6 de jun. de 2010

De mudança

Grêmio 2 x 1 Atlético

Estou de mudança, então vai um post rápido:

Conforme prevíamos, o Atlético não conseguiu superar o mistão do Grêmio na última quinta-feira e sofreu sua quarta derrota em seis partidas pelo Brasileirão 2010. Não dá para dizer que a equipe fez uma má partida, me pareceu que dentro das suas limitações ela chegou onde dava para chegar. O ruim mesmo é ver que continuamos sem goleiro e que, aparentemente, o nosso artilheiro e capitão está desmotivado, correndo de um lado para o outro da intermediária e do ataque adversários em busca de um pouco de inteligência no restante do nosso ataque para conseguir uma boa jogada. Quanto ao Grêmio, podemos dizer que o tricolor gaúcho, desfalcado das suas duplas de ataque e de armação, não levou muito perigo à meta alvinegra, conseguindo seus gols através de bolas cruzadas na área por Rochemback finalizadas por Hugo.

Hoje enfrentamos o Ceará no Mineirão. Com apenas um volante disponível para o jogo (não vou mais tocar no assunto "dispensas"), o meio deverá ser formado por Diego Macedo, Jataí, Júnior, Ricardinho e Leandro. A defesa é a mesma do jogo de quinta-feira em Porto Alegre. Vamos torcer para que o Vozão opte por uma retranca implacável e que não queria explorar as bolas aéreas. Seria bom também repetir a atuação do Castelão em 2006, quando anotamos um tento com 1 minuto de jogo através de Marinho e vencemos a partida por 1 x 0, garantindo o título naquela oportunidade.

3 de jun. de 2010

Perspectivas sinistras

Atlético 1 x 3 Fluminense

A partida do último domingo evidenciou aquilo que temos falado desde o início da temporada 2010: a fragilidade do sistema defensivo do Atlético Mineiro. Depois de anotar o primeiro tento com apenas 3 minutos de jogo, o Galo não produziu mais nada nos 87 minutos restantes, a não ser algumas chances resultantes da correria e da vontade após levarmos o segundo gol. Para um time que, supostamente, está junto há quase seis meses, é uma produtividade ridícula. E o que dizer desta média de quase 3 gols tomados por jogo? Não haveria nenhum problema, desde que a média de gols petecados pelo ataque fosse 4, coisa que nem o famigerado alvinegro praiano consegue.

O rival carioca, ao contrário, tem melhorado a cada partida sob o comando de Muricy Ramalho. Tem um meio de campo combativo, uma zaga razoável e um camarada que resolve o jogo: Fred. Não é o melhor time do Brasil, mas é um time, coisa que o Atlético não tem conseguido ser desde o fim da participação na Copa do Brasil.

Ainda não consegui engolir a dispensa / não renovação de contrato de parte dos jogadores do elenco. Não eram grandes jogadores, mas o elenco tem sentido falta destas peças. Aparentemente, o nosso treinador já sabia que não contaria com esse pessoal para o segundo semestre. Assim, é difícil entender porque não se pensou em peças de reposição e acabaram por inverter o fluxo natural das coisas: traga os substitutos e depois faça as dispensas. Deve ser este novo profissionalismo que está sendo implementado no Atlético e que fica além da minha compreensão.

Hoje enfrentaremos o Grêmio no Olímpico. Se, em geral, é uma presa fácil no Mineirão, em Porto Alegre o tricolor gaúcho revela-se um adversário para lá de indigesto. A boa notícia é que Borges e Jonas não jogarão. A má é que Luxemburgo diz que vai de 3-5-2. A razão para isso? Faltam jogadores no elenco. Se não levarmos 2 gols antes dos 15 minutos, pode até ser que dê certo. Mas as perspectivas são sinistras.

29 de mai. de 2010

Planejamento?

Ontem o Galo apresentou mais três reforços para o restante da temporada: Daniel Carvalho, Lima e Neto Berola. Seria uma notícia interessante se não fosse o afastamento do Correa do elenco no mesmo dia. O contrato não será renovado e, embora vença no dia 30 de junho, a direção achou melhor liberar o volante do que contar com ele sem, digamos, o comprometimento necessário. Mais uma vez é preciso dizer que é muito difícil comentar qualquer fato ligado ao Atlético se você não tem informações internas. Qual a razão que levou o clube a optar pela não renovação com o atleta? Se ele tinha contrato até o dia 30, por que liberá-lo antes para reforçar algum adversário durante o campeonato (o destino do volante deve ser o nosso maior rival ou o rubro-negro carioca)?

Hoje o clube confirmou que não pretende renovar com o Carlos Alberto e o mesmo já se desligou do Atlético. Pedro Paulo foi liberado para acertar com o xará de Goiânia, que virou uma mini filial alvinegra (Édson, Thiago Feltri e Welton Felipe já estão por lá). Somando-se a saída de Renan Oliveira, Evandro, Jonílson e Marques às liberações das últimas 48 horas, o elenco já foi reduzido em, praticamente, um time de futebol. Tudo bem que estamos no meio do campeonato e que a maioria do pessoal listado não era grande coisa, mas e o tão festejado planejamento para a temporada 2010? Onde é que foi parar? Mesmo que admitamos que a barca seja uma correção na rota traçada para este ano, acho que é mudança demais para um espaço tão curto de tempo, passou longe de um ajuste fino. E o elenco? Como fica? Dá para acreditar que o clube tem uma lista de reforços e está buscando alternativas no mercado? O que, enfim, motivou esta revolução?

De qualquer maneira, estou curioso para conferir a performance alvinegra na tarde deste domingo. Como será que o time irá reagir diante das mudanças? A meta ainda continua chegar à pausa para a Copa do Mundo entre os quatro primeiros? Continuo tendo muitas dificuldades em acreditar no Luxemburgo e no seu modelo de gestão. No fundo, fiquei com a sensação de que o Galo ainda continua a casa da mãe Joana. Espero estar errado.

27 de mai. de 2010

Mais do mesmo

Vitória 4 x 3 Atlético

Começo dizendo que a CBF é pródiga em programar partidas para horários esdrúxulos: 19:30h de uma quarta-feira é uma piada. Se a tv aberta não vai transmitir, não precisa seguir o calendário da novela. Bota 21 horas e tudo fica ótimo (e eu não perco o jogo por causa da pelada semanal).

Como não vi a partida, não posso dizer que concordo com o mini chilique que o Luxemburgo deu na coletiva. Está faltando vontade ao time? Não estou tão seguro disso. Acho que o sistema defensivo é frágil, os laterais marcam mal e o meio de campo carece de pegada e isso é algo que temos falado desde o início da temporada. Falta chegada sim, mas a principal razão pra isso, na minha opinião, é a característica dos nossos jogadores.

Ontem ficou evidenciado, mais uma vez, que não temos goleiro no nosso elenco. A falha do Marcelo, mesmo descontando o péssimo recuo do Diego Macedo, entra para a lista dos lances mais patéticos que já vi dentro de um campo de futebol. O que foi aquela matada no peito? E a simulação de falta? Ridículo. É difícil entender o que passou pela cabeça do nosso camisa 1. Depois de Juninho, Édson, Bruno, Aranha e Carini o sujeito chega, assume a posição, e se expõe dessa maneira. Vai levar cartão vermelho da torcida no segundo jogo.


Sem comentários...

Acima de tudo, o placar de ontem demonstra que a derrota em Presidente Prudente não foi um acidente de percurso. Perdemos para um time com vários desfalques importantes e que jogou a maior parte do segundo tempo com um jogador a menos. Sem contar que o fabuloso Schwenck anotou três gols e o Evandro, estreante no rubro-negro baiano, caminhou sem marcação até a grande área para fechar o placar. Levamos 10 gols em 4 rodadas (média de 2,5 gols sofridos por partida), o que evidencia a inviabilidade do nosso sistema defensivo - para dar certo, o ataque teria que manter uma média 3 tentos por jogo.

Na próxima rodada enfrentaremos o Fluminense com Fred, Conca e companhia no Mineirão e a dupla de zaga será Werley e Benítez. Haja coração, amigo.

26 de mai. de 2010


Voltando à rotina

Atlético 3 x 1 Atlético/PR
Grêmio Prudente 4 x 0 Atlético
Atlético 2 x 1 Vasco

Pela terceira vez em pouco mais de três meses tive que ir ao EUA a trabalho. Estamos há menos de um mês da Copa do Mundo e não se fala em soccer naquele país. A única mudança perceptível foi a aparição de algumas camisas das seleções brasileira, mexicana e americana nas lojas de material esportivo. A tv a cabo do hotel possuía 4 canais ESPN e todos continuam a ignorar, solenemente, o verdadeiro football. Desta vez, porém, o processo de desintoxicação futebolístico não foi pleno porque, em primeiro lugar, descobrimos um bar de brasileiros que transmitia alguns jogos da Libertadores e da Copa do Brasil bem próximo do hotel. Em segundo lugar, porque na fábrica que visitávamos haviam imigrantes e os mexicanos em especial, ao verem a bandeira do Brasil no nosso uniforme, vinham falar da seleção.

"Muito bom o Brasil... Ronaldinho!"
"Ronaldinho não tá indo, amigão.."
"Não!?"
"Não."
"Ah. Mas é bom assim mesmo."

Numa tentativa desesperada de diminuir o banzo esportivo, aproveitamos a noite de uma quinta-feira e fomos a uma partida de beisebol. O estádio era ótimo, possuía uma infraestrutura invejável com shopping, restaurantes, elevadores, banheiros limpos, tudo muito bom. Logo que ocupamos nossos assentos, passei a entender o porque de toda aquela infraestrutura: as pessoas não dão a mínima para o jogo. É sério. Reconheço que é difícil manter a concentração num jogo que precisa de 9 tempos para decidir quem acerta mais rebatidas (nos 5 tempos que aguentamos, houve apenas 3 acertos). É extremamente monótono e repetitivo. Assim, as pessoas passam a maior parte do tempo subindo e descendo as escadas com pizzas, hot dogs, refrigerantes, cervejas, pipoca, algodão doce, é uma orgia gastronômica. Nos intervalos, o barato é aparecer no telão, seja na "câmera do beijo", na "câmera da dança", ou qualquer outra coisa do gênero. É entretenimento, não é competição. Dessa maneira, terminei o meu hot dog e nos retiramos do recinto. Ainda deu pra ver que os restaurantes estavam lotados e que havia pessoas chegando e saindo. O jogo é só um detalhe.

Let's get the hell out of here!

Enfim, Campeonato Brasileiro que é bom, não vi. Soube da vitória sobre o Vasco quando cheguei ao hotel e da derrota humilhante em Presidente Prudente no sábado seguinte através de um SMS lacônico do meu irmão ("Primeiro tempo 4 x 0 pra eles. Saí de casa, não sei como está."). O mau tempo quase impediu o nosso retorno ao Brasil, mas depois de uma primeira negativa, uma senhora da Delta Airlines teve piedade da gente e nos mandou de volta no vôo da Continental.

Pois tratemos do Atlético agora. De uma maneira geral, o time fez uma boa exibição contra o xará paranaense. Se o início da partida foi equilibrado, com Paulo Baier e seus companheiros levando algum perigo ao gol de Marcelo, após os 25 minutos da primeira etapa o Galo comandou o jogo. O primeiro tempo terminou 0 x 0 graças à grande exibição do arqueiro rubro-negro e à falta de pontaria do ataque atleticano. No segundo tempo, o ataque acertou o pé e com 27 minutos já ganhávamos por 3 x 0. Poderia ter sido de mais se não continuássemos a desperdiçar chances e contra-ataques. No fim, tivemos a tradicional queda de rendimento e os paranaenses conseguiram descontar com Bruno Mineiro. O final ficou assim: 3 x 1.

Hoje enfrentaremos o Vitória no Barradão. Será uma espécie de tira-teima para verificarmos se o placar em Presidente Prudente foi, realmente, apenas um acidente de percurso. O rubro-negro baiano tem obtido bons resultados, é finalista da Copa do Brasil e deve impor um ritmo forte para cima da nossa defesa. Se conseguirmos manter a tranquilidade, deve ser um jogo equilibrado.

Para finalizar, trato da aposentadoria do Marques. Sem dúvida, o camisa 9 foi o maior ídolo do clube nos últimos 10 anos. Foi fundamental nos poucos times competitivos que tivemos neste período e criou uma identidade muito grande com o torcedor, especialmente com aqueles que passaram a frequentar os estádios após 1997 (eu, que comecei em 82, gostava do Éder e do Reinaldo, mas o meu primeiro ídolo foi o Sérgio Araújo, dono da camisa 7 na segunda metade dos anos 80). Sempre fui admirador do seu futebol e, com certeza, o Marques estará na galeria dos grandes do Clube Atlético Mineiro. Dito isso, devo reconhecer que a diretoria e a comissão técnica acertaram ao não renovar o contrato. O erro da diretoria foi na condução do processo - e aqui cabe uma parcela de culpa ao próprio jogador que foi se martirizar diante das câmeras. O choro, sem dúvida, era legítimo, mas expor a situação em público do modo com foi feita não acrescentou nada, só gerou constrangimentos.

6 de mai. de 2010

Falta liderança

Santos 3 x 1 Atlético

Ser torcedor é uma coisa engraçada. Certa vez fui ao Engenhão fazer companhia a uns amigos gremistas em sua jornada contra o Botafogo. O time carioca era treinado por Geninho e os gaúchos vinham fazendo um ótimo campeonato sob o comando de Celso Roth, dois velhos conhecidos dos atleticanos. Pois bem, o tricolor entra em campo e o Marcos adianta em gauchês:

- Bah! Vamos perder hoje, tchê!
- Por que você tá dizendo isso, bicho?
- Eu sei quando vai perder. Dá pra sentir.

Assim, depois de toda saga envolvendo a chegada ao estádio, o que incluiu deixar o carro no estacionamento de um shopping, caminhar durante meia hora em ruelas estranhas do subúrbio do Rio e contornar todo o Engenhão até conseguirmos chegar ao portão dos visitantes, o sujeito, antes do apito inicial, me diz que a viagem era perdida. O pior era que ele tinha razão: os gaúchos jogaram mal e foram derrotados por 2 x 0.

Todo esse papo é para dizer que bastaram 5 minutos em frente à TV na noite de ontem para que eu chegasse à mesma conclusão que o meu estimado amigo oriundo dos pampas. Há mesmo um sexto sentido futebolístico! Assim, mandei um SMS para o meu irmão comunicando-lhe as minhas tristes expectativas e, enquanto a partida continuava na ESPN, me dediquei a reclamar algumas milhas não creditadas pela GOL, o que incluiu uma discussão de cerca de uma hora com um dos atendentes da companhia aérea (na verdade, a medir pela qualidade das respostas, há uma grande possibilidade de eu ter gastado o meu tempo discutindo com um bot). No fim, assisti aos minutos finais da partida sabendo o destino amargo que nos esperava mais uma vez.

O que me decepcionou ontem foi que, aparentemente, o time não entrou com um espírito de decisão. Me pareceu que as provocações dos moleques do peixe deixaram o time atleticano mais irritado com a chatice alheia do que motivado para a partida decisiva. Isto, é claro, não explica a vitória santista, produto do melhor futebol praticado pelo alvinegro praiano, detentor de um elenco mais qualificado e, na partida de ontem, mais focado em buscar o seu objetivo. Digo mais focado porque os dois primeiros gols santistas foram produtos de falhas individuais ridículas dos jogadores de defesa alvinegros: duas bolas perdidas que foram cruzadas rasteiras para dentro da pequena área e empurradas para dentro do gol pelos atacantes adversários, coisa que não poderia acontecer em uma decisão. O Correa ainda achou um gol no fim do primeiro tempo, o que nos recolocou na partida, mas outra bola atravessada na área no início do segundo tempo resultou no derradeiro gol do peixe. O resto da partida foi morno, sem grandes oportunidades para ambas as equipes, bem diferente do que vimos no Mineirão na semana anterior.

A principal constatação que fica desta eliminação do Atlético é a de que, apesar das contratações, ainda falta liderança ao Galo dentro de campo. Falta um jogador que consiga chamar a responsabilidade e comandar a equipe, colocar a galera dentro do jogo de novo quando começamos a perder o controle da situação. Ele não precisa ser o craque do time: o Gallo, em 1999, estava longe disso, por exemplo. E a verdade é que, apesar de termos um elenco experiente, ninguém tem esse perfil.

Para finalizar, avalio como patética a participação do nosso treinador após a partida. Reconheço que ele tem razão em seu pleito, que ao contrário do que a imprensa andou alardeando agora pela manhã, de que a torcida iria hostilizá-lo de qualquer jeito, é óbvio que as provocações do elenco santista no último domingo incentivaram o torcedor a direcionar o seu ódio ao seu ex-treinador. Mas, a resposta às provocações deveria ter sido dada dentro de campo, nem que fosse arrumando uma escaramuça no fim da partida que resultasse em diversas expulsões para ambos os lados (será que os gaúchos terão o senso de humor e o fair play do Atlético?). Esse negócio de ficar dizendo que não treina mais esse time ou aquele é ridículo, é motivo de chacota nacional, como foi uma certa camisa de treino que fizeram para a gente nesta temporada.

Mas, terminemos o post com o que realmente interessa: sábado tem início o Campeonato Brasileiro 2010, o único campeonato com o qual eu me importo de fato. Apesar da derrota de ontem, acho que o Atlético está num bom caminho, fez algumas contratações, há jogadores voltando de contusão e o time tem praticado um futebol consistente. O negócio é aproveitar este início de torneio, onde não viveremos momentos decisivos e nossa carência de liderança não fará muita diferença, para pontuarmos, tal qual fizemos na temporada passada. Na real, as coisas só começarão a esquentar após a Copa do Mundo.

3 de mai. de 2010

40 vezes

Atlético 2 x 0 Ipatinga

Quando comprei as passagens de volta de Porto Alegre há cerca de um mês atrás, me esqueci completamente das finais do Mineiro. Mais tarde, ao perceber o erro cometido, me apeguei à lembrança de que a última vez em que não havia acompanhado uma partida da final do Campeonato Mineiro, aplicamos um 4 x 0 inesquecível no nosso maior rival, de modo que assumi que as duas horas que passaria angustiado nos céus do Brasil eram um bom presságio. É certo que a vitória em Ipatinga na semana anterior facilitou a jornada, mas foi uma ótima sensação ligar o celular e receber uma série de mensagens descrevendo os gols de Tardelli e Marques e com os gritos de campeão.

Tardelli lustrando a quadragésima taça de campeão mineiro a ir para a nossa galeria.

A conquista do Mineiro foi um passo muito importante para o trabalho que o Atlético diz estar desenvolvendo. Vindo de derrotas nas duas temporadas anteriores e de um fim de Campeonato Brasileiro desalentador em 2009, o clube precisava mais do que nunca deste título para apaziguar a torcida e trazer uma certa serenidade ao ambiente conturbado que vivemos nos últimos anos.

Confesso que, de início, fiquei um pouco chateado por não podermos enfrentar o nosso maior rival na decisão do campeonato mas, no fim, as coisas aconteceram de tal maneira que tudo ficou perfeito: Mineirão lotado para a festa alvinegra, coroada com gols de Tardelli, o atual ídolo, e Marques, o "xodó" da massa. E foi uma festa e tanto, de uma torcida que é movida por uma paixão centenária, franca, honesta, que não é produto de ações de marketing, de campanhas da imprensa, de rankings de institutos estrangeiros ou qualquer coisa que o valha e, que por ser assim, é única e cheia de orgulho. Ser atleticano não é moda.

O professor corre pro abraço: ainda é pouco, mas é o começo.

Por fim, não há como não destacar o papel de Vanderlei Luxemburgo nesta campanha. Quem acompanha o blog sabe como recebi com desconfiança a notícia da sua contratação pelo nosso presidente. É verdade que o trabalho demorou a engrenar: as variações no esquema tático, os testes com os jogadores que fazem parte do elenco, as contusões, tudo isso influenciou na definição daquele que viria a ser o time titular nesta reta final de Campeonato Mineiro e Copa do Brasil. Por um momento, como um bom mineiro e, acima de tudo, como um bom atleticano, desconfiei que a vaca estava indo para o brejo de uma vez por todas. No entanto, as últimas partidas da equipe foram muito boas, especialmente aquelas contra o Sport e o Santos. E, sendo assim, tenho que admitir que o progresso que vimos em campo deve ser creditado ao nosso treinador. O sujeito é mesmo um vencedor, levou o 11º estadual para casa e apaziguou os ânimos alvinegros, mas ainda é pouco. A torcida quer e espera mais.

29 de abr. de 2010

Jogando futebol

Atlético 3 x 2 Santos

Mesmo com o temporal que desabou sobre o Rio no início da noite de ontem, 9 obstinados guerreiros, munidos unicamente da sua paixão pelo futebol, superaram todos os obstáculos e compareceram à pelada semanal no Humaitá. Passamos cerca de uma hora e meia correndo debaixo de chuva num campo semi alagado, coisa que eu não fazia desde uma certa pelada em Ipatinga há mais de duas décadas, quando brigávamos para descobrir quem seria o "Éder", o "Nelinho" ou o "Reinaldo". Bons tempos aqueles!

Ao fim do espetáculo, no retorno para casa, me senti num pitfall pós moderno, saltando buracos, rios de esgoto, montanhas de lixo espalhadas pelas ruas e escapando dos banhos de água contaminada com os quais os ônibus insistem em presentear os inocentes transeuntes. Foi triste constatar que nada havia sido feito para recuperar ou melhorar a infraestrutura da mesma cidade que há 20 dias havia sido arrasada pelas chuvas. Mas este seria um assunto para um outro blog.

Depois de todas estas aventuras, abri a porta da cozinha e a minha mulher já me deu as boas novas: o Atlético está ganhando por 1 x 0! Eram 4 minutos do primeiro tempo e Tardelli já havia deixado o dele. O que eu vi a partir de então foi o galo praticando um futebol de muita marcação e pegada quando defendia e envolvente e de velocidade quando partia com a pelota dominada. Depois de perder algumas oportunidades, acabamos marcando o merecido segundo tento aos 40 do segundo tempo: Tardelli, mais uma vez, recebendo a bola cruzada por Júnior, bateu duas vezes para superar o arqueiro santista. Quando parecia que iríamos para o vestiário com uma boa vantagem, o peixe descontou: a defesa atleticana rebateu mal uma bola, Wesley a dominou e lançou em profundidade para Robinho, que deslocou Aranha e guardou a criança. Apesar dos protestos da torcida, Carlos Alberto dava condição de jogo ao atacante adversário e Aranha, ao invés de correr pra bola, ficou com o bração erguido, pedindo impedimento. Quando resolveu agir, era tarde.

O Atlético voltou para o segundo tempo com Jonílson no lugar de Correa e logo aos sete minutos, chegamos ao terceiro gol: Muriqui fez ótima jogada pela direita e tocou para Tardelli, que invadiu a área a fuzilou Felipe. 3 x 1. Tardelli ainda marcaria um quarto gol, corretamente anulado pelo árbitro. Na metade do período, Luxemburgo fez mais duas alterações: Leandro entrou no lugar de Ricardinho e Renan Oliveira substituiu Fabiano. Aos 37 minutos o Santos conseguiu diminuir mais uma vez: depois de passar um bom tempo rondando a área atleticana, Paulo Henrique conseguiu um bom passe para Zé Eduardo que avançou pela esquerda e cruzou na cabeça de Edu Dracena. 3 x 2. Depois disso, os times, se respeitando, passaram a cadenciar o jogo e esperar o apito final.

O que vimos ontem no Mineirão foi uma grande partida, uma das melhores do ano e, sem dúvida, a melhor da "super quarta" que incluiu jogos decisivos pela UEFA Champions League, Copa do Brasil e Libertadores. O Atlético fez valer o mando de campo e foi superior ao Santos durante a maior parte do jogo. Foi um time aplicado, lutador e objetivo nas finalizações. Não deu para não notar o dedo do Luxemburgo naquilo que vimos ontem, é preciso admitir que o homem sabe armar um time de futebol, que tem esquema de jogo e tinha uma estratégia definida para a partida, algo bem diferente do que tivemos que suportar de Levir Culpi para cá.

Na segunda metade do segundo tempo deu para notar que o galo cansou e não conseguia mais exercer a marcação sob pressão que não permitia que o Santos girasse a bola. Era o preço de se manter jogadores experientes como titulares da equipe. Quando os meninos da Vila conseguiram a posse da bola, arranjaram o segundo gol que complicou a nossa vida para a partida de volta. Além disso, me pareceu que as alterações do Dorival Júnior surtiram mais efeito do que as do nosso treinador: do lado deles entra Zé Eduardo, um atacante arisco, veloz, bucando o gol e do nosso entra Renan Oliveira, uma pedra de gelo, um apático sem garra que não nos deu, em nenhum momento, a chance do contra-ataque.

Obviamente, tomar os dois gols dificultou a tarefa alvinegra para a semana que vem em Santos, mas o mais importante foi que conseguimos a vitória e passamos a ter a vantagem do empate. Num confronto equilibrado como foi o de ontem e como promete ser na volta, o empate é sim uma vantagem. Admito que, dadas as circunstâncias, o alvinegro praiano talvez ainda seja o favorito neste mata-mata, mas fiquei com a sensação de que faremos um jogo duro contra eles na Vila Belmiro (assim como foram os dois últimos que fizemos por lá, ambos vencidos por 3 x 2 pelo galo).

Finalizo dizendo que a partida de ontem me lembrou muito a primeira da final contra o Corínthians em 1999, quando também vencemos por 3 x 2. A diferença é que naquela oportunidade perdemos o Marques para os jogos da volta e na semana que vem teremos o mesmo elenco de ontem à disposição do nosso treinador. Se jogarmos com a mesma disposição, concentração e foco, dá para conseguirmos um bom resultado.

25 de abr. de 2010

Meio caminho andado

Ipatinga 2 x 3 Atlético

A primeira partida da final do Campeonato Mineiro 2010, realizada na tarde deste domingo em Ipatinga, foi uma grata surpresa: um jogo rápido, disputado, com poucas faltas e nenhuma catimba. Surpreendendo o adversário, Luxemburgo adotou o 4-4-2 para a partida, sacando Júnior e Renan Oliveira e entrando com Correia e Ricardinho como titulares.

Apesar da novidade, o Ipatinga logo equilibrou as ações e conseguiu duas boas finalizações nos primeiros dez minutos. Aos doze, após cobrança de escanteio, Fabiano desviou contra a própria meta colocando o Tigre na frente. A partir de então, o Atlético dominou o meio e começou a chegar com perigo à área do Ipatinga. Aos 32 minutos, Correa fez boa jogada individual, invadiu a área adversária em velocidade e foi derrubado pelo arqueiro Douglas. O pênalti foi cobrado e convertido por Tardelli.

O Atlético virou no início do segundo tempo, Tardelli lançou Muriqui que limpou o zagueiro e fuzilou a meta ipatinguense. Quando tudo parecia sob controle para o galo, a defesa alvinegra se atrapalhou numa saída de bola e acabou cometendo uma falta no bico da grande área. Luisinho cruzou e a pelota atravessou toda a pequena área para bater no poste esquerdo de Aranha e morrer na meta alvinegra. 2 x 2. Ato contínuo, iniciei uma troca de SMS com o meu irmão tratando da reconhecida falta de competência do nosso guarda metas quando se trata de bolas adversárias alçadas à nossa área. É um desastre completo!

Apesar de levar o gol de empate, o galo continuou melhor, tocando a bola e buscando o gol, que só não saiu antes devido a uma finalização bisonha do Muriqui e a uma cabeçada do Tardelli à queima roupa defendida pelo Douglas. Aos 39, Carlos Alberto penetrou em velocidade pelo lado direito e cruzou, a bola atravessou a área e sobrou para Júnior que, livre, chutou forte para dentro da pequena área, Muriqui desviou e a bola bateu no travessão e entrou, confirmando a justa vitória alvinegra.

Desde o primeiro clássico contra o América nesta fase final que eu não conseguia assistir a uma partida do Atlético na íntegra e devo admitir que gostei do que vi. Ainda não é o time ideal, mas a postura dentro do campo me agradou: aparentemente, a equipe sabe o que fazer com a bola, sabe as posições que deve ocupar e quais os objetivos que quer atingir. Me pareceu uma equipe mais madura e segura do que a de 2009.

O destaque negativo, como sempre, fica com o nosso goleiro. Apesar de ter feito algumas grandes defesas ao longo do jogo, Aranha é um desastre na saída do gol. Nesta altura do campeonato, qualquer adversário já sabe que bola cruzada na área do Atlético é um pandemônio, pois a insegurança do camisa 1 desestabiliza toda a zaga, que ávida por afastar a criança de dentro da pequena área, acaba cometendo falhas grotescas. O mínimo que se espera de um goleiro de qualidade é que ele mostre que a pequena área tem dono, que quem manda naquela faixa de grama é ele, não dá pra ficar em pé em cima da linha do gol esperando o que vai acontecer, como fica o nosso amigo aracnídeo. Enfim, o negócio é acreditar que Luxemburgo sabe o que está fazendo, afinal de contas a quarta-feira está chegando!

23 de abr. de 2010

Hora da afirmação

Sport 0 x 2 Atlético

O início da noite de quarta-feira não foi nada bom: as celebrações da igreja universal na praia de Botafogo impediram que vários colegas comparecessem à pelada semanal e tivemos que nos contentar com o quórum mínimo, ou seja, 10 guerreiros jogando futebol, ininterruptamente, durante 1:30h. A falta de ritmo de jogo e uma distensão muscular resultaram numa atuação medíocre deste que vos escreve - mal conseguia acertar um passe, como o Gutemberg nos bons tempos de Atlético - e o fato é qualquer peladeiro sabe o quanto é perturbador voltar para casa refletindo sobre o seu péssimo desempenho.

Cheguei em casa, liguei a tv para acompanhar a rodada da Copa do Brasil e descobri que todos os jogos estavam sendo transmitidos, exceto o do Atlético, é óbvio. Liberaram, inclusive, um canal do pay per view para a partida do Palmeiras, se não me engano. Conformado, liguei o computador e descobri que já petecávamos 2 x 0 no Leão em plena Ilha do Retiro. Com esse placar, o Sport teria que marcar 4 gols no segundo tempo para que prosseguisse vivo no torneio. O próximo passo foi conseguir um link e acompanhar o restante do jogo na telinha do computador.

A metade final da partida teve ares de coletivo para o Atlético, que tocava a bola esperando o apito final sem ser ameaçado pelo adversário. Renan Oliveira conseguiu perder uns dois gols porque, invariavelmente, entra para decidir as jogadas com a moleza que lhe é característica: como falta espírito guerreiro ao garoto! É lastimável! Enfim, vencemos a partida com autoridade e agora enfrentaremos o time mais badalado do semestre: o Santos das coreografias.

Entendo as preocupações de alguns, que prefeririam enfrentar o peixe numa final, mas analisando o retrospecto do galo na Copa do Brasil afirmo que não faz a menor diferença estar na chave mais fraca ou mais forte da tabela. Afinal, sabemos muito bem que enfrentar um adversário de menos tradição não nos facilita a tarefa nem um pouco: Brasiliense, Criciúma e Santo André que o digam. Assim, acho que o desafio vem em boa hora. O time da baixada, certamente, vive um momento melhor e conta com mais talentos individuais do que o glorioso, mas a Copa do Brasil tem as suas surpresas e se o Luxemburgo e seu time querem se afirmar para a torcida esta é uma chance de ouro.

Falando em chance de ouro, domingo começa a decisão do Campeonato Mineiro 2010 contra o Ipatinga. O time do Vale do Aço já foi um adversário complicado na primeira fase, quando suamos para arrancarmos um empate no Mineirão, e deve jogar duro nesta decisão. Não há dúvidas de que levantar o caneco é obrigação do Clube Atlético Mineiro, mas teremos que jogar bola para restabelecermos a hegemonia do futebol mineiro.

18 de abr. de 2010

Decisão no interior

Atlético 0 x 0 Democrata/GV

Aos poucos, tenho me acostumado a ouvir as partidas do Atlético pelo rádio novamente. É aquele nervosismo de sempre, mas obtenho as informações em tempo real e tem um que de nostalgia com pitadas de "belorizontismo" - há momentos em que tenho a sensação de que vou abrir a porta do alojamento e ver o trânsito de alguma rua movimentada da Floresta.

O jogo da noite de ontem não teve muitas emoções, foi um 0 x 0 clássico. Na verdade, a emoção residiu no fato de que cada gol perdido, cada oportunidade desperdiçada por um de nossos atacantes aumentava o meu temor de que alguma tragédia se abatesse sobre o Atlético nos minutos finais da partida. Para aumentar a minha angústia, fui obrigado a abandonar o quarto quando faltavam exatos 8 minutos para o apito final a fim de não perder o jantar. Lá no refeitório convidei os outros comensais a deixar o Jornal Nacional para depois para que, juntos, ouvíssemos os momentos finais da decisão contra o Pantera. Infelizmente, não obtive sucesso nesta empreitada e tive que me contentar em ouvir uma entrevista do Correa na Itatiaia durante o intervalo do noticiário da Globo, o que foi suficiente para me tranquilizar acerca desta sofrida classificação.

Hoje soubemos que o nosso adversário nas finais do Campeonato Mineiro será o glorioso Ipatinga, que liquidou o nosso maior rival em pleno Mineirão. Não há como não ficar feliz com uma notícia dessas mas, por outro lado, um clássico na decisão tem muito mais apelo e seria um teste muito mais sério para a equipe do Luxemburgo. Com relação ao Tigre, digo que apesar da falta de tradição, não tenho dúvidas de que o time do Vale do Aço será um adversário indigesto para o Atlético, ainda mais porque a partida decisiva será no Ipatingão. Porém, se jogarmos com seriedade e concentração, há grandes chances de o caneco voltar para a sede de Lourdes.

Encerro dizendo que ainda não tenho sentido firmeza no Atlético 2010. Obviamente, os desfalques estão comprometendo o rendimento da equipe, mas o que mais me preocupa é a falta de pegada do time. Não acho o nosso meio confiável e já está mais do que evidente que a boa fase do ataque (especialmente a do Tardelli) ficou em 2009. Quarta-feira enfrentaremos um grande desafio na Ilha do Retiro. Tecnicamente, o Sport é menos qualificado do que o Galo, mas tenho minhas dúvidas em relação ao conjunto e, em especial, à capacidade de combater do Atlético. A vantagem obtida no Mineirão é boa, ainda mais se conseguirmos anotar um tento em Recife, mas será preciso resistir à blitz dos pernambucanos e com essa marcação meio frouxa no meio e o aracnídeo debaixo dos postes, vai ser complicado.

16 de abr. de 2010

Gerenciável

Atlético 1 x 0 Sport

A rodada de quarta-feira na Copa do Brasil não teve espaço para o Atlético nem na famigerada bolinha do gol. Descobri que a partida estava 1 x 0 porque resolvi me dedicar ao rádio (o difícil era agüentar o Milton Naves). Sei que é meio repetitivo, mas como ainda não consegui sequer ver os melhores momentos do jogo, não consigo dizer se o resultado foi justo, bom ou animador. Tratando-se da Copa do Brasil, creio que é perfeitamente gerenciável na Ilha do Retiro, especialmente devido ao fato de não termos levado gols em casa. Um tento alvinegro dificultará imensamente a tarefa do Leão. Resta saber se Luxemburgo fará valer o seu prestígio de grande estrategista e o seu altíssimo salário trazendo esta classificação de Recife. Não será nada fácil.

Antes da decisão na capital pernambucana porém, decidiremos amanhã o nosso futuro no campeonato mineiro. Considerando-se a vantagem obtida em Ipatinga, acredito que se o time jogar o normal deve passar sem dificuldades pelo Democrata.

13 de abr. de 2010

10 dias

Atlético 2 x 2 América
Atlético 2 x 1 Democrata/GV

Depois de me acostumar a ver os jogos ao vivo na tv ou na internet, é praticamente impossível acompanhá-los somente pelo rádio. Mas, devido a falta de qualquer outra alternativa, sou obrigado a me resignar e agradecer à tv via satélite a disponibilidade deste recurso em local tão inóspito.

O fato é que é impossível comentar qualquer aspecto técnico ou tático baseado na voz do Caixa e nos melhores momentos do UAI. Sendo assim, não me resta outra alternativa a não ser me abster de fazê-lo. O que tenho a dizer é que jogar 3 vezes contra o coelho e obter três empates duros não é o tipo de coisa que me anima muito. A vitória magra em Ipatinga sobre o Democrata pantera foi um bom resultado, me arriscaria a dizer que se não houvéssemos tomado um gol no segundo tempo, a classificação estaria garantida. Mas, como uma vitória simples resolve as coisas para o time de Valadares, tudo pode acontecer.

Os próximos dez dias serão cruciais para as pretensões alvinegras neste primeiro semestre. Tá, reconheço que a situação está bem encaminhada no Mineiro, mas o pouco que vi do Atlético nesta temporada me leva a crer que os duelos contra o Sport serão muitíssimos complicados. E embora o Luxemburgo, na noite de ontem, já discutisse com o Galvão Bueno um eventual duelo contra o Santos nas quartas-de-final da Copa do Brasil, adianto que não compartilho do otimismo do nosso treinador. A defesa ainda é muito vulnerável, tem levado gols demais e isso faz toda a diferença neste torneio.

Amanhã começaremos a ver do que o Luxemburgo é capaz.

6 de abr. de 2010

Comendo mosca

América 3 x 3 Atlético

Mesmo sem ter planejado, acabei voltando para Belo Horizonte a tempo de ver a primeira partida das quartas-de-final do campeonato mineiro. Na verdade, quando chegamos em casa, o América já vencia por 1 x 0 e havia acabado de colocar uma bola na trave de Aranha. Não demorou muito e o coelho chegava ao segundo gol, após uma falha de Júnior numa saída para o ataque. 1 minuto depois, Fabiano diminuiu o prejuízo acertando um pombo sem asas do meio da rua. A partir daí, o Galo cresceu e conseguiu uma virada espetacular ainda no primeiro tempo com mais dois gols de Fabiano, o genro de ouro.

O segundo tempo foi marcado pelo aumento da chuva e pelo equilíbrio da partida. Muriqui acertou a trave americana num belo contra-ataque, mas Ricardinho, ao errar uma saída de bola, permitiu mais um ataque do coelho, o qual acabou sendo parado com uma falta em frente à grande área. "Se passar pela barreira, é gol", pensei. Não deu outra: Rodrigo mandou uma bomba, rasteira, que morreu no canto direito de Aranha. No fim, o placar ficou de bom tamanho para os dois.

Com relação ao desempenho do Atlético, do meio campo pra frente o time esteve bem, Muriqui e Tardelli trabalharam em velocidade e Fabiano, o elemento surpresa, acabou anotando três belos gols em 15 minutos. A zaga teve um desempenho fraco: levar os dois gols que levamos do América e uma bola na trave dá a dimensão do problema que estamos enfrentando no setor.

É certo que Zé Luís e Campos fizeram falta e que o meio de campo armado com Renan, Júnior (Ricardinho), Fabiano e Jonílson, somado à lentidão do Coelho, oferecia pouca proteção à zaga. No entanto, acredito que a maior contribuição à instabilidade da zaga alvinegra seja a falta de um goleiro de qualidade. Aranha, como já venho dizendo há algum tempo, não tem condições de ser o arqueiro titular do Galo. Se debaixo das traves o cara não é nenhum padrão de excelência, é nas saídas do gol que ele exerce com maestria uma das atividades favoritas dos aracnídeos: comer moscas. É mais um maldito seguidor da escola Édson que somos obrigados a aturar ostentando a camisa 1 do Atlético. Dessa maneira, não há zaga que aguente.

Na quarta-feira faremos o jogo de volta em Ipatinga, já que o Mineirão, em mais uma decisão esdrúxula da ADEMG, estará ocupado por um festival de Axé. Não ser o dono da sua própria casa tem dessas. Acho que se tudo correr bem, o Atlético passa com uma relativa tranquilidade. Como não poderei assistir à partida, tentarei escutá-la via Itatiaia na Sky. De repente, dá sorte.

5 de abr. de 2010

De volta ao Mineirão

Atlético 6 x 0 Chapecoense

Aproveitei a semana santa programada para Ouro Preto para marcar presença no Mineirão na noita da última quinta-feira na partida de volta contra a Chapecoense. Sem dúvida, um dos prazeres dessa vida é reencontrar os amigos antes de entrarmos no Gigante da Pampulha, relembrando fatos do passado, falando das expectativas para o futuro e vociferando contra a cor adotada para a camiseta de treino.

Como já havia dito em algum post anterior, não esperava que o Atlético enfrentasse grandes dificuldades diante dos catarinenses e o clima de confiança era grande dentro e fora do estádio. Logo no primeiro lance um susto: Obina é atingido violentamente em uma dividida e deixa o campo direto para a sala de raio X. Seu algoz sequer levou um amarelo e um misto de revolta e tristeza tomou conta das arquibancadas. Ver um jogador atleticano abatido é como sofrer um drama em família. Devo dizer que não sou um grande fã do camisa 7, mas é inegável que ele vinha se firmando e marcando os seus gols, se tornando a peça de referência no ataque que tanto nos fez falta na temporada passada. Naquela hora, pensei no nosso banco de reservas e me desesperei (Pedro Paulo, o homem que precisa de guizos para achar a bola?) e, como sou engenheiro, também pensei no imenso prejuízo (técnico e financeiro) do Galo ao ver o fruto de um investimento elevado passar 3 ou 4 meses no estaleiro.

Para aliviar a dor do torcedor, o Atlético logo abriu o marcador em um belo tento de Fabiano. O curioso foi que, a partir daí, o time esbarrou em sua ansiedade em resolver uma partida que se revelava fácil, errando passes demais e falhando nas conclusões. Os catarinenses se limitavam aos chutões e a algumas tentativas canhestras de catimba. O primeiro tempo ficou nisso.

Não sei qual foi o papo no vestiário, mas o fato é que o time voltou a campo para o segundo tempo e atropelou a Chapecoense, aos 13 minutos o placar já marcava 4 x 0. Aos 32, 6 x 0. Depois disso, foi só administrar e esperar o apito final. A pergunta que mais me intrigou ao longo da partida foi: "como é que conseguimos perder para esse time?". Depois, me lembrei do nosso histórico nesta competição e me limitei a ficar satisfeito com o resultado. De positivo, destaco as jogadas em velocidade e os desempenhos individuais de Fabiano, Tardelli, Renan Oliveira e Ricardinho. Júnior anotou um belo gol, mas errou demais no primeiro tempo. Werley foi um monstro, não perdeu uma dividida. No mais, é difícil tecer qualquer comentário acerca das possibilidades da equipe quando o adversário é tão fraco. No próximo post, discutiremos o clássico de ontem contra o Coelho. Por agora, ficamos por aqui.

29 de mar. de 2010

25 minutos e goleada

América/TO 2 x 2 Atlético
Atlético 6 x 0 Ituiutaba

Quarta-feira, antes de me dirigir para o aeroporto, consegui assistir aos 25 minutos restantes do jogo entre o América de Teófilo Otoni e o Atlético, que havia sido interrompido pela chuva no dia 3/3. 25 minutos com os dois times descansados impuseram um ritmo um tanto frenético ao jogo e apesar de atuar com um homem a menos (Leandro havia sido expulso durante a primeira parte da partida), as melhores chances foram do Galo, ambas com Tardelli: uma foi defendida pelo arqueiro americano e outra explodiu no travessão, após um lindo arremate do camisa 9 alvinegro. Aranha, como sempre, ainda tentou ajudar o time da casa cometendo uma falha, mas se recuperou a tempo. No fim, ficou tudo como estava: 2 x 2.

Neste domingo, o Atlético encerrou a sua participação na primeira fase do campeonato mineiro enfrentando o virtualmente rebaixado Ituiutaba. Depois de boas temporadas na primeira divisão, o time do triângulo não se preparou adequadamete e acabou segurando a lanterna da competição. O Galo, que não tinha nada com isso, jogou com a seriedade pregada pelo seu comandante e acabou goleando implacavelmente o adversário. 6 x 0, mas poderia ter sido mais. Destaque para as participações individuais de Tardelli, autor de três tentos e Fabiano, autor de outros dois e executor da jogada que resultou em pênalti convertido pelo primeiro.

Obviamente, a fragilidade do Ituiutaba nos impede de tecer comentários mais profundos acerca da qualidade do escrete alvinegro, mas a goleada foi muito importante, principalmente nesta semana onde enfrentaremos a Chapecoense pela Copa do Brasil precisando de uma vitória. Certamente, time e torcida irão para o Mineirão na quinta bem mais tranquilos com a situação resolvida no estadual. Quanto a este que vos escreve, aproveitando o feriadão e o calendário favorável, estarei presente no gigante da Pampulha pela primeira vez em 2010.

23 de mar. de 2010

Evolução

Villa Nova 1 x 3 Atlético

Finalmente, após 9 rodadas, consegui acompanhar uma partida do Atlético na íntegra. Mesmo com desfalques importantes - Tardelli, Correa, Cáceres e Ricardinho - o time conseguiu se impor em Nova Lima e não teve dificuldades para derrotar o Leão. Logo no início do primeiro tempo, Muriqui sofreu pênalti convertido por Obina que, minutos depois, assinalou o segundo tento ao acertar um belo petardo de fora da área. No segundo tempo, Renan Oliveira marcou o seu em uma falha do goleiro adversário e Warley descontou para o Villa após uma pixotada de Werley.

De uma maneira geral, gostei do que vi: o time esteve bem postado em campo e o esquema com 3 zagueiros deu conta do recado. A fragilidade do Leão era evidente, mas é importante nos lembrarmos do estado e das dimensões do gramado do Castor Cifuentes, que dificultam a tarefa mesmo para quem sabe jogar bola. Destaque para as boas participações de Renan Oliveira e Obina, que parecem estar se firmando na equipe titular - o primeiro com assistências precisas e o segundo marcando gols. Resta saber se terão o mesmo desempenho contra equipes fortes em momentos decisivos.

Para finalizar, está mais do que evidente que Aranha não tem condições de ser titular do Atlético. O cara comete erros sucessivos de fundamento e nessa altura do campeonato, não tem conserto. Melhor passar para frente. Carini? Uma incógnita. Acredito estar pagando o preço por ter sido segundo goleiro a maior parte da carreira. Falta ritmo, é uma pena. Há poucos dias a imprensa noticiou que estamos acertando com o Marcelo, segundo goleiro do Bahia. Seria a solução para a meta atleticana? Não acredito. Sinceramente, daria uma chance ao Renan Ribeiro.

19 de mar. de 2010

Preto e branco

Chapecoense 1 x 0 Atlético

O jogo contra o lanterna do campeonato catarinense na última quarta-feira foi, para mim, uma incógnita: além de não ser transmitido por nenhum canal de tv, a rádio sintonizada na SKY resolveu dividir a transmissão da peleja do Galo com a de um amistoso entre o selecionado sulafricano e o nosso maior rival. Assim, não há saco que aguente. Acabei acompanhando uma partida qualquer pela Libertadores. A derrota por 1 x 0, considerando o nosso histórico na Copa do Brasil, pode ser considerado bom. Não acredito que tenhamos maiores problemas em reverter o quadro desfavorável na partida de volta no Mineirão.

O assunto da semana, entretanto, não foi a derrota em Chapecó, mas sim o lançamento da coleção 2010 do Galo pela Topper. Não satisfeita em estragar o uniforme oficial de jogo, a marca resolveu nos fornecer uma camisa de treino rosa. Isso com a conivência do presidente, que fez questão de frisar publicamente que os polêmicos modelos foram uma escolha pessoal. O resultado, como não poderia deixar de ser, foi catapultar o clube a posição de destaque no noticiário esportivo e, consequentemente, a ser motivo de chacota até em lugares menos prováveis, como o blog do jornalista Luis Nassif.

Qualquer indivíduo um pouco sensato sabe que a cor de uma camisa não quer dizer absolutamente nada, mas vá dizer isso a um torcedor de futebol. É muito difícil ser racional quando se trata do ludopédio. A verdade é que toda essa polêmica era absolutamente desnecessária e o presidente decidiu, deliberadamente, entrar nessa. Foi gratuito, e é isso que, fundamentalmente, me irrita. As razões para tal atitude, eu desconheço. Seria por causa desta sequência enorme de campeonatos e vitórias que temos acumulado ao longo de sua gestão? Falando sério, o torcedor não merecia isso. O Atlético não merecia isso.

Se tem uma coisa que eu sempre admirei no Atlético foi a simplicidade com que as coisas sempre foram feitas, tanto por parte de gestão do clube quanto por parte da torcida. "Inventar moda", como nós mineiros dizemos, nunca foi o nosso negócio. O clube não é alvinegro à toa. Pode parecer besteira, mas para mim, toda essa baboseira é mais um prenúncio de uma temporada desanimadora. Espero estar errado.

13 de mar. de 2010

Galo doido

Atlético 4 x 0 Caldense

Um dos efeitos colaterais do regime de trabalho 14 x 21 é que o sujeito se desliga do calendário regular e a diferença entre dias úteis e finais de semana deixa de existir. A vida passa a ser dividida em "trabalho" ou "folga" (também existe, em momentos especiais, a modalidade "trabalho na folga"). Hoje foi um dia particularmente difícil, muito sol, calor e inspeções dentro da plataforma. A surpresa foi que ao adentrar um dos compartimentos me deparei com inscrições "GALO DOIDO" feitas com um marcador amarelo numa das anteparas. Sem dúvida, culpa da mineirada que andou sendo recrutada no vale do aço para trabalhar por aqui. Por um instante, pareceu que eu estava em Belo Horizonte.

De volta à realidade, acabei me lembrando da partida contra a Caldense marcada para a tarde deste sábado. Obviamente, a repercussão do campeonato mineiro fora das fronteiras do estado é zero. O negócio, como sempre, é acompanhar a primeira metade do jogo pela internet, enquanto ainda estou no canteiro de obras, e o restante no canal 411 da SKY, que reproduz a rádio Itatiaia. Cheguei ao alojamento a tempo de escutar o último gol e, para minha surpresa, ainda consegui ver os 4 tentos na internet CLARO GSM, feito inédito neste quase um ano de trabalho em São Roque.

Impossível fazer maiores comentários sobre a partida baseando-se naquilo que se escuta no rádio. Elegeram o Renan Oliveira o melhor em campo: vi o belo gol e a ótima assistência para o Fabiano, talvez o merecesse realmente. Tomara que seja um recomeço, embora minha desconfiança ainda seja alta em relação ao garoto. Jogamos sem Correa e Tardelli e o Ricardinho se machucou ainda no primeiro tempo, dando lugar a Evandro, mas é possível que a fragilidade do adversário não tenha permitido que o time sentisse tanto os desfalques. De qualquer maneira, goleamos e isso é sempre bom, especialmente num sábado. Amanhã é dia de curtir os desafios alheios sem grandes preocupações futebolísticas na cabeça.

9 de mar. de 2010

Ausência

Atlético 1 x 0 Democrata/GV

Depois de curtir o carnaval nos pampas, embarquei no dia seguinte da minha volta ao Rio de Janeiro para Houston, numa viagem a trabalho. Com isso, apenas soube do placar do clássico (Atlético 1 x 3 Cruzeiro) e das circunstâncias misteriosas envolvendo, pra variar, a anulação de um tento alvinegro.

Nos Estados Unidos vivi, pela primeira vez, a experiência de estar num lugar onde as pessoas não dão a mínima para o futebol – mesmo na Noruega, que não era um exemplo de entusiasmo neste setor, havia um campinho ou outro para uma peladinha. Na América, a ESPN não mostra os resultados da rodada, as lojas de esporte não possuem artigos relacionados ao soccer, e apenas uma vez ou outra alguém, ao saber que eu era brasileiro, fazia alguma referência ao esporte bretão. Para ser sincero, isso aconteceu duas vezes: um atendente da Macy’s me perguntou o paradeiro do Cafu(!) e um papo sobre a copa de 94 que tive com um romeno da empresa onde estávamos trabalhando (o assunto foi o bom desempenho da seleção de Hagi e companhia). Com isso, acabei praticamente alheio ao desempenho do galo nos últimos vinte dias. Soube dos placares e vi, pela internet, os gols do Obina, os frangos do Aranha e as trapalhadas da FMF.

E foi após esta epopéia que me acomodei no sofá na tarde do sábado para assistir Atlético x Democrata/GV. Depois de um primeiro tempo morno, o início da segunda metade prometia alguma ação quando a TVA saiu do ar. O telefone para reclamações constantemente ocupado indicava que o problema parecia ser sério. Para liquidar qualquer esperança de acompanhar a partida, logo depois a luz acabou em Botafogo, só voltando na manhã do domingo. O destino é assim, implacável. Mas, valeu pelos 3 pontos.