25 de abr. de 2010

Meio caminho andado

Ipatinga 2 x 3 Atlético

A primeira partida da final do Campeonato Mineiro 2010, realizada na tarde deste domingo em Ipatinga, foi uma grata surpresa: um jogo rápido, disputado, com poucas faltas e nenhuma catimba. Surpreendendo o adversário, Luxemburgo adotou o 4-4-2 para a partida, sacando Júnior e Renan Oliveira e entrando com Correia e Ricardinho como titulares.

Apesar da novidade, o Ipatinga logo equilibrou as ações e conseguiu duas boas finalizações nos primeiros dez minutos. Aos doze, após cobrança de escanteio, Fabiano desviou contra a própria meta colocando o Tigre na frente. A partir de então, o Atlético dominou o meio e começou a chegar com perigo à área do Ipatinga. Aos 32 minutos, Correa fez boa jogada individual, invadiu a área adversária em velocidade e foi derrubado pelo arqueiro Douglas. O pênalti foi cobrado e convertido por Tardelli.

O Atlético virou no início do segundo tempo, Tardelli lançou Muriqui que limpou o zagueiro e fuzilou a meta ipatinguense. Quando tudo parecia sob controle para o galo, a defesa alvinegra se atrapalhou numa saída de bola e acabou cometendo uma falta no bico da grande área. Luisinho cruzou e a pelota atravessou toda a pequena área para bater no poste esquerdo de Aranha e morrer na meta alvinegra. 2 x 2. Ato contínuo, iniciei uma troca de SMS com o meu irmão tratando da reconhecida falta de competência do nosso guarda metas quando se trata de bolas adversárias alçadas à nossa área. É um desastre completo!

Apesar de levar o gol de empate, o galo continuou melhor, tocando a bola e buscando o gol, que só não saiu antes devido a uma finalização bisonha do Muriqui e a uma cabeçada do Tardelli à queima roupa defendida pelo Douglas. Aos 39, Carlos Alberto penetrou em velocidade pelo lado direito e cruzou, a bola atravessou a área e sobrou para Júnior que, livre, chutou forte para dentro da pequena área, Muriqui desviou e a bola bateu no travessão e entrou, confirmando a justa vitória alvinegra.

Desde o primeiro clássico contra o América nesta fase final que eu não conseguia assistir a uma partida do Atlético na íntegra e devo admitir que gostei do que vi. Ainda não é o time ideal, mas a postura dentro do campo me agradou: aparentemente, a equipe sabe o que fazer com a bola, sabe as posições que deve ocupar e quais os objetivos que quer atingir. Me pareceu uma equipe mais madura e segura do que a de 2009.

O destaque negativo, como sempre, fica com o nosso goleiro. Apesar de ter feito algumas grandes defesas ao longo do jogo, Aranha é um desastre na saída do gol. Nesta altura do campeonato, qualquer adversário já sabe que bola cruzada na área do Atlético é um pandemônio, pois a insegurança do camisa 1 desestabiliza toda a zaga, que ávida por afastar a criança de dentro da pequena área, acaba cometendo falhas grotescas. O mínimo que se espera de um goleiro de qualidade é que ele mostre que a pequena área tem dono, que quem manda naquela faixa de grama é ele, não dá pra ficar em pé em cima da linha do gol esperando o que vai acontecer, como fica o nosso amigo aracnídeo. Enfim, o negócio é acreditar que Luxemburgo sabe o que está fazendo, afinal de contas a quarta-feira está chegando!

23 de abr. de 2010

Hora da afirmação

Sport 0 x 2 Atlético

O início da noite de quarta-feira não foi nada bom: as celebrações da igreja universal na praia de Botafogo impediram que vários colegas comparecessem à pelada semanal e tivemos que nos contentar com o quórum mínimo, ou seja, 10 guerreiros jogando futebol, ininterruptamente, durante 1:30h. A falta de ritmo de jogo e uma distensão muscular resultaram numa atuação medíocre deste que vos escreve - mal conseguia acertar um passe, como o Gutemberg nos bons tempos de Atlético - e o fato é qualquer peladeiro sabe o quanto é perturbador voltar para casa refletindo sobre o seu péssimo desempenho.

Cheguei em casa, liguei a tv para acompanhar a rodada da Copa do Brasil e descobri que todos os jogos estavam sendo transmitidos, exceto o do Atlético, é óbvio. Liberaram, inclusive, um canal do pay per view para a partida do Palmeiras, se não me engano. Conformado, liguei o computador e descobri que já petecávamos 2 x 0 no Leão em plena Ilha do Retiro. Com esse placar, o Sport teria que marcar 4 gols no segundo tempo para que prosseguisse vivo no torneio. O próximo passo foi conseguir um link e acompanhar o restante do jogo na telinha do computador.

A metade final da partida teve ares de coletivo para o Atlético, que tocava a bola esperando o apito final sem ser ameaçado pelo adversário. Renan Oliveira conseguiu perder uns dois gols porque, invariavelmente, entra para decidir as jogadas com a moleza que lhe é característica: como falta espírito guerreiro ao garoto! É lastimável! Enfim, vencemos a partida com autoridade e agora enfrentaremos o time mais badalado do semestre: o Santos das coreografias.

Entendo as preocupações de alguns, que prefeririam enfrentar o peixe numa final, mas analisando o retrospecto do galo na Copa do Brasil afirmo que não faz a menor diferença estar na chave mais fraca ou mais forte da tabela. Afinal, sabemos muito bem que enfrentar um adversário de menos tradição não nos facilita a tarefa nem um pouco: Brasiliense, Criciúma e Santo André que o digam. Assim, acho que o desafio vem em boa hora. O time da baixada, certamente, vive um momento melhor e conta com mais talentos individuais do que o glorioso, mas a Copa do Brasil tem as suas surpresas e se o Luxemburgo e seu time querem se afirmar para a torcida esta é uma chance de ouro.

Falando em chance de ouro, domingo começa a decisão do Campeonato Mineiro 2010 contra o Ipatinga. O time do Vale do Aço já foi um adversário complicado na primeira fase, quando suamos para arrancarmos um empate no Mineirão, e deve jogar duro nesta decisão. Não há dúvidas de que levantar o caneco é obrigação do Clube Atlético Mineiro, mas teremos que jogar bola para restabelecermos a hegemonia do futebol mineiro.

18 de abr. de 2010

Decisão no interior

Atlético 0 x 0 Democrata/GV

Aos poucos, tenho me acostumado a ouvir as partidas do Atlético pelo rádio novamente. É aquele nervosismo de sempre, mas obtenho as informações em tempo real e tem um que de nostalgia com pitadas de "belorizontismo" - há momentos em que tenho a sensação de que vou abrir a porta do alojamento e ver o trânsito de alguma rua movimentada da Floresta.

O jogo da noite de ontem não teve muitas emoções, foi um 0 x 0 clássico. Na verdade, a emoção residiu no fato de que cada gol perdido, cada oportunidade desperdiçada por um de nossos atacantes aumentava o meu temor de que alguma tragédia se abatesse sobre o Atlético nos minutos finais da partida. Para aumentar a minha angústia, fui obrigado a abandonar o quarto quando faltavam exatos 8 minutos para o apito final a fim de não perder o jantar. Lá no refeitório convidei os outros comensais a deixar o Jornal Nacional para depois para que, juntos, ouvíssemos os momentos finais da decisão contra o Pantera. Infelizmente, não obtive sucesso nesta empreitada e tive que me contentar em ouvir uma entrevista do Correa na Itatiaia durante o intervalo do noticiário da Globo, o que foi suficiente para me tranquilizar acerca desta sofrida classificação.

Hoje soubemos que o nosso adversário nas finais do Campeonato Mineiro será o glorioso Ipatinga, que liquidou o nosso maior rival em pleno Mineirão. Não há como não ficar feliz com uma notícia dessas mas, por outro lado, um clássico na decisão tem muito mais apelo e seria um teste muito mais sério para a equipe do Luxemburgo. Com relação ao Tigre, digo que apesar da falta de tradição, não tenho dúvidas de que o time do Vale do Aço será um adversário indigesto para o Atlético, ainda mais porque a partida decisiva será no Ipatingão. Porém, se jogarmos com seriedade e concentração, há grandes chances de o caneco voltar para a sede de Lourdes.

Encerro dizendo que ainda não tenho sentido firmeza no Atlético 2010. Obviamente, os desfalques estão comprometendo o rendimento da equipe, mas o que mais me preocupa é a falta de pegada do time. Não acho o nosso meio confiável e já está mais do que evidente que a boa fase do ataque (especialmente a do Tardelli) ficou em 2009. Quarta-feira enfrentaremos um grande desafio na Ilha do Retiro. Tecnicamente, o Sport é menos qualificado do que o Galo, mas tenho minhas dúvidas em relação ao conjunto e, em especial, à capacidade de combater do Atlético. A vantagem obtida no Mineirão é boa, ainda mais se conseguirmos anotar um tento em Recife, mas será preciso resistir à blitz dos pernambucanos e com essa marcação meio frouxa no meio e o aracnídeo debaixo dos postes, vai ser complicado.

16 de abr. de 2010

Gerenciável

Atlético 1 x 0 Sport

A rodada de quarta-feira na Copa do Brasil não teve espaço para o Atlético nem na famigerada bolinha do gol. Descobri que a partida estava 1 x 0 porque resolvi me dedicar ao rádio (o difícil era agüentar o Milton Naves). Sei que é meio repetitivo, mas como ainda não consegui sequer ver os melhores momentos do jogo, não consigo dizer se o resultado foi justo, bom ou animador. Tratando-se da Copa do Brasil, creio que é perfeitamente gerenciável na Ilha do Retiro, especialmente devido ao fato de não termos levado gols em casa. Um tento alvinegro dificultará imensamente a tarefa do Leão. Resta saber se Luxemburgo fará valer o seu prestígio de grande estrategista e o seu altíssimo salário trazendo esta classificação de Recife. Não será nada fácil.

Antes da decisão na capital pernambucana porém, decidiremos amanhã o nosso futuro no campeonato mineiro. Considerando-se a vantagem obtida em Ipatinga, acredito que se o time jogar o normal deve passar sem dificuldades pelo Democrata.

13 de abr. de 2010

10 dias

Atlético 2 x 2 América
Atlético 2 x 1 Democrata/GV

Depois de me acostumar a ver os jogos ao vivo na tv ou na internet, é praticamente impossível acompanhá-los somente pelo rádio. Mas, devido a falta de qualquer outra alternativa, sou obrigado a me resignar e agradecer à tv via satélite a disponibilidade deste recurso em local tão inóspito.

O fato é que é impossível comentar qualquer aspecto técnico ou tático baseado na voz do Caixa e nos melhores momentos do UAI. Sendo assim, não me resta outra alternativa a não ser me abster de fazê-lo. O que tenho a dizer é que jogar 3 vezes contra o coelho e obter três empates duros não é o tipo de coisa que me anima muito. A vitória magra em Ipatinga sobre o Democrata pantera foi um bom resultado, me arriscaria a dizer que se não houvéssemos tomado um gol no segundo tempo, a classificação estaria garantida. Mas, como uma vitória simples resolve as coisas para o time de Valadares, tudo pode acontecer.

Os próximos dez dias serão cruciais para as pretensões alvinegras neste primeiro semestre. Tá, reconheço que a situação está bem encaminhada no Mineiro, mas o pouco que vi do Atlético nesta temporada me leva a crer que os duelos contra o Sport serão muitíssimos complicados. E embora o Luxemburgo, na noite de ontem, já discutisse com o Galvão Bueno um eventual duelo contra o Santos nas quartas-de-final da Copa do Brasil, adianto que não compartilho do otimismo do nosso treinador. A defesa ainda é muito vulnerável, tem levado gols demais e isso faz toda a diferença neste torneio.

Amanhã começaremos a ver do que o Luxemburgo é capaz.

6 de abr. de 2010

Comendo mosca

América 3 x 3 Atlético

Mesmo sem ter planejado, acabei voltando para Belo Horizonte a tempo de ver a primeira partida das quartas-de-final do campeonato mineiro. Na verdade, quando chegamos em casa, o América já vencia por 1 x 0 e havia acabado de colocar uma bola na trave de Aranha. Não demorou muito e o coelho chegava ao segundo gol, após uma falha de Júnior numa saída para o ataque. 1 minuto depois, Fabiano diminuiu o prejuízo acertando um pombo sem asas do meio da rua. A partir daí, o Galo cresceu e conseguiu uma virada espetacular ainda no primeiro tempo com mais dois gols de Fabiano, o genro de ouro.

O segundo tempo foi marcado pelo aumento da chuva e pelo equilíbrio da partida. Muriqui acertou a trave americana num belo contra-ataque, mas Ricardinho, ao errar uma saída de bola, permitiu mais um ataque do coelho, o qual acabou sendo parado com uma falta em frente à grande área. "Se passar pela barreira, é gol", pensei. Não deu outra: Rodrigo mandou uma bomba, rasteira, que morreu no canto direito de Aranha. No fim, o placar ficou de bom tamanho para os dois.

Com relação ao desempenho do Atlético, do meio campo pra frente o time esteve bem, Muriqui e Tardelli trabalharam em velocidade e Fabiano, o elemento surpresa, acabou anotando três belos gols em 15 minutos. A zaga teve um desempenho fraco: levar os dois gols que levamos do América e uma bola na trave dá a dimensão do problema que estamos enfrentando no setor.

É certo que Zé Luís e Campos fizeram falta e que o meio de campo armado com Renan, Júnior (Ricardinho), Fabiano e Jonílson, somado à lentidão do Coelho, oferecia pouca proteção à zaga. No entanto, acredito que a maior contribuição à instabilidade da zaga alvinegra seja a falta de um goleiro de qualidade. Aranha, como já venho dizendo há algum tempo, não tem condições de ser o arqueiro titular do Galo. Se debaixo das traves o cara não é nenhum padrão de excelência, é nas saídas do gol que ele exerce com maestria uma das atividades favoritas dos aracnídeos: comer moscas. É mais um maldito seguidor da escola Édson que somos obrigados a aturar ostentando a camisa 1 do Atlético. Dessa maneira, não há zaga que aguente.

Na quarta-feira faremos o jogo de volta em Ipatinga, já que o Mineirão, em mais uma decisão esdrúxula da ADEMG, estará ocupado por um festival de Axé. Não ser o dono da sua própria casa tem dessas. Acho que se tudo correr bem, o Atlético passa com uma relativa tranquilidade. Como não poderei assistir à partida, tentarei escutá-la via Itatiaia na Sky. De repente, dá sorte.

5 de abr. de 2010

De volta ao Mineirão

Atlético 6 x 0 Chapecoense

Aproveitei a semana santa programada para Ouro Preto para marcar presença no Mineirão na noita da última quinta-feira na partida de volta contra a Chapecoense. Sem dúvida, um dos prazeres dessa vida é reencontrar os amigos antes de entrarmos no Gigante da Pampulha, relembrando fatos do passado, falando das expectativas para o futuro e vociferando contra a cor adotada para a camiseta de treino.

Como já havia dito em algum post anterior, não esperava que o Atlético enfrentasse grandes dificuldades diante dos catarinenses e o clima de confiança era grande dentro e fora do estádio. Logo no primeiro lance um susto: Obina é atingido violentamente em uma dividida e deixa o campo direto para a sala de raio X. Seu algoz sequer levou um amarelo e um misto de revolta e tristeza tomou conta das arquibancadas. Ver um jogador atleticano abatido é como sofrer um drama em família. Devo dizer que não sou um grande fã do camisa 7, mas é inegável que ele vinha se firmando e marcando os seus gols, se tornando a peça de referência no ataque que tanto nos fez falta na temporada passada. Naquela hora, pensei no nosso banco de reservas e me desesperei (Pedro Paulo, o homem que precisa de guizos para achar a bola?) e, como sou engenheiro, também pensei no imenso prejuízo (técnico e financeiro) do Galo ao ver o fruto de um investimento elevado passar 3 ou 4 meses no estaleiro.

Para aliviar a dor do torcedor, o Atlético logo abriu o marcador em um belo tento de Fabiano. O curioso foi que, a partir daí, o time esbarrou em sua ansiedade em resolver uma partida que se revelava fácil, errando passes demais e falhando nas conclusões. Os catarinenses se limitavam aos chutões e a algumas tentativas canhestras de catimba. O primeiro tempo ficou nisso.

Não sei qual foi o papo no vestiário, mas o fato é que o time voltou a campo para o segundo tempo e atropelou a Chapecoense, aos 13 minutos o placar já marcava 4 x 0. Aos 32, 6 x 0. Depois disso, foi só administrar e esperar o apito final. A pergunta que mais me intrigou ao longo da partida foi: "como é que conseguimos perder para esse time?". Depois, me lembrei do nosso histórico nesta competição e me limitei a ficar satisfeito com o resultado. De positivo, destaco as jogadas em velocidade e os desempenhos individuais de Fabiano, Tardelli, Renan Oliveira e Ricardinho. Júnior anotou um belo gol, mas errou demais no primeiro tempo. Werley foi um monstro, não perdeu uma dividida. No mais, é difícil tecer qualquer comentário acerca das possibilidades da equipe quando o adversário é tão fraco. No próximo post, discutiremos o clássico de ontem contra o Coelho. Por agora, ficamos por aqui.

29 de mar. de 2010

25 minutos e goleada

América/TO 2 x 2 Atlético
Atlético 6 x 0 Ituiutaba

Quarta-feira, antes de me dirigir para o aeroporto, consegui assistir aos 25 minutos restantes do jogo entre o América de Teófilo Otoni e o Atlético, que havia sido interrompido pela chuva no dia 3/3. 25 minutos com os dois times descansados impuseram um ritmo um tanto frenético ao jogo e apesar de atuar com um homem a menos (Leandro havia sido expulso durante a primeira parte da partida), as melhores chances foram do Galo, ambas com Tardelli: uma foi defendida pelo arqueiro americano e outra explodiu no travessão, após um lindo arremate do camisa 9 alvinegro. Aranha, como sempre, ainda tentou ajudar o time da casa cometendo uma falha, mas se recuperou a tempo. No fim, ficou tudo como estava: 2 x 2.

Neste domingo, o Atlético encerrou a sua participação na primeira fase do campeonato mineiro enfrentando o virtualmente rebaixado Ituiutaba. Depois de boas temporadas na primeira divisão, o time do triângulo não se preparou adequadamete e acabou segurando a lanterna da competição. O Galo, que não tinha nada com isso, jogou com a seriedade pregada pelo seu comandante e acabou goleando implacavelmente o adversário. 6 x 0, mas poderia ter sido mais. Destaque para as participações individuais de Tardelli, autor de três tentos e Fabiano, autor de outros dois e executor da jogada que resultou em pênalti convertido pelo primeiro.

Obviamente, a fragilidade do Ituiutaba nos impede de tecer comentários mais profundos acerca da qualidade do escrete alvinegro, mas a goleada foi muito importante, principalmente nesta semana onde enfrentaremos a Chapecoense pela Copa do Brasil precisando de uma vitória. Certamente, time e torcida irão para o Mineirão na quinta bem mais tranquilos com a situação resolvida no estadual. Quanto a este que vos escreve, aproveitando o feriadão e o calendário favorável, estarei presente no gigante da Pampulha pela primeira vez em 2010.

23 de mar. de 2010

Evolução

Villa Nova 1 x 3 Atlético

Finalmente, após 9 rodadas, consegui acompanhar uma partida do Atlético na íntegra. Mesmo com desfalques importantes - Tardelli, Correa, Cáceres e Ricardinho - o time conseguiu se impor em Nova Lima e não teve dificuldades para derrotar o Leão. Logo no início do primeiro tempo, Muriqui sofreu pênalti convertido por Obina que, minutos depois, assinalou o segundo tento ao acertar um belo petardo de fora da área. No segundo tempo, Renan Oliveira marcou o seu em uma falha do goleiro adversário e Warley descontou para o Villa após uma pixotada de Werley.

De uma maneira geral, gostei do que vi: o time esteve bem postado em campo e o esquema com 3 zagueiros deu conta do recado. A fragilidade do Leão era evidente, mas é importante nos lembrarmos do estado e das dimensões do gramado do Castor Cifuentes, que dificultam a tarefa mesmo para quem sabe jogar bola. Destaque para as boas participações de Renan Oliveira e Obina, que parecem estar se firmando na equipe titular - o primeiro com assistências precisas e o segundo marcando gols. Resta saber se terão o mesmo desempenho contra equipes fortes em momentos decisivos.

Para finalizar, está mais do que evidente que Aranha não tem condições de ser titular do Atlético. O cara comete erros sucessivos de fundamento e nessa altura do campeonato, não tem conserto. Melhor passar para frente. Carini? Uma incógnita. Acredito estar pagando o preço por ter sido segundo goleiro a maior parte da carreira. Falta ritmo, é uma pena. Há poucos dias a imprensa noticiou que estamos acertando com o Marcelo, segundo goleiro do Bahia. Seria a solução para a meta atleticana? Não acredito. Sinceramente, daria uma chance ao Renan Ribeiro.

19 de mar. de 2010

Preto e branco

Chapecoense 1 x 0 Atlético

O jogo contra o lanterna do campeonato catarinense na última quarta-feira foi, para mim, uma incógnita: além de não ser transmitido por nenhum canal de tv, a rádio sintonizada na SKY resolveu dividir a transmissão da peleja do Galo com a de um amistoso entre o selecionado sulafricano e o nosso maior rival. Assim, não há saco que aguente. Acabei acompanhando uma partida qualquer pela Libertadores. A derrota por 1 x 0, considerando o nosso histórico na Copa do Brasil, pode ser considerado bom. Não acredito que tenhamos maiores problemas em reverter o quadro desfavorável na partida de volta no Mineirão.

O assunto da semana, entretanto, não foi a derrota em Chapecó, mas sim o lançamento da coleção 2010 do Galo pela Topper. Não satisfeita em estragar o uniforme oficial de jogo, a marca resolveu nos fornecer uma camisa de treino rosa. Isso com a conivência do presidente, que fez questão de frisar publicamente que os polêmicos modelos foram uma escolha pessoal. O resultado, como não poderia deixar de ser, foi catapultar o clube a posição de destaque no noticiário esportivo e, consequentemente, a ser motivo de chacota até em lugares menos prováveis, como o blog do jornalista Luis Nassif.

Qualquer indivíduo um pouco sensato sabe que a cor de uma camisa não quer dizer absolutamente nada, mas vá dizer isso a um torcedor de futebol. É muito difícil ser racional quando se trata do ludopédio. A verdade é que toda essa polêmica era absolutamente desnecessária e o presidente decidiu, deliberadamente, entrar nessa. Foi gratuito, e é isso que, fundamentalmente, me irrita. As razões para tal atitude, eu desconheço. Seria por causa desta sequência enorme de campeonatos e vitórias que temos acumulado ao longo de sua gestão? Falando sério, o torcedor não merecia isso. O Atlético não merecia isso.

Se tem uma coisa que eu sempre admirei no Atlético foi a simplicidade com que as coisas sempre foram feitas, tanto por parte de gestão do clube quanto por parte da torcida. "Inventar moda", como nós mineiros dizemos, nunca foi o nosso negócio. O clube não é alvinegro à toa. Pode parecer besteira, mas para mim, toda essa baboseira é mais um prenúncio de uma temporada desanimadora. Espero estar errado.

13 de mar. de 2010

Galo doido

Atlético 4 x 0 Caldense

Um dos efeitos colaterais do regime de trabalho 14 x 21 é que o sujeito se desliga do calendário regular e a diferença entre dias úteis e finais de semana deixa de existir. A vida passa a ser dividida em "trabalho" ou "folga" (também existe, em momentos especiais, a modalidade "trabalho na folga"). Hoje foi um dia particularmente difícil, muito sol, calor e inspeções dentro da plataforma. A surpresa foi que ao adentrar um dos compartimentos me deparei com inscrições "GALO DOIDO" feitas com um marcador amarelo numa das anteparas. Sem dúvida, culpa da mineirada que andou sendo recrutada no vale do aço para trabalhar por aqui. Por um instante, pareceu que eu estava em Belo Horizonte.

De volta à realidade, acabei me lembrando da partida contra a Caldense marcada para a tarde deste sábado. Obviamente, a repercussão do campeonato mineiro fora das fronteiras do estado é zero. O negócio, como sempre, é acompanhar a primeira metade do jogo pela internet, enquanto ainda estou no canteiro de obras, e o restante no canal 411 da SKY, que reproduz a rádio Itatiaia. Cheguei ao alojamento a tempo de escutar o último gol e, para minha surpresa, ainda consegui ver os 4 tentos na internet CLARO GSM, feito inédito neste quase um ano de trabalho em São Roque.

Impossível fazer maiores comentários sobre a partida baseando-se naquilo que se escuta no rádio. Elegeram o Renan Oliveira o melhor em campo: vi o belo gol e a ótima assistência para o Fabiano, talvez o merecesse realmente. Tomara que seja um recomeço, embora minha desconfiança ainda seja alta em relação ao garoto. Jogamos sem Correa e Tardelli e o Ricardinho se machucou ainda no primeiro tempo, dando lugar a Evandro, mas é possível que a fragilidade do adversário não tenha permitido que o time sentisse tanto os desfalques. De qualquer maneira, goleamos e isso é sempre bom, especialmente num sábado. Amanhã é dia de curtir os desafios alheios sem grandes preocupações futebolísticas na cabeça.

9 de mar. de 2010

Ausência

Atlético 1 x 0 Democrata/GV

Depois de curtir o carnaval nos pampas, embarquei no dia seguinte da minha volta ao Rio de Janeiro para Houston, numa viagem a trabalho. Com isso, apenas soube do placar do clássico (Atlético 1 x 3 Cruzeiro) e das circunstâncias misteriosas envolvendo, pra variar, a anulação de um tento alvinegro.

Nos Estados Unidos vivi, pela primeira vez, a experiência de estar num lugar onde as pessoas não dão a mínima para o futebol – mesmo na Noruega, que não era um exemplo de entusiasmo neste setor, havia um campinho ou outro para uma peladinha. Na América, a ESPN não mostra os resultados da rodada, as lojas de esporte não possuem artigos relacionados ao soccer, e apenas uma vez ou outra alguém, ao saber que eu era brasileiro, fazia alguma referência ao esporte bretão. Para ser sincero, isso aconteceu duas vezes: um atendente da Macy’s me perguntou o paradeiro do Cafu(!) e um papo sobre a copa de 94 que tive com um romeno da empresa onde estávamos trabalhando (o assunto foi o bom desempenho da seleção de Hagi e companhia). Com isso, acabei praticamente alheio ao desempenho do galo nos últimos vinte dias. Soube dos placares e vi, pela internet, os gols do Obina, os frangos do Aranha e as trapalhadas da FMF.

E foi após esta epopéia que me acomodei no sofá na tarde do sábado para assistir Atlético x Democrata/GV. Depois de um primeiro tempo morno, o início da segunda metade prometia alguma ação quando a TVA saiu do ar. O telefone para reclamações constantemente ocupado indicava que o problema parecia ser sério. Para liquidar qualquer esperança de acompanhar a partida, logo depois a luz acabou em Botafogo, só voltando na manhã do domingo. O destino é assim, implacável. Mas, valeu pelos 3 pontos.

20 de fev. de 2010

Sem folia

Uberaba 2 x 2 Atlético

Quem me conhece há algum tempo sabe que não sou adepto das folias momescas. Além disso, viver no exílio faz com que qualquer oportunidade de rever os familiares seja aproveitada, de modo que o feriadão foi gozado em um recanto junto à represa da usina do Passo Real, no Rio Grande do Sul.

Longe da internet e do pay per view, acabei me lembrando da Itatiaia na Sky e, aproveitando uma brecha na programação do pessoal, que não é nem um pouco adepto do futebol, descobri que o Atlético batia o Zebu por 2 x 0 e voltei a papear com a tranquilidade de um vencedor. O jantar já estava na mesa quando descobri que o jogo havia acabado num melancólico 2 x 2 e o Galo conseguiu, por alguns instantes, afetar o meu humor naquele ambiente bucólico. Mas, foi só provar aquela excelente refeição, devidamente acompanhada por um bom vinho da região, para que a paz de espírito voltasse.

As circunstâncias envolvendo o empate e o desempenho do Atlético eu desconhecia até a tarde desta sexta-feira, quando voltamos para Porto Alegre, de modo que me abstenho de quaisquer comentários. O único fato realmente irritante foi ver o nosso treinador repercutindo a demissão do seu colega Muricy pelo Palmeiras. Foco no Clássico? Sei.

Amanhã, no exato momento do clássico, estaremos voando de volta para o Rio de Janeiro, onde saberei o resultado da primeira partida importante do Atlético em 2010. Espero, somente, que a "pré-temporada" já tenha acabado e que o time consiga jogar futebol, coisa que ainda não aconteceu nesta temporada.

10 de fev. de 2010

O tempo dirá

Atlético 1 x 1 Ipatinga

O fato de ter perdido as duas primeiras partidas do Atlético em 2010 aumentou a minha ansiedade para acompanhar a peleja contra o Ipatinga. Como no fim de semana anterior a equipe do vale do aço havia superado o nosso maior rival com um 3 x 0 em pleno Mineirão, sabia que teríamos dificuldades na tarde do domingo. As novidades seriam as estreias de Zé Luís e Obina e o novo esquema de jogo do Luxemburgo: o 4-3-3.

O primeiro tempo foi morno, com um ligeiro domínio atleticano: tivemos a posse de bola e, como na temporada anterior, girávamos a pelota na intermediária adversária e finalizávamos pouco e sem perigo. O Ipatinga teve algumas chances em bons contra-ataques. A segunda etapa começou com um frangaço do Carini, estilo Taffarel, o que fez o caldo desandar de vez. Luxemburgo efetuou três alterações (saíram Obina, Ricardinho e Fabiano e entraram Carlos Alberto, Renan Oliveira e Marques), mas a desorganização continuou: muitos passes errados, finalizações bisonhas e correria improdutiva. No fim, o Galo conseguiu o seu gol de empate na base do abafa: bola cruzada na área, Carlos Alberto escorou e Muriqui completou para as redes. 1 x 1 e ficou nisso.

Dois fatos me deixaram bastante preocupado: o primeiro é o comportamento da torcida em campo. Não entendo porque o sujeito se dá ao trabalho de sair de casa num domingo ensolarado e ir ao Mineirão para vaiar qualquer erro da equipe. Se quiser vaiar, que o faça no fim do jogo. A realidade é que qualquer adversário que vai a Belo Horizonte hoje em dia sabe que se for capaz de segurar a partida por meia hora, passa a contar com a nossa torcida para dificultar o trabalho do Galo. Outra coisa difícil de entender: 200 pessoas vão receber o Obina no aeroporto como se fosse o Luis Fabiano e quando o homem é substituído vaiam. Todo mundo sabe quem é o Obina, então porque toda essa perplexidade com o desempenho do baiano?

O segundo é a postura burocrática e dispersa do time em campo. Com os reforços que chegaram o Atlético passou a ser uma equipe, digamos, "experiente". Não vai dar para querer correr como o Santos ou o Vasco, para ficarmos em dois exemplos. Tem que ter pegada, posse de bola e precisão nas finalizações, coisas que não tem acontecido. Acho que o Fabiano e o Carlos Alberto são bons reservas e que o Renan Oliveira pode até crescer com o Luxemburgo (embora a sua falta de brios seja pavorosa) e, contrariando boa parte da torcida do Galo, o Ricardinho, para mim, é titular desse time. Não entendi as críticas ao jogador após a partida. Quanto ao esquema com 3 atacantes, tenho as minhas dúvidas sobre a possibilidade de vir a dar certo.

A verdade é que nesta altura não temos outra alternativa a não ser confiar no trabalho da comissão técnica e da direção do clube. Aparentemente, os reforços solicitados foram contratados, a pré-temporada foi (ou está sendo) realizada e os salários estão em dia. O que mais podemos esperar? Todo mundo sabe que o ano começa daqui a exatos dez dias, com o primeiro clássico de 2010. Depois desse jogo as desculpas da pré-temporada e da fase de testes não vão mais colar.


5 de fev. de 2010

Na estrada

Atlético 3 x 2 Tupi

Enquanto o Atlético jogava contra o Tupi no Mineirão, enfrentávamos a BR-040 rumo ao Rio de Janeiro. Na ausência do radinho, o placar foi devidamente acompanhado através do portal WAP da UOL nos trechos onde havia disponibilidade de sinal para o celular (o da UAI, por incrível que pareça, não funcionava). No fim, a vitória por 3 x 2 ficou de bom tamanho.

Mais tarde, o SPORTV, aparentemente por misericórdia, concedeu um espacinho entre noticiários do Fla x Flu e do Corínthians e Palmeiras, para destacar a "primeira vitória do Atlético do Luxemburgo no campeonato mineiro". É isso aí, finalmente, na segunda rodada, o Atlético conseguiu uma vitória! Ufa!

Este fim de semana, se a TVA deixar, poderei assistir à partida contra o Ipatinga e, assim, começar a formar uma opinião mais consistente acerca da equipe. Até o momento, não estou muito animado nem com as contratações e nem com o desempenho do galo. Esta semana, depois da volta do Zé Luís, foi anunciada a volta do Cáceres. O paraguaio teve uma curta passagem pelo Galo durante a campanha do rebaixamento e foi um dos poucos que se salvou naquela temporada. É competente, mas como disse no post anterior, tenho bastante receio quando se fala em ressuscitar essa gente. Torço para que dê certo, mas preferiria apostar em caras novas.

26 de jan. de 2010

Painho

Atlético 1 x 1 América

Se durante os meus 14 dias na Bahia, já é difícil acompanhar a campanha alvinegra durante o campeonato brasileiro, é fácil imaginar o que se passa quando tratamos do campeonato mineiro. A diferença é que depois de 8 meses de embarques, descobri que a rádio itatiaia está disponível na SKY, canal 411. E foi assim que consegui acompanhar o segundo tempo.

Na segunda-feira, recorri ao meu primo, André Painho, antigo colaborador deste blog, para que me dissesse as suas impressões acerca do futebol apresentado pelo galo na véspera. Aranha havia falhado? O time funcionou? Eis a resposta deste velho companheiro de Mineirão e Independência, que tomo a liberdade de publicar abaixo:

"Primo, a verdade é que saiu de bom tamanho pro Galo. O América esteve melhor e por pouco não saiu com a vitória...

Falha do Aranha? Sim. E falhou em outros lances durante o decorrer da partida tbm. Mas por outro lado ele fez boas defesas e garantiu o empate. A torcida já pediu carini ontem, aquele velha falta de paciência costumeira.

O time jogou como no ano passado. Rodando bola de um lado para outro mas sem objetividade e gana de vitória. O jogo de ontem foi a mesma coisa da época Roth: o time sobra em posse de bola, mas tá sem poder de decisão. Falta a referência no ataque e um camisa 10 de verdade, que chama a responsa e decide uma partida. Evandro, definitivamente, não rola...

Como que ele chama? Coelho? Tava morto já aos 15 da segunda etapa. Um merda. Eu sou contrário a este fdp no Atlético. Aquela corridinha dele voltando sempre atrasado pra defesa é que me mata. Preguiçoso da porra...

Vamos jogo a jogo, sem muito oba-oba e empolgação. Uma estréia em clássico é sempre jogo duro. Vale destacar a participação dos reforços na partida de ontem: Jairo Campos, Leandro e Muriqui. Estiveram bem e dão mostras de que os tumores do passado foram extintos (Tiago Feltri, Eder Luís, enfim).

Mas acho que o time ainda vai melhorar, esta é a tendencia."

Como podem ver, apesar de ser um crítico atroz do lateral Coelho, o primo vislumbra um futuro melhor para o clube, apesar da fraca apresentação do domingo. Com relação aos novos reforços, ainda emitiu, posteriormente, o seu veredito sobre a possível contratação do Zé Luis (eu havia dito, no email, que para mim o Zé era um Cleisson piorado):

"Claro né primo. Poh, revivo os pesadelos da época de 2004 com o tal Zé Luis.

À época do desgraçado, cheguei até a dormir em certa oportunidade, bêbado, no cimento frio e sujo do Mineirão vazio, em uma derrota do galo pro Goiás. Acordei e já tava 2 a zero pro adversário. haha Zé Luis era titular! Assim como Juninho, Márcio Araujo, Rodrigo Fabri, Quirino, Emerson, Rubens Cardoso, Alessandro Batoré, etc.
Era um sufoco amigo! Cleisson piorado é um elogio na minha opinião."

Também sou daqueles que acha que levantar defunto não é solução. Ao ler sobre a contratação do Zé Luís, me veio à cabeça a contratação do Lenílson. Agora é ver para crer. Não é fácil essa vida de torcedor.


22 de jan. de 2010

2010

Passada a ressaca do fim do Brasileirão 2009 e das festas de fim de ano, voltamos a nos concentrar para acompanhar a temporada 2010. O problema, no momento, é que ao contrário dos anos anteriores, meu entusiasmo pelo esporte bretão anda um pouco abaixo do que seria natural nesta época do ano. O resultado mais evidente é a falta de publicações neste espaço.

O fim de ano foi duro para todos os atleticanos, a forma como saímos da disputa pelo título e pela vaga à taça libertadores foi desanimadora. A demissão de Roth foi correta e a contratação de Luxemburgo uma incógnita. Poucos dias após a apresentação do Luxa, a comissão técnica começou a ser montada e hoje contamos com pessoas como Rincón e o ex-árbitro Vagner Tardelli em nossa folha de pagamentos. Profissionalismo ou trem da alegria? Só o tempo dirá.

Com relação ao elenco, recebemos reforços na lateral esquerda (Leandro), no ataque (Muriqui, Obina) e na defesa (Jorge Campos). A base montada em 2009, que não era má, foi mantida. Creio que as deficiências nas laterais dificilmente serão sanadas com o que temos em mãos e, talvez, nos falte um volante mais forte. Professor Luxemburgo fará a diferença? Roguemos ao pai celestial que sim.

Domingo estreamos contra o Coelho e acredito numa vitória. Quem sabe assim o entusiasmo começa a voltar?

8 de dez. de 2009

Uma aposta

Houvesse o Atlético contratado o Luxemburgo há cinco anos atrás, estaria aqui neste espaço vibrando e esperando para contabilizar as vitórias. Nesta altura do campeonato, fico com o temor de que o Galo possa ter perdido o bonde da história. É lógico que, no fundo, fica a esperança de que pode dar certo: o homem vem sendo contestado há algum tempo, talvez queira mostrar serviço e nada melhor do que o Clube Atlético Mineiro para demonstrar o poder de um indivíduo de superar o impossível.

A tarefa mais árdua é conseguir mudar a mentalidade derrotista e trágica que está impregnada na torcida. Digo isso porque, para boa parte da torcida alvinegra, o Atlético só não ganhou o Brasileirão 2009 porque é um time azarado e sem estrela, e não porque tinha uma zaga limitada e um esquema marcado pelos principais adversários. A história tem sido cruel conosco, reconheço, e o atleticano nunca deixará de ser um eterno apaixonado, mas a torcida precisa voltar a acreditar e, mais ainda, a enxergar a equipe com um mínimo de objetividade e pragmatismo.

Ainda hoje, em algum portal de esportes, vi Celso Roth dizendo que ao afirmar que ganharia o título brasileiro criou um monstro. A analogia foi perfeita. O problema é que Roth não teve a competência e a experiência necessárias para gerenciar a situação e "domesticar" o monstro. Pelo contrário, o "monstro", ao invés de atemorizar os adversários, colocou um peso ainda maior sobre os ombros de um time limitado, mas que para ser campeão só precisava vencer as últimas três partidas a serem disputadas em casa. O trágico resultado todos conhecemos.

Resumindo: no Atlético o treinador não terá um ambiente sereno e propício para o desenvolvimento de um trabalho "científico", baseado no planejamento, na técnica e na qualidade do seu elenco. Luxemburgo, com o currículo que tem, será mais cobrado do que qualquer outro que assumisse a posição nesta altura do campeonato. Por outro lado, justamente por ser quem ele é, é possível que ele seja o homem correto para ocupar o cargo neste momento. Espero, sinceramente, que ele tenha a serenidade necessária para conduzir a situação e montar um time competitivo, focado e raçudo, porque na hora de decidir, com toda essas emoções represadas no coração alvinegro, vai ter que ser na marra. Deus nos ajude.


7 de dez. de 2009

Fim de festa

Atlético 0 x 3 Corínthians

No post anterior me perguntava o que o Atlético estava preparando para a última rodada após levar um gol olímpico e um gol do meio do campo em partidas decisivas. Apostava em um gol de bicicleta do fenômeno, mas uma suposta contusão o afastou dos gramados para a derradeira partida do timão em 2010. Assim, o Galo resolveu levar dois gols do Souza, que havia anotados outros dois o campeonato inteiro, e um outro do Bill, naquele que deve ter sido o maior "gol de fim de pelada" da história do Mineirão.

O Atlético ainda teve a oportunidade de diminuir o prejuízo em um pênalti ainda no primeiro tempo, mas o ânimo era tanto que quando o Diego Tardelli pegou a pelota e botou na marca, falei para o amigo que estava aqui em casa:

- Ele vai perder.
- Que isso, cara!? Ele quer ser artilheiro!
- Rapaz, eu conheço a minha freguesia. Ele não marca esse gol. Vai perder.

Tardelli corre, para e bate para defesa do goleiro paulista. Já sabendo do roteiro, optamos pelo FIFA 2010 e o campeonato brasileiro acabou assim para mim. No fim, alguém disse pelo Twitter que o Roth havia caído e que pessoas comemoravam na chuva no estacionamento do Mineirão.

É difícil explicar essa queda de produção do time após a derrota para o Flamengo e, como já disse antes, acredito que a maior parte da culpa pode ser botada na conta do Roth, que não soube gerenciar a situação. Por outro lado, a campanha no fim do turno foi quase tão ruim quanto a do returno, quando enfrentamos os adversários diretos pelas primeiras posições. A verdade é que limitações técnicas somadas a problemas psicológicos e a pusilanimidade de alguns atletas (e do nosso treinador, provavelmente) só poderiam resultar em cinco derrotas seguidas e um fim de ano espetacular como esse.

30 de nov. de 2009

Juntando os cacos

Palmeiras 3 x 1 Atlético

Há algumas semanas, antes da partida contra o Flamengo, sofri com um dilema: emitia passagens para Porto Alegre ou dava um jeito de fugir para Belo Horizonte a tempo de ver o jogo contra o Palmeiras junto com os amigos na Capital das Alterosas? Dúvida cruel. Sentado em frente ao computador, fiz uma breve e sensata revisão dos meus 32 anos acompanhando o Clube Atlético Mineiro e, ato contínuo, cravei o OK no site da companhia aérea decidindo pela viagem para a capital gaúcha. Às vezes, um homem precisa recorrer a razão para superar a emoção.

Dessa maneira, às 17 horas de ontem estava em uma festa infantil bebendo coca-cola e comendo brigadeiros. Nada de televisão. Tudo estava tranquilo até que um amigo me ensinou a acompanhar os placares da rodada através do celular. Quando consegui o tal acesso, já estava 3 x 1 para o porco. Nenhuma esperança de recuperação.

Mais tarde, em casa, fui à internet para me inteirar dos acontecimentos e vi, assombrado, que levamos um gol com um minuto de jogo. Um minuto! E olhem que o Roth sacou Ricardinho e Márcio Araújo para fechar melhor o meio de campo e evitar surpresas no início do jogo. Fico imaginando se estivéssemos atuando com a formação normal, será que teríamos levado um gol com 10 segundos?

Apesar das adversidades, Tardelli acabou empatando aos 12 minutos e, ao invés do Atlético conseguir se impor emocionalmente sobre o adversário, realizou a façanha de levar um gol do meio de campo. É isso aí, não satisfeito em levar um gol olímpico no Mineirão, o time permite que o adversário assinale o tento que Pelé tentou e não marcou. Qual o próximo passo? Gol de bicicleta do Fenômeno domingo que vem? Parei por ali, não quis ver ou saber de mais nada.

A verdade pura e simples é que o campeonato acabou quando o Pet cobrou aquele maldito escanteio no Mineirão. O pior dessa reta final não foram as derrotas em si, mas sim a agonia de ver que o time não tinha capacidade (e, aparentemente, nem vontade) de superar as adversidades e voltar a jogar bola. As derrotas poderiam vir de qualquer maneira, os adversários eram difíceis, mas poderíamos ter oferecido alguma resistência, ter "peleado", como dizem os gaúchos. Seria honroso, pelo menos.