Houvesse o Atlético contratado o Luxemburgo há cinco anos atrás, estaria aqui neste espaço vibrando e esperando para contabilizar as vitórias. Nesta altura do campeonato, fico com o temor de que o Galo possa ter perdido o bonde da história. É lógico que, no fundo, fica a esperança de que pode dar certo: o homem vem sendo contestado há algum tempo, talvez queira mostrar serviço e nada melhor do que o Clube Atlético Mineiro para demonstrar o poder de um indivíduo de superar o impossível.
A tarefa mais árdua é conseguir mudar a mentalidade derrotista e trágica que está impregnada na torcida. Digo isso porque, para boa parte da torcida alvinegra, o Atlético só não ganhou o Brasileirão 2009 porque é um time azarado e sem estrela, e não porque tinha uma zaga limitada e um esquema marcado pelos principais adversários. A história tem sido cruel conosco, reconheço, e o atleticano nunca deixará de ser um eterno apaixonado, mas a torcida precisa voltar a acreditar e, mais ainda, a enxergar a equipe com um mínimo de objetividade e pragmatismo.
Ainda hoje, em algum portal de esportes, vi Celso Roth dizendo que ao afirmar que ganharia o título brasileiro criou um monstro. A analogia foi perfeita. O problema é que Roth não teve a competência e a experiência necessárias para gerenciar a situação e "domesticar" o monstro. Pelo contrário, o "monstro", ao invés de atemorizar os adversários, colocou um peso ainda maior sobre os ombros de um time limitado, mas que para ser campeão só precisava vencer as últimas três partidas a serem disputadas em casa. O trágico resultado todos conhecemos.
Resumindo: no Atlético o treinador não terá um ambiente sereno e propício para o desenvolvimento de um trabalho "científico", baseado no planejamento, na técnica e na qualidade do seu elenco. Luxemburgo, com o currículo que tem, será mais cobrado do que qualquer outro que assumisse a posição nesta altura do campeonato. Por outro lado, justamente por ser quem ele é, é possível que ele seja o homem correto para ocupar o cargo neste momento. Espero, sinceramente, que ele tenha a serenidade necessária para conduzir a situação e montar um time competitivo, focado e raçudo, porque na hora de decidir, com toda essas emoções represadas no coração alvinegro, vai ter que ser na marra. Deus nos ajude.
Muito bom seu texto. Raro encontrar torcedor apaixonado que consiga escrever assim. Eu mesmo não consigo
ResponderExcluirUm cruzeirense disse pra mim que o problema do Roth foi ter se indisponibilizado com alguns jogadores do time. Sei não, todo técnico tem, em algum momento, uma briguinha. Mas o cara é bom de avaliação, o peso é enorme e a responsa tb. Mas o luxa tb vai falar em título...
ResponderExcluirCarlos, obrigado. Não foi fácil escrever, mas acho que cinco semanas digerindo o que se passou com o Atlético neste fim de Brasileirão - o primeiro que acompanhei das arquibancadas em mais de cinco anos - ajudaram neste sentido.
ResponderExcluirMarcos, uma coisa é o Roth falar em título e outra é o Luxemburgo. Não acho que o Celso seja ruim, o sujeito fez um bom trabalho no Atlético, mas como eu disse, faltou capacidade pra ele sustentar essa história de título na reta de chegada. O Vanderlei tem um cartel respeitável, embora esteja na fila há algum tempo já. Acho que isso pode ser favorável no momento decisivo. Ele não tem o peso de nunca ter ganhado um título de expressão como o Roth tinha.