11 de mai. de 2011

Éder Aleixo

Uma tarde dessas de abril eu e a minha esposa estávamos caminhando por uma daquelas ruas perto do teatro São Pedro em Porto Alegre quando resolvemos entrar em um sebo. Enquanto ela procurava alguns livros, resolvi vasculhar o estabelecimento em busca de algumas revistas antigas. Estou no último cômodo do lugar quando ouço um funcionário do sebo falando para um cliente:

- Fica aí neste quarto do fundo.

Pouco depois entra um sujeito de meia idade que logo vai fazendo uma pergunta com aquele jeito meio cantado, típico do sotaque portoalegrense:

- Tu sabes se as revistas Placar estão aqui?
- Não sei, também estou procurando por elas.
- Tu és de São Paulo? - pergunta após perceber o meu sotaque
- Não, Belo Horizonte.
- Torce para o Galo?
- Sim!
- Bah, estou procurando material sobre o Éder Aleixo! Conhece?
- Lógico! Jogou no Grêmio também, campeão gaúcho com o Telê Santana, né?

Daí em diante o sujeito desfila seu vasto conhecimento acerca de fatos da vida do Bomba de Vespasiano, que vão desde pequenas histórias sobre excursões à Europa ao "roubo descarado" praticado contra o Atlético nos famosos jogos decisivos contra o Flamengo no início dos anos 80. Em alguns momentos, chego a me lembrar de um daqueles membros do Pânico na TV que sabe tudo sobre as novelas. Por fim, acabo dizendo que só havia efetivamente visto o Éder em final de carreira, mais especificamente na temporada 94, quando saímos da repescagem e chegamos à semifinal do Brasileiro.

- Bah, me lembro do jogo contra o Botafogo! Quartas-de-final, né?
- Sim! 2 x 0 no Mineirão, 1 x 2 no Maracanã.
- Eu tenho esse jogo gravado, 2 x 0.
- Eu estava lá.
- Me conta aí como foi! Aquela falta que a bola bate no travessão e sobe mais alto que a arquibancada.

Faço um relato do jogo, descrevendo o gol de falta e o lance do travessão e percebo que é hora de me retirar do recinto.

- Bem, tenho que ir. Você torce para que time?
- Não tenho time não. Gosto do Éder.
- Ah, tá. Até logo.
- Até.

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Sobre aquele jogo, Atlético 2 x 0 Botafogo, me recordo que eu e meu irmão, diante daquela tradicional confusão em jogos cheios no Mineirão, só conseguimos entrar no estádio quando a bola já estava rolando. No momento em que saímos do túnel de acesso à arquibancada, o juiz havia acabado de apitar a famigerada falta que resultaria no gol. Meio que de sacanagem, falei com o meu irmão enquanto subíamos os degraus: "cuidado ao chegar no fim das escadas porque o muro é chapiscado, se for gol a gente se machuca". Felizmente, o Bomba resolveu a parada antes que chegássemos ao fim do caminho.

No segundo tempo foi a vez do meu irmão ter a sua premonição enquanto o camisa 11 ajeitava a bola para outra falta: "essa aí vai na trave, pelo menos". Falta cobrada, a bola explode no travessão e sobe numa altura espetacular, deixando o goleiro Vágner tremendo embaixo dos postes.

Por fim, segue o vídeo que contém os gols daquela partida e as duas cobranças de falta espetaculares do Éder e que foi postado por uma boa alma alvinegra no youtube.

8 de mai. de 2011

Uma semana tranquila

Atlético 2 x 1 Cruzeiro

Diante da bagunça imprevisível que tem sido o meu calendário no último ano e meio, sabia que a oportunidade de assistir ao primeiro clássico na era Dorival Júnior dependeria de uma mudança de última hora na agenda do trabalho. E o adiamento veio na última quinta-feira, o que me permitiu que neste domingo estivesse sentado na poltrona diante da telinha vendo a partida e tentando abstrair os comentários de Marcos Guiotti.

Antes de falar sobre a partida, devo dizer que essa vida é engraçada e o futebol é imprevisível. Confesso que depois do expurgo promovido por Dorival Júnior há algumas semanas, achei que havíamos atirado as chances do bicampeonato mineiro no esgoto. Mas, para minha agradável surpresa, nosso treinador conseguiu arrumar o meio de campo com uma rapaziada boa - e desconhecida por boa parte de nós torcedores - da base alvinegra.

No início, a equipe ainda passou por momentos de instabilidade, mas começou a se acertar na primeira partida contra o América pelas semifinais, quando liquidou o adversário com contragolpes fulminantes. A receita foi aplicada mais uma vez com sucesso na segunda partida. No post anterior eu dizia que reconhecia uma superioridade do adversário, mas que com foco e jogo coletivo seríamos competitivos. E se tem uma coisa que podemos dizer sobre a partida desta tarde é que o Atlético foi um time.

E o Galo começou muito bem o jogo, chegando ao seu primeiro tento através de Mancini aos 5 minutos. Com a vantagem, o Atlético pode se dedicar a fazer o que tem feito melhor nas últimas partidas: contra-ataques. Depois de desperdiçarmos algumas chances diante de Fábio, o adversário acabou chegando ao empate em jogada articulada por Montillo e finalizada por Wallyson. Felizmente, o time não se abateu com o empate e continuou praticando um bom futebol, que acabou sendo premiado com um gol de Patric aos 36 minutos.

O segundo tempo foi mais tenso, menos movimentado, com o jogo sendo mais disputado no meio e com menos oportunidades para os dois lados. Nos momentos finais a pressão celeste aumentou, mas não foi suficiente para vazar a meta de Renan Ribeiro e o placar final ficou em 2 x 1, nos garantindo uma semana tranquila. A vantagem do empate agora é alvinegra.

Não posso deixar de falar sobre a grande partida de Mancini, Serginho, Soutto e, em especial, do Giovanni, que não tinha a metade do prestígio do Renan Oliveira quando assumiu a camisa 10 do Atlético e tem jogado com uma autoridade impressionante. No mais, creio que a partida do domingo que vem será bastante complicada, mas não será fácil para o adversário passar em branco diante do Galo. Nas últimas três oportunidades em que os enfrentamos anotamos 10 tentos. Se jogarmos com a consistência apresentada hoje, poderemos levantar o caneco.

Finalmente, apenas uma observação sobre um fato curioso. Como é de praxe, estava ouvindo a coletiva dos treinadores após a partida e, ao fim da sua coletiva, o treinador adversário acabou cunhando uma frase que, pelo menos na última década, só coube à gente: "O Atlético ganhou os últimos três clássicos com a trave". Será que a sorte está mudando de lado?

1 de mai. de 2011

Idiossincrasias

Atlético 2 x 1 América

Devido às chuvas torrenciais que atingiram os estados de Pernambuco e Alagoas, o plano "férias no nordeste" foi abortado e voltamos às pressas para o Rio de Janeiro. Depois de uma longa e exaustiva jornada iniciada por volta das 13 horas deste sábado, chegamos em casa a tempo de ver o segundo tempo da partida.

Liguei a tv e fui recepcionado com a expulsão relâmpago do Richarlyson. Impossível saber o que ele disse ao árbitro para receber tão implacável punição, mas pela reação de ambos ficou a impressão de que a questão, realmente, era pessoal. De qualquer maneira, a triste verdade é que a reputação do volante atleticano já justifica qualquer expulsão.

Com um jogador a mais, o América passou a dominar as ações nos minutos seguintes. O problema é que o Coelho mantinha a posse de bola mas não conseguia chegar à meta de Renan Ribeiro. De tanto insistir, chegaram ao gol através de uma bola alçada na área e uma falha grotesca do lateral esquerdo Guilherme. Tendo anotado o primeiro gol, o Coelho partiu em busca do placar que lhe garantiria a final, mas contrariando as expectativas alviverdes, quem brilhou foi o Galo que, com dois contra-ataques fulminantes liquidou a fatura.

Depois de virar a partida, o Atlético passou a tocar a bola e a envolver o adversário. Poderia ter chegado a um placar mais elástico, caso a pontaria não estivesse tão ruim. Com relação aos desempenhos individuais, é preciso destacar a grande partida do volante Serginho, que tem reencontrado o seu bom futebol.

Agora decidiremos o campeonato contra o nosso maior rival. É certo que devido às repetidas trapalhadas da nossa gestão a equipe ainda se encontra em formação às vésperas de uma decisão. O adversário, por outro lado, vive uma grande fase. De qualquer maneira, os clássicos são imprevisíveis. O importante será manter o foco e a consistência coletiva. Se conseguirmos fazer isso, seremos competitivos.

No mais, aproveito o espaço para contar um pequeno fato acontecido no início da noite de ontem. Satisfeito com o bom resultado obtido pelo time, botei a minha camisa e saí com a minha esposa para irmos a uma pizzaria. Enquanto esperávamos um táxi, um desconhecido me interpelou no meio da rua:

- Saudações alvinegras! O coelhinho já era! - e retirou do bolso o tradicional chaveiro com o Galo estilizado, me cumprimentando em seguida.

É o tipo de coisa que acontece em qualquer lugar do mundo quando você está usando ou se depara com alguém usando a camisa do glorioso. Um grito de "Galo" ou de "saudações alvinegras". Nunca passa em branco. Sempre achei que isso fosse um fato corriqueiro entre torcedores de todas as agremiações, mas o fato de viver em outra cidade e com pessoas de outros estados tem me feito perceber que está é uma peculiaridade dos atleticanos. Peculiaridade da qual nos orgulhamos e que nos faz sentir membros mais do que de uma torcida, de uma confraria especial.

24 de abr. de 2011

Coelho na páscoa

América 1 x 3 Atlético

A partida de hoje marcou o meu retorno ao maravilhoso mundo das transmissões via web. Posicionei o computador num canto do sofá e ainda ouvi o comentário do meu sogro, que acompanhava Inter e Juventude na TV:

- Até que tá bom... Dá pra diferenciar o borrão verde do branco.

De qualquer maneira, até o final do primeiro tempo isso não fez grande diferença, visto que o borrão verde esteve bem melhor em campo tendo, inclusive, anotado um tento. Sem conseguir articular uma jogada sequer e com os inoperantes Mancini e Bueno no ataque, o Galo conseguiu chegar ao empate nos descontos. Patric recebeu uma bola em profundidade, driblou o marcador e encobriu o arqueiro americano. Belo gol.

A segunda metade foi bem diferente. Com Berola no lugar de Bueno desde o fim do primeiro tempo e tendo chegado ao empate, a equipe se ajustou e com contra-ataques agressivos chegou aos dois gols que liquidaram o coelho neste domingo de páscoa. Berola e Serginho foram os responsáveis pelos tentos.

Foi um grande resultado, afinal o América vinha sendo um adversário complicado para o Atlético e o início de partida pavoroso que tivemos me fez temer pelo pior. Também gostei do poder de recuperação da equipe no segundo tempo, mas não podemos deixar de notar as limitações do adversário, que se repetir atuações como a de hoje, desponta como provável rebaixado no Brasileirão.

20 de abr. de 2011

À distância

Grêmio Prudente 2 x 1 Atlético
Democrata 1 x 3 Atlético
Atlético 0 x 0 Grêmio Prudente
Caldense 0 x 2 Atlético
Atlético 7 x 1 América - TO

As recentes confusões envolvendo o Atlético baixaram bastante a minha empolgação para a temporada 2011. A eliminação na Copa do Brasil apenas repetiu o filme que temos visto desde que a competição foi criada em 1989. Na realidade, diante do futebol apresentado pela equipe nas rodadas anteriores à decisão contra o Grêmio paulista, já não nutria grandes esperanças de que pudéssemos prosseguir na copa. A solução encontrada pela diretoria para minimizar o vexame foi entregar para a torcida as cabeças de Ricardinho e Zé Luís, dois remanescentes das temporadas anteriores.

É sempre difícil saber o que acontece nos bastidores, mas as declarações dos jogadores após o fato me levam a crer que houve mesmos insubordinação e, talvez, um boicote ao treinador. O fato é que após a mexida no elenco, o desempenho da equipe melhorou, pelo menos em entrega dentro do campo. A minha maior crítica é com relação à maneira como a gestão do clube lidou com a situação, expondo as coisas como se o Atlético fosse um reality show. Mas é isso aí, amadorismo é nossa marca registrada.

Com relação às contratações, achei o Dudu Cearense uma boa surpresa. Resta saber se joga a mesma bola que o levou à seleção alguns anos atrás. Marquinhos Cambalhota é mais uma daquelas contratações via DVD do Galo. É claro que Levir Culpi e Osvaldo Oliveira recomendaram mas, futebol que é bom, ninguém viu ainda. De repente, dá certo.

Este final de semana começamos a decidir uma vaga na final do Mineiro com o América. Não tenho acompanhado o desempenho do coelho ao longo do campeonato, mas Micão e seus companheiros tem sido uma pedra no nosso sapato há algum tempo. Já tá passando da hora do Galo se impor diante deste tradicional adversário. Sem poder contar com os reforços contratados nas últimas semanas, o negócio é confiarmos em Magno Alves e Mancine (e não levarmos gol do Fábio Junior, claro).

25 de mar. de 2011

103 anos

Atlético 1 x 1 Uberaba

Antes de falar sobre o aniversário do clube mais tradicional de Minas Gerais, peço licença para abrir um parênteses para comentar a partida contra o Uberaba pelo Campeonato Mineiro na quarta passada. Desorganizado e com várias improvisações, o Atlético apresentou um futebol muito aquém daquele que temos esperado, o que resultou num lamentável empate contra o Uberaba, evidenciando todas as limitações do nosso sistema defensivo e a falta de coordenação do ataque.

Como já disse anteriormente, a falta que o Diego Tardelli faz ao time é maior do que eu imaginava quando da sua negociação. Não é só a falta da referência no ataque, mas o fato de o adversário saber que anular um Ricardo Bueno é uma tarefa muito mais simples, sentindo-se mais confiante para ser mais ofensivo. Enfim, veremos se a chegada do Guilherme nos trará alguma novidade neste sentido. Enquanto esteve do lado de lá da lagoa, me pareceu um bom jogador.

Deixemos as más atuações e a organização do time em segundo plano, pois hoje o Atlético comemora 103 anos de existência. Sem dúvida, estamos vivendo um momento crítico do futebol brasileiro: negociações pelos direitos milionários da televisão, grandes contratações, estádios interditados para as reformas para a copa 2014 que se aproxima, enfim, me parece que vivemos um daqueles momentos onde se sobe um degrau ou se fica para trás para sempre.

Aparentemente o Atlético, através da sua gestão atual, tem buscado uma posição de independência dentro deste novo cenário. Não é fácil, especialmente se considerarmos os montantes e o poder político envolvidos e, da maneira como as coisas estão caminhando, eu diria que uma virtual posição de isolamento diante dos demais clubes não seria vantajoso para o Atlético. Vamos torcer para que a diretoria consiga tomar as suas decisões com serenidade e que consigamos o que é justo.

Acredito até que as mudanças em curso no futebol brasileiro, com novos estádios, com mais craques e custos administrativos elevadíssimos, resultarão em um novo perfil de torcedor, mais elitizado, mais comportado, em busca de um espetáculo nas noites de quarta ou nas tardes de domingo para se entreter. Perfil mais diferente que o do torcedor atleticano é difícil de encontrar. Passional ao extremo, herdeiro de uma tradição que passa de pai para filho, o atleticano não está nem aí para o futebol ou para o espetáculo. Ele quer saber é do Atlético. Tem sido assim nos últimos 103 anos e duvido que mude em um curto espaço de tempo.



Esperando pelo Galo no Estádio Antônio Carlos, tal qual a galera da laje em 2011.

Para finalizar, uma pequena história: há uns 15 ou 20 anos atrás, meu tio avô Lelê estava nos visitando num desses domingos de almoço em família e, acompanhado pelo meu pai, entoou uma canção que a torcida atleticana cantava nos anos 40 e 50. Nunca me esqueci disso, mas só me lembrava que a música falava da nossa escalação.

Um dia desses, estive em Belo Horizonte visitando o irmão mais velho do meu pai e lhe perguntei se ele conhecia a tal música. Sem nenhuma hesitação, de bate pronto, cantou a música inteira e permitiu que eu a gravasse para a posteridade. A interpretação, obviamente, foi entrecortada com lembranças daquele esquadrão que defendeu a camisa alvinegra naquela época e levantou 8 campeonatos mineiros em 10 anos (entre 46 e 55). Abaixo a transcrição da letra e um arquivo de áudio com o meu tio interpretando a canção do alto dos seus 75 anos:

"Có-có-ró-có-có
Quem se manifesta é o famoso Carijó
O seu cantar é muito natural
Pois entre os sete ele é o maioral
Deixou raposa, leão, tucano e coelho
A tartaruga olhando o tigre no espelho
O grande galo com a suas atuações
Ficou com o título Campeão dos Campeões

A sua equipe Kafunga, Murilo e Ramos
O grande Silva, Zé do Monte e Mexicano
O Nívio, Lucas, Mário de Souza, Xavier
Pega na bola cada um faz o que quer
Esse negócio de dizer que o time é duro
É a mesma coisa que dar murro no escuro
Se o craque Lêro é artilheiro sem rival
Então o Atlético Mineiro é o mesmo o tal"


Parabéns ao Clube Atlético Mineiro e a todos os atleticanos!!

20 de mar. de 2011

Idas e vindas

Atlético 1 x 2 América
Atlético 8 x 1 IAPE
Ipatinga 2 x 2 Atlético
Atlético 2 x 1 Villa Nova

Muito mais do que a falta de tempo, o tédio relativo ao Campeonato Mineiro e às fases iniciais da Copa do Brasil tem me mantido afastado deste espaço. Na realidade, a única partida que consegui acompanhar dentre as quatro acima listadas foi o clássico, quando tivemos uma fraca apresentação e acabamos perdendo a invencibilidade e, de quebra, a liderança do campeonato. Como eu disse aos rapazes após a partida: "perder um jogo levando dois gols do Fábio Júnior significa que temos problema na defesa". Defesa, aliás, que tem sido um problema recorrente desde a era Celso Roth. Está cada vez mais difícil me lembrar da última partida em que a meta de Renan Ribeiro não foi vazada. Espero, sinceramente, que o Dorival Júnior consiga equacionar o problema das laterais e proporcionar a proteção necessária ao miolo da zaga para que possamos sobreviver na Copa do Brasil e termos uma boa participação no brasileiro.

Mais agitado do que as últimas partidas do Galo tem sido o mercado de transferências. Após a saída de Obina, o Atlético acabou negociando dois Diegos: o Souza e o Tardelli. O primeiro nem chegou a estrear no glorioso e, neste ponto, estou com a diretoria: se não estiver satisfeito, que vá procurar outro lugar. É difícil entender porque o Souza não se adaptou ao Atlético, tenho a impressão até de que se tivéssemos o Mineirão talvez as coisas tivessem sido diferentes, mas fizemos o correto: o negociamos. Que seja feliz em outro lugar. Já o segundo é uma perda terrível para o ataque alvinegro. Grande ídolo da torcida nas últimas temporadas, grande artilheiro e referência ofensiva, Tardelli deixará saudades. Mas numa era onde os bons negócios valem mais do que a história em uma instituição, acho que a diretoria agiu corretamente.

Para compensar as perdas, o Atlético se movimentou. Hoje o Kalil anunciou a contratação de Guilherme, ex algoz alvinegro que estava atuando pelo Dínamo de Kiev na Ucrânia. Com 22 anos, é uma aposta interessante para ocupar a vaga deixada por Tardelli. Há alguns dias um outro Guilherme foi anunciado: lateral esquerdo revelado pelo Vasco que andava pela Espanha. Surgiu como promessa, mas nunca se firmou. É jovem e não deve ser difícil conseguir ser o lateral titular do Atlético: se jogar um pouquinho, é titular garantido. No mais, corre à boca pequena que o Atlético estaria interessado em contar com o Adriano Imperador no seu ataque. Dadas as circunstâncias envolvendo o retorno do jogador ao Brasil e a sua saída tumultuada do Flamengo, não acho que seja um investimento muito promissor. Na minha opinião, de contrato de risco basta o do Jóbson.

25 de fev. de 2011

O certo, o errado e a galera da laje

Guarani 2 x 4 Atlético
IAPE 2 x 3 Atlético

Depois de uma semana acompanhando as discussões sobre os cronogramas das obras para a Copa do Mundo de 2014, voltamos à realidade brasileira acompanhando a galera da laje torcer pelo Galo contra o Guarani em Divinópolis no último domingo. A partida foi relativamente tranquila para o Atlético que conseguiu, sem maiores dificuldades, abrir uma diferença de 4 gols no primeiro tempo, se limitando a administrar o placar na etapa seguinte. Destaque para as boas atuações de Ricardinho e Neto Berola. As entradas de Mancine e Ricardo Bueno diminuíram um pouco o ímpeto ofensivo da equipe. Diego Souza, que entrou nos minutos finais, foi o jogador de sempre: apático, mal humorado e fora de forma.

O verdadeiro espírito do futebol: a galera da laje em Divinópolis!

Infelizmente, não pude acompanhar a estreia do Galo na Copa do Brasil devido a uma reunião de condomínio que varou a noite de quarta-feira com as discussões de sempre. Mais tarde pude verificar o nível da arbitragem que esteve escalada para a partida no estádio Nhozinho Santos em São Luis: dois lances ridículos que resultaram nos gols do IAPE. De qualquer maneira, o Atlético conseguiu impor o seu melhor futebol e terminou vencendo por 3 x 2. Não eliminou o jogo de volta, mas creio que não terá maiores problemas com o adversário em Sete Lagoas. Isso é Copa do Brasil.

Agora, trato dos dois principais assuntos da semana:

1. Saída do Diego Souza: a bem da verdade, o DS nem chegou ao Atlético. Ao longo de todos esses meses não consigo me lembrar de nenhuma partida sequer onde o meia tenha se destacado. Desde a primeira vez que o vimos no gramado a impressão que tivemos foi de falta de compromisso, insatisfação e apatia do atleta. Sem contar que já estamos em março e o rapaz, que tem apenas 25 anos, ainda não entrou em forma. Até 2009 foi um excelente jogador, mas não tem rendido desde então. Confesso que ainda tinha esperanças de que as coisas pudessem mudar, mas a fim de evitar um prejuízo maior, acho que o melhor a se fazer é negociá-lo e ponto final.

2. Clube dos 13 e venda dos direitos de transmissão do Brasileirão: tenho várias críticas à gestão do Kalil à frente do Atlético, mas acho que ele está certo ao bater o pé pela licitação nos moldes que o Clube dos 13 está propondo. Mais certo ainda ao falar sobre os valores pactuados para cada clube.

Até o fim desta semana eu acreditava que o ponto crucial da discórdia entre os dissidentes e o Clube dos 13 seria uma suposta exigência de divisão das cotas em partes iguais entre os clubes, mas acabei verificando que existe uma previsão de cotas maiores para Flamengo, Corínthians e alguns outros, como sempre foi.

Ridículo mesmo foi ver as entrevistas dos dirigentes do timão e dos quatro grandes do Rio de Janeiro tentando justificar a saída do Clube dos 13, ninguém disse nada, foi uma enrolação só: "o Clube dos 13 não defende os nossos interesses!", "o Rio precisa se unir para salvar o futebol!", é o que dizem. Que interesses seriam esses? Salvar o futebol do que?

Depois dos vários mimos da CBF, incluindo taça das bolinhas, Itaquerão, reconhecimento do status de "Campeão Brasileiro" para os vencedores dos torneios interestaduais dos anos 50 e 60, somando-se à parceria Traffic e Globo para a vinda do Ronaldinho para o Flamengo, não acho que seja difícil inferir quais seriam as respostas paras as perguntas acima. É um mar de lama mesmo.

No mais, espero que o Kalil tenha consciência do que está fazendo, pois sendo a metralhadora giratória que é, atirando contra todo mundo sem piedade, sempre fica a impressão de que o Clube dos 13 está usando o presidente do Galo como bucha de canhão: toda a polêmica está centrada nele, enquanto o resto assiste de camarote. Nós atleticanos sabemos muito bem como é duro estar do lado errado, mesmo estando certos, se é que vocês me entendem.

18 de fev. de 2011

Arrumando a casa

Cruzeiro 3 x 4 Atlético
Atlético 4 x 1 Tupi

Após 14 dias de trabalho incessante em São Roque, que me mantiveram afastado do Clube Atlético Mineiro, eis que estou de volta ao Rio e, milagre dos milagres, consigo assistir ao VT do clássico no PFC 24 horas.

Em geral, não tenho paciência para reprises de jogos, mas diante do resultado obtido no último domingo e da vitória obtida pelo nosso maior rival na noite de quarta, confesso que fiquei curioso para verificar o desempenho da equipe em Sete Lagoas.

O que vi foi um jogo equilibrado, contra um adversário duro e perigoso e que jogou sério. Tivemos menos posse de bola, mas a verdade é que me pareceu que este fato se deveu muito mais a uma opção estratégica de Dorival Júnior do que a uma suposta qualidade superior do nosso rival. Na verdade, quando teve a bola no pé o Atlético foi mais agudo, levando perigo ao gol de Fábio, explorando inteligentemente as deficiências da zaga azulada. A arbitragem, como sempre, teve uma fraca atuação. Entretanto, podemos dizer que como distribuiu seus erros democraticamente, não interferiu diretamente no placar.

Com relação às atuações individuais, é preciso destacar a boa partida de Zé Luís, que combateu Montillo incessamente e, na maior parte das vezes, se saiu bem. A zaga trabalhou com segurança, bela partida do Werley e boa estreia de Leonardo Silva. Ricardinho e Diego Tardelli comandaram o ataque alvinegro, o primeiro distribuindo o jogo com a categoria que lhe é peculiar e o segundo voltando a ser o matador da temporada 2009: um gol de pênalti, um de oportunismo e um tento antológico, entortando a zaga celeste duas vezes antes de mandar um toque sutil no canto direito do arqueiro celeste quando vivíamos o momento de maior perigo no clássico.

Acredito que com Neto Berola, Wesley e Diego Souza no banco e Mancine e Daniel Carvalho se recuperando, o Atlético não terá problemas do meio para a frente. Tenho a impressão, inclusive, que com todos os nossos meias em forma, Renan Oliveira tenda a ocupar um lugar no banco. O rapaz tem corrido e produzido mais desde a chegada do novo comandante, mas carece, definitivamente, de um pouco de fibra. O gol perdido na cara de Fábio só comprova a nossa tese.

O nosso calcanhar de aquiles continua sendo as laterais. Muito embora Leandro e Jackson não tenham entregado o ouro ao longo da partida, ambos ainda estão aquém do perfil necessário para resolver o problema da posição. Não sei se Patric e Eron solucionarão esta carência, mas Dorival Júnior tem crédito de sobra para montar este time e ter a nossa confiança. Outro que não tem me agradado é Serginho, sempre tocando mais do que deve na bola e se afobando no momento do último passe, propiciando contra ataques perigosos para o adversário.

Enfim, grande início de temporada do Atlético. O que mais me agradou não foi nem a vitória em si, mas a disposição da equipe e o fato de ver que temos um time, uma equipe que jogou de igual para igual contra um adversário perigoso, bem armado e mais entrosado, não se abatendo quando saiu atrás no placar e mantendo a tranquilidade enquanto esteve na frente. Minhas esperanças de termos um time competitivo em 2011 aumentaram bastante.

1 de fev. de 2011

A largada e outros pitacos

Funorte 1 x 2 Atlético

A noite do último domingo de janeiro marcou a largada para mais uma temporada acompanhando o Clube Atlético Mineiro. Enganam-se aqueles que acreditam que após o milagre operado por Dorival Júnior e seus comandados nas rodadas finais do Brasileirão 2010, o torcedor alvinegro desejasse uma pausa para se recuperar emocionalmente: nem bem o juiz apitou o final da partida contra o São Paulo, ele passou a apertar a tecla F5 em busca de novidades no twitter do Kalil. E, não tenha dúvidas, passou assim as festas de fim de ano e as primeiras semanas de janeiro. Com 11 contratações, o time acabou justificando esta ansiedade do torcedor que, empolgado, aguardava a estreia da equipe no Campeonato Mineiro.

A escalação para a partida contra o Funorte, em Montes Claros, mostrou a opção de Dorival em manter a base da equipe que fez a boa campanha na reta final do Campeonato Brasileiro. As únicas modificações foram as entradas de Jóbson no lugar de Obina (negociado com a China), Richarlyson no lugar de Zé Luis e Ricardinho no lugar de Diego Souza.

As estreias do Atlético em Campeonatos Mineiros não vinham sendo muito boas, já eram 4 anos sem conseguir uma vitória. Os minutos iniciais da partida davam a impressão de que, nesta temporada, a história seria diferente. Mas, pouco a pouco, a equipe montesclarense conseguiu equilibrar a peleja e acabou anotando o seu tento numa falha da defesa alvinegra.

O Atlético voltou para o segundo tempo com Wesley no lugar de Rafael Cruz e Magno Alves no lugar de Jóbson. Mais veloz, a equipe começou a envolver o adversário e a criar mais oportunidades. E foi num contra-ataque veloz que Magno Alves conseguiu o gol de empate, após tramar com Tardelli e Wesley. O gol da vitória veio de pênalti, sofrido por Wesley e convertido por Tardelli. Quebrado mais um tabu e anotados 3 pontos na tabela com um 2 x 1 que fez justiça ao que foi apresentado em campo.

Não foi uma grande exibição do Galo, mas foi o suficiente para vencer na estreia, jogando num campo ruim contra um time desconhecido. De qualquer maneira, isso não esconde o fato de que continuamos com problemas nas duas laterais e que o Serginho e o Renan Oliveira correm grande risco de perderem a condição de titulares nesta equipe. O primeiro é um bom jogador, mas erra demais. Fico com a impressão de que sempre tenta dar um toque a mais ou busca uma jogada mais difícil. Se botasse a bola no chão e jogasse simples, seria mais útil. Quanto ao segundo, o problema é a falta de colhões de sempre. Basta dizer que o Wesley mostrou em 45 minutos mais vontade e pegada do que o Renan em 3 anos de Atlético. Assim é complicado.
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A revista PLACAR deste mês traz uma reportagem sobre as contratações do Atlético para a temporada de 2011. A pergunta da revista é: quem estaria bancando a vinda de tantos reforços em um clube com uma dívida estimada em R$300 milhões? Está certo que a Placar poderia ter feito a mesma pergunta ao rubro negro carioca, que acabou de contratar o Ronaldo Gaúcho mesmo tendo a maior dívida do país (e que, curiosamente, estampa a capa da revista) ou, quem sabe, ao tricolor carioca e ao timão, só para ficarmos em três exemplos. Mas, de qualquer maneira, é bom tentar entender o que acontece em Lourdes.

A resposta, obviamente, passa pelo nosso banqueiro favorito, Ricardo Guimarães. Kalil se limita a dizer que as contratações refletem o sucesso da sua gestão. Já a oposição, especialmente na figura do conselheiro Manfredo Palhares, acusa a atual diretoria de seguir a cartilha do dono do BMG, que dentro da sua própria gestão acabou se tornando o maior credor do Galo. Um investidor de sucesso! Para finalizar, Palhares chega a afirmar que o Galo teria desembolsado astronômicos R$ 20 milhões para se livrar do Luxemburgo no ano passado. Verdade ou maledicência?

O fato é que nunca saberemos o que realmente se passa dentro do Atlético. Já me martirizei muito imaginando a quantidade de maldades que se acumula dentro desta caixa preta, mas cheguei à conclusão de que não vale a pena. Faz mal pra saúde e não te leva a lugar nenhum. E, para ser sincero, nesta altura do campeonato, se o Atlético emplacasse uma sequência vencedora, eu nem ligaria que este distinto cavalheiro se tornasse o dono do time. Mas, infelizmente, as recentes recordações de sua passagem pela presidência do clube, me fazem duvidar de um futuro brilhante para a equipe.

22 de dez. de 2010

Contratações e unificações

Faltando pouco mais de uma semana para o término de 2010, o Atlético já apresentou seus primeiros reforços para a temporada seguinte: Richarlyson, Toró, Magno Alves, Patric e Wesley. Considerando as nossas principais carências, que são as laterais e os volantes, acredito que começamos bem. Richarlyson e Toró são mais pegadores que Serginho e Zé Luís. Patric é uma aposta para a lateral direita, fracassou no nosso maior rival mas vem de uma boa temporada no Avaí. Magno Alves e Wesley chegam para compor o elenco. Há controvérsias com relação à contratação dos três últimos, mas depois da espetacular arrancada na reta final do Brasileiro, acho que temos que dar algum crédito a Dorival Júnior. Ele parece saber o que está fazendo (e acho que isso também se aplica à suposta contratação de Jóbson).

No mais, a polêmica do momento é a "oficialização dos títulos nacionais" pela CBF. Eu, ingenuamente, sempre acreditei que os títulos nacionais obtidos antes da criação do campeonato brasileiro já eram oficiais. Mas, como sempre, vale tudo para se obter suporte político, apoios regionais e aumentar o seu poder. Além do que, como o negócio hoje em dia é vender camisa, ter espaço na mídia, "valorizar a marca", conseguir um reconhecimento em cartório para o seu campeonato deve garantir mais retorno.

Mas, vamos lá, com um pouco de história. Não é difícil entender porque um país com dimensões continentais só tenha começado a organizar competições nacionais após o final dos anos 50. O primeiro deles, a Taça Brasil, teve início em 1959, e participavam os campeões estaduais num formato similar ao da atual Copa do Brasil. A diferença é que a disputa era regionalizada em norte e sul (posteriormente, norte, centro e sul) e, depois, os campeões regionais, disputavam as finais com os campeões do Rio e de São Paulo. Ironicamente, o primeiro campeão foi o Esporte Clube Bahia, que passou por todas as fases e derrotou o Santos de Pelé na final. Daí em diante, foi um passeio paulista:

1960 - Palmeiras - disputou 4 jogos, eliminando Fluminense e Fortaleza
1961 - Santos - disputou 5 jogos, eliminando América e Bahia
1962 - Santos - disputou 5 jogos, eliminando Sport e Botafogo
1963 - Santos - disputou 4 jogos, eliminando Grêmio e Bahia
1964 - Santos - disputou 6 jogos, eliminando Atlético, Palmeiras e Flamengo
1965 - Santos - disputou 4 jogos, eliminando Palmeiras e Vasco

Nosso maior rival foi o campeão em 66 jogando 8 vezes, contra Americano, Grêmio, Fluminense e Santos. Em 67, o Palmeiras levou, eliminando Grêmio e Náutico e o Botafogo venceu em 68, última edição do torneio, eliminando o Metropol, a raposa e o Fortaleza.

Em 67, a CBD criou o Roberto Gomes Pedrosa, que ficou conhecido como Robertão (ou Taça de Prata, a partir de 68) e que passou a ser disputado pelos maiores clubes do país. Na primeira edição, mineiros, gaúchos, paranaenses, cariocas e paulistas disputaram o torneio e o Palmeiras levou a melhor, jogando 20 partidas. As edições seguintes já contaram com representantes da Bahia e de Pernambuco e os campeões foram Santos, Palmeiras e Fluminense. A fórmula do Robertão já era bastante parecida com a do Campeonato Brasileiro que viria a ser disputado pela primeira vez em 1971 e que foi vencido, todos sabem, pelo Clube Atlético Mineiro.

Por fim, acho que não é uma questão de desmerecer as conquistas alheias, especialmente aquelas obtidas durante uma das eras de ouro do futebol brasileiro e que são reconhecidas e festejadas por suas respectivas torcidas até hoje. Foram, de fato, conquistas importantes e representativas. Entretanto, há que se contextualizar os feitos: o que era o país, o que eram os clubes e o que eram os torneios. A atitude da CBF nada mais é do que oportunismo puro e, ao contrário do que a entidade alega, acaba depondo contra a própria história do futebol brasileiro.

5 de dez. de 2010

Enfim, o fim

São Paulo 4 x 0 Atlético

Pois bem, chegamos ao fim de mais um campeonato e de uma temporada que não deixará saudades. Esta tarde, com várias partidas decisivas acontecendo simultaneamente, a partida do Galo em São Paulo não teve nenhuma repercussão na Bahia, de modo que eu só soube do placar quando o tricolor anotava o seu terceiro tento. Como a vaca já tinha ido para o brejo, achei melhor me ocupar com outras tarefas e deixar o futebol de lado.

Na verdade, o placar elástico revela a fragilidade do nosso elenco - em especial, da parte defensiva (uma defesa com Jairo Campos e Cáceres, contando com a proteção de Zé Luís ou Fabiano é uma peneira) - e evita que a torcida se iluda com a arrancada final que salvou a nossa garganta, achando que está tudo resolvido para 2011. Apesar da boa campanha sob o comando de Dorival Júnior, o Atlético ainda enfrenta carências graves em setores cruciais da equipe: do meio para frente até que nos saímos bem, mas em matéria de volantes e laterais, precisamos nos reforçar muito bem. Vamos torcer para que a diretoria tenha aprendido alguma coisa com os erros sucessivos deste ano e reformule o elenco com parcimônia e serenidade, sem grandes limpezas ou contratações em lotes.

Acho que é isso. Fim de 2010. O interessante é que nos aborrecemos com a cor e a qualidade das camisas, com um treinador faroleiro e seus mercenários, com o presidente e suas opiniões fora de hora, mas, sinceramente, dos males, o menor: se houvéssemos perdido o clássico no segundo turno, neste momento o nosso maior rival estaria levantando o caneco e nós estaríamos tendo que nos contentar com o fato de não termos caído por ostentar um maior número de vitórias. Quase sempre há uma perspectiva positiva.

29 de nov. de 2010

Milagres acontecem

Palmeiras 0 x 2 Atlético
Atlético 3 x 1 Goiás

Eis que algumas semanas após a chegada de Dorival Júnior estamos aqui comemorando a nossa permanência na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. É, milagres acontecem até com o Atlético! Diante do legado deixado pelo Luxemburgo após a goleada sofrida diante do fluzão no Rio de Janeiro, apenas os mais abnegados acreditavam que nosso novo treinador conseguiria manter o time na elite do futebol brasileiro. Devo confessar que eu não era um destes torcedores. Sempre achei que os danos causados pela passagem do profexô eram demasiados e irreversíveis e que, no máximo, estaríamos nos preparando para a campanha de 2011 na segundona.

A estreia do novo treinador foi desesperadora, levando 2 gols do Grêmio em 10 minutos na Arena do Jacaré. Mas, com a paciência que lhe é peculiar, o comandante acabou ajeitando o posicionamento da equipe e conseguimos diminuir o prejuízo, mas não evitarmos a derrota. À medida que o campeonato se desenvolveu, o time cresceu, conseguiu ser regular e passou a obter bons resultados, como as vitórias épicas contra o xará goianiense, o nosso maior rival e o rubro-negro carioca. Com isso, a confiança voltou e os adversários passaram a nos respeitar novamente. A opção por priorizar a permanência na série A em detrimento à Copa Sulamericana acabou se revelando acertada: a classificação do Palmeiras fez com que enfrentássemos o misto alviverde no domingo passado e a surpreendente eliminação do porco fez com que o Goiás fizesse a mesma opção para a partida de ontem. A sorte anda com quem trabalha!

O fato é que Dorival Júnior mostrou competência, inteligência e frieza ao mexer nas posições corretas e apostar em jogadores renegados, como Renan Oliveira, que acabaram dando uma resposta surpreendente. É impressionante vermos que a solução para o drama do gol alvinegro esteve todo o tempo dentro do clube e que tivemos que aturar frangueiros da estirpe de Marcelo e Fábio Costa sem que Renan Ribeiro tivesse uma chance sequer. O menino é um monstro e não podemos repetir com ele o erro que cometemos ao nos desfazermos do Diego por alguns dinheiros. Se dependesse de mim, o garoto seria o novo João Leite, defendendo a meta alvinegra nos próximos 10 ou 15 anos.

Agora é pensarmos na temporada 2011. A base do elenco está montada e acredito que com a chegada de reforços para as laterais e para o meio, teremos um time competitivo para o ano que vem. Além disso, se não for pedir demais, seria bom que o nosso presidente resolvesse trabalhar em silêncio, sem fazer comentários polêmicos antes do time apresentar resultados dentro de campo e, pra completar, que aposentasse esta coleção ridícula da Topper e escolhesse um material esportivo que estivesse de acordo com as nossas tradições.

18 de nov. de 2010

Das vantagens de se torcer para o Galo

11 horas da manhã de uma terça-feira, sol a pino em São Roque, o celular toca:

- Alô!
- Senhor Luiz?
- Sim.
- Olá senhor Luiz, aqui é a pffssshhh do pffffshs!
- Desculpe, não entendi.
- Olá senhor Luiz, aqui é a pffssshhh do pffffshs!
- A ligação não tá boa.
- O senhor tem outro telefone?
- Tenho, mas estou na Bahia.
- Não tem problema!
- Ok.

Alguns minutos e o telefone do escritório toca:

- Senhor Luiz! Aqui é a fulana do jornal "O Globo"! De férias na Bahia, hein!?
- Não, trabalhando mesmo.
- Ah... Bem, estou ligando, senhor Luiz, porque O Globo está morrendo de saudades do senhor!
- É mesmo? Que engraçado, eu não tenho nenhuma saudade d'O Globo!
- Que isso, senhor Luiz! Por que?
- Ah, eu assinei o jornal uns quatro meses só e deu pra perceber a linha editorial podre que ele seguia, de modo que percebi que o que tava escrito ali não servia pra mim.
- Mas o senhor não gostava de nada?
- Não.
- Diz uma coisa só que o senhor gostava!
- Ok. Eu gostava de ver a programação de cinema. Mas isso eu posso ver de graça na internet, né?
- Haha! Já sei! Me diz uma coisa senhor Luiz: para que time o senhor torce?
- Para o Clube Atlético Mineiro. Tá vendo? Não existe nenhuma razão para eu assinar O Globo.
- É.. Obrigada pela atenção.
- De nada.

17 de nov. de 2010

Acertando as contas

Atlético 2 x 2 Santos
Palmeiras 2 x 0 Atlético
Atlético 4 x 1 Flamengo

Desta vez, a minha temporada em São Roque contou com nada menos do que três jogos do Atlético transmitidos ao vivo pela televisão. Depois do melancólico empate contra o Guarani em Campinas, fiquei um pouco desesperançoso com relação ao desfecho deste Brasileirão. O 2 x 2 contra o Santos piorou esta sensação, mas a combinação de resultados favoráveis naquele final de semana acabou por nos manter fora da zona de rebaixamento e nos deu novas esperanças.

Ao contrário da maioria dos meus companheiros alvinegros, acho que a comissão técnica acertou ao privilegiar o campeonato brasileiro em detrimento da sulamericana. Dificilmente, teríamos capacidade técnica e física para jogarmos as duas competições e entre as duas não tenho dúvidas sobre qual é a minha escolhida. A derrota em São Paulo fazia parte do roteiro e espero, sinceramente, que sejamos capazes de retribuí-la aos reservas do porco neste domingo.

A partida contra o Flamengo foi cercada de expectativas, não apenas por causa da tradicional rivalidade entre as equipes, mas porque marcaria o retorno de Luxemburgo à Arena do Jacaré, palco de alguns de seus maiores vexames nesta temporada. Especialmente devido a este fato, esperava uma boa exibição do Atlético, que hoje conta com alguns renegados pelo profexô em seu time titular. Mas o que vimos, de fato, foi o Galo atropelando o Urubu com um 4 a 1 sem choro. Renan Oliveira duas vezes, Tardelli e Obina fizeram a alegria dos atleticanos. No meu caso, devo confessar que não sentia tamanha emoção desde o 4 x 0 contra o xará paranaense do Geninho no Brasileirão do ano passado. Acredito, inclusive, que esta emoção é a responsável pelo mega resfriado que se manifestou logo na manhã seguinte à partida e que ainda me perturba.

Bem, foi uma importante vitória, mas os resultados da rodada não foram os melhores e a briga contra o rebaixamento continua encarniçada. Não dá para se ter sorte sempre! De qualquer maneira, espero que a equipe repita a boa atuação em Araraquara neste domingo e consiga os 3 pontos que nos deixarão a um empate da garantia da permanência na séria A.

5 de nov. de 2010

Não é questão de sorte

Guarani 0 x 0 Atlético
Atlético 0 x 2 Botafogo

O fim das férias foi marcado pelo retorno imediato a São Roque do Paraguaçu. De certa maneira, isso acabou me parecendo uma boa ideia. A razão para isso é que o retrospecto positivo obtido pelo Galo durante a minha ausência combinado a uma derrota triste como aquelas que só o futebol proporciona contra o Botafogo no último sábado, me levaram a crer que as energias emanadas pela minha presença diante da televisão poderiam estar influenciando negativamente o desempenho do glorioso alvinegro das Gerais. Felizmente (ou infelizmente), o melancólico empate em Campinas antes de ontem me fizeram deixar o misticismo de lado e aceitar as limitações técnicas e emocionais que contaminam o nosso time.

A partida contra o Botafogo foi uma das melhores exibições que vi do Atlético nesta temporada. Criamos e não marcamos. E não marcamos também quando os comandados de Joel Santana conseguiram encaixar um contra-golpe mortal aos 35 minutos, liquidando a fatura. O fato é que não fosse o momento crítico que vivemos, a derrota seria encarada como "coisas do futebol" e o time seguiria o seu caminho, mas receber uma rasteira destas na reta final é sempre desanimador.

Talvez tenha sido este desânimo o maior culpado pela suposta apatia (suposta porque só ouvi trechos da partida pelo rádio) da equipe diante do Bugre. Uma vitória em Campinas teria, praticamente, nos garantido a primeira divisão. Como não conseguimos, o jogo de amanhã contra o Peixe se tornou uma verdadeira decisão. A boa notícia é que o Alvinegro Praiano estará desfalcado de cinco jogadores em Sete Lagoas e a má é que o Palmeiras vai de time misto contra o Guarani, o que pode complicar a nossa vida mesmo que sejamos capazes de bater o Santos.


29 de out. de 2010

Fim de férias

Inter 1 x 0 Atlético
Atlético 2 x 1 Santa Fé
Atlético 2 x 0 Avaí
Santa Fé 1 x 0 Atlético
Cruzeiro 3 x 4 Atlético
Atlético 1 x 1 Palmeiras

Em mais um destes fatos engraçados que acontece na vida de um sujeito, quis o destino que a CBF alterasse mais uma partida do Galo e que enfrentássemos o Inter em Porto Alegre, time da minha esposa, no dia 10/10, justamente a data do nosso casamento. Assim, no fim da tarde daquele dia, após assinarmos os papéis no cartório, éramos uma família de atleticanos e colorados assistindo aos derradeiros minutos da peleja dentro de uma pizzaria no Rio.

Embora acreditasse que Celso Roth nos devesse os três pontos no Beira Rio, não tinha muitas ilusões de que os conseguiríamos. Além de todos os desfalques, tínhamos Rafael Cruz e Eron nas laterais e eles tinham Kléber e Nei. No fim, ficou mantida a escrita de que nunca vi o Galo bater o Colorado desde que conheci a minha esposa. Duro, não? Sorte do meu sogro.

O meu consolo era que no dia seguinte partiríamos para os EUA e, assim, me manteria longe do Atlético por 15 dias. Chegamos lá na quarta-feira pouco antes do almoço. Fomos recebidos pela família da minha esposa e o tio dela, um gremista já devidamente informado acerca da minha condição de atleticano, me adianta:

- Hoje tem jogo do seu time pra gente ver!

Sim, amigos, ele tinha todos os canais brasileiros, incluindo o PFC! E, assim, terminei a noite de quarta acompanhando Obina e seus companheiros derrotar o Santa Fé da Colômbia. Começamos bem!

No domingo, o jogo do PFC foi o do Grêmio contra o nosso maior rival e, naturalmente, não houve espaço para o Atlético. Acompanhei os minutos finais da partida contra o Avaí pela internet e comemoramos juntos os bons resultados da rodada.

Na real, este acabou sendo o último jogo que acompanhei enquanto estivemos fora do Brasil. Do jogo contra os colombianos só soube o resultado. Já o clássico... Bem, dado todo o histórico recente envolvendo nossos embates contra o nosso maior rival, não dava para ficar alheio ao que estava acontecendo em Uberlândia, mesmo estando há milhares de quilômetros de distância. O celular é um bom amigo nestes momentos, mas traz um nervosismo danado o desgraçado. Estávamos na fila para o elevador do Empire State Building quando tentei um primeiro contato. Sem sinal. Subimos, descemos, saímos do edifício e seguimos caminhando para Times Square quando o celular recupera o sinal. Imediatamente, reconheço o sinal de nova mensagem recebida. Era a minha mãe:

- "4 x 1! Galo!"

Fui invadido por um grande entusiasmo mas, mineiramente, resolvi checar a hora da mensagem. Fiz as contas e percebi que a mesma fora enviada por volta dos 20 minutos do segundo tempo. Mandei uma outra perguntando qual o resultado final. Alguns minutos e obtenho a resposta:

- "4 x 3 Galo! Jogão!"

Alívio! Alívio pela vitória empolgante após uma infinidade de infortúnios diante do nosso maior rival e alívio por não ter conseguido o sinal para o telefone no octogésimo sexto andar. Houvesse recebido a primeira mensagem lá em cima, não sei quais seriam as consequências. No minímo, invadido pela angústia, não conseguiria apreciar a vista. E, bem, eram oitenta e seis andares... Foi melhor saber de tudo isso lá embaixo.

No dia seguinte, obviamente, optei por usar uma camisa do Atlético. Não a tradicional, de uniforme, mas sim uma dessas camisas de passeio com um pequeno escudo do clube. Era fim de tarde e estávamos caminhando tranquilamente nas redondezas da Grand Central em Manhattan quando um gringo dá um grito, com os punhos cerrados e com um sotaque muito forte:

- GUÉLÔ!

A mensagem demora uns poucos segundos para ser recebida, decodificada e interpretada pelo cérebro e assim que entendo o que está se passando, respondo repetindo o gesto:

- GALO!
- It was saturday, right!?, ele responde
- Yes, respondo de passagem para não render assunto.

Minha mulher fica de cara:

- Como é que ele viu esse escudo?
- Não sei. O casaco tava aberto.

Enfim, é a globalização.

A partida contra o Palmeiras foi no horário do vôo de volta e só soube o resultado. Sinceramente, no momento não me importo com a Copa Sulamericana. Seria bom se passássemos, mas a meta desse ano é ficarmos na primeira divisão. Acho que o time evoluiu muito, obteve vitórias convincentes e muito importantes.

Não vi as partidas pelo Brasileiro, mas acho que os resultados falam por si só. Sem dúvida, dadas todas as circunstâncias envolvidas no confronto, a vitória sobre o nosso maior rival pode receber o status de épica. Vamos ver se conseguimos repetir o desempenho amanhã contra o Botafogo. Nosso retrospecto recente contra o alvinegro carioca é vergonhoso. Se conseguirmos quebrar mais este tabu, a permanência na primeira divisão em 2011 estará muito próxima.

7 de out. de 2010

Na bola parada

Atlético 2 x 1 Corínthians

Após uma hora e quarenta minutos de futebol ininterrupto no Humaitá, cheguei correndo em casa a fim de acompanhar o restante do primeiro tempo da partida contra o timão. Ainda ofegante, cheguei à sala e percebi que o casal que estamos hospedando estava diante da telinha assistindo AMADEUS, clássico de Milos Forman. Fui saudado por ambos e, meio sem saber o que fazer, mandei uma pergunta à queima-roupa:

- E aí, tchê? Quanto ficou o jogo do tricolor?
- QUATRO a zero, acredita? E o galo?

Bingo!

- Tá jogando contra o Corínthians agora...
- Não brinca! Sério?
- Sim, começava às 22 horas.
- Poxa, então vamos desligar aqui para você ver!
- Que isso! Não precisa, escuto no rádio aqui... - E me dirigi para o computador.
- Não, não dá pra competir com o Atlético! Vê aqui!

E foi assim, graças à generosidade destes amigos, que pude assistir ao final do primeiro tempo da partida em Sete Lagoas. Quando conseguimos descobrir o canal que estava transmitindo a pendaia, vimos Ricardinho saindo para a entrada de Renan Oliveira. Fiz um pequeno briefing acerca do histórico do jovem meia alvinegro para os meus amigos e, logo depois, vimos o sistema defensivo do Atlético sofrer uma pane geral, a bola ser alçada na área, Renan Ribeiro sair em falso e Paulinho empurrar a pelota com o peito para o fundo das nossas redes. Desânimo na sala.

- Falha do goleiro. - Vaticinou o Eduardo.
- É difícil ter esperanças. - Foi tudo o que consegui responder.

O Atlético voltou para o segundo tempo com mais uma alteração: Obina no lugar de Diego Macedo. Em geral, não sou a favor de improvisos (Serginho como ala? Não parecia uma boa ideia), mas reconheço que o Diego Macedo é limitado e que naquela altura não tínhamos muitas alternativas nas mãos. De qualquer maneira, após um início instável, o time começou a crescer ao longo da segunda etapa e passou a dominar as ações.

Aos 15 minutos, Serginho cobrou um escanteio e Werley, à la Carlos Puyol contra a defesa alemã, subiu no meio da zaga paulista e cabeceou a pelota para o fundo das redes. Se não me falha a memória, foi o primeiro gol de cabeça de um zagueiro atleticano neste campeonato. Seria sorte ou treino? Após o empate, o Atlético cresceu ainda mais e passou a ameaçar a meta corintiana com uma certa frequência. Aos 33 minutos, Serginho novamente cobrou uma falta e Zé Luís, livre, anotou o segundo tento alvinegro para delírio da Arena do Jacaré. Mais uma virada neste campeonato!

Os minutos finais, embora dominados pelo Galo, foram muito nervosos. O Corínthians, surpeendentemente instável, não conseguia articular seus ataques, enquanto os mineiros perdiam inúmeras chances de contra-ataques, especialmente nos pés de Neto Berola, uma espécie de Forrest Gump do futebol (pega a bola e sai correndo para onde aponta nariz. Não dá pra esperar nada de produtivo).

No fim, conseguimos mais uma importante e suada vitória. A situação do Atlético no campeonato continua muitíssimo complicada, mas já é possível ter alguma esperança de que podemos nos safar desta. A vitória sobre o Corínthians foi a primeira sobre uma equipe de ponta neste campeonato e foi obtida com merecimento. O time teve posicionamento, conseguiu ser perigoso com bolas paradas e, acima de tudo, pareceu motivado e consciente de que poderia chegar e virar um jogo que parecia perdido. Parece que, finalmente, temos um líder fora das quatro linhas. Quem sabe não consegue mais um milagre no Beira Rio na próxima rodada? O Celso Roth nos deve essa!

3 de out. de 2010

Com a manteiga pra cima

Ceará 0 x 0 Atlético
Atlético-GO 2 x 3 Atlético

As idas e vindas desta semana me impossibilitaram de escrever sobre a rodada passada no momento apropriado. Com relação à partida contra o Ceará, a maior novidade foi o fato de não termos tomado gols, o que pode ser considerado um grande progresso da nossa defesa, a mais vazada do campeonato. O problema é que o ataque não correspondeu e ficamos neste 0 x 0 que, na verdade, acabou fazendo jus àquele que deve ter sido um dos cinco piores jogos do campeonato.

A peleja contra o xará de goiânia teve uma história bem diferente. De início, a impressão que o time deu à torcida foi a de que o calvário seguiria sem novidades: 10 minutos, rebatida errada da defesa, falta cometida e Róbston manda uma bomba no canto direito de Renan Ribeiro.

Mesmo atuando de maneira desorganizada, o Galo conseguiu articular um contra-ataque aos 20 minutos: Ricardinho lançou Serginho em profundidade, o volante cruzou e Diego Souza, de peixinho, mandou para o fundo das redes. 1 x 1. Quando parecia que iríamos para o vestiário com um empate, o mesmo Diego Souza acabou furando uma bola de maneira espetacular na meia lua adversária possibilitando um contra-ataque fulminante dos goianos que resultou no gol de desempate do dragão.

Para o segundo tempo, Dorival Júnior fez duas modificações: sacou Fillipe Soutto, muito mal na lateral esquerda, e Obina, mais uma vez apagado, e entrou com Fernandinho e Ricardo Bueno. O time melhorou, mas o jantar foi posto na mesa, e passei a acompanhar o jogo entre uma garfada e outra. Papo vai, papo vem, dou uma olhada para a televisão e vejo uma bola rebatida subindo na área adversária. Ainda sem entender direito o que está acontecendo, vejo o Réver se atirar ao ar e emendar de esquerda no ângulo Márcio.

- "Gol de bicicleta do Galo! Gol de bicicleta do Galo!", começo a gritar para os comensais enquanto aponto para a telinha e sou devidamente congratulado por todos. Foi, realmente, um golaço!

Apesar do golaço alvinegro, o jogo segue em banho maria e me atiro ao sofá para acompanhar os momentos finais sem muitas esperanças. Já passava dos 46 minutos quando Renan Oliveira recebe uma bola na grande área e avança livre em direção ao gol: "faz, porra!", é a única coisa que consigo dizer. O meia passa pelo goleiro, cruza e Ricardo Bueno arremata errado: "não, caralho"! De maneira incrível, a bola bate no zagueiro adversário que estava em cima da linha, volta, toca no goleiro e entra! É o gol da vitória! O pão caiu com a manteiga pra cima! Depois de toda a comemoração, não havia tempo para mais nada e saímos de Goiânia com os 3 pontos.

A rigor, a equipe não praticou um grande futebol mas, pela primeira vez neste campeonato, a sorte esteve do nosso lado e conseguimos virar um jogo que parecia perdido mesmo com a falta de organização e articulação. Vamos ver como será a postura do time na quarta-feira diante do Corínthians em Sete Lagoas, quando será preciso muito mais do que sorte para se obter um placar positivo.

28 de set. de 2010

Trabalho hercúleo

Atlético 1 x 2 Grêmio

Este campeonato tem sido um suplício tão grande que já me encontro anestesiado, tendendo a observar a situação esdrúxula na qual o time se encontra com um certo humor. Acredito que boa parte da torcida também já passou do estágio do sofrimento imensurável e acompanha o desenrolar dos fatos com relativa resignação.

Acabou que o desatino do Kalil ao manter o Luxemburgo até o limite do tolerável, permitiu a contratação do Dorival Júnior para comandar a equipe durante o resto deste campeonato e onde quer que estejamos na temporada 2011. Demonstrando personalidade, o novo treinador assinou contrato na sexta e no domingo já estava na beira do gramado da Arena do Jacaré. O time, talvez impressionado com a disposição do novo técnico, não deixou barato e em quinze minutos já havia demonstrado todas as variações possíveis de erros que uma equipe profissional pode cometer. Este esplendorosa exibição permitiu que o tricolor gaúcho anotasse dois tentos e perdesse outros tantos neste pequeno intervalo de tempo. Belo cartão de visitas!

Daniel Carvalho, mais uma vez, e Renan Ribeiro (finalmente) tiveram um desempenho decente. O camisa 10 continua um pouco redondo, mas corre, luta e tem habilidade suficiente para desequilibrar. Pena que seja o único consciente no meio deste balaio de gatos. O restante do time, infelizmente, demonstrou a completa falta de coordenação, organização e qualidade que tomou conta do alvinegro mineiro neste Brasileirão. Como já havíamos detectado e relatado neste espaço há várias rodadas atrás, o Galo é (era) absurdamente mal treinado. Nunca vi nada parecido.

Faltando 13 rodadas, o Atlético precisa vencer "apenas" 8 partidas para se livrar do rebaixamento. Independente disso, acredito que as duas próximas partidas selarão, definitivamente, nosso destino nesta temporada: quaisquer outros resultados que não sejam vitórias contra o Ceará e o Atlético-GO confirmarão a nossa presença na série B pela segunda vez em 5 anos.

26 de set. de 2010

c.q.d.

Fluminense 5 x 1 Atlético

Como já disse anteriormente, se a boa campanha do ano passado teve que ser acompanhada pelo radinho em São Roque, este ano tenho sido presenteado com sucessivos jogos na tv quando estou por lá. É a globalização do sadismo!

Fluminense e Atlético na noite da quinta-feira foi apenas mais um capítulo desta saga. Diante da vergonhosa campanha atleticana nesta temporada, não tinha muitas ilusões acerca das nossas possibilidades nesta partida. Não bastasse o adversário claramente superior, o jogo ainda seria disputado no Engenhão, estádio de péssimas recordações. Acho que nem empate conseguimos por lá.

Bola rolando e o Atlético, como sempre, deu a impressão de que conseguiria fazer um jogo equilibrado contra o vice-líder do campeonato. A falsa impressão foi desfeita quando levamos um gol de cabeça numa falha da zaga e embora tenhamos conseguimos um empate numa boa cobrança de falta do Daniel Carvalho, terminamos o primeiro tempo atrás após mais um frango do Fábio Costa. Os dois gols de sempre.

No segundo tempo, Luxemburgo começou a fazer das suas: sacou Obina e entrou com Diego Souza. Difícil de entender, especialmente depois de ver o físico do ex-camisa 1 do Galo que, seguramente, começa a rivalizar com o fenômeno como atleta de maior peso deste Brasileirão. Em seguida, substituiu Serginho, que estava amarelado, por Neto Berola. Ato contínuo, tivemos o Alê expulso após interromper um contra-ataque tricolor no meio do campo. Poucos minutos depois, os cariocas marcaram o terceiro e liquidaram a partida. Não há muito o que comentar sobre os minutos finais, exceto a expulsão do Diego Souza após uma tesoura insana num jogador adversário.

5 x 1 foi o placar final de uma partida que pode ser considerada um pequeno resumo da era Luxemburgo no comando do alvinegro mineiro: um início, de certa forma, promissor mas que começou a ser minado com falhas sucessivas da defesa. As mudanças bancadas pelo treinador apenas acentuaram este quadro e resultaram na impotência e na falta de postura do time em campo. Qualquer torcedor com uma certa vivência em "galismo" já sabia, depois de algum tempo, que este quadro combinado com a apatia e impotência do treinador, cujas câmeras teimavam em mostrá-lo atônito à beira do gramado, terminaria em um desastre completo.

Acho que, neste ponto, cabe um agradecimento aos jogadores do tricolor que não tiraram o pé e aplicaram uma goleada implacável. Houvéssemos perdido o jogo por 2 x 1 e, muito provavelmente, teríamos que aguentar o profexô e seu terno bem cortado no fim da tarde deste domingo. No fim, com a realidade esfregada na sua cara da pior maneira possível, nosso presidente demitiu o idealizador do projeto 2011 por telefone. Não o fez pessoalmente porque não viajou ao Rio por se considerar "pé frio". Este é o Atlético!

Pois bem, graças a Neymar e suas estripulias, hoje estrearemos Dorival Júnior no comando do alvinegro. O ex-comandante santista sempre foi o meu favorito para assumir o Galo desde a sua saída do nosso maior rival há alguns anos. Infelizmente, a situação não é das melhores e não sei se ele será capaz de nos livrar do rebaixamento. O estrago luxemburguês foi muito grande e a complacência da nossa gestão nos deixou à beira do precipício. O projeto 2011 é não cair.

19 de set. de 2010

Esperar o que?

Atlético 2 x 3 Vitória

Hoje, durante o café da manhã, descobri que a TV Bahia transmitiria a partida desta tarde em Sete Lagoas. Instintivamente, ainda um pouco entorpecido pelo sono, fui invadido por um certo entusiasmo, mas os primeiros goles de café me trouxeram de volta a realidade de São Roque, onde passaria o dia trabalhando no escritório. E verdade seja dita, que nada melhor do que uma campanha pífia no Brasileirão para motivar o indivíduo a pegar no batente num domingo ensolarado.

No fim das contas, acabei acompanhando o jogo por intermédio das "bolinhas" da globo e de um colega botafoguense que fazia questão de me trazer as boas novas durante os 90 minutos. Sobre a partida, não tenho muito o que comentar, acabou sendo uma repetição do que temos visto desde o início do torneio: uma sucessão de falhas da zaga e do goleiro nos levaram a derrota, desta vez para um adversário direto na luta contra o rebaixamento e que atuou com um jogador a menos desde meados do primeiro tempo. Pois é, foi com requintes de crueldade.

O que eu não consigo entender é o que falta para a diretoria atleticana tomar alguma decisão. Ou, sendo mais preciso, o que falta para a mudança de treinador? A porra do Luxemburgo admitir que é um agente linguiceiro infiltrado? Faltando 15 rodadas para o fim do campeonato, as esperanças de um milagre são pequenas e os prognósticos os piores possíveis.

17 de set. de 2010

O velho roteiro

Atlético/PR 2 x 1 Atlético

A noite de quarta-feira no Rio de Janeiro é reservada para a pelada semanal no Humaitá. Há pouco mais de um ano tem sido assim, quando o calendário permite que eu esteja na Cidade Maravilhosa. Infelizmente, compromissos do trabalho impediram-me de comparecer a tão ilustre celebração desportiva aos pés do Cristo Redentor e, como compensação, pude assistir à partida contra o nosso xará paranaense em mais uma rodada do brasileirão.

A princípio, pode não parecer um mau negócio: “ficar em casa e ver a partida do seu time do coração? Hum, nada mal!”, alguém pode pensar. Mas a verdade é que meia hora antes do apito inicial começo a ser invadido pela angústia e pelos maus pressentimentos, uma sensação horrível de que a sessão de tortura é inevitável. Curiosamente, eu tentava afastar estes pensamentos carregados da minha cabeça quando o Bruno Mineiro subiu livre na pequena área do Atlético e marcou de cabeça aos 2 minutos de jogo. O Galo é, realmente, implacável. Contra fatos, não há argumentos.

Durante o resto do primeiro tempo o time não esteve mal, conseguiu tocar a bola e criar algumas oportunidades. No fim, Daniel Carvalho, que esteve bem durante a primeira metade, conseguiu achar o Obina livre dentro da área e o nosso centroavante só teve o trabalho de cabecear a pelota para o fundo das redes do arqueiro rubro negro. Estávamos no jogo novamente.

A segunda etapa foi marcada por outra componente tradicional da campanha alvinegra sob a batuta de Luxemburgo: a contusão. Méndez, Obina e Neto Berola saíram da equipe (este último por causa da sua tradicional inviabilidade de prosseguir na partida após os 25 minutos do segundo tempo). Como metade do elenco não tinha condições de jogo, nosso treinador botou em campo algumas almas que estavam ali no banco – uma das quais eu nunca tinha ouvido falar - e só nos restou segurar este magro empate.

Faltando poucos minutos para o fim, o jogo parou e cometi a imprudência de verificar o andamento das outras partidas através do canal múltiplo do PFC. E foi lá no canto inferior direito que vi a bola ser alçada na nossa área, o Fábio Costa subir com um jogador adversário e a bola ser espirrada para o meio, uma cabeçada, uma defesa do nosso arqueiro e um paraguaio botou a pelota pra dentro. Faltava a falha do Fábio Costa e ele não quis ficar de fora da festa. E ficou por isso mesmo, 2 x 1 para o xará. O golzinho nos custou, pelo menos, mais duas rodadas na zona do rebaixamento (isso considerando que vamos vencer o Vitória e o Fluminense, nossos dois próximos adversários).

Para o atleticano, não resta alternativa. É esperar e ver. Entender já é pedir demais.

15 de set. de 2010

Esquentando o pé

Atlético 1 x 0 Prudente

Depois de muitas idas e vindas ao longo da semana, acabou que voltei ao Rio de Janeiro no domingo e pude acompanhar a partida que marcava o retorno do Atlético a Sete Lagoas pelo pay per view. A formação, para variar, continha alguma novidades: voltamos ao 4-4-2 e Serginho foi para o banco. Fabiano continuou com a sua vaga cativa. O primeiro tempo foi de domínio absoluto do Galo, que perdeu diversas oportunidades de gol diante de um adversário que se limitava a defender.

A história no segundo tempo foi um pouco diferente. Com o Prudente ainda mais fechado, o desespero começou a tomar conta do jogadores alvinegros já que o gol não saía. Os erros começaram a se repetir e, quando tudo indicava que a peleja terminaria em um melancólico empate, a torcida explodiu em gritos de "adeus, Luxa". O clima ainda estava pesado quando, aos 42 minutos, o ataque atleticano conseguiu articular uma jogada na entrada da área dos paulistas: Ricardinho lançou, Obina matou no peito, girou e bateu de primeira guardando a pelota no canto direito do arqueiro gremista. Alívio em Sete Lagoas e sobrevida para o nosso treinador!

Hoje, enquanto caminhava no centro do Rio, encontrei uma dupla de flamenguistas que me cobrou um post me rendendo ao talento de Obina, o "salvador do galo". 5 gols em 3 partidas, realmente não temos do que reclamar do baiano. Eu diria que o destaque do fim de semana foi o Marcos, um amigo gremista, cuja companhia diante da telinha sempre foi sinônimo de derrota alvinegra, especialmente em clássicos, mas que conseguiu quebrar este doloroso tabu neste domingo. Depois me lembrei que, mais do que qualquer outro, Obina foi o responsável por este feito extraordinário e portanto, nada mais justo do que atendermos ao pleito dos meus diletos amigos rubro-negros e homenagearmos o nosso artilheiro neste post.

Amanhã o adversário será o xará paranaense. Se no ano passado, no dia do meu aniversário, aplicamos um tremendo chocolate nos paranaenses que acabou resultando na queda do Geninho, este ano nos apresentaremos na Arena da Baixada em uma situação muito diferente. Com as contusões de Réver, Fabiano e Jataí e a suspensão de Serginho, Luxemburgo poderá fazer o que mais gosta: mexer na escalação do time. Como o projeto 2010 dispensou todos os nossos volantes e vendeu o famigerado João Pedro há algumas semanas, não temos nenhum jogador da posição disponível para a partida desta quarta-feira. Aparentemente, teremos caras novas na equipe: Alê, recém contratado junto ao Santo André, e Joedson, cuja procedência desconheço, ocuparão as posições vagas com todas essas baixas. É isso. Que Obina nos proteja!

11 de set. de 2010

O ronco da cuíca

Vasco 1 x 1 Atlético

Depois de iniciar a semana treinando o time com cinco caras novas entre os titulares, eis que Luxemburgo entra em campo em São Januário com uma formação completamente diferente daquela testada na Cidade do Galo: um 3-5-2 com o ataque formado por Diego Souza e Daniel Carvalho. O resultado foi um primeiro tempo de dar calos nas vistas: um amontoado de jogadores atleticanos em campo contra um Vasco desfalcado de suas principais estrelas e sem nenhuma criatividade. O time carioca, na verdade, teve uma única oportunidade que acabou resultando em seu gol: Éder Luís se livrou de dois marcadores e mandou no ângulo de Fábio Costa.

O segundo tempo foi diferente, com nosso treinador voltando ao esquema 4-4-2 e entrando com Ricardinho e Neto Berola, o que levou o Atlético a dominar a partida e, no fim, a chegar ao empate através de um pênalti convertido por Ricardinho. No fim, o 1 x 1 foi um resultado muito ruim para ambas as equipes. Com relação ao time, gostei da partida do Daniel Carvalho, um bom passe para Fabiano no primeiro tempo e uma bola na trave no segundo. Nossas laterais continuam deficientes: Diego Macedo não consegue se firmar e Eron é limitado. Diego Souza como centroavante me faz ter saudades do Marinho. Por fim, aquela observação de sempre: o que almeja uma equipe que tem Fabiano como titular em seu meio de campo?

É muito difícil entender o que se passa na cabeça do Vanderlei Luxemburgo e toda a sua comissão. Estaria o profexô caducando ou seria pura sacanagem? Qual a explicação para esse negócio de experimentar uma nova formação a cada partida? E a mania de improvisar jogadores? Em qualquer emprego normal o período de experiências é de 90 dias. Já passamos da metade do campeonato e o Atlético não tem um time! E o pior é perceber que não há nenhuma perspectiva de melhora. Se o Galo estivesse perdendo os jogos mas conseguíssemos ver alguma evolução no futebol praticado pela equipe, poderíamos dizer que as vitórias viriam com o tempo. Mas, hoje, diante do que temos visto dentro de campo, é impossível não admitir que a posição ocupada pela equipe na tabela é mais do que justa.

O que mais me preocupa neste momento é que os nossos maiores adversários na luta contra o rebaixamento começaram a vencer partidas e está cada vez mais difícil sair da zona da degola. No momento, 5 pontos nos separam do décimo sexto colocado. Grêmio e o xará de Goiânia derrotaram o vice-líder e o líder na noite deste sábado. A verdade é que qualquer outro resultado amanhã que não seja uma vitória contra o Prudente será desastroso. A cuíca vai roncar.


5 de set. de 2010

No CTI

Atlético 2 x 3 São Paulo

Que coisa horrível são esses jogos às 18:30h do domingo, especialmente quando o seu time é derrotado. Pior do que isso só assistir in loco a derrota do seu time quando a partida começa às 22 horas.

Mas, vamos aos pitacos: primeiro tempo razoável do Atlético, conseguiu a virada em dois penais, mas os lances de perigo foram mais evidentes do lado tricolor. De qualquer maneira, foi um jogo equilibrado. No segundo tempo o treinador do São Paulo mexeu e mudou o jogo. O Luxemburgo, medíocre como tem sido ao longo de toda a temporada, só percebeu que tinha se lascado quando já estava 3 x 2. 2 gols em 15 minutos! Não fomos goleados porque o treinador do adversário optou por se defender covardemente, ao invés de liquidar a partida com Marcelinho e Dagoberto, que infernizavam a nossa defesa. As mexidas do Luxemburgo foram inócuas e, a rigor, não demos nenhum chute a gol no segundo tempo.

Meu diagnóstico: possibilidade altíssima de derrota em São Januário na quinta feira. Assim, a fim de dar alguma chance ao Atlético, estarei longe lá, vendo a partida no conforto do meu lar.

No mais, algumas pequenas observações:

1) Serginho é o nosso perdedor oficial de gols. Gosto dele, mas de que adianta o cara conduzir a bola, sair na cara do gol e chutar em cima do goleiro? Foi assim contra o Flamengo, o Palmeiras e o São Paulo. 3 gols que fizeram muita falta.
2) Um time que tem Fabiano como titular, não almeja nada.
3) Não temos goleiro. Todo jogo a gente já sai com um gol de desvantagem.
4) Empatamos com o Flamengo, perdemos para o Palmeiras e para o São Paulo. Três times que também vivem um momento delicado e não tem jogado um bom futebol. Onde queremos chegar?
5) Nossa campanha no primeiro turno: 5 vitórias, 2 empates e 12 derrotas. 23 gols marcados e 34 gols tomados. Aproveitamento de 29,8%. A situação está complicadíssima. O Galo está no CTI.

2 de set. de 2010

Opção errada

Goiás 1 x 3 Atlético

A minha opção por participar da pelada semanal na noite de ontem ao invés de acompanhar o jogo do Galo na TV não foi das melhores. Primeiro porque a peleja foi marcada para uma quadra na rua São João Batista, uma vez que o Humaitazão estava reservado para algum envento e não poderia nos receber. Com tantos remendos no tapete daquela quadra, não foi possível para a nossa equipe desenvolver o futebol envolvente, ofensivo e de toques rápidos que nos caracteriza e, com a exceção de um empate em 0 x 0, fomos facilmente batidos por todos os adversários. Deu para entender a falta que o Mineirão faz!

Depois, porque a quadra possuia um buteco e o mesmo disponibilizava uma tv sintonizada no pay-per-view. Nem bem havíamos começado a jogar e um atleta do time adversário já grita:

- "Essa é pro LF: gol do GOIAS!! HA! HA! HA!"

Bem, não preciso dizer que, a partir dali, não consegui mais me concentrar no jogo e o que era ruim, ficou pior. Pra completar, levei duas boladas na cara que me fizeram agradecer ao bom deus por não usar mais um aparelho ortodôntico. Desastre total.

Cheguei em casa e a partida já estava no segundo tempo. 1 x 1 era o placar. O que vi a partir daquele momento foi um Atlético, relativamente, tranquilo em campo e mantendo a posse de bola. Diferentemente do que vimos no último domingo, dessa vez a equipe optou por tocar a bola pra frente e acabou chegando aos dois gols naturalmente: Diego Souza, em belo lançamento de Ricardinho e Obina, de pênalti, depois de perder bisonhamente um gol feito. Ficou de bom tamanho.

Acho que a entrada de Obina traz um espírito diferente para a equipe. Não é dos meus centroavantes favoritos, mas o sujeito é um daqueles tipos que não se deixa abater pelo ambiente pesado no alvinegro. Perdeu seus gols tradicionais, mas anotou dois tentos de pênalti e comemorou bastante. Importante também o gol do Diego mas, logo em seguida, o camisa 1 acabou tomando o seu terceiro amarelo numa falta, no mínimo, amadora. O craque ainda não está nos seus melhores dias.

Enfim, valeu pelos 3 pontos, estávamos precisando. Domingo, contra o São Paulo, a parada será muitíssimo mais dura. Sem Diego Souza e, possivelmente, sem Tardelli, a tarefa ficará mais difícil.

29 de ago. de 2010

Sem princípio ativo

Atlético 1 x 2 Palmeiras

Atualmente, assistir a uma partida do Atlético é uma agonia. Meia hora antes e o sujeito já se sente mal, sabendo que em pouco tempo será submetido a mais uma sessão de 90 minutos de tortura. A tarde deste domingo, é claro, não foi diferente. Embora nesta empreitada a escalação tenha me parecido um pouco melhor (4-4-2, Diego Souza voltando para o meio e Berola e Tardelli no ataque), a equipe não conseguiu produzir. Não consegue produzir porque apesar de contar com bons jogadores no elenco, o Atlético ainda não é um time de futebol. Em alguns momentos consegue ter alguns lampejos, como naquele em que saiu o nosso único tento na peleja mas, de maneira geral, é lento, sem criatividade, sem movimentação e sem espírito coletivo. A culpa dessa bagunça? Podem botar na conta do Luxemburgo, o gerente da parada.

O Galo do Luxemburgo é como um remédio falsificado: tá tudo ali, a embalagem, os comprimidos, tudo igualzinho ao original, só falta o princípio ativo. O resultado é que não liquida os agentes patogênicos e não resolve o problema de ninguém. É isso, temos um time que não é um time, é um amontoado de bons jogadores sem foco ou objetivo em comum. Não faz mal a nenhum adversário.

Neste momento, não consigo achar solução para o nosso problema que não passe pela troca da comissão técnica. Mas a teimosia da nossa gestão (ou uma multa rescisória milionária) nos obrigará a padecer deste mal até que a situação seja insustentável. O Atlético está jogando contra a banca, não tem jeito. Ou tudo ou nada (e, nessa altura do campeonato, o tudo se resume a não cair).

27 de ago. de 2010

Presos à mediocridade

Atlético 1 x 0 Grêmio Prudente
Atlético 3 x 1 Guarani
Santos 2 x 0 Atlético
Flamengo 0 x 0 Atlético

A cada dia que passa fico mais convencido que esta rotina em 2010 que me impede de saber a minha agenda com a mínima antecedência tem sido uma benção quando tratamos de futebol. Na verdade, de todas as partidas listadas acima, consegui ver o gol no último minuto do Ricardinho, o segundo tempo do jogo contra o Guarani e só soube do placar contra o Santos.

Pois bem, após dez dias longe do Brasil, 10 horas de vôo e algumas horas de trabalho, ainda arrumei fôlego para ir ao Maracanã na noite desta quinta-feira. O fiz mais por resignação do que por convicção de que poderíamos, finalmente, iniciarmos a nossa prometida arrancada neste Brasileirão 2010.

Se no ano passado chegamos ao Rio de Janeiro para jogarmos contra o Flamengo como uma das equipes que disputava a ponta do campeonato e que possuía uma boa campanha jogando fora de casa, nesta temporada entramos em campo como o pior visitante, ostentando ainda a pior defesa e o terceiro pior ataque. Bem, pelo menos não estava chovendo.

Céu limpo para Flamengo x Atlético


Com o Flamengo também vivendo uma fase ruim, poucos torcedores se aventuraram a perder a sua noite de quinta no maior do mundo. Sobre a partida, não tenho muito o que comentar. O zero a zero retratou bem o que vimos no gramado: dois times desorganizados, incompetentes ofensivamente e, aparentemente, desmotivados. Destaque apenas para a partidaça do Réver, provando que é um excelente zagueiro.

O que mais me impressiona nesta fase Luxemburgo do Atlético é que chegamos praticamente à metade do campeonato e o time não tem nenhum padrão de jogo. Nosso treinador ainda não conseguiu decidir qual o esquema de jogo que vai adotar, qual o posicionamento de cada jogador e qual a sua escalação ideal. O Atlético hoje não tem saída de bola, perde inúmeros contra-ataques em erros bisonhos de passe e de posicionamento e, com a pelota nos pés, não consegue articular um ataque. Desta maneira, ficamos à mercê do talento individual dos jogadores e este tem sido sacrificado devido aos improvisos do nosso comandante. Diego Souza, por exemplo, melhor meia do campeonato passado, tem jogado de atacante. Ricardinho já chegou a jogar de lateral esquerdo. Enfim, em termos de organização, estamos perdidos.

Mais um contra-ataque desperdiçado

Não sei, realmente, o que falta acontecer para que tenhamos alguma mudança. Até agora não deu pra notar nenhuma melhora no time, nenhum indício de que a má fase pode ir embora.

11 de ago. de 2010

Ironias do destino

Esta vida é engraçada: no ano passado, enquanto brigávamos pelas primeiras posições do Brasileirão, eu tinha que me contentar com a bolinha da Globo, com a internet e, com muita sorte, com o rádio para acompanhar a saga alvinegra. Neste segundo semestre, onde nos especializamos em colecionar derrotas e atuações ridículas, sou presenteado pela tv com terceiro jogo ao vivo em uma semana e meia aqui em São Roque (ida e volta contra o Barueri na sul-americana e Botafogo pelo brasileiro). Não bastasse o jogo ao vivo do Atlético, acabo de descobrir que o ar condicionado aqui do quarto estragou. A possibilidade de uma noite mal dormida é elevada.

7 de ago. de 2010

Sem surpresas

Botafogo 3 x 0 Atlético

Mais uma rodada do Campeonato Brasileiro, mais uma apresentação pavorosa do Atlético e, conforme alertamos no post anterior, o resultado não poderia ser diferente: fomos atropelados pelo Botafogo no Engenhão. O jogo não trouxe nada de diferente em relação às poucas apresentações que vi do clube nos últimos meses: futebol lento, previsível, sem poderio ofensivo e com uma defesa facilmente envolvida.

Como sempre, no início o Galo chegou a dar pinta de que a história seria diferente, detendo a posse de bola e tentando envolver o adversário, mas logo a equipe voltou à normalidade - um amontoado de 11 jogadores - e sofreu os seus habituais gols. A criação alvinegra era tão inócua que, no fim, Joel Santana se deu ao luxo de jogar com 4 jogadores ofensivos e, nem assim, conseguimos incomodar a meta botafoguense. Os 3 x 0 retrataram muito bem a partida.

A verdade é que todo o vigor, todo o entusiasmo, todo espírito coletivo que a gente viu no time do Botafogo, sempre beliscando os jogadores do Atlético, correndo e buscando o ataque, não vimos no Galo. Pode ser o aspecto psicológico, pode ser a física do pão com manteiga (tese favorita do Luxemburgo) como pode até ser uma questão espiritual, mas para mim, hoje, só há uma razão para este desempenho pífio no Brasileirão: o time está mal treinado. Era uma desconfiança, hoje é uma certeza.

Acho que o sofrimento desta temporada está no nível 2008 (em 2005, envolvido com o curso de formação do meu emprego, não acompanhei o campeonato seriamente), o famigerado ano do centenário. A diferença é que naquele ano a gente gastava 1/5 do que gasta nesta temporada. Sinceramente, a continuar nesta toada até a classificação na Sulamericana está ameaçada.

Por fim, deixo alguns dados para os adeptos da tese do azar alvinegro: 13 jogos, 9 derrotas, 25 gols tomados (pior defesa do campeonato). O penúltimo lugar (até amanhã, pelo menos) é merecido.

6 de ago. de 2010

Rotina

Grêmio Prudente 0 x 0 Atlético

Por incrível que pareça, a estreia do Atlético na Copa Sulamericana foi o jogo da rede para o Sportv e pude acompanhá-lo ao vivo aqui de São Roque. Quer dizer, quando cheguei ao alojamento já tínhamos cerca de 25 minutos do primeiro tempo, mas creio não ter perdido nada. O que vi a partir de então foi mais uma partida burocrática da equipe atleticana. É verdade que jogou melhor do que o Prudente mas, convenhamos, isso era o mínimo que o Galo poderia oferecer ao seu torcedor.

A impressão que me ficou depois de ver mais uma apresentação mediana foi a de que o time está mal treinado: não há jogadas ensaiadas, o toque de bola é arrastado e os contra-ataques lentos. A justificativa de que o time está buscando o entrosamento é aceitável até um determinado ponto e nessa altura do campeonato acho que já estamos passando dele. Como já disse anteriormente, as contratações, de uma maneira geral, foram boas: jogadores que sabem jogar bola. Então, qual o problema? Há times mais modestos por aí conseguindo praticar um futebol com objetividade.

Mais do que a questão da falta de entrosamento, a sensação que eu tive foi a de que boa parte do time está desmotivada, sem agressividade e poder de decisão dentro do campo. Talvez seja uma oportunidade para a psicóloga amiga do Luxemburgo entrar em ação, já que a troca de comando parece fora de cogitação para a nossa direção.

Amanhã enfrentaremos o Botafogo no Rio de Janeiro. Se entrarmos com o espírito das últimas partidas as chances de quebrar o tabu de 10 anos sem vitórias na casa do adversário serão reduzidíssimas. Por coincidência, este será o jogo da tv no início da noite de sábado. Só não sei se considero isto sorte ou azar.


3 de ago. de 2010

Devagar e sempre

Atlético 0 x 1 Cruzeiro

O clássico deste domingo foi uma das poucas partidas do Atlético que consegui assistir do início ao fim nesta temporada. E o que pude constatar é que a evolução, se é que houve alguma, está acontecendo em doses homeopáticas. O que vi dentro das quatro linhas da Arena do Jacaré foi uma pequena variação do futebol apresentado pelo Galo nas últimas rodadas do Brasileiro do ano passado: muita posse de bola, muitas viradas e pouca objetividade.

Nosso adversário, que esteve longe de lembrar o bom time comandado por Adílson Batista, conseguiu abrir o placar com um chute do meio da rua do Wellington Paulista e, a partir daí, limitou-se a ficar na defesa durante o restante da partida, conseguindo mais uma ou duas oportunidades no segundo tempo em contra-ataques.

O Atlético manteve a posse de bola e conseguia trocar passes até a entrada da área adversária, mas poucas vezes conseguiu envolver a defesa azul e ter oportunidades claras de chegar ao empate. Péssima tarde de Diego Tardelli, que pouco acertou. Diego Souza, fora de posição e sem ritmo, não viu a cor da bola. Obina, voltando ao time depois de um longo tempo no estaleiro, se limitou a cometer faltas de ataque.

Luxemburgo tem uma certa razão quando afirma que a perda de Daniel Carvalho e Ricardo Bueno prejudicaram a equipe. Acredito que com os dois em campo talvez ganhássemos em mobilidade e, quem sabe, em produtividade no ataque. Por outro lado, foi mais uma má apresentação para a coleção alvinegra sob o comando do professor: oitava derrota em doze partidas. Não seria esta uma estatística preocupante? Não para o comando alvinegro, para quem "O time ainda vai engrenar. As coisas ainda vão acontecer.". Cada vez que ouço uma destas frases, me volta à boca o gosto amargo de 2005, da era Tite e Rodrigo Fabri.

Não há dúvidas de que o Galo contratou muito melhor do que naquela oportunidade e, no papel, o time nem se compara com o de 5 temporadas atrás: Diego Souza e Réver são reforços expressivos e o time ainda conta com três ou quatro jogadores de alto nível técnico. O que está acontecendo então? Parte da torcida credita ao azar a falta de bons resultados. Para mim, depois deste sofrível início de campeonato e, especialmente, após a décima terceira derrota em 16 clássicos, só seria possível dar crédito à falta de sorte se o Atlético fosse uma espécie de Jó do futebol. É muito sofrimento!

A verdade é que o time parece mal treinado. Não posso deixar de reconhecer que a falta de ritmo de boa parte do elenco prejudica o time que, realmente, ainda está em formação. Mas, por outro lado, tenho visto elencos bem mais limitados e com tantas variações e adaptações quanto o nosso conseguindo jogar bola por aí (ou será que o Avaí manteve a base do ano passado, só para ficarmos em um exemplo).

Enfim, amanhã estrearemos na copa Sulamericana, última chance para Luxemburgo mostrar serviço, já que o foco, segundo nosso treinador, não é mesmo o Brasileiro. Da minha parte, se conseguir ver alguma evolução no futebol praticado em campo já ficarei um pouco mais satisfeito.



1 de ago. de 2010

39 anos

Este tem sido um fim de semana de gratas surpresas. Primeiro, meu irmão, que estava de passagem pela cidade na sexta-feira, me presenteou com mais uma camisa do glorioso. Depois, na tarde de ontem, um amigo passou aqui em casa e me deu um exemplar da Placar comemorativa do título brasileiro do Atlético em 71, encontrado em perfeitas condições e adquirido por ele em um sebo da Praça XV, no centro do Rio. Grande presente! Aproveito, assim, este post, para agradecê-los por tão singelas lembranças.


Em um fim de semana de clássico, um presente desses é um bom presságio!

Quanto ao clássico, bem, o Luxemburgo continua escondendo o jogo. A nossa torcida é para que ele, realmente, esteja fingindo que não sabe o que vai aprontar para cima do nosso maior rival e que tenha comunicado ao elenco o que ele espera de cada um, porque a parada vai ser dura. Um resultado negativo no fim da tarde deste domingo deixará o clube e todo o trabalho numa situação muito difícil. Agora só nos resta torcer.