 x 0 era bom demais. Para o segundo tempo, Cuca sacou Bernard, que vinha muito mal no jogo, e colocou Luan. O Tijuana veio pra cima e conseguiu anotar o seu segundo tento.

Quando parecia que a vaca iria deveras para o brejo, o time se acalmou, colocou a bola no chão e começou a criar oportunidades. Logo Tardelli diminuiu após falha da defesa mexicana em cobrança de escanteio. 2 x 1, era o terceiro gol com características de pelada naquele campo horroroso. Naquela altura, o Atlético parecia satisfeito com o resultado e procurava controlar o jogo. O Tijuana, ao contrário, sentiu o gol e caiu bastante de produtividade. A impressão que tive foi a de que o adversário pensou em Belo Horizonte e nas possibilidades de levar gols e se desanimou.

Na última jogada da partida, Gilberto Silva se antecipou ao atacante mexicano, e começou a criar o contra-ataque. A bola chegou em Ronaldinho que, no meio de dois jogadores, conseguiu tocar para Diego Tardelli. Don Diego, avançou pela diagonal da intermediária do Tijuana e lançou Luan em profundidade. A zaga mexicana, em pânico, não conseguiu interromper a jogada e o garoto alcanço a pelota e tocou-a, mansamente, para o fundo do barbante. 2 x 2 épico.


Comemoração do gol de empate em Tijuana: que este espírito esteja presente em campo esta noite.

Curiosamente, consegui assistir ao jogo calmamente, sem nenhuma crise de pessimismo ou de ansiedade que tanto nos caracterizam. É aquela coisa: o time entra em campo pelo Campeonato Brasileiro, a bola começa a rolar e, dado o estado emocional deste que vos escreve, são necessários uns 15 minutos para que o jogo se mostre em toda a sua plenitude. Nesta partida, isto não aconteceu. Ainda acredito que a maior parte desta tranquilidade ao ver o jogo é devida ao interesse menor que possuo pela Copa Libertadores mas, por outro lado, percebi que esta talvez seja a primeira vez que vejo um time do Atlético que me inspira uma certa confiança. É lógico que rola uma cornetagem com relação aos laterais e ao posicionamento defensivo quando estamos sob pressão mas, também rola a certeza de que do meio para frente tudo pode acontecer. Fossem as equipes de um passado bastante recente, a final do Campeonato Mineiro e a primeira partida no México teriam sido o terror absoluto!

Pois bem, esta noite jogaremos a partida de volta em Belo Horizonte podendo empatar por 0 x 0 ou 1 x 1 para garantirmos a nossa passagem para as semifinais da Libertadores. Os resultados dos demais participantes brasileiros ditos favoritos neste torneio são mais do que suficientes para deixar a equipe ligada e comprometida. Ninguém ganha de véspera e uma partida ruim pode botar toda uma boa campanha no lixo. Sendo assim, vamos jogar com seriedade e respeito ao adversário!

E o Campeonato Brasileiro teve início no domingo passado. Como a Sportv passou o jogo ao vivo, acabei vendo o mistão do Galo perder para o Coxa no Couto Pereira. A partida teve um nível técnico fraco e o cansaço e desgaste do Atlético estavam mais do que evidentes. O Galo ainda conseguiu sair na frente, mas levou o empate logo em seguida e passou a tentar controlar o resultado para trazer um pontinho para Belo Horizonte. Ainda cheguei a comentar com a minha esposa que o time estava pedindo para levar um gol no fim. Não teve jeito: nos descontos o Coxa anotou o segundo tento e ficou com os três pontos merecidamente. Para o torcedor ficou a certeza de que é impossível jogar duas competições em alto nível.

20 de mai. de 2013

Bicampeão

Cruzeiro 2 x 1 Atlético

Diante da impossibilidade de assistir à finalíssima do campeonato mineiro ao vivo na tv, resolver quebrar uma regra e combinei com um amigo de ir ao Fala Sério, botequim em Botafogo onde a torcida atleticana se reúne. Disse "quebrar a regra" porque a última vez em que havia comparecido ao estabelecimento foi no clássico de fechamento do primeiro turno do Brasileirão 2012, onde vencemos mas não levamos, pois o juizão validou um gol escandaloso do nosso maior rival no último lance. Mas, enfim, a vantagem era grande e julguei a ocasião propícia para quebrar este estigma maligno que cercava o lugar.

Ao chegar ao bar, percebemos que não seria muito fácil acompanhar a pendaia. Sem lugar perto da tv, tivemos que nos contentar em ficar do outro lado da rua acompanhando a bola correr de um lado para o outro. Mais do que isso era praticamente impossível de identificar e, pelo que vimos naquele primeiro tempo, o melhor era que fosse assim: a bola sempre ficou mais do lado da nossa defesa do que do ataque. A impressão que fiquei foi que o Atlético, detentor de uma vantagem expressiva e com um compromisso importante no meio da semana, quis cozinhar o jogo e manter o empate. Tática equivocada. A pressão era grande e em dois lances infelizes acabamos cometendo pênaltis que levaram o nosso maior rival a abrir uma diferença de 2 x 0.



Momentos de tensão


A partir deste momento, comecei a receber mensagens desesperadas de um primo que afirmava que se o primeiro tempo virasse 2 x 0 poderíamos dizer adeus ao bi. Por incrível que pareça, não fui dominado pelo nervosismo e consegui enviar palavras de motivação e confiança para ele. É complicado manter o ritmo que o rival vinha impondo ao longo de 90 minutos e era difícil acreditar que o Atlético fosse manter a postura no segundo tempo.

E o segundo tempo foi uma história completamente diferente: a bola ficou do lado do nosso ataque, mas o gol teimava em não sair. Aos 32 minutos Luan roubou a pelota na intermediária e correu até a grande área, onde foi derrubado. Pênalti que Ronaldo converteu e que deu início à festa do bicampeonato. Aos 41 Marcos Rocha fez uma linda jogada individual, entrou na área e Fabio fez grande defesa garantindo a vitória azul. Não seria injusto se a partida terminasse 2 x 2, mas diante do contexto, foi um ótimo placar.


O bi é nosso!


Como disse após a derrota que sofremos na reinauguração do Mineirão: cansei de ver o Atlético ganhar o clássico de meio de campeonato e entregar o ouro na decisão. O que vale é a decisão e o que jogamos nas finais nos garantiu o bicampeonato - o primeiro do século XXI. Isso é mais do que suficiente para garantir a alegria da massa. É claro que poderia ter sido um pouco menos sofrido mas, sinceramente, eu que já experimentei as duas sensações, prefiro perder 2 e ganhar 1 e ser campeão do que o contrário.

No mais, acho que o adversário valorizou a nossa conquista. A equipe desta temporada demonstrou ser mais qualificada do que a da temporada passada e o fato de terem jogado os clássicos com tanta disposição mostrou o quanto queriam nos derrotar. Felizmente, não conseguiram. No fim, o goleiro do nosso maior rival apareceu na imprensa para dizer que o seu time ainda era o maior de Minas pois conquistava títulos de expressão. Logo ele, um colecionador de campeonatos mineiros e nada mais! Mas, é aquela coisa, desqualificar o campeonato mineiro sempre é a arma do derrotado.

Ano que vem tem mais.

Saudações alvinegras!

16 de mai. de 2013

Três assuntos

Atlético 3 x 0 Cruzeiro

E eis que, finalmente, tive o prazer de voltar a assistir o Atlético versão 2013 ao vivo. Apesar de o clássico não ter sido transmitido em rede nacional (lamentavelmente, com o campeonato carioca já decidido, todos os canais abertos e fechados optaram por exibir a decisão paulista), sempre existe uma boa alma disposta a compartilhar uma transmissão esportiva na internet. 

Com poucos desfalques, é possível dizer que os dois times entraram com o que tinham de melhor para a decisão. Se o Galo jogava em casa e tinha a oportunidade de ir à forra após a derrota na reinauguração do Mineirão, nosso maior rival vinha de uma campanha invicta nesta temporada e disposto a mostrar que tinha qualidade para impor a primeira derrota ao Atlético no Independência.

O equilíbrio que vislumbrávamos para a partida durou apenas 14 minutos, que foi o tempo necessário para o Galo anotar o seu primeiro tento: Jô, dentro da área, finalizou após receber um passe magistral de Ronaldinho. A partir daí, o Atlético mandou no jogo, criando diversas oportunidades e levando o pânico à defesa adversária que acabou comprometida com diversos cartões amarelos.

O segundo tempo não foi diferente. Marcelo Oliveira ainda tentou mudar a estrutura tática da sua equipe, mas a justa expulsão de Bruno Rodrigo aos 8 minutos acabou selando o destino cruzeirense. Em mais dois ataques fulminantes Tardelli e Marcos Rocha liquidaram o adversário e deram números finais à partida: 3 x 0. Com este resultado, a equipe do Barro Preto terá que nos impor uma derrota por 3 gols de diferença se quiser impedir o bicampeonato atleticano.

É claro que o campeonato ainda não está decidido e que qualquer atleticano com um pouco mais de vivência sabe que, em se tratando do Clube Atlético Mineiro, o impossível é plenamente possível, mas é inegável que a missão do nosso maior rival é para lá de ingrata. A julgar pelas estatísticas alvinegras, mais difícil do que fazer os gols em Victor será manter a meta de Fábio invicta.

Com relação a Libertadores, as dramáticas classificações do Newell's, do Tijuana e do Boca (ainda que ajudado pela arbitragem, é verdade) fora de casa demonstram, mais uma vez, que ninguém vence na véspera. O favoritismo acaba quando a bola rola e um bom time pode acabar eliminado por sofrer um gol estúpido em casa. Concentração e seriedade são fatores primordiais e, no nosso caso, as emoções da final do próximo domingo deverão ser deixadas no aeroporto de Confins antes de voarmos para Tijuana. Aliás, acabo de ler que ontem à noite o Coritiba, em ritmo de festa após garantir o tetra paranaense, foi goleado por 4 x 1 pelo Nacional do Amazonas pela Copa do Brasil. Todo cuidado é pouco.

Para finalizar, tratemos da não convocação de Ronaldinho Gaúcho para defender a seleção brasileira na Copa das Confederações. Meus poucos leitores sabem que não morro de amores pela seleção canarinho do século XXI. Com o bom desempenho do Atlético nas últimas temporadas, a ansiedade me domina na véspera das convocações devido à possibilidade de desfalques alvinegros nas próximas rodadas. Por mim, jogador do Galo, tal qual Mário de Castro, ficava de fora da seleção. É lógico que não quero mal a ninguém e que do ponto de vista do profissional deve ser uma experiência gratificante e recompensadora, mas no caso do nosso camisa 10 especificamente acho que talvez não fosse uma boa para ele.

Explico: mesmo com todas as ressalvas que tenho com relação à gestão Kalil, é preciso admitir que o sujeito parece ter aprendido com os erros. Investiu num treinador que não era o meu favorito, montou um time base e a reforçou no momento conveniente. O Atlético hoje é uma máquina azeitada, cada jogador sabe a sua posição e a sua função dentro do esquema e o jogo flui coletivamente. Mais do que isto, as funções são pensadas para se adaptar às características de cada jogador e isto, sem dúvida, potencializa os rendimentos individuais. Assim, esperar que Réver, Bernard, Marcos Rocha, Tardelli, Ronaldo e Jô repitam o mesmo futebol apresentado no Atlético dentro do amontado que é a seleção do Felipão é quase uma utopia. Não posso deixar de desejar boa sorte ao Bernard e ao Réver, dois dos nossos ídolos, mas torcer pelo Brasil talvez seja pedir um pouco demais.

11 de mai. de 2013

Reconectando

Atlético 4 x 1 São Paulo
Atlético 5 x 1 Tombense
São Paulo 1 x 2 Atlético
Tombense 0 x 2 Atlético
Atlético 2 x 1 Villa Nova
São Paulo 2 x 0 Atlético
Caldense 2 x 1 Atlético
Atlético 4 x 0 BOA
Atlético 5 x 2 Arsenal
Atlético 4 x 1 Tupi

Finalmente, depois de aproximadamente 5 semanas longe de casa somando viagens a trabalho com boas e merecidas férias, estou de volta ao conforto do meu lar. Durante o meu período de ausência, o Galo jogou 10 vezes, vencendo 8 e perdendo 2. Marcou 29 gols e sofreu 11 e se classificou para as quartas-de-final da Libertadores e para a finalíssima do mineiro. Nada mal. Na verdade, a coisa andou tão bem que ando meio ressabiado ao reativar o meu envolvimento com o clube. Mas, como sabemos, não há antídoto contra isso e amanhã estaremos diante da telinha para acompanharmos a primeira partida da final do campeonato mineiro.

Com relação às partidas e ao futebol praticado pela equipe, não resta alternativa a não ser confiar na repercussão das partidas na imprensa esportiva e nas notícias de familiares e amigos. Considerando-se as estatísticas apenas, podemos verificar o poderio do ataque alvinegro, com uma média de 2,9 gols por partida. Por outro lado, a média de 1,1 gols tomados acende a luz amarela para a defesa, em especial na fase de mata-mata em que nos encontramos atualmente. Palpitando de maneira leviana, acredito que com Marcos Rocha e Richarlyson nas laterais, é complicado ter uma zaga com Réver e Gilberto Silva. Não sei a situação atual do Rafael Marques, mas espero sinceramente que o nosso capitão possa voltar a campo amanhã para ajudar a segurar o ataque celeste.

Mesmo não tendo visto nenhum jogo do nosso maior rival nesta temporada, acredito que os jogos serão equilibrados e a vitória não será fácil. O melhor cenário possível seria repetir as boas atuações das últimas semanas e vencer com dois gols de vantagem a partida de ida. Os números do nosso ataque me fazem acreditar na possibilidade de dois tentos amanhã mas, como disse anteriormente, o setor defensivo é o que mais me preocupa. Espero que Cuca consiga equacionar bem o problema.


Ronaldinho à venda para os turistas


No mais, nestas semanas de andanças pelo mundo deu para perceber como tem prestígio o nosso camisa 10. Em qualquer pátria onde se aprecie o esporte bretão, Ronaldo Gaúcho é figura onipresente, seja em caricaturas, em fotografias em paredes de restaurantes, em bancas de camisetas falsificadas de futebol ou em um simples bate papo. Se o interlocutor estrangeiro reconhece algum traço da língua portuguesa (em geral o "obrigado") e recebe a confirmação de que está tratando com o brasileiro, ato contínuo o assunto passa a ser futebol e o dentuço sempre é mencionado. Deveras impressionante.

Obs.: curiosamente ontem o taxista que nos levava ao aeroporto de Roma me perguntou se o Falcão tinha jogado em Belo Horizonte. Respondi que não, o jogador da Roma que tinha vindo do Atlético era o Cerezo. E ele, "ah, si!! Toninho Cerezo! Grandísimo!".

24 de mar. de 2013

O custo da rotina

Atlético 3 x 1 Nacional
América/TO 0 x 2 Atlético
Atlético 5 x 2 América
The Strongest 1 x 2 Atlético

Há algum tempo atrás, enquanto ainda trabalhava em regime de embarque, acalentava o sonho de retornar a uma vida regular de 40 horas semanais e ter a minha disponibilidade de volta. Pois bem, já são 8 meses com a rotina devolvida e a realidade é que tenho tido muito menos tempo para dedicar ao blog. Ter o tempo livre pulverizado te obriga a priorizar as atividades e assim, quando me sento aqui para voltar a falar sobre o Atlético, acabo percebendo que mais quatro partidas se foram.

Mas, desculpas e filosofadas à parte, falemos de futebol. Sim, foram mais quatro partidas e mais quatro vitórias. Parece surpreendente, mas não é. Durante as eras Luxemburgo e Dorival mencionávamos a importância de se manter uma base e de se implantar uma filosofia de jogo. Hoje, mesmo com todas as ressalvas à gestão Kalil, é preciso reconhecer que temos isso. Desta maneira, enquanto a imensa maioria dos clubes no Brasil está trabalhando o seu time para 2013, o nosso está pronto e reforçado. Assim, me parece natural que tenhamos um desempenho acima da média nestes primeiros meses da temporada. O importante agora é aproveitarmos este momento e evitarmos a todo custo a soberba.

Quanto à Libertadores, o jogo em La Paz foi dificílimo. Pior do que suportar aquela imagem ruim (os canais em HD foram miseravelmente reservados para o Corínthians) e os comentários do Mário Sérgio, foi evitar os calos nas vistas diante da qualidade do jogo apresentada pelos times. O que via a 3.600 metros de altitude era alguma coisa parecida com futebol. O Galo jogou enquanto deu, encaixando bons contra-ataques até fazer o primeiro gol e cansar, depois disso os bolivianos chutavam para aonde o nariz apontava. De tanto tentarem, conseguiram o gol de empate no final do primeiro tempo. O time da casa voltou para o segundo tempo tentando impor a mesma filosofia, mas Cuca deu uma arrumada no meio e os chutes de meia distância acabaram. No fim, Serginho recebeu uma bola em contra-ataque foi à linha de fundo e cruzou, Ronaldinho fez um movimento maroto e o zagueirão adversário se assustou empurrando a bola para dentro. 2 x 1 para o Galo. Placar justo que nos classificou antecipadamente para a próxima fase.

Nas próximas semanas enfrentaremos o Arsenal em Belo Horizonte e o São Paulo na capital paulista. Duas partidas difíceis que definirão a nossa posição final na primeira fase. Do jeito que a coisa está caminhando, não me assustarei se pegarmos um Grêmio, um São Paulo, um Fluminense, um Nacional ou um Boca Juniors logo de cara. Por isso, é importante manter a cabeça no lugar e evitar o entusiasmo do tipo "já ganhou". Nada de soberba!

No mais, emplacamos mais 3 vitórias no Campeonato Mineiro 2013 mesmo jogando com times mistos. Acho que a comissão técnica tem trabalhado bem neste sentido e não há dúvidas sobre o que deve ser priorizado neste primeiro semestre. Este trabalho é importante não apenas para poupar alguns atletas, mas também para dar ritmo ao restante do plantel. Guilherme está voltando de contusão, Richarlyson, Alecsandro, Luan e Gilberto Silva tem correspondido quando entram, até o Giovanni voltou a ganhar uma chance contra o América de Teófilo Otoni. Parece que as coisas, finalmente, estão bem encaminhadas. A grande incógnita é saber se Cuca aprendeu as lições das temporadas anteriores e terá a serenidade necessária para nos conduzir nestes momentos cruciais. O momento da verdade está chegando.

9 de mar. de 2013

Perfeição e excelência

Atlético 2 x 1 The Strongest
Atlético 3 x 1 Guarani
Arsenal 2 x 5 Atlético
Atlético 3 x 0 Araxá

Creio já haver mencionado que a Libertadores está longe de ser o meu torneio favorito. Este posto sempre coube e ainda pertence ao Campeonato Brasileiro. Acredito que seja esta a razão para que eu consiga assistir aos jogos do Galo no torneio continental sem beirar uma crise de nervos como acontece quando disputamos o Brasileirão. É, sem dúvida, uma experiência diferenciada assistir à partida sem ter aquela névoa do nervosismo te impedindo de entender o jogo ou de se irritar com a narração e os comentários estúpidos oriundos da TV.

Alguns veículos de comunicação, aliás, tem-se mostrado surpresos com o bom desempenho alvinegro neste início de competição. A mim me parece natural que estejamos trilhando um bom caminho, afinal de contas mantivemos a base de uma equipe que fez uma excelente campanha na temporada passada e reforçamos o elenco com algumas contratações pontuais. O futebol apresentado pelo time até o momento é consistente, fiel à proposta que Cuca tem implementado desde a sua chegada e, sem dúvida, produto do entrosamento conquistado ao longo do trabalho. Mas falemos sobre as partidas.

Contra o Arsenal me enrolei com o horário e quando liguei a televisão os argentinos tinham acabado de marcar o seu segundo tento. Logo depois, Victor fez uma ligação direta para Bernard, o garoto dominou, deu um drible desconcertante no zagueiro adversário e chutou buscando o ângulo esquerdo do goleiro. A bola foi para fora mas aquele lance acabou sendo um resumo do que estava por vir no segundo tempo.

Na etapa final, a zaga argentina falhou duas vezes e Bernard aproveitou ambas as oportunidades. O segundo tempo ainda estava no seu início e a fatura já estava liquidada. 5 x 2. No fim, Ronaldo, depois de ter sofrido um violento carrinho dentro da área, desperdiçou um pênalti.


Diego Bragheri, do Arsenal, mostra sua habilidade a R10.

Acredito que a goleada na Argentina acabou sendo um cartão de visitas do Atlético aos seus adversários na Libertadores. Longe do cenário internacional há algum tempo, é natural que as equipes estrangeiras subestimem o potencial alvinegro. Diante deste quadro, já esperava que a partida contra os bolivianos do Strongest fosse mais complicada.

Como não poderia ser diferente, a equipe de La Paz, comandada por Escobar (ex-Ipatinga), jogou recuada apostando nos contra-ataques. A estratégia funcionou no primeiro tempo graças, principalmente, à boa atuação do goleiro Vaca e à falta de sorte do nosso ataque. Os bolivianos ainda tiveram uma oportunidade clara desperdiçada por Escobar. A segunda etapa começou como terminou a primeira, com o Atlético tentando furar o bloqueio do adversário. A diferença é que antes que chegássemos à metade do tempo, Jô conseguiu anotar um tento e trouxe a tranquilidade para o Independência.

Perto do fim do jogo, Marcos Rocha recebeu um passe magistral de Ronaldo e foi derrubado dentro da área. Pênalti que Ronaldinho converteu pondo fim à maldição de três penalidades máximas sucessivamente desperdiçadas e decretando a vitória alvinegra. O Strongest ainda conseguiu diminuir o prejuízo, mas já era tarde demais.

Como já disse anteriormente, o fato de termos um time pronto é uma vantagem que nos permite caminhar com mais facilidade nesta primeira fase do torneio. Entretanto, é importante ter em mente que durante a fase de grupos o importante é pontuar e conseguir a classificação para o mata-mata. É claro que a vantagem de fazer os jogos decisivos em casa é boa, mas não é o fator preponderante na busca pelo título. Nós, atleticanos, cansamos de conseguir a classificação para o mata-mata na última rodada dos brasileiros pré-2003 e derrubarmos equipes invictas ou favoritas nas partidas decisivas. Quem corre mais no fim, chega mais embalado e quem se classifica antes tem uma tendência natural à soberba.

Espero que o Cuca tenha aprendido a lição quando esteve no comando do nosso maior rival em 2011, oportunidade em que se classificou em primeiro lugar geral, ganhou a primeira partida fora de casa e foi eliminado na Arena do Jacaré, na única derrota que teve na competição. É por isso que não lamento o gol sofrido contra o Strongest ou o pênalti perdido contra o Arsenal. A perfeição e a excelência devem surgir no momento decisivo. Que assim seja!

14 de fev. de 2013

Ao vivo e em HD

Atlético 2 x 1 São Paulo
Tombense 1 x 2 Atlético
Cruzeiro 2 x 1 Atlético

Embora já tenha feito duas partidas pelo Campeonato Mineiro, a estreia pela Libertadores na noite de ontem contra o São Paulo marcou, oficialmente, o início da temporada 2013 para o Clube Atlético Mineiro. Ao contrário de grande parte dos torcedores, a Libertadores não é um campeonato que me traga grande motivação. Prefiro, sinceramente, o Campeonato Brasileiro. De qualquer maneira, o prestígio inegável da Copa garantiu-me a possibilidade de ver o jogo ao vivo e em alta definição no interior do Rio Grande do Sul. Pude, além disso, curtir o Mário Sérgio comentando o jogo do São Paulo. Formidável! Mas, vamos lá!

Jogando com empenho, com uma ótima movimentação no ataque e segurança na defesa, o Atlético conseguiu superar o tricolor paulista e dar demonstrações de que poderá ir longe nesta competição. Gostei bastante das atuações do Victor e do Bernard e dos nossos volantes. Ronaldinho cometeu alguns erros em saída de bola, mas nas duas vezes em que esteve em condições, arrumou os dois gols do time: o primeiro a partir de uma cochilada  da zaga do São Paulo e o segundo após uma bela jogada individual, passando por dois adversários e cruzando para a conclusão de Réver. O homem faz a diferença, não tem jeito. Diego Tardelli fez a sua estreia, mas ainda precisa de um pouco de entrosamento para encontrar a sua posição no ataque.

Considerando que jogamos a segunda partida da temporada com a equipe titular, acredito que as possibilidades de superarmos a fase de grupos da Libertadores são grandes. Superada esta etapa, me parece que nosso principal obstáculo deve ser a falta de traquejo do nosso treinador em competições do tipo "mata-mata". Neste momento é que veremos a verdadeira face do senhor Cuca Belludo. Mas aguardemos o resultado da nossa estreia fora do Brasil contra o Arsenal em Sarandí na semana que vem para avançarmos nesta análise. 

No mais, resolvi dedicar algumas linhas ao resultado do clássico de reinauguração do Mineirão. Antes do jogo conversei com alguns amigos e disse que acreditava que, considerando a proximidade da nossa estreia em um torneio mais importante e o fato de, ao contrário do nosso maior rival, termos tido um 2012 muito bom, nosso adversário teria muitas razões para correr o dobro e se esforçar ao máximo para vencer o jogo. O que vi em campo foi exatamente o que previ. Para mim foi um jogo tremendamente sem graça, em um estádio semi-acabado e, no fim, sofremos uma justa derrota por 2 x 1.

Com relação ao placar e à cornetagem de grande parte dos torcedores, digo que cansei de ver o Atlético vencer o primeiro clássico do ano e entregar o ouro nas finais. Em especial na primeira década do século XXI, na qual estivemos tão mal. Não acho com isso que o título esteja garantido ou que os venceremos com facilidade quando chegar o dia da decisão, mas quando ele chegar meus critérios de avaliação serão bem mais restritivos.  

Para finalizar, no meio da semana pós-clássico jogamos com o time misto e superamos a Tombense por 2 x 1, de virada. Como o jogo aconteceu no mesmo horário da pelada semanal, só soube o resultado, o que já me deixou satisfeito. Já temos mais vitórias do que derrotas no ano!

2 de fev. de 2013

A era dos mosaicos

Com as recentes inaugurações do Mineirão, do Castelão e do novo estádio do Grêmio e a proximidade da entrega das novas arenas para a Copa do Mundo, a imprensa esportiva passou a dar mais ênfase às discussões a respeito das mudanças no futebol brasileiro. Fala-se do preço dos ingressos, do incremento no conforto, do estacionamento, da área VIP, dos telões de alta definição e das lanchonetes e restaurantes. Tudo uma maravilha, realmente.

Estas mudanças, entretanto, não são nenhuma novidade para quem acompanha o futebol e frequenta os estádios com alguma regularidade. Acredito que o marco inicial deste movimento foi a adoção da fórmula de pontos corridos para o Campeonato Brasileiro em 2003 e a sua consolidação definitiva se deu pela confirmação da escolha do Brasil como país sede da Copa do Mundo de 2014. A partir daí, o modelo pensado pela FIFA para o futebol passou a ser oficialmente implantado no país.

Tendo acompanhado o desenvolvimento deste processo ao longo do tempo, a impressão que eu tenho é a de que este modelo nunca levou em consideração o torcedor frequentador dos jogos do seu clube, mas sim o novo torcedor que os gestores de futebol desejam que passe a frequentar as arenas regularmente. Um torcedor com um poder aquisitivo maior, preocupado com o seu assento reservado, com uma vaga para estacionar o seu carro, um local para uma boa refeição e banheiros limpos e organizados. Um sujeito em busca de uma boa opção de entretenimento para o seu final de semana ou sua noite de quarta-feira.

Para que este novo perfil passe a frequentar o estádio, é preciso que o futebol se torne um produto mais abrangente, que seja vendável ao maior número de pessoas possível e que as convença a sair de casa e pagar caro por um ingresso. O primeiro passo são os novos estádios, que acabam sendo uma atração em si. O retorno de vários astros para o futebol brasileiro também contribui, assim como ações de marketing e parcerias para o fortalecimento da marca com lançamento de várias linhas de uniformes, peças de vestuário e produtos licenciados para que os torcedores possam exibir a sua paixão clubística. 

Entendo perfeitamente a opção por um torcedor disposto a gastar e consumir mais. Quem não quer mais dinheiro? A contrapartida neste caso é que o nível de exigência tenderá a ser muito maior. Não tenho dúvidas de que tudo estará bem nestes primeiros dois anos: os estádios são novidade, a Copa do Mundo estará aí e todo mundo quer participar. O problema virá quando os clubes começarem a sentir a pressão dos custos fixos extraordinários destas arenas e da necessidade de se manter uma média de público alta a fim de viabilizar o caixa. Estaria o novo torcedor disposto a acompanhar o seu clube nos momentos de vacas magras ao custo mínimo de 60 reais por evento ou gastando 200 reais mensais em um programa de sócio torcedor? Acho difícil.

Mas voltando à imprensa esportiva, o que tenho notado é uma certa nostalgia em relação aos "velhos estádios" e à "espontaneidade" dos torcedores. Confesso que também me sinto assim e que gostaria muito que uma solução intermediária, que incluísse as diferentes gerações e formas de torcer tivessem sido consideradas no momento oportuno mas, infelizmente, lamento informar que agora já era. Pensando bem, não foi por acaso que os estádios deixaram de ser estádios, sendo rebatizados como "arenas". O fato de as grades de proteção da nova arena do Grêmio terem cedido ao peso da avalanche após o espetacular gol de Elano na última quarta-feira, acabou sendo uma lamentável metáfora acerca da extinção de uma era. Não existe mais espaço para a geral, para avalanches ou para a velha forma de torcer que tanto apreciamos ao longo de anos e anos. As arenas não foram concebidas para isso e ponto final.

Ano passado estive no novo Independência para ver o Galo jogar contra o Botafogo. Achei bonito mas meio mal feito - creio ter mencionado isso no post sobre a partida. Naquela oportunidade falei um pouco com os amigos sobre as mudanças no futebol e na maneira de torcer e mencionei que se a torcida do Atlético passasse a usar mosaicos, coisa que nunca fez parte da nossa tradição de arquibancada, eu desistiria. Pois bem, nas rodadas finais não deu outra: revoltada com a parcialidade da CBF, a torcida passou a exibir mosaicos para manifestar a sua indignação. Foi naquela oportunidade que, resignado, cheguei à conclusão de que o futebol - gostemos ou não - havia definitivamente mudado e entrado em uma nova era. A era dos mosaicos.

9 de dez. de 2012

Um ano bom

Atlético 3 x 2 Cruzeiro
Botafogo 2 x 3 Atlético
Atlético 2 x 2 Atlético/GO

Com o fim das chances do Galo de conquistar o título e com uma viagem a trabalho na agenda, acabei me desligando do campeonato brasileiro na sua reta final. Soube do resultado contra o xará de Goiânia (que apesar da péssima campanha nos levou 4 preciosos pontos) ainda na China e descobri que havíamos virado sobre o Botafogo ao ouvir os gritos de um vizinho atleticano enquanto tentava me recuperar do jetlag.

Quanto ao clássico, consegui acompanhá-lo em um link cujo atraso em relação à transmissão da tv a cabo fazia com que eu visse os gols depois que a bolinha que informava a alteração do placar já havia aparecido na tela do Sportv. De qualquer maneira, consegui gravar e assistir ao VT na terça-feira e deu para ver que a equipe conseguiu uma vitória na base da raça. Acredito que mais do que a classificação para a fase de grupos da Libertadores, a forma como as duas últimas vitórias se configuraram foi muito importante para solidificar a personalidade deste grupo e afirmar a qualidade do Atlético 2012.

A reconstrução do prestígio é um processo lento e contínuo. A primeira década do século XXI foi praticamente perdida, a sequência de maus resultados fez com que os adversários passassem a nos enxergar como coadjuvantes nos torneios e esta percepção se refletia dentro de campo: o pessoal entrava em campo para ganhar inclusive nas partidas em Belo Horizonte. Hoje, invicto há mais de um ano na capital das alterosas, a impressão que tenho é de que o adversário entra em campo com cautela e considera um empate um bom resultado.

2012 foi, definitivamente, um bom ano. É claro que houve a decepção por não termos conseguido levantar o caneco, mas terminamos a temporada com apenas 7 derrotas, conquistamos o campeonato mineiro de forma invicta (e invictos permanecemos dentro de casa) e fechamos o brasileiro com uma campanha com 72 pontos conquistados, a qual teria resultado no título nas últimas 3 temporadas. Nada mal, realmente.

O que esperamos para 2013 é que a diretoria consiga manter a base e que traga os reforços necessários para suprir as nossas deficiências. A renovação do Ronaldo é uma ótima notícia e acho que a chegada do Gilberto Silva é importante para trazer um pouco de maturidade ao grupo, coisa que faltou em algum dos momentos cruciais do campeonato. O caminho, enfim, parece bem pavimentado.



14 de nov. de 2012

Ponto final

Vasco 1 x 1 Atlético
Coritiba 1 x 0 Atlético
Atlético 1 x 1 Flamengo

É amigos, como já prevíamos há algum tempo o Atlético não teve a competência necessária para manter o ritmo do primeiro turno e acabou superado pelo tricolor carioca na disputa pelo título. Antes de mais nada, é preciso admitir que o Fluminense era realmente o principal candidato a levantar o caneco, possuindo um elenco mais qualificado e uma equipe mais madura do que a do Galo. Por outro lado, não podemos deixar de mencionar que as interferências extra-campo desequilibraram um campeonato que poderia ser disputado até a última rodada.

Não é necessário listar aqui a sucessão de erros de arbitragem, decisões arbitrárias do STJD e interferências da CBF que afetaram negativamente o desempenho alvinegro. Por outro lado, o nosso adversário acabou sendo beneficiado em todos os momentos decisivos deste certame, sem exceção. Talvez esta seja a famigerada "sorte de campeão". Curiosamente, ainda na segunda-feira ouvi um comentário maldoso de um torcedor tricolor dizendo que a arbitragem havia favorecido o Atlético na partida da véspera contra o Vasco e que agora queria ver se a torcida alvinegra ainda teria coragem de se autoproclamar injustiçada. Bem, sejamos honestos: depois que a vaca já tinha ido para o brejo, apitar pênalti ilegal a favor do Galo ou convocar o Fred e o Diego Cavalieri para a seleção não alteram mais o cenário. O futebol não é sério e sabemos disso. E como gostamos é do Atlético e não de futebol, cá estamos novamente debatendo o que não mereceria um segundo de nossa atenção.

Mas, voltando ao assunto, é preciso ter em mente que um time que almeja o título não pode ter o seu desempenho tão afetado por fatores além do seu controle. Passar um turno inteiro sem vencer fora de casa é uma performance para lá de medíocre. Talvez aí acabem entrando o quesito maturidade e uma habilidade de trânsito nos bastidores que a nossa gestão ainda parece não dominar. Pode ser que este prestígio nas esferas superiores venha com o tempo, mas tenho as minhas dúvidas. Enfim, considero o desempenho do Atlético satisfatório e acima de qualquer expectativa para esta temporada 2012 - e esta observação se aplica mesmo se terminarmos em quarto lugar, o que não é de todo impossível.

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Hoje soube da morte do atacante Alex "Capoeira" Alves. Vi o baiano em ação diversas vezes no Mineirão e no Independência: atuando pela Portuguesa naquela fatídica tarde de domingo em 1996, quando fomos eliminados na semifinal do Brasileiro; ostentando a camisa azul quando liquidamos o nosso maior rival em 1999; e com o manto alvinegro nas temporadas 2003 e 2004. Quando esteve defendendo as nossas cores, Alex já não era mais o mesmo. Acima do peso e contestado pela torcida devido à sua passagem pela raposa, teve um desempenho aquém do esperado.

Para ser sincero, minhas duas maiores recordações de sua passagem pelo Atlético são os dois gols que anotou numa partida horrível contra o Grêmio no Mineirão e um especial no Globo Esporte que o apresentava como um metrossexual e que resultou numa ligação do Mateus me perguntando se o Galo não tinha "assessoria de imprensa" para evitar aquele constrangimento. O que me motiva a escrever aqui então é o fato de que é sempre estranho saber que alguém que você viu surgir nos gramados e que acompanhou nos estádios ao longo de tantos anos se foi. Alguém da sua geração. E esse troço te deixa a certeza de que a vida é curta demais.